2.3. Tab’î’nin Gazelleri Üzerine Üslüp İncelemesi
2.3.2. Husrev’e Nazire
Para a satisfação do objetivo secundário do presente trabalho, com base nas análises histórica e atual da realidade industrial brasileira e na comparação com o mercado de referência escolhido como benchmark , é possível apresentar algumas diretrizes para orientar uma reestruturação estratégica do setor nacional.
As diversidades observadas entre os setores comparados indicam uma situação de risco latente do mercado brasileiro no panorama mundial. Existe, assim, a pretensão de estimular uma reflexão dos produtores nacionais sobre a possibilidade de evolução competitiva internacional do setor, buscando a abertura de novos espaços de mercado e a consolidação sustentável de uma atividade industrial relevante.
7.1. Diretrizes para o setor cerâmico brasileiro
Considerando os resultados da pesquisa realizada e atendendo ao objetivo secundário proposto, é possível apresentar recomendações úteis para o setor cerâmico nacional, juntamente com a identificação dos principais responsáveis envolvidos:
adoção ampla do modelo de referência apresentado, focando uma maior e melhor estruturação das áreas de pesquisa e desenvolvimento de novos produtos e novas tecnologias, objetivando uma absorção homogênea dos conceitos essenciais de design, tecnologia, ambiente e normativa e a integração mais eficiente e eficaz dos setores empresariais envolvidos, uma melhor comunicação, o registro dos resultados e a sustentabilidade do processo; os atores envolvidos seriam empresas e centros de pesquisa;
criação e difusão de uma cultura empresarial ampla na gestão de projetos, que deverá obter sensíveis resultados em termos de economia e de concentração do foco dos investimentos, identificando com clareza e gerenciando com eficiência os
objetivos identificados; os atores responsáveis seriam empresas, associações de categoria e centros de pesquisa;
fomento da estruturação de equipes de desenvolvimento de projeto que possam gerar economia, eficácia e agilidade na geração de novos produtos, visando a uma resposta cada vez mais rápida e sensível às demandas do mercado e ao desenvolvimento e sustentação de uma competitividade internacional; esta responsabilidade caberia às empresas;
estruturação de uma regulamentação ambiental específica para o setor cerâmico, focando as problemáticas inerentes aos APLs e os aspectos energéticos; responsáveis principais seriam o Governo e as associações dos ceramistas; estas atividades devem ser precedidas de amplos estudos dos impactos ambientais e toxicológicos globais e locais;
criação de certificações específicas ambientais, que devem suportar importantes ações comerciais e de marketing do produto cerâmico brasileiro; as responsáveis seriam empresas, associações de setor e Centros de pesquisa, como entidades certificadoras;
as sugestões anteriores podem gerar economias e maior competitividade dos produtores, gerando a oportunidade de rever as estratégias comerciais, focando aumento da exportação; para viabilizar a inserção em novos mercados, pode ser explorada a criação de associações ou consórcios de distribuição, concentrando os esforços comerciais em um número restrito de mercados, privilegiando aqueles pouco explorados ou de baixo interesse para os maiores competidores internacionais; esta atuação envolve as empresas, coordenadas pelas associações de categoria;
aproveitando da fase de expansão do parque produtivo, pode-se auspiciar um aumento dos investimentos em tecnologia de produção, com foco em sistemas avançados de controle energético (isolamento e recuperação de calor) e ambiental e pesquisa de novos produtos; a responsabilidade seria das empresas, coordenadas pelas associações e, possivelmente, do Governo com planos de incentivos;
explorar a viabilidade técnica e econômica para a constituição de consórcios de preparação da massa cerâmica atomizada e, eventualmente, granulada (processo a seco), concentrando a produção desta etapa do processo com a finalidade de obter economias de escala, melhoria e maior constância da qualidade, redução de
investimentos e dos custos de gerenciamento e manutenção do setor de preparação de massa; este tipo de instalação pode prever uma central de cogeração acoplada, que pode gerar, de forma extremamente econômica, energia suficiente a todo o processo dos associados; devem ser também considerados os ganhos em termos de autonomia e estratégia; considerando o volume de investimento e as resultantes energéticas, as associações de setor deveriam formatar e solicitar ao Governo planos de incentivos, prevendo linhas de financiamento específicas e desconto ou redução de impostos para os investidores, aproveitando da atual tendência em ampliar a componente térmica da matriz energética nacional;
as associações deveriam, também, solicitar o apoio do Governo com planos de incentivo à exportação, aproveitando o apoio que o MDIC fornece ao desenvolvimento da cultura exportadora, solicitando a criação de ferramentas legais e financeiras específicas para o setor cerâmico, em termos de linhas de crédito e seguro à exportação;
outra necessidade é a melhoria e ampliação da qualificação técnica e gerencial dos quadros empresariais; esta ação pode ser obtida realizando sólidas parcerias das empresas com órgãos oficiais e profissionais do setor, juntamente com Universidades e Centros de pesquisa;
outro aspecto de fundamental importância para a recuperação da competitividade, é a realização de pesquisas e a criação de observatórios, visando à coleta, disponibilização e gerenciamento de dados técnicos, econômicos e financeiros confiáveis, que permitam aprofundar análises e comparações entre as empresas nacionais e outras realidades mais desenvolvidas (Itália e Espanha), otimizando a pesquisa, fomentando práticas de benchmarking e aproveitando as experiências já realizadas nestes países, gerando diretrizes comerciais e técnicas gerais; a responsabilidade caberia a empresas e associações, com eventual apoio de centros de pesquisa que auxiliem na estruturação das bases de dados e colaborem na coleta;
uma participação mais construtiva de ANFACER e ASPACER seria extremamente saudável para o desenvolvimento sustentável do setor cerâmico; neste sentido, uma fusão destas duas associações que apresentam os mesmos objetivos, funções, interesses, mercados de atuação, problemáticas industriais, comerciais, econômicas, ambientais e tecnológicas, melhoraria a eficácia de qualquer ação
em prol dos empresários nacionais; a união das associações representaria um forte ganho em eficiência e eficácia, podendo desfrutar a acumulação sinérgica das competências de cada entidade, com consequências positivas em termos de credibilidade e força de negociação.
A Tabela 7.1 resume e visualiza as áreas de atuação e os principais atores envolvidos.
Tabela 7.1 - Matriz de presença de atores e áreas de atuação
Atores Diretrizes
Empresas Centros de
Pesquisa Associações de categoria Governo
Adoção Modelo de Referência X X
Criação cultura de gestão de projeto X X X
Estruturação equipes desenvolvimento de projeto X
Regulamentação ambiental X X
Certificações ambientais X X X
Novas estratégias comercias (foco export) X X
Investimentos tecnologia e controle energético X X X
Constituição consórcios preparação massa X X X
Incentivo à exportação X X
Qualificação RH X X
Observatório econômico X (X) X