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Hz. İbrâhîm’in İsmet Sıfatıyla İlgili Müşkil

ZEMAHŞERÎ TEFSİRİNDE PEYGAMBERLERİN İSMETİNE BAKIŞ

3. Hz. İbrâhîm’in İsmet Sıfatıyla İlgili Müşkil

Em nosso estudo percebemos a ETER como lugar de memória que redimensiona, no ano de 1975, os lugares de formação profissional por onde transitavam as mulheres nos cursos de nível técnico, pois estas eram anteriormente matriculadas nos cursos de enfermagem, normal, comercial, secretariado, de contabilidade, os quais demarcavam os espaços femininos de formação profissional em Campina Grande, conforme já mencionamos.

Ao juntar os pedaços soltos encontrados pelos documentos, registramos fragmentos de vidas de pessoas que, envolvidas no afã de se tornar um (a) aluno (a) ETER, mudaram suas vidas, seus comportamentos, passando a se destacar em relação aos alunos de outras escolas da cidade.

A ETER é um lugar conforme Certeau (1996) compreende:

Inicialmente entre espaço e lugar, coloco uma distinção que delimitará um campo. Um lugar é a ordem (seja qual for) segundo a qual se distribuem elementos nas

relações de coexistência. Aí impera a lei do “próprio”: os elementos considerados se

acham uns ao lado dos outros. Cada um situado num lugar “ próprio” e distinto que define. Um lugar é, portanto uma configuração instantânea de posições. Implica uma indicação de estabilidade (CERTEAU, 1996, p.202).

Não se trata apenas de um lugar racionalmente planejado, definido por salas de aula, laboratório, biblioteca, pátio, projetos pedagógicos, regras de convívio, mas um espaço representado por símbolos, os quais adormecidos nos diferentes recônditos do interior da escola e em seu entorno, falam de experiências passadas que, lidas no tempo presente, manifestam sentidos aproximados do que ocorreu.

Eis o caso dos nomes próprios de moças e rapazes que inauguraram os primeiros passos da escola, adormecidos pelo tempo, mas que podem ser recordados e conhecidos pelo olhar de curiosos saudosistas que trafegam pela instituição que nos fala, e ainda muito tem a dizer aos diferentes olhares.

Assinalam-se no lugar - ETER - acontecimentos e fazeres históricos de um cotidiano pregresso, mesmo sabendo que, através apenas de fontes documentais não alcançamos essa dinamicidade. Contudo, aqui nos limitaremos a escrever sobre o lugar-ETER por meio de indícios documentais que, segundo Nora (1993), podem ser denominados como “lugares de memória”:

São lugares, com efeito nos três sentidos da palavra, material, simbólico e funcional, simultaneamente. Somente em graus diversos. Mesmo um lugar de aparência

puramente material, como um depósito de arquivos, só é lugar de memória se a imaginação o investe de uma aura simbólica. Mesmo um lugar puramente funcional, como um manual de aula, um testamento [...] (NORA, 1993, p.33).

Assim, estava reconhecida a ETER como instituição de formação profissional, que representaria para a comunidade campinense e para cidades circunvizinhas um lugar de prestígio para os filhos que ingressassem em seus cursos preparatórios. O ritual de passagem para tornar-se aluno ETER demonstrava os potenciais e capacidades dos futuros egressos.

De acordo com a Resolução nº18/80:

O Conselho Estadual de Educação da Paraíba, no uso de suas atribuições e com fundamento no parecer de nº 38/80, exarado no Processo n 242/79, oriundo da Câmara de Ensino de 2º Grau Superior, aprovado em Sessão Plenária, realizada nesta data.

Resolve:

Art. 1º- Conceder Reconhecimento à Escola Técnica Redentorista, sediada em Campina Grande.

Art. 2° - A presente Resolução entrará em vigor a partir da data de sua publicação, revogadas as disposições em contrário.

(PARAIBA, 1980).

Neste lugar de formação novas tramas das relações de gênero foram construídas numa configuração histórico/social orientada pela reforma do ensino fundamental e médio promulgada na nova Lei de Educação nº 5.692 de l1 de agosto de 1971, tendo como um dos objetivos “a formação integral do adolescente (Art.18), a sondagem de aptidões” e a “iniciação ou habilitação para o trabalho” (Art. 5).

O I Plano Nacional de Desenvolvimento (PND) deixa clara a relação da política educacional brasileira com a orientação desenvolvimentista do Governo Federal para o triênio 1972/74. Tal articulação se estabelece a partir de diretrizes nacionais, compreendendo a educação como fator de desenvolvimento socioeconômico, definindo assim, algumas metas. Dentre as quais se encontra a “eliminação da dicotomia educação humanística/educação profissionalizante no ensino de 2º grau, além da expansão do número de matrículas” (SANDER, 1977, p.173).

Nesta redefinição da formação do cidadão brasileiro, a ETER, enquanto instituição educativa católica se adéqua ao plano da política educacional, registrado no I Plano Setorial da Educação e Cultura (PSEC) que:

Considera a educação como “agente e objeto” do desenvolvimento. Ressalta com bastante claridade o conceito de “educação como investimento”, o “princípio de rentabilidade” e a consequente necessidade de aumentar a capacidade

e políticos estabelecidos no I PND (SANDER,1977, p.173).

Configura-se, em nível macro social, uma perspectiva de modernidade voltada para a formação de homens e mulheres para um mercado de trabalho em expansão com base em uma mão de obra qualificada para a invenção e manipulação de novos equipamentos que moveriam a sociedade. Neste sentido, a educação profissional seria a mola mestra deste processo de modernização social.

Nesse processo, de redefinição da educação, agora matizada como elemento difusor do desenvolvimento econômico, selecionando os indivíduos pela competência, a ETER passa a atender, então, a rapazes e moças de diferentes níveis sociais, despertando interesses também de pesquisadores para compreender as tramas das relações sócioeducativas construídas neste lugar. Inaugurava-se, assim, um tempo novo em que a educação articulava-se claramente com o plano desenvolvimentista da sociedade brasileira.

Figura 4 – A Escola Técnica Redentorista, no ano de 1975.

Fonte: Arquivo fotográfico da ETER, 2011. Fonte: Arquivo fotográfico da ETER,1975.

Diferente de outras instituições educacionais da cidade, a ETER abriu caminhos, expandiu áreas da cidade até então não urbanizadas. Construída no bairro de Bodocongó, próxima ao campus II da Universidade Federal da Paraíba, na década de 1970 (hoje, UFCG), a arquitetura da escola se destacava frente à grande extensão de terras.

A leitura da imagem acima, mesmo que parcial, da estrutura física e localização geográfica de sua construção, possibilita-nos compreender que o espaço não é neutro e que ele nos diz muito, havendo fortes relações entre o espaço e a educação e que a escola é,

sobretudo, uma construção cultural. Questões que valorizadas pelos investigadores visibilizam o que está para além da aparente leitura. Seria um ponto de partida para a compreensão da dinamicidade da vida escolar em seu interior, ligada ao seu entorno e ao mundo externo que se imbricam dando seu significado cultural, político, social.

A tranquilidade do lugar onde foi construído o prédio era perpassada apenas por uma linha de ônibus que passava de hora em hora. Este fato e o pouco movimento de pessoas e de vizinhança se entrelaçam à distância e à parte elevada, dando-lhe um ar de superioridade, de imponência, fortalecido pela arquitetura de visão panorâmica que se destaca a céu aberto.

Além do ônibus da linha São José, que percorria o bairro naquele contexto, a ETER coloca outro ônibus para atender os alunos dos diferentes bairros da cidades, em pontos estratégicos, uma vez que os alunos e as alunas moravam em diferentes localidades. Segundo Oscar Carneiro73, ex-aluno ETER, “os alunos não podiam perder o horário do ônibus, pois ficava complicado chegar até a escola, restando a eles acordarem sempre as 5:00 horas da manhã, arrumarem-se depressa e esperar o ônibus no lugar marcado”.Uma rotina que passava a tornar-se hábito para estes sujeitos sociais.

Porque na época a escola dispunha de um ônibus. Os alunos poderiam, por exemplo, tinham duas opções, ou eles vinham no ônibus, na época a empresa era Nossa Senhora do Perpétuo Socorro (ela fazia aquela linha Bodocongó e passava pelo Hospital da FAP) e antes passava no Redentorista e alguns alunos, se quisessem, podiam pagar uma taxa, era meu caso, e usar o ônibus do colégio. O ônibus dirigido pelo senhor chamado Cícero, eu lembro que no ônibus também havia essa interação, homens, mulheres, o deslocamento do ônibus, ele parava na Floriano Peixoto, à altura do Teatro Municipal, passava pela Prata, saia coletando a cada parada os alunos (CARNEIRO, 2012).

O ônibus passava todos os dias nos mesmos horários, trazendo os alunos para a escola e levando-os de volta às 12:00 horas quando terminavam as aulas do turno da manhã. Pegava- os novamente à tarde, às 13:00 horas, para continuarem assistindo aulas das diferentes disciplinas até às 18:00 horas, quando voltavam para casa para continuar os estudos, fazendo exercícios ou repassando os assuntos vistos durante o dia. Segundo Oscar: “O bom aluno era aquele que não acumulava tarefas, sempre estava estudando, devendo ter em casa um lugar específico para isto, senão não conseguia dar conta e aí ficava pelo caminho” (CARNEIRO, 2012).

73 Oscar de Lira Carneiro é ex-aluno ETER, da turma 1978-1981, fez vestibular para Engenharia, desistiu e foi

cursar Filosofia. Atualmente, é professor do Curso de Filosofia da Universidade Federal de Campina Grande (UFCG).

Hoje, o entorno da escola se completa com grandes casas que foram sendo construídas ao longo desses 35 anos: granjas de particulares (pertencentes a professores das duas universidades dentre outros profissionais, que procuraram a tranquilidade do lugar como qualidade de vida), do Hospital da FAP que teve, em sua construção, a participação efetiva dos Redentoristas, além da Universidade Estadual da Paraíba (UEPB), que se encontra em crescente expansão, e da Universidade Federal de Campina Grande, que abre o caminho que nos leva à ETER.

Assim, a ETER foi sendo segmentada por entre trilhos e trilhas, compreendidas desde a localização geográfica onde foi construído o seu, trazendo para os sujeitos que ali compartilham experiências, a possibilidade da tranquilidade necessária para estudarem, até os mais ínfimos lugares distribuídos complementando-se numa disposição geral reveladora do todo organizado racionalmente.

A estrutura física planejada por especialistas demonstra a lógica previamente determinada pelos religiosos que participaram da construção do prédio. Os confrades estavam atentos para que os lugares se encaixassem em um modelo retilíneo e quadrangular racionalmente pensado.

Os dispositivos religiosos impetrados no cotidiano da ETER, imbricados ao pensamento do Estado, estão difusos no regulamento escolar produtor de subjetividades submissas, obedientes, solidárias, fraternais, vivenciados em meio ao sentimento de comunidade familiar, criado pelas estratégias disciplinares ali acionadas.

A arquitetura retangular da ETER, modelo adotado pelo convento onde funcionava o Seminário Santos Anjos, facilita o controle e a vigilância das entradas e saídas das salas de aula, dos passos e descompassos dos alunos e das alunas que por ali transitam, como registrado no relato abaixo:

É, havia uma certa disciplina. Por exemplo, tinha que estar em sala de aula, ninguém podia passear pelos corredores, havia uma espécie de inspeção. Eu tenho certeza disso. Tinham algumas coisas interditas. Por exemplo, ao lado do colégio, há uma construção antiga que é de alojamento de padres e a gente queria ver pelo vidro do primeiro andar, que era uma coisa muito bonita, tinha um átrio, tinha muitas plantas e havia vontade de ir para aquele espaço, e esse espaço era interdito, lá só podia ir os padres. Então, tinha um corredor que dava acesso do colégio a esse alojamento, mas a gente não podia nem ir à granja dos padres nem ao átrio dos padres, então não podia circular nos corredores. Muita ordem, era um colégio que tinha um tom meio religioso, então não se podia ficar fora de sala de aula (CARNEIRO, 2012).

Como podemos perceber na fotografia a seguir, a forma retangular da estrutura física da ETER dispõe de uma nítida estratégia do “lugar próprio” que matiza o controle realizado

pelos agentes da ordem estabelecida, conforme mencionado acima.

Figura 5 – O jardim, localizado no centro da parte interna do prédio, separando os lugares

específicos da escola.

Fonte: Arquivo fotográfico da ETER, S/D.

Fonte: Arquivo fotográfico da ETER , 1975.

A fotografia acima mostra um aparente simulacro teórico do panorama escolar, levando-nos inicialmente à leitura superficial da referida instituição, desconhecendo as práticas dos sujeitos que se encontram por trás dessa máscara de ferro, que precisa ser retirada para alcançarmos os rostos dos caminhantes. Os praticantes deste cenário experimentam um cotidiano multiforme cheio de jogos, espaços imperceptíveis que “escapam à legibilidade” do olhar totalizador e superficial dos outros, que imaginam uma ordem harmoniosa entre o “lugar próprio” e os praticantes.

Dessa maneira, a ETER, contribuindo com o progresso da cidade, maquinada por uma tecnologia científica e política, se faz escola técnica, traduzida em um padrão de educação digno de divulgação e recomendações. Porém, enriquecida com diferentes atributos de instituição de formação profissional e ferramenta do desenvolvimento.

econômicas, políticas e sociais, que imbricadas a definem como “lugar próprio”, é redesenhada por combinações de poderes efêmeros, transparentes na superfície, mas vivos nas relações cotidianas.

Com isso e para isto, estudamos a ETER, uma instituição de educação profissional de poder estratégico que participa ativamente do progresso da cidade. Buscando por caminhos distintos métodos para a sua manutenção, como o caso das bolsas de estudo que, interpretadas nas entrelinhas, revelam a ligação entre as estratégias internas da ETER com as propostas desenvolvimentistas do Estado militar/autoritário.