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3. EĞİTİMDE MİZAH VE KARİKATÜRÜN KULLANILMASI

3.6 Eğitimlerde Kullanılan Mizah Türleri

3.6.1 Hikâyeler, anekdotlar, gözlemler

A constituição de nosso corpus

,

textos produzidos por alunos de 9o ano do Ensino Fundamental, no ano de 2007, em uma escola pública da zona norte de Natal, processou-se a partir do desenvolvimento, na escola onde lecionávamos, de um projeto interdisciplinar intitulado: Educação cidadã: nos caminhos da leitura e da ética. O referido projeto foi elaborado pelas equipes pedagógica e administrativa e pelos professores. Após longos encontros e inúmeras discussões acerca do projeto da escola, a equipe pedagógica sugeriu que cada professor pensasse e elaborasse um miniprojeto, em sua área de conhecimento, para articular com o projeto da escola. Assim, cada professor tinha a tarefa de elaborar um miniprojeto que fosse complemento do projeto maior, que tivesse como referência principal o projeto da escola.

Foi assim que elaboramos um miniprojeto intitulado: O lugar da leitura em minha

vida: lendo e aprendendo a ser cidadão. Ambos os projetos tinham como principais objetivos

incentivar os alunos a praticar a leitura e a escrita nas diversas áreas, por entendermos que ambas são atividades de produção de sentido e de conhecimento.

O nosso projeto foi elaborado no momento em que passamos a tomar contato com novas teorias acerca de produções textuais escritas, mais precisamente as teorias bakhtinianas

dos gêneros discursivos, tomando como aporte teórico as noções de linguagem como discurso. O projeto durou dois bimestres e foi executado a partir das seguintes etapas:

1a Apresentação do projeto à turma;

2a Discussão com a turma sobre a execução do projeto; 3a Discussão sobre o tema do projeto e a culminância; 4a Execução do projeto:

a. Leituras de textos do gênero memórias de leituras; b. Discussão sobre as características do gênero; c. Produção das memórias - produção inicial;

d. Primeira correção dos textos, em sala de aula – apontamentos acerca dos ajustes que os alunos deveriam fazer (correção oral/individual);

e. Reescrita dos textos, após orientações; f. Segunda correção dos textos;

g. Preparação para a publicação dos textos – escolha do nome do livro e da capa, foto para o livro, digitação, edição, data da apresentação do livro à comunidade escolar (exposição do livro).

A ideia era que os alunos colocassem em prática a produção escrita, relatando momentos marcantes de suas trajetórias de leitura e escrita e, assim, perceber a importância da leitura na vida de cada sujeito. As produções foram lidas e analisadas uma a uma, passadas por diversas etapas, dentre as quais a de revisão e reformulação, quando necessárias, a partir de uma perspectiva discursiva, atentando, ainda, ao domínio das regras gramaticais e da ortografia.

Durante o desenvolvimento do projeto, nós que, na época, estávamos cursando uma pós-graduação em Língua Portuguesa: Leitura, Gramática e Produção de Texto, e adquirindo conhecimentos mais específicos acerca das teorias bakhtinianas sobre os gêneros discursivos, resolvemos colocar em prática conhecimentos acerca dos gêneros discursivos e a produção de texto como instrumento fundamental no processo de ensino-aprendizagem da língua materna.

Começamos a produção escrita em sala de aula partindo de orientações de teóricos como Bakhtin e Geraldi, ancorada a partir dos gêneros discursivos e de uma determinada metodologia. Assim, procuramos a trabalhar a produção escrita a partir de dois grandes pressupostos: o primeiro acenando para um trabalho com produção de texto que leva em consideração não a língua enquanto estrutura, mas a língua como forma de enunciações

concretas (BAKHTIN, 2003, p. 265); o segundo percebendo que o trabalho com produção de texto precisa ser visto como a produção de texto na escola e não a produção de texto para a escola (GERALDI, 1997, p. 136), ou seja, procuramos enfatizar as mudanças que estavam ocorrendo com o trabalho de produção de texto em sala de aula, em que não mais se concebe o trabalho de meras reproduções alheias, mas o trabalho com produções em que os alunos têm oportunidade de serem autores de seus próprios textos.

Os textos foram selecionados a partir dessas produções, num total de 60, sendo um dos critérios de escolha as 10 produções que obtiveram as melhores notas, levando em consideração que a nota máxima era seis (6,0).

Nossos sujeitos de pesquisa são alunos na faixa etária entre 13 e 15 anos, oriundos de famílias de baixa renda, moradores de um bairro da Zona Norte de Natal. Esses alunos trabalham com produções escritas há 2 anos, pois são nossos alunos desde o ano de 2005, portanto, estão acostumados à rotina de produzir textos constantemente em sala de aula.

Tomando como base a proposta de Sequências Didáticas, de Schneuwly e Dolz (2004), utilizamos, durante dois bimestres, várias oficinas acerca do gênero textual memórias. Essas oficinas faziam parte de atividades desenvolvidas a partir de sequências didáticas, com as quais a turma passou a conhecer ou, pelo menos, ter uma ideia de como se organizava e se estruturava esse gênero textual.

Segundo Schneuwly e Dolz (2004, p. 97), “uma sequência didática é um conjunto de atividades escolares organizadas, de maneira sistemática, em torno de um gênero textual oral ou escrito”. Para os autores, trabalhar a sequência didática em sala de aula é garantir uma melhor atuação em produção de textos, por parte dos alunos, uma vez que seguindo adequadamente os passos de cada etapa das sequências é possível perceber com mais especificidade as características de cada gênero discursivo e, assim, poder melhor produzi-los.

Adotamos trabalhar a produção escrita a partir do trabalho com as Sequências Didáticas (SD) porque acreditamos ser uma metodologia adequada para favorecer a aprendizagem de um determinado gênero, pois elas (as SDs) contribuem para que os alunos adquiram mais habilidades e competências na produção escrita. Segundo Gonçalves (2007, p. 15), os objetivos das Sequências Didáticas são:

a. Proporcionar situações efetivas de comunicação; b. Favorecer a planificação dos textos;

c. Favorecer a produção/leitura/escuta de atividades diversas em relação aos gêneros em estudo e;

Assim, entendemos que as Sequências Didáticas são a melhor forma de colocar em prática a produção escrita enquanto produção de textos concretos e reais.

A escolha pela análise das produções escritas em sala de aula, sob a forma de pequenas narrativas, surgiu porque entendemos que os gêneros discursivos narrativos são instrumentos de maior afinidade para os alunos, visto que as narrativas estão presentes desde a infância, seja de forma oral ou escrita. A narração é um tipo textual de fácil produção e por meio do qual entendemos que alunos de 9o ano conseguem de forma mais criativa expressar seus sentimentos, experiências e/ou opiniões. As memórias relatadas por meio de narrativas facilitaram o manejo com a escrita e, aparentemente, ajudam a demonstrar uma melhor performance em evidenciar a autoria, visto que com as narrativas os alunos expõem suas histórias de vida.

Foi a partir desse trabalho com o gênero em questão que tentamos fazer uma intervenção pedagógica no trabalho com produção escrita. A intenção era tentar levar os alunos a serem, de fato, autores de seus próprios textos.

Capítulo V

INDÍCIOS DE AUTORIA EM 10 MEMÓRIAS DE LEITURAS DE ALUNOS(AS) DO ENSINO FUNDAMENTAL

 

Figura 1- Capa do livro pesquisado

O objeto das ciências humanas é o ser expressivo e falante.

5.1 CONSIDERAÇÕES PRÉ-ANÁLISES  

As análises que vamos apresentar sobre o trabalho de produção escrita em sala de aula, nessa pesquisa, fundamenta-se no pensamento bakhtiniano, conforme discorremos nos capítulos anteriores. Com base no pensamento bakhtiniano, procuramos compreender as relações dialógicas travadas entre as várias vozes materializadas nos textos, geradores dos dados dessa pesquisa.

A perspectiva de autoria que se pretende evidenciar nesta pesquisa se relaciona com a escrita de alguém que está no mundo, que se relaciona com outros sujeitos, estabelecendo uma relação dialógica, na qual “o eu se esconde no outro e nos outros, quer ser apenas outro para os outros, entrar até o fim no mundo dos outros como outro, livrar-se do fardo de eu único (eu-para-si) no mundo”. (BAKHTIN, 2003, p. 383).

5.2 MEMÓRIAS DE LEITURAS E INDÍCIOS DE AUTORIA

A análise dos dados objetiva responder nossas questões de pesquisa apresentadas no capítulo da Introdução. Reafirmamos que para nós os textos dos alunos não são meramente treinos para aperfeiçoar a escrita enquanto regras gramaticais. Eles são produtos de expressão de ideias, posicionamentos, ideologias, entre outros. Os enunciados são fontes de alimentação da história da sociedade e da história da linguagem, ambas fundamentais para a constituição do sujeito enquanto ser pensante, atuante e crítico.

Como já enfatizamos anteriormente, nossa pesquisa objetiva analisar textos produzidos por alunos de 9º ano do Ensino Fundamental, visando encontrar pistas de autoria. Pistas que nos ajudarão a compreender o processo de construção da autoria nessas produções. Elencamos como categorias de análise a apropriação e reestruturação de vozes alheias, bem como os posicionamentos nos dizeres dos sujeitos pesquisados.

Os dados serão analisados em dois momentos: primeiro, consideraremos os indícios de autoria a partir da inserção de vozes alheias, com as quais o autor vai construindo seu dizer por meio da apropriação e reestruturação dos discursos alheios, com os quais os sujeitos travam uma intensa luta dialógica em que “todas as palavras (enunciados, produções de

Benzer Belgeler