3. HĐZMET KALĐTESĐ MODELLERĐ
3.1 Hizmet Kalitesi Modeli (SERVQUAL) Temel Alınarak Oluşturulan Aralık
O segundo ponto que compõe a missão da igreja dentro da M.I., a partir do conceito de Padilla, é Colaboração e Unidade. Ele afirma que “as igrejas antigas e as igrejas novas [...] devem ser vistas como colaboradoras não meramente num sentido contratual, mas como colocadas por Deus nesta relação. Elas unem-se pela vontade de Deus, para fazer a vontade de Deus” (PADILLA, 2005, p.145). Este enfoque consiste em criar entre as igrejas que enviam missionários, e outros tipos de ajuda, e as igrejas que recebem este apoio, uma relação em que ambas possam ser mutuamente ajudadas e
obedientes no ato de colaborar. Este fato é tido como um elemento necessário para que a Igreja realize sua missão.
Para Padilla, as instituições e movimentos cristãos do terceiro mundo continuam dependendo dos estrangeiros, e isso criou uma relação unilateral, na qual igrejas jovens só desempenham o papel de receber, e igrejas antigas o de enviar. A proposta desse enfoque é mudar esta relação, fazendo com que as “igrejas novas” possam ver-se cada vez mais como colaboradoras do reino. Padilla acredita que só assim haverá uma igreja universal, na qual os cristãos participarão efetivamente como integrantes da missão mundial.
Ele afirma que “a colaboração na missão não é meramente uma questão de conveniência prática, mas a consequência necessária do propósito de Deus para a igreja e para toda a humanidade, revelada em Cristo Jesus” (PADILLA, 2005, 147). Quando a igreja falha como colaboradora na missão ela falha também na manifestação da mensagem do evangelho, porque a missão não pode ser realizada de outra maneira que não seja a colaboração mútua, e essa é inseparável da unidade.
A ideia de unidade, citada logo acima, está relacionada não só com o compartilhar alegrias e tristezas, mas também em compartilhar os bens, não a fim de todos terem o mesmo, na mesma quantia, ou de alguns terem em abundância e outros em escassez, mas sim que aqueles que têm em fartura possam suprir as necessidades daqueles que têm menos, tendo em mente que deve haver uma situação em que todos os cristãos estejam dispostos a compartilhar aquilo que têm com os outros, criando assim a possibilidade de partilha recíproca. Padilla afirma que: “a possibilidade de partilha recíproca entre as igrejas é uma premissa básica sem a qual não será possível uma relação saudável entre as igrejas ricas e as pobres” (PADILLA, 2005, p.148).
No congresso de Lausanne essa questão sobre cooperação e unidade entre as igrejas também foi discutida, e o PL tratou-a da seguinte forma:
Afirmamos que é propósito de Deus haver na igreja uma unidade visível de pensamento quanto à verdade. A evangelização também nos convoca à unidade, porque o ser um só corpo reforça o nosso testemunho, assim como a nossa desunião enfraquece o nosso evangelho de reconciliação. Reconhecemos, entretanto, que a unidade organizacional pode tomar muitas formas e não ativa necessariamente a evangelização. Contudo, nós, que partilhamos a mesma fé bíblica, devemos estar intimamente unidos na comunhão uns com os outros, nas obras e no testemunho. Confessamos que o nosso testemunho, algumas vezes, tem sido manchado por pecaminoso individualismo e desnecessária duplicação de esforço. Empenhamo-nos por encontrar
uma unidade mais profunda na verdade, na adoração, na santidade e na missão. Instamos para que se apresse o desenvolvimento de uma cooperação regional e funcional para maior amplitude da missão da igreja, para o planejamento estratégico, para o encorajamento mútuo, e para o compartilhamento de recursos e de experiências. (STOTT, 2003,p.92).
Neste capítulo do PL é tratado, de forma clara e objetiva, o tema da unidade e cooperação. Essa abordagem parte do princípio de que a unidade desejada por Deus à sua igreja se dá debaixo da verdade.Esta união diz a respeito a uma compreensão de ser a igreja um corpo, no qual se respeitam as diferenças,e por ser um mesmo organismo, por acreditar e servir a mesma verdade, possui a responsabilidade de trabalhar para o cultivo da união e da cooperação de forma orgânica. Mesmo existindo discordância em alguns pontos triviais, essa união é possível, pois quanto aos elementos essenciais e fundamentais da fé bíblica existe essa união na verdade.
Porém, o PL denuncia que, embora essa seja uma característica necessária para a igreja, por ser este um propósito de Deus, “nosso testemunho, algumas vezes, tem sido manchado por pecaminoso individualismo e desnecessária duplicação de esforço. (STOTT, 2003.p. 92) Nesse ponto o PL traz luz sobre o espírito individualista que paira sobre as igrejas, que muitas vezes se lançam em uma caminhada para estabelecer seus próprios guetos ignorando o chamado para servir em comunhão ao bem comum.
Um elemento distintivo do PL é que após essa confissão do que a igreja deveria ser (unida) e do que ela tem sido (individualista), o parágrafo é encerrado com um engajamento à mudança, ao afirmar: “empenhamo-nos por encontrar uma unidade mais profunda na verdade, na adoração, na santidade e na missão” (STOTT, 2003, p. 92). O PL se compromete em lutar contra este espírito individualista e buscar uma unidade integral, que toca em todas as esferas eclesiásticas; na adoração, santidade e missão.
Este parágrafo do PL termina com uma súplica para que essa unidade e cooperação sejam apressadas entre as igrejas, porque entende ser esse um fator necessário para a expansão da missão da igreja, para o planejamento estratégico, para o encorajamento mútuo, e para o compartilhamento de recursos e de experiências. Stott comentando sobre a cooperação afirma que: “precisamos aprender a planejar e trabalhar juntos e também a dar uns aos outros, receber uns dos outros, os dons benéficos que Deus nos concedeu, sejam quais forem. (STOTT, 2003,p.56). Neste ponto vemos colaboração e unidade tendo com um de seus objetivos o ato de servir ao bem comum,
utilizando-se até da partilha dos bens.Isso faz com que essa característica da M.I. se aproxime do Desenvolvimento e da Justiça.
Digno de nota é que esse aspecto da cooperação e unidade aparece na teologia da M.I. como um elemento fundamental, por ela fazer uma leitura bíblica a partir de seu contexto, pois a M.I. notou que a Igreja Latino-Americana em seu início vivenciava o drama da unilateralidade missional, na qual essa igreja se via cada vez mais subjugada à posição de dependente e passiva na realização da missão e em sua relação com as agências missionárias estrangeiras. Padilla apresenta esse contexto que estava sendo vivenciado pela igreja com as seguintes palavras:
Basta ver o crescente poderio numérico das missões protestantes norte-americanas (quase totalmente dependente de pessoal, liderança e finanças provenientes dos Estados unidos) depois da Segunda Guerra Mundial e a persistente separação dentre as “missões estrangeiras” e as “igrejas locais” ao redor do mundo. Basta ver a prevalência de políticas e padrões da obra missionária que pressupõem que a liderança da missão cristã está nas mãos de estrategistas e especialistas ocidentais. Basta ver as escolas de “missão mundial” sediadas no Ocidente, sem participação de professores do terceiro mundo. Basta ver, finalmente, a frequência com que uma igreja estabelecida (ou, mais frequentemente, uma sociedade missionária) no ocidente mantém uma relação unilateral com uma igreja jovem (independente ou não). Enquanto esta situação prevalecer, a colaboração não passa de um mito. (PADILLA,1994, p.143)
Esta citação denuncia a realidade vivenciada na igreja latino-americana, onde a ação missionária se realizava a partir de uma lógica que tinha como pressuposto a superioridade do mundo ocidental em assuntos de cultura e raça, por esse possuir um poder político e econômico mais elevado. Com isso o resultado é uma relação “colonial” entre as igrejas, instituições, e movimentos cristãos do Terceiro Mundo,e as agências missionárias e organizações estrangeiras. Como consequência, as igrejas dos “países em desenvolvimento” estão debaixo de uma relação na qual o imperialismo econômico e cultural é mantido.
Deve-se destacar que essa relação tem dado passos muito lentos rumo a uma mudança que vise transformar essa lógica sob a qual se dá o relacionamentos entre essas igrejas.O Congresso de Lausanne, por sua vez, trouxe luz a esse tema trazendo uma discussão importante para a quebra dessa relação unilateral tão prejudicial à compreensão e vivência da missão nas igrejas novas, ao sugerir que: “a redução do número de missionários e de recursos procedentes do exterior para um país já
evangelizado pode às vezes ser necessária para facilitar o crescimento da igreja nacional em autoconfiança e para liberar recursos para outras áreas não-evangelizadas” (STOTT.2003.p.93).
Essa consideração do PL entende que essa postura deve ser assumida para com os países evangelizados, nos quais já se tenha realizado a tarefa inicial de proclamar o evangelho tornando-o conhecido e formando ali uma igreja e liderança local. Porém esta sugestão, longe de ser uma atitude egoísta e de retenção de custo, é um passo que visa o desenvolvimento e crescimento da igreja local, pois reconhece que em alguns momentos e lugares os missionários estrangeiros permaneceram por um longo período na liderança dessas igrejas jovens, e isso resultou em um empecilho para o desenvolvimento da liderança.
Quanto à suspensão do fornecimento dos recursos financeiros, dos fundos estrangeiros, essa ação visa quebrar essa relação de dependência desnecessária e assim poder redirecionar estes recursos para áreas ainda não evangelizadas, viabilizando uma disponibilidade e mobilidade maior de missionários para outras áreas ainda não alcançadas pelo evangelho, porém, agora, em unidade com as igrejas que anteriormente se viam apenas como agentes passivos na missão. Segundo Padilla:
Depois do congresso de Lausanne, no qual vários oradores do Terceiro Mundo colocaram sobre a mesa um conjunto de assuntos críticos, é cada vez mais óbvio que mesmo as agências missionárias mais tradicionais já não podem evadir o tema de uma colaboração na missão em nível mundial. Lentamente a convicção expressa de que se iniciou “uma nova era missionária” e de que na medida em que cresça a colaboração entre as igrejas “manifestar-se-á com maior claridade o caráter universal da igreja de Cristo” (Pacto de Lausanne, seção 8), está ganhando terreno. (PADILLA, 1994,p.143 e 144).
Em síntese pode-se dizer que a unidade e a cooperação visam criar entre as igrejas uma relação em que todas se entendam como coparticipantes na missão de proclamar o reino, pois todas possuem um chamado ao agir missional, e dentro dessa compreensão deve-se cultivar e desenvolver os recursos humanos, históricos e culturais que cada igreja possui para que todas as igrejas sejam incluídas como agentes missionários. Esse ponto busca destruir toda hierarquização de igrejas,vendo-as a partir de uma ótica de justiça na qual apesar das diferenças de idade, recursos e localidade, todas são vistas igualmente, como irmãs coparticipantes na missão de buscar o desenvolvimento e justiça, e trabalhar para o bem comum.
Dentro desse enfoque a mensagem pregada é que todas as igrejas têm algo a aprender e algo a ensinar;todas têm suas carências e farturas.A partir disso, elas devem dar as mãos para que sejam uma única Igreja. Padilla expressa essa compreensão com as seguintes palavras:
Um evangelho universal exige uma igreja universal, na qual todos os cristãos participem efetivamente na missão mundial como membros iguais do corpo de Cristo. A colaboração na missão não é meramente uma questão de convivência prática, mas consequência necessária do propósito de Deus para a igreja e para toda a humanidade, revelado em Cristo Jesus. Quando os cristãos fracassam como colaboradores na missão, também fracassam na manifestação concreta da nova realidade que o evangelho proclama. Porque há um mundo, uma igreja e um evangelho, a missão cristã não pode ser outra coisa que missão realizada em colaboração mútua. O cumprimento da oração de Jesus de que seus seguidores sejam um a fim de que o mundo creia requer hoje uma comunidade cristã supranacional que leve, ao mundo unificado pela tecnologia, um evangelho centrado em Jesus Cristo, O Senhor de todos. A missão é inseparável da unidade. (PADILLA, 1994, p.145).
Dentro dessa perspectiva, quando se lê a afirmação que diz: “Missão é inseparável da unidade” ou então; “A colaboração na missão não é meramente uma questão de convivência prática, mas consequência necessária do propósito de Deus para a igreja e para toda a humanidade” é correto afirmar que a cooperação e a unidade são elementos indispensáveis para a Igreja cumprir sua missão e expressar o propósito de Deus. Cooperação e unidade são elementos indispensáveis para a realização do desenvolvimento e da justiça.
A compreensão que se obteve até aqui, por meio dos subtópicos anteriores, nos diz que a missão da Igreja não se limita a uma tarefa de proclamação verbal, mas se estende a um agir na sociedade que expressa o reinado de Deus. Portanto se a missão da Igreja é ser expressão deste reinado na terra, a cooperação e a unidade são elementos indispensáveis para essa sinalização, pois é dentro dessa lógica que é composta por princípios de partilha recíproca e igualdade nas relações intraeclesiásticas, que a igreja vivencia e manifesta ao mundo os princípios cristãos de justiça e desenvolvimento.
Por meio desses princípios a igreja sinaliza ao mundo que no Reino de Deus as relações são justas e o desenvolvimento é obtido porque unidos e em cooperação se enxergam partes do mesmo corpo, com a responsabilidade de, por meio de suas farturas, suprir as necessidades das partes carentes.
A cooperação e a unidade se relacionam com a Justiça e o desenvolvimento não apenas por estes serem sinais de manifestações do Reino de Deus, mas também por serem necessários para que a igreja cumpra sua missão de proclamar o evangelho todo, para todo homem, e para todos os homens. Uma vez compreendida que essa é a missão da igreja, deve-se considerar a impossibilidade de cumprimento de tal missão a partir de uma eclesiologia isolacionista e individualista.
Para proclamar o evangelho todo, faz-se necessário que os múltiplos olhares das igrejas sobre evangelho, a partir de seu contexto, sejam unidos e partilhados. Para o alcance de todo o ser humano e de toda a humanidade, torna-se indispensável que as inúmeras igrejas locais ajam a partir da cooperação como igreja universal visando à proclamação do Reino de Deus. Dessa forma compreende-se a cooperação e a unidade como elementos necessários, basilares para que a igreja proclame e busque a justiça e o desenvolvimento presentes na missão da Igreja.