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I. IV YÜZYILDA KADAR ROMA İMPARATORLUĞU

I.II. Siyasi Gelişmeler

2.4. Hazar Bizans İlişkileri

Sétimo Garibaldi foi assassinado em 27 de novembro de 1998 em uma operação extrajudicial de despejo de cerca de cinquenta famílias de trabalhadores sem terra, que ocupavam uma fazenda no Município de Querência do Norte, Estado do Paraná, feita por aproximadamente vinte homens.

Em razão da violência empregada e das arbitrariedades cometida, foi instaurado um inquérito policial para averiguar a morte de Sétimo Garibaldi, também a posse ilegal de arma do administrador da fazenda, A. L., e a formação de quadrilha ou bando que atacou os trabalhadores ligados ao MST.

O proprietário da fazenda, M.F., também foi reconhecido por testemunhas por fazer parte do grupo de agressores e teve sua prisão temporária decretada, o que não veio a acontecer. Não foi concluído o inquérito policial e em maio de 2004, o promotor de justiça que atuava no caso solicitou o arquivamento do inquérito, fundamentando não ter provas suficientes de que A. L. e M. F. estiveram no local do crime.

Em 6 de maio de 2003, a Comissão Interamericana de Direitos Humanos recebeu a petição feita pelas organizações não governamentais Justiça Global, Rede Nacional de Advogados, Advogados Populares (RENAP) e Movimento dos Trabalhadores Sem-Terra (MST), em nome de Sétimo Garibaldi e seus familiares, por falta de devida investigação e punição deste homicídio.

A Comissão, em 24 de maio de 2007, notificou e recomendou algumas medidas a serem adotadas pelo Estado brasileiro, com o prazo de dois meses para comunicar quais medidas foram implementadas no país. Por falta de resposta e qualquer outra manifestação do Brasil, a Comissão decidiu enviar o caso à Corte Interamericana para análise da responsabilidade do Estado pela violação dos artigos 8° (garantias judiciais) e 25 (proteção judicial) da Convenção Americana, combinados com a obrigação geral de respeito e garantia dos direitos humanos e ao dever de adotar medidas legislativas e de outro caráter no âmbito interno, previstos, respectivamente, nos artigos 1.1 e 2 do referido tratado.

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CORTE INTERAMERICANA DE DIREITOS HUMANOS. Caso Garibaldi vs. Brasil. Sentença de 23 de setembro de 2009. Disponível em:

Este caso representou uma oportunidade importante para o desenvolvimento da jurisprudência interamericana sobre os deveres de investigação penal do Estado.

Em abril de 2009, a promotoria de Justiça teria solicitado o desarquivamento do inquérito, alegando o surgimento de novas provas e irregularidades no procedimento criminal, pois nenhum familiar de Sétimo Garibaldi teria sido chamado a prestar testemunho perante a polícia.

Na Corte, o Brasil se defendeu, afirmando que as investigações policiais foram regulares. Alegou ainda haver uma política de combate à violência no campo, mencionando nesse sentido o Programa Paz no Campo, cujas atividades incluem o recebimento de denúncias, a mediação de conflitos e a capacitação de mediadores em todo o território nacional. Ademais, ressaltou que o Programa Nacional de Combate à Violência no Campo estabeleceu órgãos jurídicos específicos, como as varas, as promotorias e as delegacias policiais especializadas em investigar conflitos agrários.

O Estado brasileiro interpôs ainda exceção preliminar, afirmando que a Corte Interamericana de Direitos Humanos não tem competência para julgar esta denúncia, pois o Brasil só reconheceu a competência da Corte em dezembro de 1998 e o fato aconteceu no mês anterior.

Defendeu-se também afirmando que, mesmo não tendo sido mencionada pela CIDH, procurava-se a condenação do Brasil pela violação dos artigos 4º (direito à vida) e 5º (direito à integridade física), violações ocorridas anteriormente ao reconhecimento jurisdicional da Corte, portanto havia incompetência ratione temporis deste tribunal para julgamento do caso.

A Corte admitiu parcialmente esta exceção, aduzindo que não poderia examinar fatos anteriores ao reconhecimento de sua competência, devendo observar o princípio da irretroatividade, previsto no artigo 28 da Convenção de Viena.

Por isso, estaria fora da sua competência contenciosa analisar a morte de Sétimo Garibaldi (artigo 4º) e o sofrimento prévio ao falecimento dele (artigo 5º). Mas, por outro lado, é competente para examinar fatos e possíveis omissões relacionadas com a investigação do assassinato, que tiveram efeitos posteriores a dezembro de 1998, à luz dos artigos 8° e 25 da Convenção.

Outra exceção alegada pelo Estado foi a falta de esgotamento dos recursos internos. Alegou-se que na data de entrega da petição à Comissão Interamericana de Direitos Humanos (23 de maio de 2003), a investigação criminal estava em andamento e que se encontrava tramitando dentro de um lapso de tempo razoável devida à complexidade do caso, que era de quatro anos e cinco meses.

Ainda argumentou que, com base no artigo 18 do Código de Processo Penal Brasileiro e na Súmula 524 do Supremo Tribunal Federal, o arquivamento do processo não faz coisa julgada, podendo as vítimas a qualquer tempo pedir a sua restauração se houver novas provas.

A Corte rejeitou mais esta exceção, pois acreditou que não houve investigação criminal em tempo razoável, pois a complexidade do caso não justifica o longo prazo que se passou sem solução do inquérito policial. Ademais, tratou-se de um único assassinato ocorrido na presença de várias testemunhas, não havendo que se falar em grande complexidade do caso ou em dificuldades para a obtenção de provas.

A Corte advertiu que a investigação criminal deve ser feita de ofício pelo Estado, sem depender da atividade processual dos familiares e ainda repreendeu a conduta das autoridades responsáveis, que deixaram transcorrer meses sem realizar qualquer diligência.

A Corte declarou que o Estado violou os direitos às garantias judiciais e à proteção judicial expostos nos artigos 8.1 e 25.1 da Convenção Americana, em prejuízo da esposa de Sétimo Garibaldi, I. G., e seus filhos.

Dessa forma, dispôs a sentença que o Estado deve conduzir eficazmente e dentro de um prazo razoável o inquérito criminal e o processo judicial dele decorrente. Da mesma maneira, deve investigar e, se for o caso, sancionar as eventuais faltas funcionais nas quais poderiam ter incorrido os funcionários públicos responsáveis pelo inquérito. Determinou, ainda, o desarquivamento do processo do caso Garibaldi e o seu prosseguimento, até final conclusão solucionando o ocorrido. Condenou o Estado a pagar a I. G. e seus filhos indenização a título de dano material e moral, no prazo de até um ano. Quanto aos danos materiais, a Corte fixou o montante de US$ 1.000,00 em favor das vítimas.

Em relação aos danos imateriais, a Corte fixou por equidade o pagamento de US$ 50.000,00 a favor de I. G. e US$ 20.000,00 a favor de cada um dos seis filhos da vítima.

O Estado deverá, por fim, apresentar à Corte Interamericana um relatório sobre as medidas adotadas para cumpri-la. Este caso encontra-se em fase de cumprimento da sentença, sendo inspecionado anualmente pela Corte.

Pode-se notar que também aqui o problema é relacionado a conflitos agrários e às disputas pela terra travadas entre fazendeiros e trabalhadores rurais sem terra. Sem dúvidas esta é uma questão social relevante no Brasil, que merece toda a atenção das autoridades, exigindo políticas públicas eficazes e que tornem as grandes propriedades produtivas, além de ser necessário valorizar a agricultura e as demais atividades econômicas desenvolvidas no campo.

Outros pontos discutidos pela sentença são a demora na condução dos inquéritos policiais, as arbitrariedades cometidas pelos agentes do Estado e a demora injustificada para o processamento e a punição dos responsáveis pelo cometimento de crimes no Brasil. Ou seja, a impunidade é uma violação de direitos humanos, referente ao não cumprimento pelo Estado das garantias judiciais e da proteção judicial. Isso conduz o Estado à reforma processual, para que sejam retirados os inúmeros recursos disponíveis na legislação atual, que acabam postergando o resultado definitivo do processo. Além de ser necessário o melhor aparelhamento da polícia, que deve estar apta a servir ao cidadão e à comunidade, e não a interesses particulares arbitrários. Todos estes elementos são apontados na sentença, basta o Estado se organizar para tentar cumpri-los.