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2. ŞEM˘-İ ŞEBİSTÂN

2.4. ŞEM˘-İ ŞEBİSTÂN’IN MUHTEVASI

2.4.1. Dinî, Tarihî ve Edebî Unsurlar

2.4.1.1. Dinî Unsurlar

2.4.1.2.3. Hz Hüseyin

No Brasil, as intervenções do Estado na produção e reprodução do espaço geográfico estão envoltos ao processo histórico, por meio das ações estratégicas adotadas.

No que concerne às leis de irrigação, observamos que, desde a década de 1960, o Governo Federal vem interferindo na construção de fixos e no controle dos fluxos12 gerados, por meio das dinâmicas socioespaciais nos territórios envolvidos.

11 O Perímetro Irrigado Pau dos Ferros está localizado na região do alto Oeste Potiguar, mais precisamente a 02 km da margem

esquerda do Açude Público Pau dos Ferros, e a 09 km da sede do município indo pela BR-226, que liga Pau dos Ferros a Antônio Martins. A implantação do perímetro irrigado foi iniciada no ano de 1973 e concluída em 1977. Os serviços de administração, operação e manutenção da infraestrutura de uso comum foram iniciados em 1980. Disponível em: www.dnocs.gov.br;Acesso em: 15 jun 2014.

12 Os elementos fixos, fixados em cada lugar, permitem ações que modificam o próprio lugar, fluxos novos ou renovados que

162 | P á g i n a Com a inserção de técnicas estabelecidas e controladas pelo Estado, em parceria com as iniciativas privadas, visando o aumento da produção e reprodução do capital, o campo passa a ser considerado, pelo Estado, território a serviço da acumulação capitalista. Desse modo, para Diniz (2002), tais intervenções na criação de perímetros irrigados produzem um espaço adequado às necessidades do modo de produção capitalista, pois, a renda da terra é revertida em capital, através da expropriação e exploração do trabalho.

As políticas de modernização do território estão relacionadas ao desenvolvimento do modo de produção capitalista na agricultura. Segundo Elias (2002), nas últimas cinco décadas aconteceram profundas metamorfoses na agropecuária brasileira com a presença de atividades intensivas em capital, tecnologia e informação, contribuindo, assim, para o aumento da produtividade do setor e, também, a acumulação de capital.

Com a necessidade de modernização, viabilizaram-se, a partir da década de 1970 a instalação dos primeiros perímetros irrigados apoiando-se numa das preconizações do Estatuto da Terra (Lei nº 4.504 de 30 de novembro de 1964) 13: reforma agrária, por meio da colonização de terras.

Os perímetros irrigados correspondem às infraestruturas voltadas à agricultura irrigada, em que se destacam os canais de irrigação abastecidos por barragens e açudes “alimentados” por rios. Instalados em terras adquiridas, por meio dos processos de desapropriação e expropriação, a implantação de tais perímetros envolveram (e envolvem) territórios indígenas, camponeses, pesqueiros, entre outros na busca por inseri-los na agricultura familiar de mercado.

Manoel Correa de Andrade, no clássico livro A terra e o homem no Nordeste: contribuição ao estudo da questão agrária no Nordeste escrito na década de 1960, já explicitava as intencionalidades das políticas voltadas à modernização da agricultura, por meio da irrigação no estado do Rio Grande do Norte às margens do rio Açu: “Mais recentemente a agricultura irrigada foi intensificada, graças à construção de grande represa no rio Açu e ao estímulo à exportação de frutas tropicais para a Europa e os Estados Unidos” (ANDRADE, 2011, p. 52).

Por ser uma região inserida no clima semiárido, os homens e mulheres do Nordeste brasileiro tem, historicamente, buscado alternativas de convivência com a natureza, mesmo antes da implantação dos sistemas de irrigação considerados modernos, ao se mobilizarem para transportar a água até os seus plantios. Andrade (2011, p, 51) destaca uma dessas estratégias: “O proprietário geralmente constrói uma cacimba e, com cata-ventos ou moto-bombas, retira a água que é transportada em canais até as áreas cultivadas”.

das ações e atravessam ou se instalam nos fixos, modificando a sua significação e o seu valor, ao mesmo tempo em que, também, se modificam (SANTOS, 2006, p. 38)

13 Ver: BRASIL, Lei Nº 4.504, de 30 de novembro de 1964 – Dispõe sobre o Estatuto da Terra, e dá outras providências. Disponível

163 | P á g i n a Com o discurso político de solucionar os problemas da seca, por meio da produtividade agrícola e inserção da agricultura no mercado, planejaram-se os projetos de irrigação no semiárido. Isso porque, segundo Diniz (2002) o Estado sempre viu o Nordeste como a “região problema” considerando, para tanto, as irregularidades pluviométricas. Com os investimentos na modernização desses espaços, estabelecer-se-iam as condições necessárias para o desenvolvimento de uma agricultura destoante daquela de base camponesa14.

A modernização da agricultura e a instalação dos perímetros irrigados contribuíram para que esses espaços pudessem ser normatizados e mais intensamente controlados pelo Estado. Nesse sentido, Diniz (2002, p. 42) enfatiza:

O programa de Irrigação destinava-se à criação de infraestrutura econômica, à aplicação de capitais públicos, à exploração de terras, enfim, à organização de um espaço para a atividade capitalista no campo, tendo por base as experiências do DNOCS como administrador de bens públicos. Com os perímetros irrigados, os camponeses (parceiros, meeiros, sitiantes, posseiros etc) tiveram seus modos de vida alterados, haja vista o enquadramento exigido pelo Departamento Nacional de Obras Contras as Secas (DNOCS) na busca por metamorfoseá-los em colonos/irrigantes. Os perímetros irrigados tornaram-se assim, territórios sob controle do Estado, onde os colonos teriam que se adequar às normas pré-estabelecidas apoiadas pela lei de irrigação de 1979.

A M ODERNIZAÇÃO NO CAM PO E O CONTROLE DA PRODUÇÃO

Benzer Belgeler