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A eficiência energética conjuga diversos fatores para encontrar o seu estado de desempenho ideal, desde a seleção das matérias primas que serão definidas como prioridade no processo de produção, a fim de caracterizar uma matriz energética otimizada na qual não haja problemas de escassez e dependência externa, até a racionalização de políticas internas objetivando metas de consumo máximo e mínimo de energia por máquinas.

75 SIMIONI, Rafael Lazzarotto. Princípios do direito da energia. Teresina: Jus Navigandi, p. 2. Disponível em:

O conteúdo normativo do direito da energia indica uma expectativa de racionamento, de não desperdício e de aproveitamento ótimo76. Estas características de eficiência global pode exsurgir das mais variadas formas, como na minimização de gases poluentes, conservação dos recursos hídricos, busca de definições tarifárias justas para o setor como um todo e medidas relacionadas às definições de padrões técnicos de máquinas colocadas no mercado. Se a tecnologia disponível no meio industrial permite sem grandes esforços a fabricação de um mesmo produto, por exemplo, um liquidificador, com potencia de consumo de energia elétrica em medidas plausíveis para o seu uso em larga escala com menor impacto na rede, não persistem razões para o fomento do mesmo item com potência para consumir três ou quatro vezes mais carga.

O Brasil busca a máxima da eficiência energética pelo controle dos índices de consumo de energia elétrica dos itens de consumo (máquinas, aparelhos e eletrodomésticos) colocados no mercado, através dos adequados mecanismos jurídicos. Neste sentido, foi promulgada a Lei Federal n.º 10.295/200177, que dispôs sobre a Política Nacional de Conservação e Uso Racional de Energia, posteriormente regulamentada pelo Decreto Federal n.º 4.059, de 19 de dezembro de 200178, que definiu a competência dos diversos órgãos públicos responsáveis pela fiscalização e estabelecimento das diretrizes políticas pormenorizadas das ações a serem adotadas nacionalmente.

Normas como as referidas acima podem ser concebidas como importantes diplomas no apanágio da legislação com impacto na regulação econômica, desencadeando obrigações sobre os aspectos da produção industrial privada. Existindo justificável interesse público neste posicionamento estatal que prima pelo enfrentamento do desperdício, dúvidas não persistem quanto a sua viabilidade.

Segundo Agenor Gomes Pinto Garcia79, a eficiência energética pode ser buscada por intermédio de alguns critérios de: a) estatística, que analisa os modelos existentes e respectivas performances, buscando um ponto ideal que remova os menos eficientes; b)

76 SIMIONI, Rafael Lazzarotto. Princípios do direito da energia. Teresina: Jus Navigandi, p. 2. Disponível em:

<http://jus.com.br/revista/texto/19372>. Acesso em: 02.02.2013, p. 7.

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BRASIL. Lei Federal n.º 10.295, de 17 de outubro de 2001. Dispõe sobre a Política Nacional de Conservação e Uso Racional de Energia e dá outras providências.

78 BRASIL. Decreto federal n.º 4.059, de 19 de dezembro de 2001. Regulamenta a Lei no 10.295, de 17 de

outubro de 2001, que dispõe sobre a Política Nacional de Conservação e Uso Racional de Energia, e dá outras providências.

79 GARCIA, Agenor Gomes Pinto. Impacto da lei de eficiência energética para motores elétricos no potencial de conservação de energia na indústria. 2003. 163f. Dissertação (Mestrado em Planejamento Energético) – Programa de Pós Graduação em Planejamento Energético da Universidade Federal do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 2003, p. 20. Disponível em: <http://www.ppe.ufrj.br/ppe/production/tesis/agpgarcia.pdf>. Acesso em: 29.05.2013.

engenharia, buscando as melhores técnicas que podem ser feitas nos modelos menos eficientes e sua relação custo-benefício; c) decisão, capaz de considerar fatores culturais, institucionais e políticos para garantir credibilidade ao programa. Culturais, porque o programa deve ter respaldo perante o consumidor; institucionais, porque tem que haver uma estrutura que garanta os testes de conformidade e políticos, porque há interesses diversos envolvidos (interessa ao país maximizar a eficiência energética; aos laboratórios, conseguir ter o máximo de acesso à fabricação; aos fabricantes, investir o mínimo possível e gastar o mínimo com a certificação; ao comércio, ter um preço acessível aos consumidores). É preciso, também, estimar-se o impacto do programa no consumo de energia, nos preços, nos fabricantes e importadores e no desenvolvimento de tecnologias a serem incorporadas aos equipamentos; e, d) teste, por ser fundamental a comprovação de que os índices estabelecidos são confiáveis e permitem aferir os resultados positivos a que se propuseram, ficando esta competência para órgãos públicos de regulação.

Portanto, estatística, engenharia, decisão e teste são nesta proposição perfeitamente adaptáveis ao direito da energia em sua compreensão macroscópica, enquanto vetores de aferição da eficiência. As estatísticas ofertam um quadro empírico geral da situação; a engenharia, através da pesquisa e do aprimoramento tecnológico, engendra as alternativas técnicas; as decisões consubstanciam-se nas políticas consensuais a serem postas em prática e os testes comprovam a sua realizabilidade, pertinência e sucesso. Consiste esse processo na cadeia elementar da concepção de eficiência, assumindo as feições da sua proposta enquanto princípio. Negligenciada alguma destas etapas, por sua realização em si, ou por desvio de finalidade, haveria inobservância da eficiência energética.

O art. 3º, I, II, III e IV, da Lei federal n.º 9.074/95, também regula a eficiência energética por meio da imposição de obrigações ao poder concedente instituindo: a) garantia da continuidade na prestação dos serviços públicos; b) prioridade para conclusão de obras paralisadas ou em atraso; c) aumento da eficiência das empresas concessionárias, visando à elevação da competitividade global da economia nacional; d) atendimento abrangente ao mercado, sem exclusão das populações de baixa renda e das áreas de baixa densidade populacional inclusive as rurais.