I. IV YÜZYILDA KADAR ROMA İMPARATORLUĞU
I.II. Siyasi Gelişmeler
1.3. Kavimler Göçü Başlama Süreci
1.3.3. Atilla’nın Batı Roma Seferi
O Brasil é mesmo um país cheio de contradições. Ao mesmo tempo em que possui um dos maiores Produto Interno Bruto (PIB) do mundo, apresenta problemas sociais característicos de qualquer país não-desenvolvido, tendo a desigualdade social como grande agravante dessa situação.
Sendo assim, a maioria da população brasileira depende muito do Estado para suprir suas necessidades mínimas, notadamente na área da saúde, da educação, da moradia e mesmo da alimentação. Logo, os direitos constitucionalmente assegurados só são materializados com a implementação de políticas públicas.
Por estas razões é que o tema das políticas públicas é tão relevante em nosso país, uma vez que a sociedade civil não está preparada para atender a todas as necessidades básicas da população.
No entanto, o direito não tem se preocupado suficientemente com a implementação dos direitos constitucionais, porque, como visto, isso é uma atividade multidisciplinar que precisa do jurista, mas não exclusivamente. Imenso é o número de obras jurídicas argumentando sobre a necessidade de efetividade dos direitos fundamentais, mas poucas fazem a conexão entre o texto formal e a prática.
A grande dificuldade de efetivação dos direitos fundamentais reside no fato de que isso demanda gastos públicos.
Inicialmente, cumpre diferenciar os direitos humanos de primeira geração dos direitos humanos de segunda geração. Direitos humanos de primeira geração são os direitos individuais e políticos, conhecidos como liberdades públicas.
Direitos humanos de segunda geração são os direitos sociais, culturais e econômicos.
As liberdades públicas são associadas à criação de uma esfera de autonomia do indivíduo, no interior da qual o Estado não deve interferir. São chamados direitos negativos, porque exigem uma abstenção do Estado. Resumem as ideias do laissez-faire, do liberalismo e toda a vontade popular de se expressar sem ser tolhida pelo Estado. Exemplos: liberdade de associação, liberdade de imprensa, direito à vida, direito à integridade física, garantias processuais (como o devido processo legal), entre outros.
Comumente, como estes direitos independem de uma ação do Estado são associados à inexistência de políticas públicas necessárias para garanti-los, pois um “não-fazer” não implicaria atividades governamentais nem gastos.
Por outro lado, os direitos humanos de segunda geração foram anunciados em um cenário completamente diferente. Nasceram após a crise do Estado Liberal, com o intervencionismo estatal e desde sempre exigiram ações positivas do Poder Público para a sua realização. São os direitos sociais, culturais e econômicos. Exemplos: direitos trabalhistas, direitos da criança e do adolescente, direitos dos indígenas, direitos dos idosos, direitos das pessoas portadoras de deficiência, direito à segurança pública, direito à saúde, à educação, ao transporte público, ao saneamento básico, etc.
Quanto a estes, inegável a necessidade de gastos públicos e de organização do Estado para a criação de políticas voltadas à sua consecução. Exemplos: política indigenista, política de saúde, política de reforma agrária, etc.
Deste modo, quando se fala em políticas públicas, geralmente, está se falando em atos governamentais tendentes á realização de direitos humanos de segunda geração.
Porém, da análise do contexto de países em desenvolvimento, como o Brasil, onde há um abismo entre as garantias constitucionais e a realidade social, pode-se concluir que todos os direitos fundamentais demandam gastos públicos e precisam de políticas públicas para a sua concretização.
Em interessante passagem de seu texto O Judiciário e as Políticas Públicas: entre transformação social e obstáculo à realização dos direitos sociais,
Virgílio Afonso da Silva25 argumenta que, ao contrário do senso comum- segundo o qual deveres negativos não implicam custos – não seria possível exercer nenhum direito sem gasto estatal:
Entre as obras publicadas recentemente sobre a justicialização dos direitos sociais na América Latina, uma das mais importantes é, sem dúvida, a obra de Abramovich e Courtis (Los derechos sociales como
derechos exigibles. Madrid: Trotta, 2002). Embora o livro contenha
diversos argumentos em favor de uma ampla justiciabilidade dos direitos sociais, o argumento mais interessante, neste ponto, é aquele que se refere ao chamado “custo dos direitos”.
Em linhas gerais, o argumento é simples: a realização e a proteção de direitos sempre custam dinheiro, seja no caso dos direitos sociais seja no dos direitos civis e políticos. Nesse sentido, recursos públicos são indispensáveis também para a proteção da liberdade de imprensa, do direito de propriedade, do direito de associação, etc., já que a criação e manutenção de instituições políticas, judiciárias e de segurança, necessárias para a garantia desses direitos, implicam gastos para o Estado.
Adiante, no texto, este autor observa que a garantia de todos os direitos implica em gastos públicos, ainda que sejam gastos institucionais. Porém, os direitos sociais demandam muito mais dinheiro:
[...] basta comparar os custos decorrentes de decisões judiciais que obriguem o Estado a pagar remédios para o tratamento de pacientes portadores de HIV com decisões que obriguem o Estado a não interferir na liberdade de expressão ou de associação de um indivíduo ou de um grupo de indivíduos.26
Toma-se como exemplo o garantia judicial, direito previsto na Constituição Federal, em seu artigo 5°, inciso XXXV. Para a efetivação desse direito humano de primeira geração, também previsto no Pacto de San José da Costa Rica (artigo 8°), é necessária uma série de atividades administrativas, como o aparelhamento físico dos Fóruns, Tribunais, delegacias, do Ministério Público, da Defensoria Pública, a contratação e manutenção de funcionários e outros gastos para manutenção das instituições.
25
SILVA, Virgílio Afonso. O Judiciário e as Políticas Públicas: entre Transformação Social e Obstáculo à Realização dos Direitos Sociais. In: SOUZA NETO, Cláudio Pereira de; SARMENTO, Daniel (Coord.). Direitos sociais: fundamentos, judicialização e direitos sociais em espécie. Rio de Janeiro: Lumen Juris, 2008. p. 591. (grifo nosso).
26
Porém, geralmente, a violação desse direito se dá porque houve inacessibilidade do indivíduo ao Judiciário, ou por demora na prestação jurisdicional, ou por inobservância do devido processo legal ... e estas violações nunca serão resolvidas simplesmente com a abstenção do Estado.
Pelo contrário, serão resolvidas com a intervenção do Estado para criar condições de acesso à Justiça por quem foi lesado, seja ampliando a Defensoria Pública, seja aprovando uma reforma processual que garanta a rápida prestação jurisdicional, seja mobilizando Correições em delegacias de polícia, no Ministério Público ou mesmo no Judiciário, etc.
As soluções serão pontuais, dependendo de cada caso. Algumas vão demandar mais dinheiro público, outras menos, mas todas vão impor obrigações de fazer ao Estado, traduzidas em atos administrativos de gestão pública ou atos normativos.
Assim, pode-se verificar que a violação de qualquer direito fundamental, seja ele civil ou social, pode depender de políticas públicas.
Além do mais, esta conclusão pode ser obtida da análise da indivisibilidade dos direitos humanos, que não são estanques, mas são todos pontos de vista diferentes da mesma dignidade humana.
Ou seja, o direito à vida é indissociável do direito à saúde e do direito à segurança pública. Não há como afirmar que o Estado respeita o direito à vida (direito individual) se não respeitar os outros dois direitos sociais.