3. ETKİN AFET YÖNETİMİ İÇİN YAPILMASI GEREKENLER
3.5. Her Düzeyde Etkili Müdahale için Afete Hazırlığın Güçlendirilmesi
As regras sobre aplicação de medidas antidumping estão previstas no capítulo M. De acordo com o referido capítulo, ficou acordada a isenção recíproca de aplicação de direitos antidumping ao comércio intrarregional a partir (i) da data em que todas as restrições tarifárias de ambas os países tivessem sido eliminadas, ou (ii) de 01 de janeiro de 2003, o que ocorresse primeiro.
Em particular, restou acordado que: (a) nenhum Estado-Parte iniciará investigações antidumping ou revisões a medidas antidumping já aplicadas em relação a bens originários do outro Estado-Parte; (b) cada Estado-Parte encerrará qualquer investigação antidumping em curso em relação a tais bens; (c) nenhum Estado-Parte aplicará novos direitos antidumping ou outras medidas restritivas em relação a tais bens; e (d) cada Estado-Parte revogará toda medida existente que imponha direitos antidumping em relação a tais bens.
104Dados do Departamento de Relações Exteriores e Comércio Internacional do Canadá disponíveis em FOREIGN AFFAIRS AND INTERNATIONAL TRADE CANADA. Disponível em:
O CCFTA abre a possibilidade, no entanto, de os Estados-Partes requererem, por escrito, consultas com o outro Estado-Parte em relação a circunstâncias excepcionais que possam surgir a respeito da aplicação de tal capítulo M, incluindo, por exemplo, qualquer mudança significativa nas condições de comércio entre os Estados-Partes. Caso estes não alcancem uma solução amigável sobre o assunto, eles poderão adotar o procedimento de solução de controvérsias previsto no CCFTA ou da OMC.
É interessante notar que o Acordo estabeleceu um Comitê sobre Medidas Antidumping e Compensatórias para (a) realizar consultas com o escopo de verificar a possível eliminação de aplicação de medidas compensatórias no comércio recíproco, (b) trabalhar em foros multilaterais, incluindo a OMC, e no contexto das negociações da acessão do Chile ao NAFTA e ao estabelecimento da Área de Livre Comércio das Américas, com o fim de aperfeiçoar as regras sobre medidas antidumping e compensatórias, de modo a minimizar seu potencial de prejudicar o comércio, (c) realizar consultas sobre oportunidades de trabalhar de forma conjunta com outros países que tenham posições similares, de modo a expandir acordos com a eliminação de medidas antidumping dentro de áreas de livre comércio, (d) facilitar a acessão do Chile ao NAFTA, (e) reunir-se anualmente, a pedido de qualquer dos Estados-Partes, a fim de revisar a aplicação do capítulo M do CCFTA e outras matérias relacionadas, incluindo políticas e leis sobre concorrência.
De acordo com o CCFTA, os Estados-Partes deveriam se reunir, no mais tardar até cinco anos após a entrada em vigor do acordo, a fim de revisar o capítulo M e determinar a eventual necessidade de emenda às suas disposições. Não houve, no entanto, até o presente momento, alterações significativas ao capítulo M, permanecendo as regras descritas nesta seção.
Sáez explica que, no contexto de suas negociações comerciais bilaterais, o Chile sempre buscou a eliminação de medidas antidumping, tendo em vista que o governo chileno considera tais medidas mais um mecanismo de proteção do que um instrumento que corrigirá práticas de dumping. Nesse sentido, Sáez comenta que
In the framework of the existing free trade agreement with Canada, both countries have agreed to eliminate antidumping measures in reciprocal trade. Likewise, the free trade agreement with the European Free Trade Area eliminates the application of antidumping duties. However, those
measures have not been replaced by the application of legislation on competition, as some authors propose105.
De fato, há regras em matéria concorrencial no CCFTA, mas não estão diretamente relacionadas com a eliminação da aplicação de medidas antidumping entre os Estados- Partes. Não há, ainda, previsão de harmonização de regras sobre direito da concorrência pelos Estados-Partes. Há apenas a determinação de que cada Estado-Parte deverá adotar medidas que proíbam práticas de negócios contrárias à concorrência, sendo que as autoridades competentes de cada Estado-Parte deverão cooperar para a aplicação efetiva da legislação sobre direito concorrencial na área de livre comércio, incluindo assistência legal mútua, comunicação, consulta e troca de informações relativas à aplicação das leis e políticas internas em matéria concorrencial. Os Estados-Partes não podem recorrer aos procedimentos de solução de controvérsias previstos no CCFTA para dirimir qualquer controvérsia em matéria concorrencial.
A isenção de medidas antidumping intrabloco prevista no CCFTA pode ser melhor entendida por meio da análise do contexto econômico-político dos Estados Partes, especialmente do Chile. O processo de reforma da política comercial do Chile teve início no final de 1973, mais cedo do que ocorreu em outros países latino-americanos, e fez parte de um processo maior de transformação institucional integrada, que envolveu diversos aspectos da sociedade chilena, tais como regime político, o papel do estado na economia, o quadro econômico geral e políticas sociais.
As alíquotas tarifárias, que em 1974 chegavam a 90% (noventa por cento), foram reduzidas e, em junho de 1979, a alíquota uniforme era de 10% (dez por cento). Ao mesmo tempo em que as tarifas foram reduzidas, todo o conjunto de instrumentos protecionistas de política comercial (e.g., quotas, proibições, depósitos em garantia, etc.) foi desconstituído. Além disso, houve a abertura comercial do país, peça central no processo de estabilização macroeconômica do Chile.
105SAÉZ, Sebastián. Keeping animal spirits asleep: the case of Chile. In: FINGER, J. Michael; NOGUÉS, Julio J. (Eds.). Safeguards and antidumping in Latin American Trade liberalization: fighting fire with fire. Washington; New York: World Bank and Palgrave Macmillan, 2005. p. 124.
Durante a Rodada Tóquio, o Chile assinou o Acordo sobre Subsídios, porque a existência de importações subsidiadas era considerada a única situação justificadora de uma restrição temporária em favor da indústria doméstica, ao contrário das medidas antidumping, que, na opinião das autoridades chilenas, não possuíam uma justificativa econômica, conforme menciona Saéz:
Finally, it was considered that in an open economy antidumping duties could lead to protectionist measures that would favor sectors that might feel affected by the opening and could have political influence to get protection. Moreover, in the evaluation of Chilean authorities, GATT regulations on antidumping were too permissive; they would allow import restrictions that did not have a sound economic basis.106
Em 1981, foi criada a Comissão de Subsídios, sob a coordenação do Banco Central do Chile. Seu papel era conduzir e concluir investigações sobre importações de produtos subsidiados e submeter suas conclusões ao Ministério da Fazenda, a quem cabia adotar medidas compensatórias, na forma de aumento nas alíquotas tarifárias107 ou de um valor aduaneiro mínimo.
Em 1990, no contexto das negociações da Rodada Uruguai e da possibilidade de o Chile subscrever o Acordo de Valoração Aduaneira, as autoridades chilenas previram que não seria mais possível adotar valor aduaneiro mínimo a bens para corrigir distorções de preços. Além disso, tendo em vista a continuidade da abertura comercial do país, os instrumentos até então utilizados (aumento tarifário108 e valor aduaneiro mínimo) tenderiam a desaparecer. Nesse sentido, em 1992, a legislação chilena foi alterada para prever que a Comissão Nacional Encarregada de Investigar a Existência de Distorções no Preço de Mercadorias Importadas (CNDP) – entidade criada em 1986 e que incorporou a Comissão de Subsídios em 1990 – poderia recomendar às autoridades a adoção de medidas antidumping e descontinuar a aplicação de outros instrumentos menos adequados, como aumento tarifário e valor aduaneiro mínimo. Essa alteração não foi bem recepcionada pelos economistas chilenos, que acreditavam que em uma economia aberta como a do Chile não
106SAÉZ, Sebastián. op. cit., p. 111.
107Até a alíquota máxima - 35% - consolidada pelo Chile durante a Rodada Tóquio.
108Saéz explica que “from the point of view of compensating for distortions, the surcharges were inefficient, because they affected imports independently of their origin and regardless of whether their prices were distorted. Another problem was that when measures were applied to intermediate goods, the effective protection of the final good was reduced.” SAÉZ, Sebastián. op. cit., p. 116.
seria possível a uma companhia praticar dumping, uma vez que o país não conseguiria manter permanentemente uma posição de mercado dominante e, portanto, sofreria perdas se tal estratégia fosse mantida. No entanto, diversos setores acreditavam que seria muito difícil dar prosseguimento ao processo de liberalização comercial se não houvesse a previsão de instrumentos adequados (válvulas de escape) para salvaguardar a indústria109.
Durante o período de 1993 − quando a aplicação de medidas antidumping contra terceiros países foi permitida − até 1998, houve a imposição de apenas seis direitos antidumping pela autoridade chilena competente110. De 1998 até 2006, não houve aplicação de direitos, e de 2007 até a presente data, apenas um direito antidumping definitivo foi aplicado referente a importações de farinha de trigo originárias da Argentina111.
Nesse sentido, nunca houve uma propensão substancial das autoridades chilenas em aplicar medidas antidumping contra importações de terceiros países. Observa-se, assim, que mecanismos foram criados e usados temporariamente pelo governo chileno para atender às fortes demandas de proteção da indústria doméstica, principalmente durante a crise econômica dos anos 1980. Isso foi um passo necessário para continuar buscando o objetivo estratégico de abertura econômica e liberalização comercial.
Além disso, um dos pontos centrais da abertura da economia chilena foi o plano de crescimento com base no desenvolvimento do setor exportador. Nesse sentido, o acesso a mercados estrangeiros para suas exportações tornou-se um objetivo básico da política
109SAÉZ, Sebastián. op. cit., p. 113.
110A legislação chilena incorporou os Acordos da OMC, mas a prática de condução de investigações segue critérios mais restritos do que o Acordo Antidumping e a legislação adotada pela maioria dos países membros da OMC. De fato, medidas antidumping aplicadas pela CNDP têm uma duração de apenas 12 (doze) meses e somente podem ser prorrogadas por meio de uma nova investigação. Além disso, a autoridade chilena geralmente segue os seguintes parâmetros: a medida antidumping leva em consideração a margem de dano e não a margem de dumping; a margem de dano é calculada com base nos preços de outros concorrentes da indústria doméstica e não nos preços domésticos; no cálculo da margem de dumping com base no preço dos bens no mercado de origem, as vendas abaixo do custo não são excluídas, o que reduz a margem de dumping; a investigação não é sempre conduzida em relação a todas as importações provenientes do país objeto da investigação, mas apenas das empresas exportadoras denunciadas no pedido de abertura da investigação; a abordagem adotada favorece a determinação da relação causal entre o dumping e o dano (two-track approach); medidas retroativas ou anti-elisão não são aplicadas. Cf. SAÉZ, Sebastián. op. cit., p. 122.
111Cf. dados divulgados pela Comissão Nacional Encarregada de Investigar a Existência de Distorções no Preço de Mercadorias Importadas. COMISIÓN Nacional Encargada de Investigar la Existencia de Distorsiones en el Precio de las Mercaderías Importadas. Disponível em: <http://www.cndp.cl/portal.asp>. Acesso em: 18 out. 2012.
comercial chilena. Assim, a possibilidade de aplicação de medidas antidumping pelos seus parceiros comerciais às suas exportações poderia prejudicar esse objetivo primordial de acesso a mercados, o que impulsionou o país a negociar a abolição das medidas antidumping nos acordos bilaterais e regionais.
A experiência chilena demonstra, assim, que o quadro político-econômico do país é um dos principais fatores que justificam a propensão à eliminação de medidas antidumping no âmbito de suas negociações multilaterais e bilaterais. Peña pondera que:
(...) Chile ha tomado en cuenta que el dumping que haga daño y el dumping predatorio es difícil de encontrar en el caso chileno, en virtud de la apertura de su economía y de su comercio intraindustrial bajo. El grado de apertura ha llevado a la existência de muchos proveedores y alta competencia, lo cual hace imposible que uma empresa pueda recuperar costos subiendo sus precios una vez hecho el dumping y, por outra parte, el comercio industrial bajo significa que lo que Chile importa no es igual a lo que exporta, por lo que la industria sustituidora de importaciones que pueda ser dañada por importaciones con dumping está bastante acotada. Chile ha estado dispuesto a prescindir de la aplicación de medida antidumping, tanto em términos unilaterales como en negociaciones con sus socios comerciales. Las medidas antidumping se puden utilizar como uma manera de protección de la industria nacional, más que para combatir la competencia desleal.112
Diferentemente do que ocorreu em outros processos de integração regional, tais como União Europeia e ANZCERTA, no caso do CCFTA as negociações levaram à eliminação recíproca de medidas antidumping entre os Estados-Partes, sem que houvesse a substituição desse instrumento por algum outro, como uma política concorrencial supranacional ou, ainda, a harmonização das legislações internas das Partes em matéria concorrencial.
112PEÑA, Gloria. Las prácticas desleales en los procesos de integración del continente americano: la experiencia chilena. In: LÓPEZ AYLLÓN, Sergio; VEGA CANOVAS, Gustavo (Eds.). Las prácticas desleales em los procesos de integración comercial en el continente americano: la experiencia de América del Norte y Chile. Cidade de México: Biblioteca Jurídica Virtual, 2001. p. 31.
O CCFTA não serviria, em nossa opinião, como modelo para o caso do MERCOSUL. Isso porque os Estados-Membros do MERCOSUL possuem um histórico de liberalização comercial muito mais lento do que aquele ocorrido no Chile, além de não terem conseguido evoluir, até os dias de hoje, na própria eliminação de todos os entraves ao comércio intrabloco. Adicionalmente, Argentina e Brasil tornaram-se nos últimos anos grandes usuários de medidas de defesa comercial, principalmente de medidas antidumping. Assim, a eliminação de medidas antidumping entre os Estados-Membros do MERCOSUL sem o estabelecimento de outros instrumentos que tratem sobre práticas desleais de comércio de maneira harmonizada, nos parece pouco viável e de difícil implementação.