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3. KAMU MALİ YÖNETİMİNDE İÇ DENETİMİN ÖNEMİ

3.10. İç Denetim ve Dış Denetim Arasındaki İlişki

Identificamos, nos territórios rurais de Cachoeira do Fanado e Cachoeira da Lagoa, em Minas Novas, um significativo potencial extrativista de pequi subexplorado. Tal ponto deve ser ressaltado porque o pequi desses territórios tem um período de maturação mais tardio, o que seria uma possibilidade de exploração comercial após o tradicional pequi do Norte de Minas.

Com a qualidade semelhante ao fruto norte mineiro, o que restou do pequi das terras altas das chapadas do Vale do Jequitinhonha só tem sido consumido localmente. No caso por nós estudado, o pequi só é consumido na região de Minas Novas e algumas cidades próximas: Angelândia, Capelinha, Setubinha e, ocasionalmente, na cidade de Barrinha (estado de São Paulo) através dos camponeses que para lá vão trabalhar nas usinas de cana-de-açúcar e levam o óleo para ser vendido.

O significado do pequi em Minas Novas é mais uma tradição local, destacado pelas relações de uso com o recurso natural, do que propriamente um recurso com valor de troca. O valor de uso é mais importante que o valor de troca, até mesmo porque, utilizado como moeda de troca, o pequi apenas complementa a renda da família camponesa, sem nenhum outro destaque maior, como ocorre nos territórios norte mineiros.

A inexistência de um mercado urbano forte, de compradores regionais e inter- regionais, de agroindústrias ou cooperativas de processamento de frutos nativos, são os principais empecilhos para alavancar o extrativismo do pequi na região.

Outra dificuldade é o desconhecimento, por parte dos grandes e principais mercados consumidores de pequi, de que o Vale do Jequitinhonha também possui o fruto sertanejo. Além disso, a distância do Norte de Minas e dos principais centros consumidores do pequi é outro fator a ser considerado.

Os camponeses afirmaram ter muito zelo pelos pequizeiros, mas, pela pouca rentabilidade, às vezes não é dado o devido valor ao fruto, conforme mostra uma camponesa da Cachoeira do Fanado: “se tivesse todo ano uma pessoa que comprasse, a

gente ia dar mais importância”.

O fruto, na maioria das vezes, é vendido na feira da cidade de Minas Novas, cujo transporte é oferecido pela prefeitura. Por os camponeses levarem diversos alimentos produzidos na propriedade, a quantidade de pequi a ser levada tem de ser limitada, em função do peso que carregam. Além disso, a maioria dos camponeses leva o óleo de pequi

para a feira, produto este que pode ser vendido em qualquer época do ano. O preço pago no litro de óleo de pequi em 2010 foi de R$ 10,00.

O óleo é bastante apreciado localmente, porém não são muitas as famílias camponesas nas comunidades rurais que estão fazendo, pois o processo de extração é muito trabalhoso, segundo os entrevistados, e ainda consome muita lenha. Assim explica

uma camponesa: “num tempo atrás fazia muito óleo, mas agora o povo não está querendo fazer” (Camponesa, 34 anos, Cachoeira do Fanado). Então, mesmo o pequi e seu óleo não serem lucrativos, um camponês da Cachoeira da Lagoa afirma: “aproveita, a gente fica com dó de deixar ele perder, mas não vale a pena não”.

No sentido econômico, um camponês entrevistado informa ser o fruto sertanejo como qualquer outro alimento colhido na roça, porque, até hoje, ele não viu ninguém

“melhorar” com o “negócio” do pequi em Minas Novas. Todavia, nas palavras do mesmo, ele lembra que o pequi “é uma fruta que ajuda todo o tempo que o pessoal viveu por aqui. O pequi é uma coisa tradicional do lugar aqui”. Ele ainda completa: “o pequi aqui já foi a

coisa que salvou muito o pessoal, antes da usina, da Acesita... O pessoal temperava a

comida com o óleo do pequi” (Camponês, 39 anos, Cachoeira da Lagoa).

Pelas observações acima, se o pequi, porém, não tem uma dinâmica econômica expressiva, pelo menos ele já desempenhou (e ainda desempenha) um papel muito importante em um dos principais contextos da vida camponesa – na alimentação. Sobretudo o óleo de pequi é uma tradição do território sertanejo do Fanado, como é conhecido entre a população local. É uma tradição porque o saber-fazer herdado dos antepassados se repete na atualidade.

Além do artesanato de argila, certamente é um dos maiores símbolos da tradição e cultura do Vale do Jequitinhonha, inclusive em Minas Novas, e da farinha de mandioca, o pequi e seu óleo também estão presentes nas principais feiras da região. Muitas mulheres dos territórios percorridos têm o hábito de guardar o óleo de pequi para seus maridos e filhos, quando estes retornam da migração temporária no fim do ano. Especialmente através do óleo, o pequi é lembrado e utilizado nas mais diferentes refeições camponesas.

Na FIG. 25, temos uma peça de artesanato de argila em fase de acabamento e óleos de pequi feitos por uma das camponesas do território do Fanado: um encontra-se coalhado e o outro derretido. O óleo derretido foi aquecido pela camponesa para nos mostrar como é a consistência logo após o preparo. A consistência do óleo de pequi varia conforme a temperatura do ambiente onde está armazenado. Quando a temperatura

encontra-se mais baixa, o óleo fica coalhado. Segundo os camponeses locais, o óleo preparado por eles apresenta uma durabilidade de cerca de três anos.

FIGURA 25 – Óleo de pequi e peça de artesanato produzidos em Cachoeira do Fanado. Fonte: SILVA, M. N. S. da. Pesquisa de campo, 2010.

A dinâmica de inserção do pequi de Minas Novas no mercado local é relacionada àquilo denominado por Marx de produção mercantil simples, expressa pela forma M-D-M, cuja venda de uma mercadoria resulta em dinheiro para adquirir outra (MOURA, 1986).

Assim, vemos este tipo de troca comercial simples na explicação da entrevistada: “vou [para a feira] com o pequi e sem dinheiro e volto com outros alimentos” (Camponesa, 46

anos, Cachoeira do Fanado).

Contrapondo-se essa fórmula, Marx mostra que a produção mercantil capitalista – D-M-D – significa que o dinheiro compra mercadorias, inclusive força de trabalho, para produzir mais dinheiro (MOURA, 1986). Aqui, portanto, podemos visualizar as relações espúrias da dinâmica extrativista do pequi no Norte de Minas, já analisadas acima, não pelos camponeses, mas pelos sujeitos intermediários, os quais subordinam os catadores de pequi, impõem seus preços e acumulam capital às custas do trabalho de outrem.

Alguns camponeses reclamaram do fato de pessoas desconhecidas, provavelmente comerciantes do fruto, encherem os carros nas comunidades e não pagarem nada a eles. Além disso, ainda destacaram a entrada na cidade de pequi de outras regiões antes do início da safra em Minas Novas, dificultando as vendas durante a feira, porque, quando o fruto local chega ao mercado, os consumidores já não se interessam mais. Isso,

além de diminuir as vendas já poucas, ainda reduz os preços em função do desequilíbrio gerado entre oferta e procura.

Para se ter uma noção da baixa valorização do preço do pequi na cidade de Minas Novas, colhemos informações das famílias camponesas para saber a quanto foi vendido o fruto na feira: no início da safra, o preço médio foi vendido a R$ 2,00 a medida18; no meio da safra caiu para R$ 1,00; e, no final, situou-se em torno de R$ 2,50, conforme se observa no GRÁF. 13 no item 3.4.

FIGURA 26 – Dinâmica de comercialização do pequi e do óleo em Minas Novas. Fonte: SILVA, M. N. S. da. Pesquisa de campo, 2010.

O pequi e seu óleo envolvem uma rede comercial menos complexa em Minas Novas do que no Norte de Minas, conforme mostra a FIG 26. Assim, os produtos podem chegar ao mercado consumidor diretamente pelas mãos dos camponeses, sem haver qualquer agente que possa atravessar as relações comerciais. Também pode ocorrer de os mesmos serem adquiridos dos camponeses sertanejos de Minas Novas por atravessadores ou por feirantes locais fixos das feiras que ocorrem nas cidades e vilas locais. De qualquer forma, pelos dados coletados em campo e com as entrevistas informais e livres que

18“Uma medida” corresponde a um saco plástico contendo aproximadamente 3 dúzias de pequi sem a casca. Para se ter uma ideia melhor, em pesquisa realizada na cidade de Montes Claros na safra de pequi 2007-2008, a dúzia do fruto foi vendida ao preço: início da safra: R$ 5,00; meio: R$ 2,00; e fim: R$ 5,00 (SILVA, 2009).

Atravessadores locais Feirantes Camponeses sertanejos FEIRA Consumidor final

fizemos com feirantes fixos na cidade, verificamos ser a feira o espaço mais importante das trocas em Minas Novas, sendo, assim, um caminho centralizador e ao mesmo tempo facilitador do acesso ao mercado da economia camponesa.