2. ORYANTALİZM’İN SÖMÜRGECİLİKLE İLİŞKİSİ
2.2. Hindistan’da İlk İngiliz Şarkiyatçıları
de módulos educacionais, sendo estabelecido um processo padrão para a elaboração de tais mó- dulos. Aspectos associados à especialização e instanciação de processos também são abordados e uma instância do processo padrão para módulos educacionais, adequada a projetos em que os módulos desenvolvidos são disponibilizados presencialmente, é estabelecida.
Inicialmente, na Seção 4.2 são sintetizados os principais aspectos considerados no estabeleci- mento do processo padrão para módulos educacionais. Entre os aspectos discutidos destacam-se práticas de projeto instrucional e questões associadas ao desenvolvimento de produtos livres e ao desenvolvimento colaborativo e distribuído. Na Seção 4.3 é apresentada uma visão geral do pro- cesso padrão definido. Como base para o estabelecimento do processo é utilizada a norma ISO/IEC 12207, adaptada ao contexto de produção de módulos educacionais. As atividades do ciclo de vida de um módulo são estabelecidas por meio de três classes de processos: (1) Processos Fundamen- tais, (2) Processos de Apoio e (3) Processos Organizacionais. A adequação do processo padrão quanto às perspectivas de desenvolvimento consideradas na construção de módulos educacionais – estruturação, evolução, transferência e reuso do conhecimento – é discutida na Seção 4.4. Deta- lhes sobre os processos definidos, em termos das atividades e tarefas estabelecidas, são descritos na Seção 4.5.
A Seção 4.6 descreve um modelo para a definição de processos, caracterizando, em linhas gerais, as atividades de definição, especialização e instanciação de processos1. Aspectos de espe-
cialização do processo padrão para módulos educacionais são tratados na Seção 4.7. Além disso, um modelo de maturidade – o CMM/Educacional – é proposto e discutido como mecanismo de
apoio à especialização do processo padrão em diferentes níveis de maturidade.
Finalmente, na Seção 4.8 são ilustrados aspectos pertinentes à instanciação do processo padrão em um projeto específico. O processo instanciado é descrito em termos dos recursos humanos, métodos e técnicas de desenvolvimento, e recursos tecnológicos e computacionais adotados.
4.2
Aspectos de Desenvolvimento na Definição do Pro-
cesso Padrão
No estabelecimento do processo padrão para módulos educacionais foram considerados aspectos específicos de desenvolvimento – práticas de projeto instrucional e modelagem de conteúdos edu- cacionais – bem como questões genéricas associadas ao desenvolvimento de produtos livres e ao desenvolvimento colaborativo e distribuído. Aspectos de modelagem de conteúdos educacionais foram abordados no Capítulo 3. Os demais aspectos de desenvolvimento considerados na definição do processo são discutidos nas próximas seções.
1O modelo apresentado nessa seção foi proposto por Maidantchik (1999), no contexto de software. Os aspectos
4.2.1
Projeto Instrucional
O Projeto Instrucional (Instructional Design) (Clark, 2003; Kruse, 2003; Lee & Owens, 2000) con- siste na aplicação sistemática de princípios científicos sobre como as pessoas aprendem visando ao desenvolvimento de instrução.
Os objetivos do Projeto Instrucional são alcançados por meio de cinco fases – Análise, Projeto, Desenvolvimento, Implementação e Avaliação – referenciadas como modelo ADDIE (Analysis,
Design, Development, Implementation, Evaluation). Tais fases são aplicadas iterativamente, sendo
que os resultados provenientes de cada fase servem como entrada para a fase subseqüente. Embora vários modelos para o Projeto Instrucional tenham sido desenvolvidos, a maioria deles está baseada no modelo genérico ADDIE:
• Análise: Nesta fase, sub-dividida por alguns autores em Needs for Instruction e Front-End
Analysis, determinam-se aspectos tais como as necessidades de aprendizado, níveis atuais e
desejados de conhecimento e/ou desempenho, perfil dos aprendizes e metas de aprendizado. • Projeto: Esta fase é responsável por estabelecer os objetivos de aprendizado a serem atin- gidos. Conteúdo, atividades práticas e instrumentos de avaliação também são especificados nesta etapa.
• Desenvolvimento: Nesta fase são selecionadas as tecnologias de desenvolvimento adequadas e o módulo educacional propriamente dito é construído. As mídias que compõem o módulo são criadas e as ferramentas e recursos específicos ao domínio de conhecimento em questão são integrados.
• Implementação: Nesta fase o módulo é disponibilizado aos aprendizes.
• Avaliação: Esta fase é responsável por medir a efetividade do aprendizado proporcionado a partir da utilização do módulo, contrapondo-se os resultados de aprendizado obtidos aos objetivos previamente especificados.
É importante ressaltar que a teoria de Projeto Instrucional não trata da estruturação interna do conteúdo educacional, em termos de conceitos e elementos instrucionais associados. Em outras palavras, aspectos pertinentes à modelagem de conteúdos educacionais não são especificados nas práticas de projeto estabelecidas. Indicações sobre como transferir o conhecimento do especialista de domínio (subject matter expert) para o projetista instrucional (instructional designer) também não são fornecidas.
4.2.2
Desenvolvimento de Produtos Livres
Nos últimos anos, o movimento de software livre tem sido alvo de grande atenção entre pesquisa- dores e desenvolvedores, tanto na indústria como em universidades e centros de pesquisa (Feller
122 4.2. Aspectos de Desenvolvimento na Definição do Processo Padrão & Fitzgerald, 2000; McConnell, 1999; O´Reilly, 1999; Raymond, 2003; Zhao & Elbaum, 2000). Entre as razões que têm impulsionado o interesse por esse tipo de software destacam-se (Davis et al., 2000): estabilidade, portabilidade para várias plataformas, suporte aos usuários por parte dos desenvolvedores, acesso ao código-fonte, e baixo custo (não é preciso pagar pelas licenças).
De modo geral, um software é considerado livre quando é acompanhado de uma permissão para uso, cópia, distribuição e redistribuição, realizando ou não modificações, de forma gratuita ou mediante uma taxa. O código-fonte deve acompanhar o software para que a realização de modifi- cações seja possível. As modificações não precisam ser comunicadas, mas devem ser identificadas e disponibilizadas abertamente (Davis et al., 2000; McConnell, 1999).
A definição de software livre pode ser estendida ao contexto de desenvolvimento de produ- tos educacionais sob a idéia de um módulo educacional livre (ou mesmo material didático livre). Nesse caso, o módulo possui uma licença de uso e distribuição, sendo permitido a seus usuários realizar alterações nos conteúdos disponibilizados de modo a adequá-los a seus objetivos e neces- sidades de aprendizado.
Dentro da perspectiva apresentada, o desenvolvimento de módulos educacionais pode ser abor- dado, sob vários aspectos, em conformidade com as características e princípios do desenvolvi- mento de software livre. Na verdade, traçando um paralelo entre ambos, uma série de característi- cas de desenvolvimento em comum pode ser observada.
A primeira delas refere-se à evolução contínua, em que versões atualizadas do software são lançadas com muito mais freqüência, em resposta às necessidades e opiniões dos usuários. Essa mesma característica também constitui um aspecto essencial no desenvolvimento de módulos edu- cacionais, sobretudo em virtude do caráter dinâmico e evolutivo inerente ao conhecimento, a partir do qual os módulos são constantemente evoluídos como resultado das experiências de aprendizado. A perspectiva de evolução do conhecimento no contexto de módulos educacionais foi discutida na Seção 3.2.
A dispersão geográfica dos desenvolvedores, participando da construção do produto de forma colaborativa e, muitas vezes, voluntária, é outro aspecto identificado tanto no desenvolvimento de software livre como na elaboração de módulos educacionais. A idéia básica é que qualquer desenvolvedor pode contribuir para o produto (software ou módulo educacional) e que as contri- buições serão filtradas de forma “darwiniana”, ou seja, o melhor código (no caso dos módulos, o melhor conteúdo) sobreviverá, sendo incorporado ao produto em questão. Ressalta-se, nesse caso, a necessidade de intensa coordenação entre desenvolvedores. Considerações pertinentes ao desenvolvimento distribuído e colaborativo são abordadas separadamente, na próxima seção.
Finalmente, o desenvolvimento de produtos livres requer um conjunto de tecnologias colabora- tivas (correio eletrônico, listas de discussão, web, sistemas de controle de versões, repositórios de informação, entre outros), de modo a garantir a comunicação e a interação entre os vários desen- volvedores. No caso de módulos educacionais, o uso de tecnologias colaborativas é fundamental não apenas no processo de desenvolvimento, mas também durante a disponibilização e utiliza-
ção do módulo, como forma de viabilizar a condução das atividades e avaliações propostas aos aprendizes.
Em virtude das peculiaridades associadas aos produtos livres, os modelos de desenvolvimento investigados em sua construção também apresentam um conjunto de características bastante di- ferentes em relação aos modelos de desenvolvimento tradicionais (Feller & Fitzgerald, 2000; O´Reilly, 1999). Raymond (2003) caracteriza dois tipos de modelos: (1) o modelo Catedral, baseado na concepção tradicional de desenvolvimento de software; e (2) o modelo Bazar, voltado ao desenvolvimento de produtos livres. O modelo Bazar apresenta como principais características: desenvolvimento compartilhado e distribuído, tempo de desenvolvimento curto, e alta qualidade (tanto com respeito à presença de características desejáveis como em relação ao número reduzido de defeitos). Além disso, uma característica marcante é o tempo de resposta para a correção dos de- feitos, os quais são corrigidos em um tempo bem menor, se comparado com defeitos de softwares proprietários. O modelo requer ainda uma pessoa (ou grupo de pessoas) que centralize o processo. É importante salientar que, apesar das pesquisas conduzidas no sentido de entender e sistema- tizar o processo de desenvolvimento de software livre, este ainda não se encontra definitivamente estabelecido (Davis et al., 2000; Feller & Fitzgerald, 2000; O´Reilly, 1999). Contudo, é possível identificar algumas atividades principais, ainda que as mesmas não estejam formalmente defini- das (Vixie, 1999): especificação de requisitos, projeto e implementação. Na maioria dos projetos de desenvolvimento livre, no entanto, o produto é codificado diretamente, sem que seja dada ênfase às fases de especificação de requisitos e projeto.
Ainda como mecanismos a serem investigados dentro do escopo do desenvolvimento de produ- tos livres podem-se destacar as metodologias ágeis, as quais têm surgido como uma alternativa aos modelos de processo de desenvolvimento tradicionais. De modo geral, essas metodologias visam a melhorar a eficiência da organização na construção de seus produtos ao mesmo tempo em que procuram diminuir a “burocracia” do desenvolvimento (Maurer & Martel, 2002). Como exem- plos mais significativos dentre as metodologias ágeis estão a eXtremme Programming (XP) (Beck, 1999b,a), a Feature-Driven Development (FDD) (Coad & Palmer, 2002) e o SCRUM (Rising & Janoff, 2000).
Apesar dos esforços identificados, ainda não há um consenso a respeito do rigor e formalismo a serem impostos ao processo de desenvolvimento de produtos livres de modo a não restringir suas características fundamentais. De fato, evidencia-se a necessidade de um equilíbrio entre prá- ticas sistemáticas e bem definidas de desenvolvimento e sua aplicação flexível como parte de um processo padrão.
As questões discutidas nesta seção mostram-se extremamente pertinentes quando se tem por objetivo a construção de um módulo educacional livre. Tendo em vista que o processo padrão para elaboração de módulos educacionais pretende ser o mais genérico possível, tais questões também foram consideradas em sua definição. Nesse sentido, a aplicação do processo padrão na construção de um módulo educacional livre pode ser vista como uma possível instância do
124 4.2. Aspectos de Desenvolvimento na Definição do Processo Padrão mesmo. Ressalta-se ainda que o estabelecimento de metodologias ágeis para o desenvolvimento de módulos educacionais, baseadas nas atividades e tarefas identificadas no escopo do processo padrão proposto, constitui uma das linhas de pesquisa futura decorrente do presente trabalho de doutorado.
4.2.3
Desenvolvimento Colaborativo e Distribuído
Conforme discutido na seção anterior, a presença de desenvolvedores dispersos colaborando entre si para a construção de um determinado produto constitui uma das características fundamentais do desenvolvimento de produtos livres. Ressalta-se, entretanto, que a colaboração e a distribuição de equipes e profissionais de desenvolvimento não são exclusividade de softwares livres, podendo ser observadas no desenvolvimento dos mais variados tipos de produto.
A construção de módulos educacionais, por exemplo, pode envolver desenvolvedores de diver- sas áreas de conhecimento, trabalhando em equipes multi-disciplinares e heterogêneas, geografi- camente dispersas ou não. Tais equipes devem cooperar e interagir entre si, compartilhando dados e informações pertinentes ao projeto – especificações, modelos de domínio, conteúdos, resultados de testes e desempenho dos aprendizes, entre outros. Além disso, a capacidade das equipes de desenvolvimento pode variar, não apenas em função de recursos humanos, mas também quanto a recursos tecnológicos, computacionais e econômicos disponíveis. Por fim, as atividades con- duzidas por uma determinada equipe podem ser essenciais para a realização das tarefas de outras equipes, caracterizado relações de dependência entre elas.
Aspectos do desenvolvimento colaborativo e distribuído de software foram enfatizados no tra- balho de Maidantchik (1999). Foram identificadas as principais características e problemas do desenvolvimento distribuído de software, a partir dos quais foi estabelecido um processo de soft- ware padrão para equipes geograficamente dispersas. Em linhas gerais, Maidantchik (1999) ob- serva que a qualidade dos produtos desenvolvidos por equipes geograficamente dispersas depende de uma comunicação efetiva, da coordenação dos grupos distribuídos, do rastreamento sistemático das atividades e artefatos, e da disponibilidade das informações referentes ao processo de software. De maneira similar, as características e problemas identificados no desenvolvimento distribuído de software também podem ser observados no contexto de desenvolvimento de módulos educacio- nais:
• Coordenação de equipes: Envolve a interação e a supervisão das equipes de desenvolvi- mento. O estabelecimento da capacidade de cada equipe e a atribuição de atividades e res- ponsabilidades em função das competências e habilidades de seus membros também deve ser tratado.
• Coordenação das atividades: O fluxo de trabalho deve ser controlado. Identificam-se tare- fas concorrentes e que exigem colaboração entre as equipes. A sincronização das tarefas também deve ser considerada.
• Controle de artefatos (sub-produtos): Envolve problemas de integração dos componentes do módulo (mídias e infra-estrutura), autoria e modelagem distribuídas, visibilidade de avalia- ções e resultados de desempenho, notificação de modificações, gerência de configuração. • Apoio à comunicação: Refere-se a todos os aspectos do desenvolvimento que necessitam da
troca de informações entre as equipes, a fim de proporcionar a gerência efetiva do processo. Dentro da perspectiva apresentada, aspectos referentes ao desenvolvimento distribuído, em conformidade com aqueles investigados por Maidantchik (1999) no contexto de produção de soft- ware, também foram investigados e incorporados ao processo padrão para módulos educacionais. O processo padrão estabelecido neste trabalho é apresentado nas próximas seções.