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HESAP ALANLARININ BELİRLENMESİ VE SINIFLANDIRILMASI

5. Denetimde Belgeleme

1.3 HESAP ALANLARININ BELİRLENMESİ VE SINIFLANDIRILMASI

A modalização avaliativa é marcada em um enunciado quando o locutor expressa sua opinião ou juízo de valor ou apresenta uma justificativa a respeito do conteúdo proposicional, excetuando-se qualquer avaliação de caráter deôntico ou epistêmico. Os trechos a seguir mostram o funciomanto desse recurso:

MAV09-EE01-Linhas 94-98

L1[...] então... eu tô eu tô dizendo o nosso... a nossa postura... AQUI nos temos uma estrutura... boa estrutura... é é suporte necessário ao professor... é tudo registrado... carteira assinada... tudo assinado direitinho... e mas aí sempre vem a pergunta... você tem um currículo muito bom... mas... o que lhe atraiu pra docência mesmo?

No trecho MAV09 da EE01, L1 constrói seu discurso usando argumentos que ressaltam os pontos positivos tanto a respeito das condições de trabalho oferecidas pela Unixy quanto para emitir elogios acerca do currículo do candidato entrevistado. Em favor dessa valorização, L1 estabelece uma relação dialógica com L2 visando levá-lo a aderir a esses pontos de vista. Podemos perceber que L1 se engaja ao falar sobre a instituição ao assumir que “[...] AQUI nos temos uma estrutura... boa estrutura... é é suporte necessário ao professor... é tudo registrado... carteira assinada... tudo assinado direitinho...[...]”. Dessa forma, deseja expressar sua atitude de valoração e de orgulho pela Unixy e, para tanto, faz uso de recursos argumentativos para construir o sentido do enunciado e expressar sua manifestação. Tal manifestação é realizada por meios dos modalizadores avaliativos em destaque, os quais sinalizam o seu ponto de vista diante das condições de trabalho que a Unixy oferece para o seu corpo docente tanto em termos de infra-estrutura boa estrutura e suporte necessário, quanto em relação à segurança trabalhista, considerando que “[...] é tudo registrado... carteira assinada... tudo assinado direitinho... [...]”. Ademais, podemos perceber ainda o esforço do locutor em fortalecer a imagem da Unixy com a escolha desses modalizadores.

Seguindo essa linha de argumentação, L1 entra no objetivo principal do seu discurso ao questionar sobre o que levou L2 à docência, deixando implícito com essa pergunta que L2 poderia atuar, por exemplo, em outros níveis tais como graduação ou pós-graduação, considerando que L2 “[...] tem um currículo muito bom...[...]”. Assim, nessa parte do

enunciado, o adjetivo bom confere clareza e precisão ao julgamento positivo que L1 faz a respeito das qualificações de L2 elencadas no currículo e que aparentemente são julgadas superiores àquelas exigidas de um professor da escola técnica, considerando principalmente, o valor da hora aula paga ao docente que atua nesse nível de formação, que é bem inferior ao do professor pesquisador da graduação e da pós-graduação. Tal avaliação é reforçada pelo advérbio muito, que, além de exercer função intensificadora, também funcionou como modalizador avaliativo.

Com relação ao fato mencionado, L1 já havia demonstrado preocupação no seu discurso anteriormente nas linhas 82-92 da EE01 ao dizer: “[...] o senhor tem um currículo muito bom pra área de pesquisa a área de... o que lhe atraiu?ou ou...vou ser assim bem FRANco com o senhor... a questão salarial... ( ) nós pagamos AQUI treze e noventa... carteira assinada e tudo... é claro que a maioria dos professores que tem aqui na instituição... SEMpre a gente vê com certo bons olhos a evolução deles pra graduação e assim por diante... e assim por diante... isso isso... vou ser bem honesto com o senhor até porque pra evitar algum tipo de de desconforto em relação... a... mas professor Manoel...

não... mas eu aviso antes... conheço o senhor... essa liberdade... essa essa sinceridade de dizer quanto nos pagamos até pra se sentir a vontade... durante o processo seletivo na conclusão dele e até MESmo pra ficar claro entre as partes também...(...) [...]”.

É possível perceber que a expressão muito bom materializada no enunciado revela o ponto de vista de L1 sobre o fato de L2 possuir um bom currículo e esse fato talvez supere as expectativas do perfil de professor que atua na escola técnica. Voltando ao enunciado como um todo, percebemos que o efeito de sentido produzido pela combinação dos modalizadores usados no argumento de L1 boa, necessário, direitinho e muito bom, coloca estrategicamente L2 como responsável por fazer a escolha de assumir um contrato de trabalho, caso seja selecionado, ciente de que a remuneração é inferior àquela que ele poderia receber assumindo outros níveis de ensino, por exemplo.

 

MAV11-EE01-Linhas 104-110

L2 então... eu SEMpre me senti muito à vontade (...)

L1 vocês dão aula nesse período que depois eu vejo ((riu))...

L2 é:: sempre me senti muito à vontade muito bem em relação a isso... na Usp eu também fiz dois estágios pra docência... um na faculdade de veterinária e um na fisioterapia... na área de farmacologia... e eu gostei assim... particularmente... eu me sinto bem à vontade

No trecho MAV11 da EE01, a modalização avaliativa se materializa no discurso de L2 por meio das expressões muito à vontade que incide sobre “[...] SEMpre me senti [...]” e confere ao enunciado a forma como L2 se sente na condução da sala de aula, ou seja, ele se sente bem confortável atuando como professor. Em seguida, repete a mesma expressão muito

à vontade seguida da expressão muito bem para reforça o seu argumento. Continuando o discurso, faz uso do verbo gostar para registrar a sua preferência pela área de farmacologia e, mais adiante, lança mão de uma quarta expressão avaliativa bem à vontade que incide sobre o segmento “[...] quando eu tô em sala de aula...”, deixando claro para L1 o quanto ele se sente confortável no seu exercício profissional.

Em outras palavras, a avaliação feita por L2 revela uma imagem positiva ao transmitir a noção de que é um profissional que gosta do que faz e se apresenta como um candidato comprometido com a profissão. Ao tecer esse argumento, L2 faz uma auto- avaliação sobre o fato de ele ter, entre outros atributos, vocação pela área docente, motivo pelo qual se julga hábil a ser aprovado na seleção para assumir a disciplina de Radiologia Veterinária da Unixy. Assim, podemos afirmar que L2 deseja persuadir L1, por isso usa os modalizadores avaliativos em destaque. No jogo com a linguagem, o processo interacional é perpassado por desejos e intenções, como assegura Koch (2011, p. 29) ao defender que nós “procuramos dotar nossos enunciados de determinada força argumentativa” (KOCH, 2010, p. 29), para atuar sobre o outro por meio da linguagem.

MAV18- EE01-Linhas 188-193

L1 [...] eu tenho alunos com mestrado... com cursos de pós-graduação... tenho alunos com duas ou três formaturas... mas também tenho aluno que passou QUINze VINte anos sem

pegar numa caneta pra escrever nada... temos alunos que moram em situações... é:: que moram em assentamentos... eu tenho muitos problemas de horário com alunos que chegam atrasados porque dependem do ônibus da prefeitura... tenho alunos que são da extrema pobreza MESmo...

Neste trecho da EE01, L1 está relatando o perfil dos alunos que frequentam os cursos técnicos vinculados ao PRONATEC. Assim, inicia falando que há no curso de Radiologia Veterinária da escola técnica da Unixy, alunos com uma boa base de conhecimento; no entanto, ao discorrer sobre as justificativas que se seguem, foca no perfil de outros alunos e não desses com várias formaturas e também com pós-graduação. Na verdade, o foco avaliativo do locutor está centrado nos alunos com o seguinte perfil: não estudam há bastante tempo, voltaram a estudar somente agora, moram em assentamento e são da extrema pobreza.

No decorrer do seu relato, L1 faz uso inicialmente da oração adjetiva [...] que passou

QUINze VINte anos sem pegar numa caneta pra escrever nada...[...], que aqui funciona

como modalizador avaliativo, cujo sentido imprime uma ideia de que esses alunos estão há muito tempo, há bastante tempo fora da sala de aula.

Mais adiante, faz uso de uma segunda oração adjetiva para opinar sobre a moradia dos alunos, ou seja, esses alunos moram em situações precárias [...] que moram em

assentamentos...[...] por não possuírem moradia própria se submetem a viver em assentamentos. Na sequência do discurso, L1 utiliza uma terceira oração adjetiva [...] que

chegam atrasados...[...], para argumentar sobre o não cumprimento de horário por parte desses alunos, considerando que não possuem recursos próprios para se deslocarem para a escola e, portanto, dependem de transporte mantido pela prefeitura, o qual não cumpre rigorosamente o horário de aulas.

Por último, para reforçar todo o argumento que vem sendo tecido desde o início deste trecho, L1 faz uso de uma quarta oração adjetiva que nos parece ser ela a justificativa mais forte, e, por isso, acaba se sobressaindo de todas as demais [...] que são da extrema pobreza MESmo..., cujo sentido retrata o fato de esses alunos fazerem parte da camada social mais carente e portanto, são desprovidos de recursos financeiros. É possível perceber que L1 apresenta uma atitude de envolvimento, deixando evidente sua reação emotiva (CASTILHO; CASTILHO, 2002) diante dos fatos que avalia como negativos.

Essas orações adjetivas são restritivas, uma vez que especificam dados sobre os alunos, no entanto, ao fazer isso, revelam um posicionamento sobre a situação social, econômica e pedagógicas desses alunos. Por esse motivo, se constituem elementos modalizadores avaliativos.

Além disso, revela ainda engajamento no enunciado uma vez que L1 se compromete com o conteúdo ao manifestar explicitamente a sua opinião – com isso cria uma imagem clara a respeito do perfil do aluno da escola técnica. Aluno esse que requer, possivelmente, uma didática diferenciada daquela adotada em outros níveis de ensino, considerando que talvez não tenham desenvolvido uma base mínima de absorção do conhecimento, tendo em vista a falta de oportunidade, em decorrência talvez do fato de fazerem parte da extrema pobreza, e quem sabe, esse fato tenha levado esse aluno a abandonar os estudos quando jovem para ganhar o seu sustento e o da sua família. Com essa manifestação, materializada pelos modalizadores avaliativos em destaque, L1 estabelece no diálogo desta entrevista o ato de desafiar o candidato a professor L2 a pensar em estratégias de ensino para conseguir trabalhar

com esse perfil de aluno e, ao fazer isso, coloca L2 como alguém responsável para contribuir com o aprendizado desse público-alvo que faz parte dos cursos técnicos da Unixy.

Podemos observar ainda, que L1 ao mesmo tempo que qualifica o perfil dos alunos da ETEC também delimita o campo de atuação do sentido do enunciado, ao utilizar essas expressões avaliativas. As expressões em descaque exercem, portanto, dupla função neste trecho – a função avaliativa – uma vez que fica claro que L2 objetiva expressar um julgamente sobre esses alunos e, além disso, adquire também uma função delimitadora, pois L2 se refere as características de parte dos seus alunos, especificando um grupo determinado deles. Parece-nos, no entanto, que prevalece a função avaliativa, nas expressões analisadas. MAV51-EE07-Linhas 47-56

L1 [...] o nosso horário é de treze as dezessete horas... de segunda a sexta tá? é:: a nossa instituição... foi veiculada nas redes sociais e twitter é que a instituição comprou a escola técnica... ou desculpe... o Cif o prédio antigo do colégio Cif né? na cidade... e a partir do ano que vem... alguns cursos... eles vão pra lá... não é o caso de vigilância porque vigilância quando terminar essa turma não vai ser mais editado... foi um curso que teve muita procura mas teve MUIto abandono... então a instituição entendeu que não era

o foco... então tá terminando o curso e provavelmente não vai ser mais editado... mas se

fosse ficaria nessa instituição mesmo... é só a título de conhecimento...

No trecho MAV51, L1 usa quatro modalizadores avaliativos, o termo antigo, cujo sentido incide sobre o prédio do CIF, muita procura e MUIto abandono que incidem sobre o curso e por último o foco, que incide sobre o entendimento da instituição ao reconhecer que o curso de Vigilância em Saúde não é relevante para a Unixy. Podemos perceber que L1 utiliza os modalizadores em destaque para falar primeiramente sobre a nova aquisição da Unixy. Aquisição essa que implica a transferência de alguns cursos da escola técnica para a nova unidade adquirida.

Em seguida, dando sequência ao discurso, L1 procura argumentar justificando sobre os motivos pelos quais levaram a instituição a não mais editar o curso técnico em Vigilância em Saúde. Curso esse que, mesmo tendo sido muito procurado pelos alunos, apresentou um alto índice de abandono. Por isso, a instituição percebeu que tal curso não era viável, não era importante mantê-lo funcionando “[...] não era o foco... então tá terminando o curso e provavelmente não vai ser mais editado...[...]”. Nesse sentido, a expressão “o foco”, nesse enunciado, adquire uma função adjetiva, qualificativa, uma vez que qualifica o curso,

indicando que esse não é o mais importante ou desejável, pelo menos no momento naquelas circunstâncias específicas.

Ao fazer essa justificativa, L1 revela um posicionamento em defesa da decisão que a instituição tomou quanto à não continuidade da oferta do curso de Vigilância em Saúde, mas fica a dúvida quanto ao aproveitamento dos professores por outros cursos da área da saúde. Apesar disso, procura obter a adesão de L2 ao imprimir seu ponto de vista acerca dos fatos ocorridos durante a oferta do curso em tela e ainda esclarece que este não será transferido para a nova unidade da Unixy uma vez que não mais será ofertado, tendo em vista a sua não consolidação na referida instituição, ou seja, apenas serão concluídas as turmas que já estão em andamento e estas permanecerão na unidade de Capim Macio.

Dessa forma, L1 procura deixar L2 ciente da situação pela qual esse curso vem passando na instituição. O efeito de sentido gerado principalmente pelos modalizadores avaliativos MUIto abandono e o foco imprimem no enunciado uma visão negativa quanto à continuidade do curso de Vigilância em Saúde, e com isso, isenta a Unixy da responsabilidade de manter um contrato de trabalho mais prolongado com L2, caso seja aprovado na seleção, uma vez que a instituição já percebeu que o curso de Vigilância em Saúde não representa muita importância para a instituição. L1 deixa claro que, mesmo estando realizando seleção de professores para esse curso, este não está consolidado e, ainda, não representa para a própria Unixy uma área com perspectiva de crescimento. Ao usar essa estratégia, L1 deixa L2 responsável para decidir se deve continuar fazendo parte da seleção diante do atual cenário. MAV64-EE10-Linhas 09-13

L2 [...] eu tenho pego várias preceptorias... lá na na secretaria... porque várias universidades estão:: ... é:: tendo mais curiosidade de saber qual o trabalho da gente e de... que que os alunos que estão se formando... conheçam o trabalho principalmente o trabalho da vigilância... então... SEMpre que tá... está tendo trabalho de preceptoria...

Como pode ser visto no trecho MAV64, L2 utiliza o modalizador avaliativo mais

curiosidade, que incide sobre as várias universidades, para emitir sua opinião a respeito do aumento na procura de preceptorias por parte das instituições de ensino junto à Secretaria Estadual de Saúde. L2, portanto, busca explicar que atualmente as universidades têm despertado mais para a valorização das práticas dos alunos e complementa essa explicação com uma avaliação positiva acerca desse aspecto.

Dando continuidade ao seu argumento, L2 utiliza também a expressão

principalmente, sinônimo de “importante”, “o mais importante”, que incide sobre o trabalho

da vigilância para enfatizar a sua avaliação, privilegiando a área de saúde nas preceptorias assumidas. É possível perceber que, quando L2 faz uso desse modalizador, apresenta também um engajamento com o dito, uma vez que elege a área da saúde, área da qual ele faz parte, como a principal na execução dos trabalhos de preceptoria desenvolvidos pela Secretaria de Saúde em parceria com as instituições de ensino superior. Ao utilizar essa estratégia, em interação com outros elementos linguísticos, L2 manifesta o seu ponto de vista articulando e reforçando a natureza argumentativa das ideias apresentadas no enunciado, de maneira valorativa.

MAV97-EE20-Linhas 58-63

L1 como é que você lida com esse perfil?

L2 olha... é bem complicado... assim... porque... por exemplo... eles não sabem que um ponto é multiplicação... então você tem que fazer um X... porque na época que eles estudaram era um X... eles não sabem que cinco sobre quatro é uma divisão... então... você tem que botar o o:: tudo você tem que adaptar a sua didática né? ao perfil do do (...)

 

O trecho MAV97 da EE20 representa parte da entrevista para o cargo de professor da disciplina de Contabilidade Empresarial para o curso técnico em Logística. É importante esclarecer que L2 havia comentado anteriormente que atua como tutora a distância na UFRN em um projeto que visa qualificar os servidores que estão fora da sala de aula há bastante tempo. Nesse projeto, ele ministra aula da disciplina de Estatística Básica. Portanto, o questionamento que L1 faz é a respeito do perfil desse grupo.

Podemos perceber que L2 usa a expressão é bem complicado para expressar sua opinião sobre o perfil dos alunos que aparentemente não possuem uma base atualizada do conhecimento para poder acompanharem de modo razoável as aulas de disciplinas da área de exatas. Ao utilizar essa expressão, L2 traduz um julgamento subjetivo dos fatos, apresentando-os como negativos, ou seja, esses alunos desconhecem a linguagem atual da matemática e por isso “[...] eles não sabem que um ponto é multiplicação... então você tem que fazer um X... porque na época que eles estudaram era um X...[...]”. Desse modo, o efeito de sentido que se obtém com o emprego desse modalizador é de que não é fácil trabalhar conteúdos da área de exatas para alunos que apresentam esse perfil. Assim, a expressão

utilizada por L2 – é bem complicado – se constitui em um modalizador avaliativo, pois revela um ponto de vista negativo do referido locutor acerca do conteúdo do enunciado.

 

MAV101-EE20-Linhas 89-101

L2 olhe... minha vida tinha tudo pra não ser o que é hoje... eu acho que tudo que eu tenho hoje em dia... tanto é... pessoal... material... espiritual... vem da da educação... né? porque eu busquei a educação como como minha fortaleza... então... eu acho que que a educação é extremamente importante... então... é dizer... falar de uma transformação... de você buscar a educação como como sei lá... como é que eu falo?

L1 suporte?

L2 não suporte... mas quebrar barreiras da pobreza... da ignorância... da falta de conhecimento... então... eu acho que é isso... dá como exemplo que tipo... eu podia não ter nada... meu pai é alcoólatra... minha mãe era era faxineira... entendeu? eu tinha tudo pra não ter nada do que tenho... mas graças a educação... a educação abriu horizontes pra mim... que eu nem poderia imaginar né?

Ao construir um discurso em primeira pessoa, L2 nesse trecho da EE20 utiliza a expressão extremamente importante, que incide sobre a palavra educação para registrar a sua opinião, explicitamente, a respeito dos benefícios que essa trouxe para sua vida. Dessa forma, busca argumentar positivamente a esse respeito demonstrando engajamento com o conteúdo da proposição ao defender a tese de que “[...] tudo que eu tenho hoje em dia... tanto é... pessoal... material... espiritual... vem da da educação...[...]”.Temos, portanto, nesse enunciado, dois modalizadores, em que o sentido do primeiro é o de enaltecer o segundo quanto ao papel da educação no desenvolvimento e crescimento pessoal e profissional do locutor. Os modalizadores avaliativos utilizados por L2 não só servem para que esse imprima o seu ponto de vista sobre o conteúdo do enunciado, (NASCIMENTO; SILVA, 2012), mas também para indicar a forma como ele quer que L1 o interprete.

No exemplo em tela, L2 usa os modalizadores em destaque não apenas para falar da educação mas também para criar uma ideia positiva dele mesmo. Como podemos perceber, o locutor usa esse assunto para falar da sua vida pessoal, e isso não é por acaso. Seu objetivo na verdade é de influenciar as decisões do entrevistador para que este leve em consideração o fato de ele ter “vencido na vida”, o que pode servir de exemplo para os alunos do PRONATEC que, em sua maioria, deixaram os estudos de lado e estão retornando agora para cursar um nível médio de formação. L2 recorre à modalização avaliativa, então, (NASCIMENTO; SILVA, 2012) para enfatizar as suas qualidades não só como educador mas

principalmente por se considerar um vencedor diante das dificuldades encontradas ao longo de sua formação, manifestando, assim, alta adesão com relação ao que diz.

 

MAV105-EE20-Linhas 148-156

L1 só mais uma coisa... com a sua experiência docente... você chegou a fazer plano de aula? plano de ensino?

L2 sim... assim... eu fui chamada numa sexta feira pra dá aula numa terça feira... né?