• Sonuç bulunamadı

2.5. Okulöncesi Dönemde Uygulanan Farklı Eğitim Modelleri

2.5.9. Montessori Eğitim Modeli

2.5.9.6. Montessori Metodunun Ġlkeleri

2.5.9.6.3. Hazırlayıcı Çevre

A definição do regime jurídico da prova exige que se trate dos meios de prova admissíveis, sendo possível, a respeito, três soluções fundamentais:

a) tipicidade dos meios de prova: os meios de prova são expressa e taxativamente indicados pelo ordenamento jurídico. Desta forma, “os meios de prova concretamente admissíveis são [...] aqueles e somente aqueles que o ordenamento configura especificamente”.277

b) liberdade dos meios de prova: a ordem jurídica não define os meios de prova admitidos, devendo ser admitidos, em cada caso concreto, o meio mais idôneo para a demonstração da veracidade ou falsidade do fato controverso.

c) sistema misto: a ordem jurídica aponta, com caráter exemplificativo, os meios de prova admissíveis (prova típica), sem impedir, contudo, a utilização de meios nele não previstos (prova atípica).

Esta última solução é adotada pelo ordenamento jurídico pátrio. Com efeito, segundo o art. 332 do Código de Processo Civil, plenamente aplicável no processo do trabalho: “Todos os meios legais, bem como os moralmente legítimos, ainda que não especificados neste Código, são hábeis para provar a verdade dos fatos, em que se funda a ação ou a defesa”.

A Ley de Enjuiciamiento Civil da Espanha (art. 299) adota a mesma postura, dispondo que constituem meios de prova: interrogatório das partes, documentos privados e públicos, laudo pericial, reconhecimento judicial e interrogatório de testemunhas. Nela prevê- se que “também serão admitidos, conforme o disposto nesta Lei, os meios de prova de

reprodução da palavra, o som e a imagem, assim como os instrumentos que permitem arquivar e conhecer ou reproduzir palavras, dados, cifras e operações matemáticas levadas a cabo com fins contábeis ou de outra classe, relevantes para o processo e que “quando por qualquer outro meio não expressamente previsto nos itens anteriores deste artigo for possível obter certeza sobre fatos relevantes, o tribunal, a requerimento da parte, o admitirá como prova, adotando as medidas que em cada caso resultar necessárias”. É neste mesmo sentido o art. 146 do Código General del Proceso do Uruguai.278

É por meio da prova que as partes levam o juiz a conhecer a verdade e torna possível confirmar ou negar a existência do direito objeto de disputa. Sendo assim, às partes deve ser assegurada a mais ampla liberdade para atuar na formação da convicção do juiz sobre a veracidade dos fatos controversos, o que exige que a elas seja possível dispor de todos os meios de provas idôneos à demonstração da ocorrência de tais fatos.

Com isto, para a demonstração da verdade dos fatos que alegam, as partes podem se servir de meios legais de prova (meio de prova previsto e disciplinado pela lei – prova típica) e de meios moralmente legítimos, ainda que não especificados em lei (meio de prova não previsto e disciplinado pela lei – prova atípica), asseverando Antônio Carlos de Araújo Cintra que “a legitimidade moral exigida pela lei se manifesta pelo respeito à dignidade humana e pela adequação do meio de prova ao padrão ético vigente, incluindo- se nessa adequação a idoneidade para fundamentar racionalmente seus resultados” e que a previsão de que a parte pode valer-se de meios de prova não dispostos em lei, desde que moralmente admissíveis, “tem por objetivo evitar a arbitrária exclusão do processo [...] de qualquer instrumento que, embora não previsto pelo legislador, seja idôneo para demonstrar ou para apurar a veracidade de alegações de fatos relevantes para a justa decisão da causa”.279 Já Cândido Rangel Dinamarco aduz que a referência a meios de

prova moralmente legítimos “deve ser lida como fontes de prova obtidos ou manipuladas por meios lícitos”.280

278 146.1 “São meios de prova os documentos, a declaração da parte, a de testemunhas, o laudo pericial, o exame

judicial e as reproduções de fatos”. 146.2 “Também poderão utilizar-se outros meios probatórios não proibidos pela regra de direito, aplicando-se analogicamente as normas que disciplinam os expressamente previstos pela lei”.

279 CINTRA, Comentários ao código de processo civil, v. IV, p. 17-18. 280 DINAMARCO, Instituições de direito processual civil, v. III, p. 49.

Podem ser citados como exemplo de prova atípica a prova emprestada,281 as

verificações realizadas no bojo das diligências levadas a efeitos por oficial de justiça e a prova estatística.282

Observa Paolo Tonini, porém, que “a noção de ‘prova atípica’ não é pacífica, podendo ser citadas pelo menos três definições. Segundo uma primeira acepção, atípica seria a prova que visa obter um resultado diferente daquele perseguido pelos meios de prova tipificados no Código. A atipicidade consiste no resultado e não na modalidade de produção [...]. Como segunda acepção, atípica seria aquela prova produzida por meio diverso daquela que é produzida por um meio típico. Neste caso, a atipicidade consiste na diversa modalidade de prova, por exemplo: a prova testemunhal pressupõe a presença do declarando. Se este é ouvido por meio de recurso audiovisual, existe uma modalidade atípica de produção por um meio que, todavia, típico [...]. Na terceira concepção, atípica seria aquela prova que visa a obter, mediante um meio de prova típico (por exemplo, a prova testemunhal), o resultado de um meio diverso, também típico (por exemplo, o reconhecimento de pessoa) [...]. Nesse caso, a atipicidade consiste na utilização de um meio de prova para alcançar um resultado que se obteria por um diverso meio de prova, também típico”.283 A estas três definições pode ser

acrescentada uma quarta, que é a adotada nesta pesquisa: prova atípica é aquela não prevista e disciplinada pelo ordenamento jurídico.284

O Código Civil de 2002 aponta como meios de prova: confissão,285 documento,

testemunha, presunção e perícia (art. 221). O Código de Processo Civil faz alusão aos seguintes meios de prova: depoimento das partes (arts. 342 e 343), confissão (art. 348), documentos (art. 364), depoimento de testemunhas (art. 400), laudo pericial (arts. 420, 433 e

281 A prova emprestada decorre da eficácia extraprocessual da prova, o que possibilita utilizar em um

processo as provas produzidas em outro. A possibilidade de utilização de prova emprestada é expressamente admitida pelo art. 526 do Código de Processo Civil de Portugal: “Os depoimentos e arbitramentos produzidos num processo com audiência contraditória da parte podem ser invocados noutro processo contra essa mesma parte...”. No mesmo sentido estabelece o art. 145 do Código General del Proceso do Uruguai: “As provas praticadas validamente em um processo podem ser transferidas para outro e terão eficácia similar às que tenderiam a ser diligenciadas neste último processo, sempre que no primitivo forem produzidas a pedido da parte contra quem se aduzem ou com a sua audiência”. No Projeto de Código de Processo Civil brasileiro (Projeto de Lei do Senado 166/2010), prevê-se, no art. 260: “O juiz poderá admitir a utilização de prova produzida em outro processo, atribuindo-lhe o valor que considerar adequado, observado o contraditório”.

282 A prova por estatística é de grande utilidade na apuração da responsabilidade da empresa por danos

decorrentes de acidentes de trabalho, vez que permite averiguar a sua postura em relação à prevenção de acidentes, por exemplo.

283 TONINI, A prova no processo penal italiano, p. 110-111.

284 A tipicidade ou a atipicidade da prova não têm, neste contexto, relação com a eficácia que a ela pode ser

conferida na formação do convencimento sobre a verdade dos fatos alegados em juízo.

285 A rigor, meio de prova é o depoimento da parte, e não a confissão nele contida. Na confissão, a fonte da prova

436) e inspeção judicial (art. 440286). A Consolidação das Leis do Trabalho aponta como

meios de prova depoimento das partes e de testemunhas (art. 819), laudo pericial (arts. 827 e 852-H) e documentos (arts. 787 e 830).

Merecem especial referência as presunções, diante de sua forte incidência no direito processual do trabalho, notadamente porque os princípios de direito do trabalho287 e as

normas que impõem a pré-constituição da prova por parte do empregador288, quando

transportados para o processo do trabalho, resultam no estabelecimento de presunções, favoráveis ao trabalhador e, com isso, na inversão do ônus da prova, 289 podendo esta inversão

resultar, ainda, da aplicação de uma máxima de experiência.

Presunções são as ilações da lei290 ou do julgador291, a partir das quais se parte de

fato conhecido (indício292) para afirmar a ocorrência de fato desconhecido, que têm por base

lições da experiência. Trata-se, assim, de um processo mental, por meio do qual, partindo-se de um fato conhecido, chega-se ao conhecimento de um fato desconhecido.293 A presunção

não é um meio de prova, mas é a este equiparado, na medida em que permite ao juiz conhecer a realidade fática (fato desconhecido), mediante raciocínio que parte de um indício (fato conhecido) e que se assenta na conexão entre estes mesmos fatos.294 As presunções podem ser

absolutas ou relativas, isto é, que não admitem ou que admitem prova em sentido contrário, respectivamente.

286A prova por inspeção consiste na percepção dos fatos controversos diretamente pelo juiz, como resultado de

exame de coisas ou pessoas. A fonte de prova contém informação à qual se tem acesso através do meio de prova. Com isso, a inspeção judicial, por permitir colher na fonte de prova (pessoa ou coisa) os elementos necessários ao conhecimento da realidade dos fatos, constitui um meio de prova.

287 A presunção de continuidade da relação de emprego transfere para o empregador o ônus de provar que foi do

trabalhador a iniciativa ou a responsabilidade pela rescisão do contrato de trabalho, por exemplo.

288 A ausência de constituição da prova documental sobre a jornada de trabalho autoriza presumir a veracidade

da jornada de trabalho alegada pelo autor como fundamento do pedido de horas extras.

289 As presunções relativas constituem regras de distribuição do ônus da prova.

290 Presunção legal: a lei atribui a um fato força probante em relação a outro fato, por considerar ser este efeito

necessário daquele.

291 Presunção simples ou judicial: ilações que o juiz retira de fato conhecido para formar a sua convicção sobre o

fato desconhecido.

292 Indícios, para Friedrich Stein, “são fatos conhecidos, vale dizer, acontecimentos ou circunstâncias, a partir

dos quais e por meio da experiência, se pode conhecer outros fatos que estão fora do processo e constituem o objeto da prova” (STEIN, El conocimiento privado del juez, p. 41-42).

293 Conforme o art. 2.727 do Código Civil Italiano: “A presunção constitui no induzir de um fato desconhecido a

existência de um fato ignorado”.

294 Trata-se da denominada prova crítica ou indireta, isto é, da prova que não recai diretamente sobre o fato

controverso, mas sobre outro fato, a partir do qual é possível concluir pela ocorrência ou não do fato controverso. A prova crítica difere da prova histórica ou direta, que têm por objeto o próprio fato controverso.

Benzer Belgeler