2. KAMU MALİ YÖNETİMİNE YÖN VEREN DÜZENLEMELER
2.3. Kamu Mali Yönetiminde Bütçeleme
2.3.2. Çok Yıllı Bütçeleme
Os primeiros resultados da pesquisa analisam a estrutura fundiária e as formas de acesso à terra camponesa. Assim sendo, o GRÁF. 1 apresenta a condição jurídica da propriedade atual com base no que foi declarado pelos camponeses das comunidades rurais entrevistadas.
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Campo Azul Japonvar Minas Novas
Própria Arrendada Posse Outra
GRÁFICO 1 – Condição jurídica das propriedades camponesas. Fonte: SILVA, M. N. S. da. Pesquisa de campo, 2010.
Em Campo Azul, a maior parte das propriedades são devidamente regularizadas: três propriedades da amostra encontram-se na situação de “posse”, e as outras três propriedades são ocupadas por pessoas que moram nas terras da família ou são agregados. Em Japonvar, podemos observar no gráfico que não há presença de camponeses arrendatários e posseiros, configurando, a maioria, como proprietários de suas terras, e as outras cinco famílias moram nas terras de familiares há vários anos, geralmente dos pais ou sogros. Provavelmente, estas últimas propriedades serão passadas aos atuais moradores pelo processo de herança. Em Minas Novas, no Vale do Jequitinhonha, aproximadamente a metade das propriedades pertence legalmente a seus donos, e a outra metade é constituída por posse. Algumas propriedades rurais camponesas, neste caso, estão sob o domínio da monocultura do eucalipto, sendo um dos motivos pelos quais ainda não foram regularizadas, pois há conflitos de interesses entre camponeses e a empresa ArcelorMittal. Além disso, boa parte das propriedades rurais do município é constituída historicamente por posseiros.
A condição jurídica da propriedade camponesa está atrelada à forma como se obteve o acesso a terra. Dessa forma, quando analisamos a TAB. 2, vemos que a forma que se consagrou e definiu o acesso a terra nas três localidades estudadas foi definitivamente a herança. Nesse sentido, a herança é a maneira pela qual a reprodução física do campesinato é assegurada, constituindo, pois, um sistema que passa de uma geração a outra, mas que também cada vez mais promove a fragmentação do patrimônio familiar. À medida que a
terra vai passando dos pais para os filhos, ocorre a partilha, a qual, muitas vezes, impede a reprodução social do campesinato. A herança pode levar a um processo de expropriação induzida da família camponesa. Entretanto, muitos camponeses, quando se veem diante de tal quadro, procuram adquirir outras parcelas de terras para assegurar sua reprodução física e social.
TABELA 2
Formas de acesso a terra em comunidades rurais dos municípios de Campo Azul, Japonvar e Minas Novas – MG.
Formas de acesso a terra Entrevistados Campo Azul Entrevistados Japonvar Entrevistados Minas Novas Total (%) Compra 4 4 3 11 24,4 Herança 7 11 12 30 66,7 Concessão de uso 3 - - 3 6,7 Uso campeão 1 - - 1 2,2 TOTAL 15 15 15 45 100
Fonte: SILVA, M. N. S. da. Pesquisa de campo, 2010.
Nesse sentido, como a terra é o principal meio de produção para que exista a relação entre produção e consumo, entre moradia e trabalho, sua herança desempenha um papel estratégico na existência camponesa (MOURA, 1986). A autora ainda afirma que os mecanismos que o camponês adota para definir a herança da terra devem ser entendidos como resistência à expropriação, como momento privilegiado para observar as tensões sociais inerentes à reprodução física e social do campesinato.
A terra, na maioria das vezes, é o único bem que o chefe da família camponesa pode deixar para seus filhos. Um de nossos entrevistados em Minas Novas justificou que trabalhou e comprou mais terras vizinhas à sua propriedade para morar e criar os filhos e, depois, deixar o lugar para eles ficarem. Assim, segundo Klaas Woortmann (1990, p. 62), a terra se torna um patrimônio da família, terra-patrimônio, sendo “aquilo que passa do pai
para o filho”, porém não pertencendo nem ao pai nem ao filho, e sim, a toda a família. A
herança da terra vai muito mais além do sentido de propriedade, pois ela constitui um ordenamento moral, mais que coisa, é patrimônio da família.
O gráfico a seguir mostra exatamente como se assenta a propriedade fundiária camponesa nas comunidades rurais entrevistadas. Nos territórios rurais de Campo Azul foi
onde encontramos o maior número de camponeses cujas propriedades são bem maiores que as dos entrevistados de Japonvar e Minas Novas. Foi através do processo histórico que
permitiu uma maior concentração fundiária oriunda da “posse” da terra. A despeito de a
maioria dos camponeses ter dito que suas propriedades já são legalizadas (GRÁF. 1), ainda devemos considerar que a posse reproduziu a atual estrutura fundiária. Também não podemos esquecer que muitas dessas terras são áreas de chapadas, as quais inviabilizam a produção agrícola para esses camponeses pobres. Isso não significa que as áreas de chapadas são improdutivas ou ociosas, pois foram nas chapadas de Campo Azul onde presenciamos o gado pastoreando livremente pelas pastagens naturais entre a vegetação cerradeira. A chapada também é o território por excelência do extrativismo vegetal, onde os camponeses coletam os frutos nativos e retiram a lenha para o uso doméstico.
94 32 13,5 Campo Azul Japonvar Minas Novas
GRÁFICO 2 – Tamanho médio das propriedades camponesas (em hectares). Fonte: SILVA, M. N. S. da. Pesquisa de campo, 2010.
No GRÁF. 2, temos a estimativa do tamanho médio das propriedades camponesas, conforme foi declarado pelos entrevistados. Em Campo Azul, o tamanho médio das propriedades é de 94 hectares, embora encontramos uma família que usufrui apenas de 7 hectares e outra que dispõe de 329 hectares de terra. Isso, conforme
observamos, não retira nem aumenta o grau de “camponesidade” (SEVILLA GUZMÁN;
GONZÁLEZ de MOLINA, 2005) de ambas as famílias. Em Japonvar e Minas Novas, os tamanhos médios das propriedades camponesas são de 32 e 13,5 hectares, respectivamente.
Aqui, nota-se um processo mais intenso de fragmentação da terra, resultado, sobretudo, do acesso pela herança.
Em alguns casos, as maiores propriedades estão associadas ao tempo de residência na localidade, o que não é regra geral, mas serve para fornecer alguma pista para deduzirmos que isso se converte numa forma de acumulação e de formação do patrimônio familiar camponês.