• Sonuç bulunamadı

As mudanças sociais decorrentes da contemporaneidade têm feito surgir novas dinâmicas na comunicação, na medida em que a mídia integra cada vez mais espaços de sociabilidade no cotidiano dos indivíduos. Nunca a comunicação esteve tão presente como hoje.

Para além dos processos capitalistas e dos avanços tecnológicos dos meios massivos no mundo hodierno, é incontestável o lugar cultural que a mídia ocupa na vida cotidiana dos indivíduos e dos grupos sociais. Não se pode reduzir as mutações culturais ao aspecto simplesmente da economia, da política e das mercadorias sociais. Isso seria não enxergar a dimensão das estruturas ideológicas das forças produtivas que permeiam a difusão de produtos culturais (SODRÉ, 2002).

A transmissão dos bens simbólicos instituídos pela mídia tem assumido um papel preponderante nas construções identitárias dos jovens. Hoje, os meios de comunicação de massa, através de um processo de mediação, são os mentores de uma nova conduta que viabiliza uma diferente realidade cultural da massa, desenvolvida num processo de imbricamento entre o uno e o múltiplo. Podemos observar, diariamente, o funcionamento de uma indústria da informação e da comunicação, oferecendo um número incalculável de novidades, atraindo crianças, jovens, adultos para um mundo fantástico de som e imagem muito mais confortável e sedutor do que os textos escritos ou impressos.

Desde os anos 50154, os veículos de comunicação eletrônicos, rádio e televisão155, constituíram-se nos principais meios de acesso aos bens culturais. Por intermédio de seus variados programas, diversas regiões de um mesmo país puderam ser reconhecidas, através de um processo de multiculturalidade, cujo aspecto é indissociável dos movimentos

154 O Rádio brasileiro nos anos 50 vive seu apogeu com uma efetiva consolidação junto à sociedade.

155 No Brasil as primeiras experiências radiofônicas ocorreram no dia 07 de setembro de 1922. Entretanto, a

primeira emissora de rádio data de 20 de abril de 1923, denominada de Rádio Sociedade do Rio de Janeiro, idealizada pelo antropólogo Edgar Roquete Pinto. Vale ressaltar: experiências anteriores apontam que a rádio clube de pernambuco se sobressai no pioneirismo Já a televisão é inaugurada em 1950, TV tupi do Rio de Janeiro aqui trazida por Assis Chateaubriand Bandeira de Melo.

164 globalizadores156. No Brasil, por exemplo, tais meios, desde o seu surgimento, sempre foram utilizados para mediatizar o processo de organização dos relatos da identidade e do sentido de cidadania. Apesar da conexão oferecida pela internet, tais meios ainda mantêm seu forte impacto de penetração no ambiente social.

Num mundo globalizado, marcado pela influência das novas tecnologias da comunicação e de sua convergência, a televisão e o rádio ainda são os meios eletrônicos mais utilizados pela população brasileira .

Embora a televisão atinja cerca de 94% dos domicílios brasileiros, sejam rurais ou urbanos, o meio radiofônico também ocupa significativa relevância pela audiência entre os veículos mais modernos, fazendo-se presente em mais de 88% dos lares. Tal fato se justifica pela oralidade que o rádio exerce, crescendo em intimidade e credibilidade junto ao público- ouvinte jovem, além da mobilidade e baixo custo oferecidos pelo veículo.

Pesquisa desenvolvida pelo IBGE157 mostra como se constitui o quadro de acesso à mídia televisiva e radiofônica no Brasil.

A projeção dos domicílios brasileiros que dispõem de aparelhos de rádio e televisão tem crescido sistematicamente ao longo dos anos. Em 2006 existiam mais domicílios com TV (91,4%) do que com rádio. No entanto, o rádio superava a TV em domicílios rurais (81,6%).

Quadro V- Domicílios Brasileiros (%) com Rádio e TV

(Nota: Até 2003, não inclui a população da área rural de Rondônia, Acre, Amazonas, Roraima, Pará e Amapá. Fonte: PNAD (IBGE)

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Quadro VI- Domicílios Brasileiros com Rádio e TV – zona urbana e rural Fonte: PNAD (IBGE)

156 A globalização não pode ser considerada como um aspecto de homogeneização e sim de ordenamento das

diferenças e desigualdades.

165 A maioria dos domicílios possui TV a cores (88,7%). Apenas 2,7% possui TV preto e branco.

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Quadro VII- Domicílios com Tv a Cores Fonte: PNAD (IBGE)

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Quadro VIII- Domicílios com TV Preto e Branco

Fonte: PNAD (IBGE)

Pesquisas mais recentes desenvolvidas pelo grupo Mídia Dados Brasil apontam que nos anos de 2008 e 2009 há uma evolução nestes números. A televisão, por exemplo encontra-se presente em 94% dos domicílios brasileiros, e o rádio atinge o percentual dos 91,5% 158 .

Tais estudos, no entanto, não revelam com mais precisão dados relacionados ao mundo rural, o que dificulta estabelecermos parâmetros de acesso à mídia junto aos que ali residem .

Com o objetivo de identificar os diferentes aspectos que permeiam a realidade dos jovens no contexto brasileiro, Helena Abramo e Pedro Paulo Branco (2005) organizaram uma pesquisa, na qual reuniram um conjunto de informações que debatem sobre as políticas de juventude . Os ensaios e artigos científicos apresentados na citada coletânea indicaram que, entre outros assuntos, a “cultura do lazer e do tempo livre dos jovens brasileiros” está bastante vinculada aos meios de comunicação de massa eletrônicos.

De acordo com a pesquisa “retratos da Juventude Brasileira” (2005) assistir televisão e escutar rádio é um traço característico das culturas juvenis contemporâneas, atitudes entendidas como ocupações do tempo livre. 92% dos jovens residentes no meio urbano e 86% do meio rural utilizam a televisão como principal ocupação do tempo livre durante a semana.

166 O rádio aparece em segunda opção com 91% dos jovens urbanos e 83% dos jovens rurais.159 Nos finais de semana as práticas de sociabilidade perante a mídia também se repetem com 86% dos jovens do meio urbano e 89% dos rurais tendo acesso à televisão. O rádio mais uma vez mantém-se na segunda atividade privilegiada por eles, considerando a margem de 89% dos jovens residentes no meio urbano e 86% dos que habitam na zona rural.

Direcionando nossa atenção para os jovens rurais podemos perceber, através dos dados acima mencionados, que a cultura midiática (televisão e rádio) vivenciada por esta categoria não se distancia dos grupos de jovens do meio urbano, o que significa dizer que não há fronteiras para a inserção destas mídias nos espaços cotidianos dos jovens residentes no meio rural.

O quadro acima delineado nos suscita a olhar mais de perto as formas de sociabilidade desenvolvidas pela juventude residente em assentamentos rurais do MST, considerando os sujeitos receptores e analisando os processos de significação que imprimem em meio a uma cultura midiática que permeia o seu cotidiano.

As estratégias metodológicas para a realização deste estudo organizaram-se a partir de duas perspectivas: a primeira buscou mapear as escolhas midiáticas do grupo juvenil pesquisado. A segunda destinou-se a identificar que usos este grupo faz das mediações e seus possíveis efeitos de sentidos160.

O conjunto das preferências midiáticas dos jovens desta pesquisa não difere da realidade brasileira161, embora apontando algumas especificidades que se delineiam no mundo simbólico de cada indivíduo.

Para os rapazes, a televisão desponta como meio preferencial. 52,3% indicam assistir mais televisão; 28,5% utilizam igualmente rádio e televisão; 14,2 % optam mais pelo rádio e 4,7 % afirmam ter pouca vinculação com esses meios de comunicação de massa.

159 Estudos de natureza micro têm sido realizados por pesquisadores que se debruçam sobre o assunto. Com esta

perspectiva realizamos uma pesquisa empírica com 60 jovens do meio urbano . O objetivo foi identificar a relação que os jovens estabeleciam com essa nova revolução da comunicação chamada Internet. Os resultados preliminares apontaram que embora a internet seja uma ferramenta utilizada pelos jovens, esse processo não ocorre de forma homogênea.Como recorte metodológico definimos os dois grupos a partir de faixas etárias,sendo o grupo-1 com a faixa etária variando de 14 a 29 anos, sendo todos universitários e o grupo-2 com idade inferior aos 18 anos, e estudantes de ensino fundamental da rede pública. O ponto de partida desta pesquisa foi detectar qual o meio de comunicação mais utilizado por esses jovens, tendo a televisão como preferência geral para ambos os grupos,havendo especificidades para as outras mídias. A segunda opção do grupo-1 foi pela internet (13%), enquanto a do grupo -2 foi o rádio (27%), vindo a internet em terceiro lugar com 17%.(Ver artigo o Rádio e as opções midiáticas dos jovens( FREITAS, 2007)

160 Os dados apresentados, conforme explicitamos inicialmente, emergiram a partir de uma etnografia e da

realização de entrevistas , aplicações de questionários, além da realização de oficinas focais.Os levantamentos surgem aqui através de percentuais entre os grupos dos rapazes e das moças.

167 Para as moças, o meio preferencial também é a televisão, 52,3%, mas com uma pequena diferença sobre o rádio, 42,8% e 4,7% das pesquisadas afirmam que preferem os dois. Nesse caso, observamos que as formas de sociabilidade das moças construídas em relação ao rádio são mais intensas do que entre os rapazes.

0% 10% 20% 30% 40% 50% 60%

TV Radio Radio e TV nenhum

rapazes moças

Gráfico VIII- Opções Midiáticas

Os jovens, na sua maioria, revelaram que não têm o hábito da leitura, e portanto não utilizam nenhum meio impresso, seja para a obtenção de informações ou mesmo para entretenimento. A leitura é reservada apenas para os aspectos pedagógicos, um dado concernente aos que estão estudando. Poucos afirmaram fazer uso de leituras de mídia impressa produzidas pelo MST162. Apenas 7% deles indicaram conhecer o “ jornal dos Sem Terra”.

O acesso a internet é uma realidade que ainda não faz parte do universo cultural desses jovens. Nenhum deles dispõe de computador em suas residências e uma minoria utiliza-se dessa ferramenta, esporadicamente, quando se deslocam para o meio urbano em lan house, conforme depoimento desta jovem: “eu uso a internet quando tenho dinheiro, numa lan

house”(ANA, 18,anos. Dados Questionário- I Aplicado em 07 de Novembro de 2007).

Nem mesmo os espaços escolares oferecem alternativas para que esses jovens tenham acesso ao mundo virtual. Fato que decorre da ausência de uma política de inclusão digital mais efetiva que possibilite a inserção destas novas ferramentas da tecnologia nas escolas,

162 O MST na sua conjuntura, organiza-se também através de meios alternativos de comunicação com produção

de boletins informativos e lutam especificamente pela implantação de rádios comunitárias nas áreas de assentamentos.

168 especialmente na rede pública de educação.

Os dados acima, portanto, revelam que o baixo índice de acesso desse grupo juvenil ao computador, e consequentemente à internet, é marcado por uma relação social estratificada, permeada por níveis de desigualdades sociais, principalmente se levarmos em consideração a ascensão das novas tecnologias da informação e comunicação(NTIC), que tem evoluído sistematicamente na sociedade contemporânea.163

Este é um ponto significativo que merece reflexão aprofundada. Mesmo que a questão das novas tecnologias da informação e comunicação não seja o foco central das nossas discussões , cabe aqui uma análise para entendermos como se constitui essa nova cultura, que incide diretamente nas relações das sociabilidades hodiernas.

. De acordo com Castells (1999), a produção, armazenagem e distribuição de informação por computador tem ocasionado uma revolução tecnológica; revolução que se constitui em um novo paradigma da comunicação humana, configurado através de uma rede de culturas globalizadas. Os mais entusiasmados, a exemplo de Pierre Lévy, arriscam a defender que depois da descoberta da escrita, a internet é a segunda grande revolução da história da comunicação humana, causando profundas e importantes transformações no âmbito sociocultural.

Para o sociólogo espanhol o surgimento da internet na sociedade gerou a possibilidade de uma cultura baseada na virtualidade real:

Não há separação entre ‘realidade’ e representação simbólica.Em todas as sociedades, a humanidade tem existido em um ambiente simbólico e atuado por meio dele. Portanto, o que é historicamente específico organizado pela integração eletrônica de todos os modos de comunicação, do tipográfico ao sensorial, não é a indução à realidade virtual, mas a construção da realidade virtual (CASTELLS, 1999,p.459).

O ponto positivo dessa tendência é que permite uma certa autonomia do indivíduo diante dessa nova cultura midiática, que lhe possibilitará, com velocidade expressiva, adquirir mais poder e conhecimento em busca de uma produção de novas formas de cultura.

Esta nova realidade midiática, sem dúvida, converteu a internet em um importante instrumento de comunicação que está prioritariamente associado a um perfil de usuário mais novo. Tal aspecto se justifica porque é uma tendência do jovem se mobilizarem em torno de processos de mudança social na busca de conhecimento inovador e consequentemente impulsionador de conquistas significativas para a sua existência.

169 Há um outro aspecto, no entanto, que deve ser levado em consideração. Embora o desenvolvimento e crescimento da rede mundial de computadores seja um fato incontestável, convém lembrar que a comunicação mediada por computador ainda não é uma realidade para a maioria da população. A difusão tecnológica no globo terrestre vem acontecendo de forma bastante seletiva, atuando tanto no âmbito do social quanto no funcional. Isto, indubitavelmente, representa uma fonte crucial de desigualdade que resulta numa crescente estratificação social entre os usuários.

Não apenas a opção multimídia ficará restrita àqueles com tempo e dinheiro para o acesso e aos países e regiões com o necessário mercado potencial, mas também as diferenças culturais/ educacionais serão decisivas no uso da interação para o proveito do usuário”( CASTELLS, 1999, p.393).

Acrescenta ainda o referido autor que o mundo virtual multimídia funcionará a partir de dois aspectos: aquele onde se pode selecionar os circuitos multidirecionais de comunicação e aquele que recebe um número restrito de opções pré-fabricadas. É pertinente lembrar que esses fatos são determinados pelas condições sociais de cada país e das condições culturais as quais as populações estão inseridas, tais como: raça, sexo, nível econômico.

Martin-Barbero ( 2001) nos chama a atenção para o fato de que a “comunicação está se convertendo num espaço estratégico a partir do qual se podem pensar os bloqueios e as contradições que dinamizam essas sociedades- encruzilhadas, a meio caminho entre um subdesenvolvimento e uma modernização compulsiva” (MARTIN-BARBERO, 2001, P. 270). No cenário da sociedade brasileira esta realidade é perceptível, quando verifica-se que a inserção dos jovens em contextos com determinadas tecnologias digitais ainda é bastante incipiente. Pesquisas apontam que acessar a internet já é um hábito cotidiano para uma parcela expressiva dos jovens brasileiros, mas os que integram posições mais abastadas na esfera econômica da sociedade.

De acordo com dados do IBGE o internauta brasileiro é jovem164, entretanto é minoria entre a população. No ano de 2005, conforme pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNDA) divulgada pelo referido Instituto, a média de idade dos internautas brasileiros era de 28 anos, representando um percentual de 21% da população,o que demonstra que a maioria (79 %) da população brasileira ainda tempouco acesso a essa nova tecnologia.

Os dados da pesquisa apontam que o acesso à internet ocorre com objetivos diversificados: os jovens da região sul e sudeste, de poder aquisitivo, utilizam a internet para fins de entretenimento, enquanto que os acessos da região norte e nordeste se voltam para fins

170 educacionais, e com outro diferencial: são pessoas normalmente de baixa renda que acessam a internet da escola ou de lan houses.

O instituto Datafolha desenvolveu em 2008 um estudo165 com jovens brasileiros do meio urbano, na faixa etária de 16 a 25 anos , mostrando como esses se relacionam com os meios massivos nesta nova era digital. Para os que integram um renda familiar de até dois salários mínimos por mês, a TV aberta atinge os 41%, e o rádio chega aos 22% das menções, os jornais alcançam os 20% e a internet 11% .

O quadro já não é o mesmo para os que têm renda familiar mensal acima de cinco salários mínimos. 33% dos jovens informam que utilizam a TV aberta como principal meio de comunicação, vindo em seguida a internet com 26%. Na seqüência os jornais integram os 19%; o Rádio (16%) ; Revistas(3%) e TV por assinatura (2%).

Outra pesquisa realizada pela MTV166 indica que entre os anos de 2005 e 2008 o acesso dos jovens a internet cresceu cerca de 20 por cento (de 66 subiu para 86 por cento)167. Para os que estão incluídos nesse percentual o rádio configura-se como uma alternativa secundária, sendo utilizado pela maioria dos jovens apenas como espaço para opções musicais que são pautadas pelas emissoras rumo às paradas de sucesso168. Já a televisão desponta como o meio de preferência de todos os grupos juvenis, funcionando como alternativa indispensável primeiro para o entretenimento e em seguida para o jornalismo.

Decisivamente, os avanços das tecnologias da comunicação, hoje globalizadas, proporcionaram a mundialização da cultura, contribuindo, dessa forma, para a articulação dos sentidos culturais dos jovens e de suas construções identitárias. É necessário, contudo, cuidado para não produzirmos determinismos, enquadrando os processos identitários pelo viés da mídia como instrumentos generalizantes.

As citadas pesquisas não mostram, por exemplo, a inclusão digital no meio rural, mas sem dúvida esta é uma realidade que não incorpora grande parte dos que ali habitam.“O Brasil convive com gerações de jovens que se distanciam do acesso a instrumentos e linguagens de importância radical na vida contemporânea, hoje tão importante quanto o acesso e o domínio da leitura e da escrita”(CARRANO; DAYRELL; BRENNER,2005, p.197).

165 Foram entrevistados 1.541 jovens, em 168 municípios de 24 Unidades da Federação e no Distrito Federal, nos

dias 1 e 2 de abril de 2008.

166 Ver dossiê Universo Jovem MTV.

167 Esse crescimento se justifica pela expansão das ofertas tanto pagas quanto gratuitas para acessar a internet em

ambientes fora de casa.

168 estudo realizado pelo pesquisador Marcelo Kischinhevsky ( 2009), sobre hábitos e consumo de conteúdos

radiofônicos dos estudantes de Jornalismo da PUC-Rio, indica que 91 de 118 jovens entrevistados de estratos sociais diferentes escutam o FM. 28 preferem o AM e 22 indicam que não escutam o rádio de forma alguma. (Ver anais XXXII Congresso Brasileiro de Ciências da Comunicação, 2009).

171 Parece que vivemos uma política de exclusão cultural. Basta levarmos em consideração os dados percentuais apresentados pelos institutos de pesquisa que demonstram a desigualdade da socialização da Internet entre as regiões do nosso país. O Nordeste, por exemplo, atinge apenas 5, 7% da fatia dos que têm acesso a essa tecnologia.

Este talvez seja o principal ‘hiato’ que separa os consumidores dessas inovações tecnológicas, pois a ferramenta tecnológica concentra-se tradicionalmente entre os que detêm um melhor poder aquisitivo e possuem maior escolaridade.

Se por um lado as novas tecnologias da comunicação atuam numa perspectiva de integração vinculadas a padrões modernos, por outro também acirram as tensões sociais entre os que estão inseridos em outras posições .Como enfatiza Lopes (1988), a comunicação de massa se caracteriza por um movimento pendular: de um lado funciona como sistema integrador e por outro como excludente:

A comunicação de massa opera basicamente no sentido do aguçamento das tensões sociais, produzindo o confronto entre as necessidades sentidas ou aspiradas e as necessidades realizadas (LOPES, 1988, p.93).

Diante destes aspectos é possível compreendermos o acesso dos jovens à mídia a partir de um sistema amplo que compõe um mundo objetivo, formatando uma sociedade que funciona através de uma interiorização de normas, valores, estruturas cognitivas e conhecimentos práticos.

Olhando a juventude pelo viés da mídia identificamos o quanto essa categoria se diversifica já que os contornos das suas construções identitárias são definidos por diferentes realidades, cujos grupos vivenciam práticas culturais de formas diversificadas, diretamente relacionadas a contextos específicos .

Tem razão Mannheim (1968) quando afirma que a similaridade entre os jovens não é dada somente pela contemporaneidade, mas pela possibilidade de partilhar as mesmas experiências suscitadas por circunstâncias históricas e sociais comuns, que podem significar a vinculação a uma mesma região geográfica e cultural, embora esta similaridade seja etária. Assim, a participação em uma mesma circunstância social adquire um significado peculiar para um determinado grupo etário, porque a experimentação dos acontecimentos incide sobre uma consciência similarmente estratificada. Por isso, cada um em um momento diferente do seu ciclo vital experimenta os mesmos acontecimentos de forma diferenciada.

Levando em consideração os argumentos expostos retomamos aqui a questão de fundo desta tese, que é verificar como a mídia integra os espaços sociais de um grupo juvenil que se encontra inserido em um contexto social marcado por características específicas.

172 Conforme ressaltamos anteriormente, o fluxo comunicacional dos jovens desta pesquisa junto à televisão e ao rádio são intensos, e se caracterizam como elementos definidores para a construção de bens simbólicos através de suas práticas culturais.Nesse sentido, dividiremos nossa reflexão em dois momentos: o primeiro se destina a analisar como