4. MATERYAL VE YÖNTEM
4.3. Katkısız ZnO ve Al Katkılı ZnO Filmlerinin Döndürerek Kaplama Yöntemi ile
4.3.2. Hazırlanacak numunelerin üretim şartlarının seçimi
É indispensável ler criticamente, ou seja, ler sem adotar atitude reverente, mas sem discordar de tudo. Também é conveniente ler de maneira contextualizada, isto é, "vivendo" a época, não pretendendo encontrar atitudes contemporâneas em acontecimentos passados. Ler bem é ficar mais tolerante e mais humilde, aceitar a diversidade, dispor-se a tolerar a divergência. (MACHADO, 2002, p. 19)
Em Como e por que ler os clássicos universais desde cedo (2002), Machado discorre sobre seu trajeto de leitura, mostrando-se como leitora voraz, sempre disposta a aventurar-se por novos horizontes através de personagens e narrativas instigantes. No primeiro capítulo, a autora define
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alguns pontos que orientam o leitor ao respeito pelo seu posicionamento acerca da leitura. O primeiro refere-se à leitura: na acepção da autora, ler não é um dever, mas sim um direito. Logo, descarta qualquer possibilidade de prazer em uma leitura que se efetiva a partir da obrigação como motivação primeira. Como consequência desse ato, os resultados podem ser catastróficos para o leitor, gerando repulsa imediata por qualquer tipo de livro. Como já mencionado, em relação aos clássicos, salienta o seu caráter atemporal: um clássico nunca sai de moda e o acesso à obra clássica pode se dar a partir de outras materialidades, como as adaptações cinematográficas, teatrais ou outras formas que tornem o clássico mais “degustável” ao novo leitor.
No segundo capítulo, ela se refere à leitura literária como um direito que todos temos e que se soma a uma determinação de ler como forma de resistência. Outro fator atraente que Machado menciona na leitura consiste na decifração, ou exploração daquilo que é tão novo que parece difícil e, por isso mesmo, oferece obstáculos e atrai com intensidade.
Essa atividade é feita da busca de um prazer sempre crescente, num patamar cada vez mais alto, lentamente construído com delicadeza, sensibilidade e empenho. Instala-se, entre leitor e texto, uma troca interativa, num jogo sedutor. Freud demonstrou como a curiosidade e a vontade de saber são vizinhas do instinto sexual – daí sua capacidade tentadora, sua força irresistível. Ítalo Calvino mostrou como um bom livro acende em que o lê um permanente desejo de seguir sempre adiante, em busca da construção de sentido, vivido ao final como um grande momento de gozo e distensão – e como esse trajeto é prazeroso. Retoma, assim, a ideia de Roland Barthes quando o francês insistia em se referir à “paixão pelo sentido” e defendia a existência de uma “erótica do texto” (MACHADO, 2002, p.21-22)
Para ela, todas essas considerações reafirmam que se trata de um jogo a dois, pois, ao se referir ao clássico, afirma que “quando lemos um clássico, ele também nos lê, vai nos revelando nosso próprio sentido, o significado do que vivemos”. Ao se referir às obras clássicas, cita Ítalo Calvino:
Os clássicos são livros que exercem uma influência particular quando se impõem como inesquecíveis e também quando se ocultam nas dobras da memória, mimetizando-se como inconsciente coletivo ou individual. [...]
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Os clássicos são aqueles livros que chegam até nós trazendo consigo as marcas das leituras que precederam a nossa e atrás de si os traços que deixaram na cultura ou nas culturas que atravessaram (ou mais simplesmente na linguagem ou nos costumes). (CALVINO, 1993 apud MACHADO, 2002, p. 23)
No terceiro capítulo “Entre gregos e troianos”, a autora discorre acerca da importância de ler essas obras, além da permanência em sua integridade. Citando a Ilíada e Odisseia, de Homero, além de outros autores como Sófocles, Ésquilo, Eurípides, Sócrates, Platão e Aristóteles:
Guardada por tanto tempo e reconhecida como um tesouro da humanidade, a cultura grega antiga sempre despertou o entusiasmo de leitores apaixonados, em diferentes épocas históricas. São uma fonte inesgotável, onde sempre podemos beber. Para muita gente eles são os mais fascinantes de todos os clássicos. Provavelmente são os que marcariam toda a cultura ocidental. (MACHADO, 2002, p. 26)
Ela também menciona a genialidade de Monteiro Lobato ao se referir às adaptações da mitologia grega para crianças, consistindo uma via de mão dupla entre o Sítio do Pica-pau Amarelo e a Grécia Antiga. Criando uma excelente forma de iniciação infantil a esse universo, a leitura desses livros funciona como um verdadeiro curso de mitologia clássica na intimidade.
No capítulo seguinte, ao se referir à leitura da “Sagrada Escritura”, afirma que, da mesma forma que ocorre com a mitologia grega, os sinais da passagem desses textos pela nossa cultura são incontáveis. Nesse caso, não se trata mais de uma profusão de deuses ou de uma sucessão de monstros, transformações inesperadas ou guerreiros capazes de feitos prodigiosos. A Bíblia fala a seus leitores de um Deus único, e conta a história de um povo, os hebreus:
A meninada tem o direito de ouvir ou ler alguns dos mais famosos relatos bíblicos, mesmo que a família não pretenda fazer dessa experiência uma forma de ensinamento religioso ou de transmissão de valores. De qualquer maneira, é uma passagem de bastão: transmissão de conhecimento enriquece a cultura geral da pessoa. (MACHADO, 2002, p. 38)
Em cada capítulo, Machado seleciona as obras a partir dos critérios mais variados: As narrativas de viagem, Os contos de Fada, As histórias que
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eternamente são reescritas e que constantemente conquistam o interesse dos jovens, Histórias Marítimas. Também faz referência a autores como Alexandre Dumas (Os três Mosqueteiros), Artur Conan Doyle (Sherlock Holmes), Robert Louis Stevenson (A ilha do tesouro), Jack London (O Lobo do Mar), H. Riger Haggard (As minas do Rei Salomão), Fenimore Cooper (O último dos Moicanos), Edgar Rice Burroughs (Tarzan), Melville (Moby Dick), Edgard Allan Poe (“William Wilson”), Rudyard Kipling (O Livro da Selva), Defoe (A Família Robinson), Tolkien (O Senhor dos Anéis), William Shakespeare (Romeu e Julieta), Michel Zevaco (Os ardaillans), e outros. Ao elencar e discorrer sobre as obras de acordo com esses critérios, Machado apresenta bagagem cultural e memória de leitura imponente.
Com relação a "como" ler o romance instigado pelo título, Machado registra a sua orientação desde o viés da intelectualidade: ler os clássicos universais deve ocorrer desde uma perspectiva crítica. O leitor não deve concordar nem reprovar tudo, mas sim ler criticamente a obra sem jamais lançar um olhar contemporâneo sobre um texto escrito e publicado em outro tempo, aceitando e compreendendo o texto como produto de um tempo ao qual a visão contemporânea de mundo não constituiu. Ana Maria Machado semeia, sobretudo, leitores críticos e flexíveis no processo de leitura, o que faz de seus ensaios uma contribuição indispensável para a formação de novos leitores.
Estamos diante de uma escritora que revela seu projeto literário pelo valor dado à leitura literária, que é manifestado de várias formas dentro de sua criação ficcional e crítica, não se limitando somente nas obras mencionadas nesta pesquisa. Dentro de todo trabalho de Machado, encontramos desde temas que retratam de forma criativa fatos cotidianos ligados ao universo da criança, e que são tratados com seriedade, até emprego de múltiplos recursos linguístico-expressivos, tal como a versatilidade da linguagem literária e a humanização do leitor. Além disso, muitos são os recursos que se revelam em sua obra, a exemplo do diálogo, que confere dinamismo às narrativas, do emprego de termos e expressões inusitadas, dos poemas e cantigas de roda, trovas populares e trava-línguas, brincadeiras e lúdicos jogos poéticos com frequentes alusões à cantigas e poemas que resgatam costumes e festejos da tradição popular, proporcionando ritmo e musicalidade aos seus textos.
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A crítica Laura Sandroni reflete sobre as obras de Machado afirmando que “seus livros revelam uma linguagem inventiva, uma temática original, além de uma profunda compreensão do mister de escritor integrado à cultura de seu povo e, simultaneamente, arauto de novos tempos” (apud BASTOS, 1995, p. 115). A desconstrução de estereótipos, reforçada pela força questionadora das personagens, revela o caráter revolucionário da obra da autora. Além disso, a voz do discurso feminino vai, ao longo desse processo, ganhando força com um sentido de igualdade perseguido pelo respeito à diferença. Em um artigo sobre a obra Trança de História, Neuza Ceciliato de Carvalho reflete sobre o projeto estético-ideológico da autora:
Seus textos literários são seu testemunho de uma época, onde a mulher, a mãe, a professora, a cidadã e a escritora se fundem para revelar os conflitos humanos do momento em que vivemos. No seu modo de compor está a sua ideologia, no seu estilo está o seu testemunho, na sua escolha técnica está a sua visão de mundo e a sua concepção de literatura e de leitor infantil e juvenil. (CECILIATO, 2004, p. 71)
Com isso, podemos perceber que Ana Maria Machado metaforiza a sua trajetória de leitora, independente, “navegando contracorrente”. Vivências de Machado com a avó Ritinha, que “era uma biblioteca oral”, foram conferidas a ela como herança, o que posteriormente se refletiu em seu papel de escritora. Segundo ela, tanto a prosa de Mário de Andrade como a poesia de Manuel Bandeira, dentre tantos outros, confirmam que a criação literária do século XX é perpassada pela influência oralizante das primeiras vozes literárias ouvidas na infância. Vale lembrar Walter Benjamin (1995, p. 268): “a experiência transmitida oralmente é a fonte de que hauriam todos os narradores” e, por extensão, os escritores e poetas.
Em todos os textos da autora, é possível notar o trabalho com a linguagem, a desliteralização que aproxima seu discurso oral do cotidiano, uma vez que isso proporciona imediata identificação de seu leitor com a personagem. Em Livros infantis como pontes entre gerações (2004), a escritora discorre acerca desse assunto:
[...] um acervo vindo oralmente da noite nos tempos e passando de uma geração para outra em sucessivas pontes, vai aos poucos se construindo um legado. Uma vez sedimentado, esse patrimônio
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passa a exigir rupturas e reinvenções que ao mesmo tempo o contestem e reconfirmem – em novas vozes e novos tons, para que possa ser retransmitido também de forma renovada, com o acréscimo de experiências originais. (MACHADO, 2004, p. 61)
Além disso, estamos diante de uma escritora que encara com seriedade o papel do escritor frente às questões sociais que está inserido. Em Do mundo
da leitura para a leitura do mundo, Marisa Lajolo (2010, p. 17) afirma que
“uma obra literária é um objeto social muito específico”. Como objeto social, o texto literário, mesmo não tendo o propósito de veiculação de ideologia, acaba por fazê-lo, pois, qualquer que seja um discurso, é sempre uma instância de poder, já que o texto é a visão de mundo do escritor. Bakhtin, em Estética da
criação verbal (1997), lembra a falta de inocência dos discursos, inclusive o
literário, haja vista enredar fatos históricos, sociais, antropológicos, culturais, econômicos e políticos, construindo, através de uma teia metafórica, a malha narrativa, da qual veicula, consciente ou inconscientemente, a visão de mundo de seu autor.
A pesquisadora Anna Cláudia Ramos (2006, p. 17) escreve que Machado é uma grande pensadora sobre a leitura e o fazer literário, uma vez que seus ensaios abordam “aspectos fundamentais sobre a democratização da leitura de literatura em nosso país e sobre os processos de criação”, e que o faz através de uma “escrita leve e acessível, quase um bate-papo com o leitor”. Com isso, concluímos que tanto os textos ficcionais, quanto os textos críticos, configuram o valor da leitura do literário no projeto estético da autora. Enquanto a criação literária privilegia o lúdico, os ensaísticos primam à precisão, pois, conforme ela mesma afirma: “a clareza de conceitos não deve se esconder atrás da obscuridade dos termos”, afinal “um especialista não deve abrir mão do rigor e da exatidão dos conceitos quando está examinando o assunto que estuda” (MACHADO, 2004, p.80-81). Essa assertiva condensa, na relação entre criação literária e crítica, uma postura reflexiva que se transforma em metanarrativa, correndo paralela aos textos ficcionais da autora e alicerçada pelos mesmos valores intrínsecos a eles: feminino, tradição, político e universal.
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CONCLUSÃO
Esta pesquisa procurou estabelecer a relação entre a produção literária e a produção crítica de Ana Maria Machado, verificando como ambas se apoiam em aspectos semelhantes, cujos valores podem ser definidos em: feminino, tradição, político e universal. Concluímos, portanto, que o primado desses valores colabora com o surgimento de um projeto literário cujo foco é a crença no valor formador da literatura.
Para chegarmos a tal proposta, buscamos, em um primeiro momento, demonstrar através de seus ensaios, revelações que Machado faz sobre seu primeiro contato com a leitura, bem como a importância do ato leitor na sua vida. Ao traçar sua história, ela demonstra que os livros fizeram parte de sua formação de maneira prazerosa e natural, além de ser a principal responsável por sua formação. Em muitos dos seus ensaios, ela tematiza assuntos polêmicos para o campo da leitura, sua importância desde a tenra idade, exemplificando com acontecimentos de ordem pessoal, o que faz toda a diferença já que abre um espaço para a intimidade e não hierarquiza os lugares de autor e leitor.
Em um segundo momento, demonstramos o que ela almeja com sua produção literária e crítica. Para tanto, utilizamos a ficção e crítica paralelamente, a fim de analisar como os diálogos entre ambas as práticas tornam-se semelhantes. Com isso, apontamos o feminino, a tradição, a política e a universalidade como valores que norteiam o projeto literário dessa autora, além de serem os elementos motivadores para sua produção.
Assim, focamos na presença do feminino em sua criação e em seus ensaios, e, embora nesta pesquisa, tenhamos elegido Bisa Bia Bisa Bel e A
audácia dessa mulher, em muitas outras obras da autora é possível também
identificar esse elemento. Observamos que o feminino atua na obra de Machado no sentido de encaminhar o leitor para emancipação da mulher quando apresenta personagens femininas correndo atrás de seus objetivos e não se curvando aos conceitos preestabelecidos e/ou preconceituosos, que se arrastam por séculos. Estamos diante de um valor que prima pela ação transformadora da leitura, constituindo o projeto de uma escritora militante que persevera na busca de uma nova realidade, de uma nova ordem para a
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atuação da mulher na sociedade. Como exemplo disso, temos a construção de suas personagens, que anseiam pela igualdade e pela justiça no contexto que se encontram.
A tradição também é um fio norteador de seu projeto literário, uma vez que se delineia na figura do contador de histórias, resgatando, assim, as próprias origens de Machado, que, por ter ouvido muitas histórias quando criança, aprendeu a valorizar esse contador responsável pela perpetuação das raízes, reafirmando a cultura, o processo geracional que a mantém. Com isso, evidenciamos o valor da tradição, pautada no popular, nas crenças e movimentos culturais. Esse elemento é notado em muitas obras de Machado, embora tenhamos elegido apenas De fora da arca, Bisa Bia Bisa Bel,
História meio ao contrário e Do outro lado tem segredos, além dos ensaios.
A fim de ampliarmos os valores à obra, observamos aspectos fundamentais à escritora militante e politizada, que escreve em prol da leitura literária. Para isso, elegemos também o elemento político como valor identificado em sua crítica e ficção. Trata-se de uma literatura que denuncia através de seus textos, sejam eles dirigidos ao público infantil ou ao público adulto, os abusos de poder e a realidade político social de um país que desconhece seus reais problemas, ou seja, a falta de responsabilidade pelo contato com os livros. Aqui, utilizamos como ficção História meio ao contrário e Era uma vez um tirano e não é demais mencionar as palavras da própria autora:
Só a possibilidade de leitura de literatura, distribuída pelo maior número possível de cidadãos, poderá reforçar a coletividade diante da manipulação do mercado, dos interesses políticos, dos fundamentalismos religiosos, das ambições pessoais de ditadores. Sociedades que já são letradas há muito tempo têm anticorpos intelectuais mais desenvolvidos para enfrentar esses novos males. Sociedades menos acostumadas à leitura ficam muito mais vulneráveis e expostas. Aproximar as crianças de bons textos é também uma forma de fortalecer defesas e cuidar do futuro. (MACHADO, 2011, p. 44 e 45)
Além desse, outro valor eleito, nesta pesquisa, foi a universalidade, uma vez que destacamos aqui os contos de fadas, exemplificado com História
meio ao contrário e A Princesa que escolhia. Para Ana Maria Machado, a
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aproveitamento de um gênero que se tornou o mais fecundo da cultura popular. Algumas de suas criações ficcionais, como é o caso das eleitas nesta pesquisa, continuam contando essas histórias, porém com outra roupagem:
Como esses contos tradicionais são os clássicos infantis mais difundidos e conhecidos, a gente sabe que pode se referir a eles e piscar o olho para o leitor, porque conhece o universo de que estamos falando. Fica possível, então, fazer paródias aos contos de fadas e brincar com esse repertório, aprofundando uma visão crítica do mundo a partir de pouquíssimos elementos. Mas para que esse jogo literário possa funcionar plenamente, para que o humor seja entendido e a sátira seja eficiente, é indispensável que o leitor localize as alusões feitas, identifique o contexto a que elas se referem e seja, então capaz de perceber o que está fora de lugar na nova versão. (MACHADO, 2002, p.81)
Mais uma vez, temos o político como transformador e direcionador das mudanças e o universal, como mantenedor da cultura e do que é comum entre os homens. Por meio de um discurso fortemente enraizado na política brasileira, o universal é o elo que aproxima os seres e as necessidades humanas.
Tais elementos, resgatados em ambos os capítulos, nortearam o que chamamos de projeto literário de Ana Maria Machado, cuja base é a crença no poder formador e transformador da leitura literária. Estamos diante de uma escritora que traz esse valor manifestado de várias formas dentro de sua criação ficcional e crítica, não se limitando somente às obras mencionadas nesta pesquisa.
Dentro de todo trabalho de Machado, encontramos desde temas que retratam de forma criativa fatos cotidianos ligados ao universo da criança com seriedade, até o emprego de múltiplos recursos linguístico-expressivos, tal como a versatilidade da linguagem literária e a humanização do leitor. Além disso, muitos são os recursos que se revelam em sua obra, a exemplo do diálogo que confere dinamismo às narrativas, do emprego de termos e expressões inusitadas, dos poemas e cantigas de roda, trovas populares e trava-línguas, brincadeiras e lúdicos jogos poéticos com frequentes alusões a cantigas e poemas, que resgatam costumes e festejos da tradição popular, proporcionando ritmo e musicalidade ao texto. Ler Ana Maria Machado é entrar em contato com esse universo da leitura de forma ativa, porque, uma vez estando lá, não é mais possível deixar de refletir sobre ele.
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