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5. GELĐŞTĐRĐLEN ĐÇ ARALIK ANALĐZĐ MODELĐ VE BĐRĐNCĐ PĐLOT

5.2 Geliştirilen Đç Aralık Analizi Modeli

Ao constatar essa grande proximidade entre a PIBSP e o conceito de desenvolvimento e justiça da M.I., os primeiros questionamentos lógicos que se levantam são: “A PIBSP conhece a M.I.?” “teria ocorrido no tempo de pastorado, do atual pastor, alguma ação ou evento que fosse capaz de incutir de forma tão expressiva, como constatado, os princípios de desenvolvimento e justiça da M.I. na práxis da igreja?” e “a que se pode atribuir a causa de tamanha proximidade?”. Não se pretende aqui dar uma resposta que seja tomada como a verdade absoluta para essas questões, mas tem-se o objetivo de sinalizar caminhos possíveis que justifiquem essa aproximação.

Quando os participantes foram questionados sobre “se conheciam a M.I.”, “o que conheciam da M.I.”, “e qual era o impacto dessa teologia na vida deles”, dos 12 membros entrevistados, 7 responderam que não conheciam, 4 afirmaram que sim, e 1 disse que já tinha ouvido falar.Essas respostas formam o seguinte gráfico:

Gráfico 6- Participantes que conhecem a MI

Nota-se que, dos 4 que responderam que conhecem a M.I., que representam 33% dos membros entrevistados, ao comentarem as próprias respostas apresentaram compreensões diferentes entre si sobre essa teologia, conforme mostra o quadro abaixo:

Quadro 6- Conhecimento dos participantes da MI por anos de idade Idade Conhece a

MI

Definições

33 Sim É um mecanismo de levar a palavra de Deus através de ajuda

humana, não somente fora do município, estado ou país e sim no local em que estamos. Colocar em prol das pessoas, nossas habilidades e aproveitar para falar de Jesus Cristo.

18 Sim O objetivo principal é resgatar vidas para Cristo e quando se trata de ser

humano isso já me deixa impactada e nós como filhos de Deus precisamos ajudar servir aqueles que necessitam de nós. E a missão é isso, não ajudar com aquilo que nos sobra e sim com aquilo que eles necessitam.

Sejam elas físicas ou econômicas, é conseguir suprir essas necessidades.

21 Não

32 Ouvi falar Confesso que não tenho tantas informações a ponto de ter uma opinião

56 Não 48 Não 40 Não 59% 33% 8%

35 Não

71 Sim Trabalho com drogados, que tem no mundo inteiro.

76 Não

64 Sim Missão Integral é o trabalho de todos os membros levando o evangelho

aos perdidos onde quer que atuarem na vida particular e pública

72 Não

A maioria dos que conhecem a M.I., e possuem uma compreensão que mais se aproxima do conceito real, estão entre os jovens, nas demais faixas etárias apenas uma participante de 64 anos de idade expressou um conhecimento mais abrangente da M.I..

A resposta dada pelo pastor a essa mesma pergunta, foi a seguinte: “Sim conheço, não li muito dos autores da missão Integral. Li muito do pessoal da teologia da libertação nos anos 80 e 90”.

A partir desses dados apresentados pode-se dizer que os participantes da pesquisa em sua grande maioria não conhecem os conceitos teóricos da M.I., e entre a pequena parte que conhece, alguns esboçam uma compreensão diferente do conceito real, outros expressam suas limitações quanto ao próprio conhecimento sobre o tema, e apenas três apresentam uma definição mais próxima da Missão Integral.

Esse desconhecimento e superficialidade na compreensão da M.I. revela o fato de que, por maior que seja a proximidade já constatada entre a PIBSP e o conceito de desenvolvimento e justiça da M.I., a aproximação não é resultado de um conhecimento teórico, conceitual da mesma; é fruto de outros fatores a serem investigados.

Na resposta do Pastor Paulo Eduardo, ele afirma que conhece a Missão Integral, porém,que não leu muito de seus autores; em contrapartida afirma que nos anos de 80 e 90 realizou muitas leituras do “pessoal da teologia da libertação”.Nessa reposta além de reforçar a hipótese que a aproximação,já constatada,não se deu por conta de um conhecimento teórico da M.I., apresenta a Teologia da Libertação (leia-se TdL) como uma possível porta pela qual o conceito de desenvolvimento e justiça, e essa atenção para questões de cunho social, entraram na práxis da PIBSP.

Ao analisar todas as pastorais, arquivadas pela PIBSP, escritas pelo pastor Paulo,com o objetivo de conhecer as ênfases ministeriais do pastor e sua correlação com a TdL ou com a M.I.,constatou-se que não houve em nenhuma delas um enfoque que

trabalhasse questões de desenvolvimento, justiça, e responsabilidade social que pudessem será atribuídas à M.I. ou à Teologia da Libertação.

É possível notar que as pastorais de maneira geral, estão vinculadas a três grandes temáticas, a saber: Família, Avivamento (espiritualidade), e Pequenos Grupos.56.Temas como: responsabilidade social, desenvolvimento e justiça, libertação

(no âmbito social), pobres, entre outros que podem ser relacionados ao aspecto social da Teologia da Libertação e da M.I., não foram apresentados nas pastorais.

Ainda analisando os boletins, nota-se que nos quatro últimos anos (tempo que a igreja possui arquivo de boletins no período do pastorado do Pr. Paulo Eduardo) quatro congressos foram realizados na PIBSP. Estes tiveram os seguintes temas “Uma bênção para sua família”(realizado em 25 a 26 de maio de 2013); “Avivamento” (realizado de 21 a 24 de julho de 2013); “Congresso da Família” (realizado em 7 a 8 de junho de 2014); e “Avivamento: Ouça o Espírito” (realizado em 27 a 30 de julho de 2014).

Esses quatro congressos oficiais da igreja se relacionam de forma direta com dois dos enfoques centrais das pastorais. Se a análise se restringisse à pesquisa dos boletins e congressos seria possível dizer que por mais que o pastor tenha um conhecimento superficial da M.I. e uma leitura mais extensa da Teologia da Libertação, ambos os fatos não influenciaram em sua compreensão ministerial, pois em nenhum desses dois elementos (boletins e congressos) apresentam uma preocupação com as demandas sociais.

Porém ao estender a pesquisa aos artigos escritos pelo pastor da PIBSP ao Jornal Comunhão57, durante o tempo em que ele foi presidente da Convenção Batista do

Estado de São Paulo (leia-se CBESP), é possível constatar um aspecto ministerial que pode ser entendido como uma herança da TdL, a saber: postura de valorização do contexto e da práxis eclesiástica frente a este.

Em seu primeiro artigo como presidente da CBESP, intitulado “Qual é a razão da nossa existência como Convenção?”, no qual relata elementos necessários para que a estrutura denominacional seja relevante, ele faz a seguinte afirmação:

A estrutura denominacional é relevante na medida em que servir bem às igrejas, na medida em que estiver promovendo missões com vigor;

será relevante enquanto estiver realizando projetos sociais que beneficiem vidas e gerem impacto na sociedade; terá valor

reconhecido se suas ações redundarem em vidas sendo abençoadas,

56 Para visualizar os títulos das pastorais e assuntos abordados nelas ver anexo 10

57 Jornal denominacional dos batistas do Estado de São Paulo, este jornal é distribuído gratuitamente a

salvas e transformadas pela graça e pelo amor do Senhor Jesus.58 (VIEIRA, Paulo E. G., Qual é a razão da nossa existência como Convenção?Jornal Comunhão, p.3. 08 agos.13).

Logo no início de seu mandato ele apresenta um olhar que se projeta para fora dos intramuros eclesiásticos e denominacionais. Em um outro artigo ele afirma sua admiração por ministérios que possuem esse olhar voltado para aquilo que chama de “realidades extra-eclesiásticas”, e apresenta esse fato na seguinte afirmação:

Confesso que me sinto fascinado por essa versão ministerial, que mantém os olhos voltados para as realidades extra-eclesiásticas. Ministério que dispense maior parte das energias na busca por uma ação transformadora do mundo decaído no qual nós estamos inseridos. (VIEIRA, Paulo E. G., Um ministério profético. Jornal Comunhão, p.3. 03.mar. 2014).

Ao analisar seus artigos no Jornal Comunhão, embora seja possível identificar uma retomada, em alguns momentos, aos temas, família e avivamento, boa parte dos seus escritos tem como objetivo apresentar a necessidade de a igreja olhar para o seu contexto e ser manifestação do Reino de Deus a este de forma prática. Ele discorre sobre essa ideia de maneira mais clara no artigo: “O perigo do púlpito irrelevante na pregação urbana”, e neste artigo ele faz as seguintes afirmações:

Homilética, como bem sabemos, é a arte de pregar sermões. O termo grego homilia deriva do verbo omileu, que significa conversar, dialogar. Parto desta compreensão para postular a necessidade de o púlpito de uma igreja ser interativo, ou seja, que seja resultado de um

diálogo que o pregador desenvolve com a realidade onde a sua igreja está inserida, e daqueles a quem ele prega.

É imprescindível que o pregador tenha a Bíblia como fonte

fundamental de inspiração para os seus sermões. Isto é inegociável.

A sua vida pessoal com Deus, o seu constante “debruçar” sobre as Escrituras, a sua permanente atitude de recepção em relação à voz do Espírito Santo são fatores que jamais podem ser negligenciados. No entanto, perceber o mundo concreto e visível ao seu redor também

é importantíssimo. Caso contrário, haverá o grande risco de ele, o

pregador, assim como a sua igreja, se tornarem irrelevantes(VIEIRA, Paulo E. G., O perigo do púlpito irrelevante na pregação urbana.

Jornal Comunhão, p.3. 12 dez.13).

Nesse trecho o pastor apresenta a necessidade de se estabelecer um diálogo entre texto e contexto, Bíblia e realidade na qual a igreja está inserida. Embora seja possível argumentar que essa fala não diz nada sobre a compreensão do pastor sobre a missão da igreja, e que ela se limita a uma orientação sobre a forma de se fazer um sermão, deve-

se destacar que ele aplica essa lógica não apenas ao púlpito, mas estende-a à relação que a igreja deve buscar com seu contexto. Ele segue o artigo dizendo:

A necessidade de contextualização não se resume ao púlpito. As ações

da igreja também devem ser contextualizadas. Igreja que não

restringe seu olhar à vida intraeclesiástica, mas que estende para a realidade extraeclesiástica. Igreja atenta ao que acontece ao seu redor, e desenvolve estratégias que possibilitem que ela alcance e transforme vidas e situações59 (VIEIRA, Paulo E. G., O perigo do púlpito irrelevante na pregação urbana. Jornal Comunhão, p.3. 12 dez.13). Uma forma de analisar a relação dessa fala com as ações missionárias da igreja é voltar à origem do projeto Cristolândia. Como já dito, este projeto nasce a partir dessa visão ministerial que busca ouvir os clamores dos contextos e oferecer-lhes respostas. Esse fato é evidenciado na seguinte afirmação do pastor Paulo Eduardo sobre a origem da Cristolândia:

O Projeto Cristolândia, que teve início na PIB em SP, e que hoje pertence aos batistas brasileiros (digo isso com muita alegria), é fruto desta compreensão. Não poderíamos, em hipótese alguma, permanecer concentrados em nossas dependências eclesiásticas, desfrutando do deleite da vida com Deus e com os irmãos, porém com os nossos olhos vendados para aquela realidade cruel e infernal tão próxima à nossa igreja. As mensagens e as estratégias da igreja, durante um bom tempo, tiveram como grande objetivo transformar a Cracolândia. (VIEIRA, Paulo E. G., O perigo do púlpito irrelevante na pregação urbana. Jornal Comunhão, p.3. 12 dez.13).

É possível identificar nessas falas do pastor uma postura de valorização do contexto onde a igreja está inserida e da práxis eclesiástica respondendo a ele.Dentro da visão ministerial do Pastor Paulo Eduardo, a partir do que até aqui foi apresentado, a missão da igreja surge da leitura do texto Bíblico e do contexto, isso é dito maneira muito explícita no artigo intitulado “Para além dos muros” no qual o pastor baseado no texto do evangelho de Marcos 6.34, que diz: “E Jesus saindo viu uma grande multidão e teve compaixão deles, porque eram como ovelhas que não têm pastor, e começou a ensiná-las” faz a interpretação do texto e aplica-o da seguinte forma:

Precisamos que os nossos corações sejam tomados de compaixão

diante da realidade de miséria à qual milhões estão submetidos, fruto da desigualdade, da injustiça e da corrupção que predominam em nosso Brasil. É necessário que nos sintamos

irreversivelmente incomodados [...]E porque é importante que nos sintamos assim? Porque esse sentimento nos mobilizará de modo

incontido para missões. Esse incômodo, essa perturbação interior que

eu chamo de santo incômodo, de santa perturbação, nos mobilizarão em direção aos que estão para além muros, conferindo razão de ser à nossa existência. (VIEIRA, Paulo E. G., Para além dos muros. Jornal

Comunhão, p.3. 07. jul.14).

No entendimento do pastor o ato de sentir o contexto, de ser incomodado pela realidade contextual na qual estamos inseridos, se configura como o fato que impulsiona a igreja para sua missão.

A partir do conteúdo presente nos artigos escritos ao Jornal Comunhão, e das ações missionárias da PIBSP, constata-se que a práxis ministerial do pastor Paulo Eduardo acontece dentro da lógica da hermenêutica contextual, pois é possível notar a valorização do Texto (Bíblia) e do contexto, e a missão surgindo como uma resposta a esses dois horizontes.

Ao entender a TdL como uma possível porta pela qual os conceitos de desenvolvimento e justiça da M.I. entraram na PIBSP, faz-se isso baseado na identificação de um ponto comum entre as duas teologias (TdL e MI), a saber: a hermenêutica contextual e o círculo hermenêutico.

Segundo Sanches (2009), falando sobre as aproximações do método da TdLcom a MI, ao se referir de maneira específica à TdL, a autora afirma que:

Ela se constrói na forma do círculo hermenêutico e se organiza de modo a ser pensamento sempre crítico tanto da realidade social, quanto do pensamento e da práxis da fé, ou seja, dela mesma. É nestes aspectos que a TdL destaca sua natureza autóctone. O método pelo qual ela se faz é o seu maior diferencial em relação às outras formas de teologia (SANCHES, 2009.p. 46).

Esse diferencial a que Sanches faz menção é este ato de fazer missão a partir da hermenêutica contextual, do círculo hermenêutico; é a lógica sob a qual a TdL acontece que faz com que ela olhe para os dois horizontes (contexto e Texto) visando a práxis.Libânio apresenta este fato da seguinte forma:

A novidade específica da TdL está no único ato produtivo teológico de uma dupla percepção: nova compreensão da Palavra (que não teria sido possível sem o impacto da realidade científica analisada) e nova percepçãoda realidade (que não seria possível sem a Palavra iluminadora de Deus) [...] o específico da TdL consiste na articulação de três elementos: realidade analisada por instrumentos sociais, a Revelação e a práxis (LIBÂNIO.1987.p. 219).

Esses três elementos: realidade analisada, Revelação e a práxis, se configuram como elementos basilares para o método da TdL. Este é formado pelo conhecido tripé: Ver, Julgar e Agir. Essa teologia entende o Ver como a busca por compreender o

contexto, sua estrutura social, seus sistemas políticos, “este primeiro momento refere-se ao olhar interpretativo da realidade social, não somente a partir dela, mas de dentro dela” (SANCHES, 2009.p. 47).

O Julgar é o processo no qual a realidade social e suas demandas são interpretadas, lidas, julgadas pela Revelação. Este ato se faz visando compreender o que se deve fazer e como se deve agir, o conceito que Murad(1994) nomeia de “Revelação inter-ativa”, ajuda-nos a compreender o significado do julgar; para esse autor a Revelação é apresentada como tendo o objetivo de transformar as pessoas e orientar a vida delas no mundo, sua compreensão fundamenta-se no fato de ter sido, ela (a Revelação), encarnada na história da humanidade e ter manifestado a vontade e Reino de Deus na realidade humana, por isso sua relação com a realidade atual não pode ser diferente, deve ser igualmente encarnada e “inter-ativa”.

O Agir é o resultado obtido dos dois primeiros pontos basilares do método da TdL, segundo Gutiérrez: “A sensibilidade aos novos desafios implica mudanças em nosso enfoque sobre caminhos a seguir para superar autenticamente os conflitos sociais [...] e construir – como exige a mensagem cristã – um mundo justo e fraterno.” (2000.p.22)Nota-se que esse agir visa construir um mundo “justo e fraterno”, e faz isso a partir da leitura do contexto, “sensibilidade aos novos desafios”, e do texto “como exige a mensagem cristã”.

Deve-se destacar que o método da TdL acontece em uma dinâmica circular; ao chegar no Agir, a TdL remete essa ação a novos Veres e Julgamentos, que resultam em novas ações. Sanches destaca esse fato afirmando que o resultado desse processo teológico, o Agir: “Não é o momento derradeiro, pois a teologia da libertação é teologia sempre aberta a se refazer. Este ponto remeterá novamente para o primeiro, onde o processo se renova.” (SANCHES, 2009.p.51).

A partir do que foi até aqui esboçado pode-se montar um quadro de comparação da metodologia da MI e da TdL que se apresenta da seguinte forma:

Quadro 7- Comparação entre a metodologia da MI e TdL Metodologia da MI Metodologia da TdL

Contexto Ver

Palavra de Deus Julgar

Quanto ao método, a TdL e a M.I. estão muito próximas. Embora existam diferenças entre as duas teologias, constata-se que ambos os métodos possuem a mesma estrutura e dinâmica (círculo hermenêutico), e consideram os mesmos elementos em seu fazer teológico (texto, contexto, e práxis) configurando-se assim como hermenêuticas contextuais.

A partir desse fato, a hipótese que se apresenta, com um caminho que explica a aproximação e vivência da pela PIBSP dos conceitos de desenvolvimento e Justiça da M.I., é que por mais que a igreja e o pastor não tenham um conhecimento teórico da M.I., a dinâmica da metodologia desta foi vivenciada pela igreja. A PIBSP ouviu os clamores de seu contexto, e baseada na Bíblia, ofereceu respostas a este.

E, ao que tudo indica, este fato aconteceu por ter o pastor Paulo Eduardo, em seu ministério,fortes traços da metodologia da TdL, no que se refere à sua postura de valorização do contexto e da práxis eclesiástica frente a essa realidade. E também por ter a PIBSP ouvido os clamores de seu contexto e ter tido a mesma postura hermenêutica contextual presente na TdL e consequentemente da M.I..

Outra hipótese que pode ser levantada para justificar tal aproximação é que a PIBSP vivencia o evangelho de Cristo, pois segundo Gouvêa:“Missão integral é o próprio evangelho” (2011.p.140) configurando-se assim apenas como um outro nome para o próprio evangelho, não pretendendo ser nada além, ou aquém do próprio evangelho,mas uma forma de reação aos conceitos que fracionam o evangelho limitando sua relevância e eficácia para os dias atuais.

Gouvêa ainda afirma que “Na verdade só há uma missão em Cristo; aquela que inclui a integralidade daquilo que o Evangelho representa” (2011.p.141) Portanto, os conceitos que não contemplam a integralidade da missão, a “Missão Parcial”, segundo Gouvêa (2011) simplesmente não são missão cristã, mas uma deformação perigosa da missão, uma distorção alienante e opressora. Não é evangelho porque não é integral, e se não é integral é porque não é evangelho, uma vez que se sabe que para ser evangelho tem de ser Integral.

Dentro dessa hipótese todas as aproximações entre a PIBSP e o conceito de desenvolvimento e justiça aconteceram pelo fato de esta igreja fundamentar sua práxis no evangelho, que é integral, e que impulsiona a Igreja para uma Missão Integral.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Esta dissertação buscou pesquisar o conceito de desenvolvimento e justiça à luz da M.I. e estabelecer uma análise crítica da presença desta teologia e de sua práxis no solo paulistano. Fez-se isto tomando como sujeito de pesquisa a PIBSP e o bairro Campos Elíseos, localizado na região central da cidade de São Paulo.

O primeiro capítulo se dedicou inicialmente a apresentar a história de como surgiu a M.I. Este percurso foi traçado via vertentes formadoras e congressos. Na primeira parte pôde-se ver que, ao buscar as origens da M.I. no Protestantismo norte- americano do séc. XIX. É possível ver que ele era composto por três vertentes principais, a saber: puritanismo inglês, pietismo moraviano e os avivamentos;a estes era dado o título de protestantes.

Depois do caso Scopes, esse grupo passou por uma cisão, que resultou na polarização de dois movimentos, de um lado estavam os fundamentalistas e do outro os protestantes/liberais. Um terceiro grupo surgiu como uma proposta de ser um meio termo entre os dois extremos, estes eram os evangélicos. Eles não abandonaram a teologia dos fundamentalistas, porém buscaram uma postura mais aberta para o diálogo com o seu tempo.

Os evangélicos vieram para a América Latina e iniciaram o processo de evangelização, porém, como mantiveram a postura dos fundamentalistas quanto às questões sobre responsabilidade da Igreja frente às questões sociais, um grupo de latino- americanos, ouvindo os clamores de seu contexto, e não encontrando um diálogo entre a teologia que lhes fora ensinada e suas realidades socioculturais, e tendo como um outro extremo, a essa teologia a TdL, esse grupo de pastores deu origem a um movimento que