5. BULGULAR VE TARTIŞMA
5.5. Katkısız ZnO ve Al Katkılı ZnO Filmlerinin Elektriksel Özellikleri
5.5.3. Dört uç yöntemi
5.5.3.1. Üretilen filmlerin özdirenç değerlerinin dört uç yöntemi ile
Antes de uma discussão sobre os elementos da Pragmática Literária usados nesta pesquisa, é necessário um retorno ao conceito de contexto que permitirá a compreensão dessa área de conhecimento, bem como o papel do leitor no processo de comunicação.
Mey inicia o capítulo 1 da obra VD, intitulado Literary pragmatics: why and what? (Pragmática literária: por quê e o quê?), utilizando a distinção tradicional entre co-texto, relacionado ao que circunda imediatamente a palavra ou o enunciado, e
contexto, abrangente não só do ambiente verbal no qual são utilizadas palavras e enunciados, mas também do ambiente mais amplo, ou seja, das condições sob as quais as palavras e os enunciados foram produzidos. Diante disso, para o autor, não é suficiente ficar no campo do dito apenas, mas é necessário considerar o texto por trás do texto ou as vozes sociais que subjazem as interlocuções, mesmo quando os interlocutores falam como se fossem agentes linguísticos livres. Para o autor, a imagem do usuário da língua como um agente autônomo contradiz o verdadeiro caráter social da língua e, consequentemente, o princípio básico da Pragmática Linguística de que nenhuma palavra ou nenhum enunciado pode ser entendido de forma isolada. A própria compreensão, segundo Mey (2000), é determinada pelo usuário e pelas condições de produção e recepção da língua, o que leva o autor a declarar que é exatamente o contexto o fato decisivo na interpretação de enunciados.
Nessa esteira do pensamento, o pragmaticista aponta a necessidade não só de se analisar as condições sob as quais uma obra literária foi produzida, mas de se estar consciente do quanto a interpretação de obras literárias é influenciada pelas condições sociais às quais o leitor está submetido. Diante disso, o leitor deixa de ser um ouvinte passivo para ser um participante ativo e criativo do texto literário. Para o autor, o estudo da Pragmática Literária está relacionado a uma visão pragmática de um texto ‘que fala’ (speakable), ou seja, de um texto que participa do mundo dos usuários da língua.
Com base nessas asserções, Mey (2000) define a Pragmática Literária como o estudo dos efeitos usados pelos autores para obter, por meio da língua, uma cooperação com seus leitores. Esses efeitos não residem somente no aspecto linguístico, mas também em todos os fatores contextuais que determinam o uso dos itens linguísticos de forma pragmaticamente eficiente. É por essa razão que o autor, em PI, declara ser a leitura uma atividade colaborativa entre o autor e o leitor, um processo de recriação ativa, tendo em vista que a contribuição do leitor consiste em entrar no universo da obra ficcional e em tornar-se um autor, sendo a leitura feita por ele, em última análise, uma coprodução. Mey (2007) denomina esse processo de dialético.
Em PI, ainda, Mey explica que o estudo pragmático da literatura enfoca as características desse aspecto dialético da produção literária: o texto é originado e guiado pelo autor, mas é orientado e ativado pelo leitor. O autor esclarece que,
apesar de o leitor ficar restrito aos limites do texto, o próprio texto permite diferentes graus de liberdade por meio dos quais o leitor, em colaboração com o autor, constrói o universo textual em consonância com as condições contextuais do mundo e do tempo do leitor.
É exatamente neste contexto de coautoria que Mey (2007) discute, neste item da obra PI, elementos da Micropragmática, como tempos verbais e referências, visando a uma observação pragmática desses elementos textuais na obra literária, bem como os conceitos de discurso e voz, também utilizados nesta pesquisa.
Mey (2007) define discurso como o contexto da língua em uso, ou seja, uma condição metapragmática que se refere tanto ao contexto imediato, como uma conversa, uma entrevista de emprego, etc., quanto às condições ocultas que governam essas situações de uso da língua. É, portanto, no e por meio do universo de discursos que acontece a produção social de significados. É importante a menção de que, segundo o pragmaticista, o leitor, tal qual o autor, faz parte desse universo, por isso essa produção de significados depende da colaboração ativa do leitor para a criação do universo textual. Essa colaboração só é possível se houver credibilidade, tendo em vista que o autor cria um universo discursivo que o leitor aceita com base na sua autoridade; essa autoridade depende da habilidade de o autor criar os eventos e as personagens das obras e de lhes atribuir vozes próprias.
Por outro lado, as pressuposições pragmáticas (sociais e culturais também) do leitor e o ‘contrato que assina’ ao abrir uma obra literária condicionam o conhecimento a respeito dos acontecimentos da narrativa. Assim como o tempo do evento (ET) não precisa coincidir com o tempo real, os diferentes níveis da narrativa não precisam estar relacionados aos da realidade. Isso leva o leitor, nesse processo ativo de interpretação, a encontrar diferentes vozes no texto.
O autor esclarece que, do ponto de vista tradicional, os autores, ao escreverem uma obra literária, criam personagens que são responsáveis pela realização de alguns eventos ou sequências de evento dentro do enredo. Essas ‘criaturas’ precisam se comportar em conformidade com os papéis a elas atribuídos. O problema surge quando essas personagens transgridem esses limites tradicionais estabelecidos e passam a assumir vidas e vozes independentes, tornando o autor um espectador que segue as idiossincrasias das suas ‘criaturas’ e as registra da melhor maneira possível.
Por conseguinte, mesmo com os melhores registros, o leitor, segundo Mey em VD, nesse processo de colaboração, precisa analisar a vocalidade do texto, ou seja, as vozes dos diferentes agentes envolvidos na narrativa (autor, narrador e personagens). Para que o leitor consiga identificar essa vocalidade, algumas “técnicas” podem ser usadas: (1) a análise de elementos internos do texto como o conteúdo ou o tema e a tonalidade (o autor cita o termo tonalidade como o usado por Bakhtin). O tema pode ser desenvolvido por uma personagem, mas pode ser introduzido por uma e desenvolvido por outra, o que leva o leitor à necessidade de averiguar outros elementos, como (2) a alternância de vozes, o que permite o reconhecimento de vozes individuais e (3) o reconhecimento dos dêiticos narrativos, o que inclui os verbos declarandi (dizer, declarar, negar, responder, etc.) e sentiendi (sentir, suspirar, gemer, etc.), que permite a distinção não somente dos diferentes falantes, mas também das expressões de suas crenças e das indicações diretas ou indiretas dos seus diferentes pontos de vista.
Mey (2000) afirma, ainda, que as vozes ouvidas em uma narrativa não são apenas as das personagens, mas as do narrador/autor, que podem estar escondidas na narração. A observação dessas vozes através da mudança de interlocutores em um diálogo é fácil, pois, normalmente, é marcada pelo uso tipográfico de travessão e de aspas, pelo uso de dêiticos e de expressões, como ‘ele disse’, ‘ele comentou’, etc. Entretanto, nem sempre a mudança de vozes é tão observável assim, tendo em vista que quebras da narratividade podem acontecer, cabendo ao leitor identificá-las. Por conseguinte, a voz, para o autor, é um conceito pragmático, pois o seu uso em uma narração, quer em discurso direto, discurso indireto ou discurso indireto livre, depende de uma situação de interação, ou seja, de diálogo, o que pressupõe um interlocutor e um contexto determinante da produção e da recepção da interlocução.
Segundo o pragmaticista, em vez de se dedicar especial atenção apenas às causas das interlocuções, é necessário considerar os seus efeitos a fim de se poder explicar, de uma maneira mais completa, por que um enunciado foi proferido em um determinado tempo e espaço. Para o autor, ainda, vocalizar é um ato pragmático e, como tal, requer uma cooperação ativa entre os interlocutores (autor/narrador, personagens e leitor), levando ao surgimento da ‘voz’ do texto literário.
Para se compreender melhor essa vocalização do texto literário, faz-se necessário buscar a explicação do autor sobre os diferentes tipos de discurso
(discurso direto, discurso indireto e discurso indireto livre), buscando a identificação da voz em cada um deles. O autor cita o seguinte exemplo (MEY, 2000, p. 100):
João disse: “Estou com fome”.13
No discurso direto, o ‘eu que fala’ é o próprio sujeito da oração (João). No entanto, no caso do discurso indireto, outra voz, a voz do narrador, entra em cena. Para o autor, essa voz fisicamente inaudível afirma: ‘João disse que estava com fome’. Apesar de inaudível, a voz do narrador é tão presente como as interrupções feitas por ele durante a narrativa.
Outra consideração a ser feita, segundo o autor, refere-se à mudança dos tempos verbais em um discurso indireto (ou indireto livre). Essa mudança, orientada pela Gramática, segue uma sequência verbal (consecutio temporum), ou seja, o tempo verbal da oração subordinada depende do tempo verbal da oração principal. O autor apresenta essa sequência na Língua Inglesa:
He tells me he is ill (Ele me diz que está doente)
He told me he was ill (Ele me disse que estava doente) (MEY, 2000, p. 71). Na segunda oração, há o uso da mudança retroativa (backshifting): como o verbo que reporta (told) está no passado, o verbo da oração subordinada muda para o passado (was), dando, à oração, a mesma visão temporal (VT – apresentado em 1.5.1), ou seja, a perspectiva do narrador (reportador). Entretanto, no caso da oração John said to her ‘I am tired’ (João disse a ela ‘estou cansado’), o VT é mais subjetivo, estando associado ao falante e, não, ao narrador.
Ainda em VD, o autor adiciona que essa mudança de tempos e modos verbais que objetiva uma mudança do VT pode ser percebida no discurso indireto livre (free indirect discourse – FID). O FID é considerado livre por não apresentar nenhum verbo declarandi apesar de ser, também, discurso indireto. Dessa forma, o VT do falante é representado como se fosse indireto e, ao mesmo tempo, apresenta- se como uma expressão direta de uma perspectiva subjetiva da fala ou do pensamento das personagens. O autor apresenta o seguinte exemplo:
Elizabeth said: “I refuse to go on living like this” (Elizabeth disse: “Recuso-me a continuar vivendo dessa maneira”).
Elizabeth would not go on living like this (Elizabeth não continuaria a viver dessa maneira) (MEY, 2000, p. 73).
13 Texto original: John said: “I’m hungry”.
Segundo o autor, o primeiro exemplo é um caso de discurso direto, sendo a voz do narrador uma mera instância reportadora. Já no segundo exemplo, o narrador (reportador) não está presente na oração, mas os traços do discurso indireto ainda estão presentes: “[Elizabeth said that] she [Elizabeth] would not go on living like this” ([Elizabeth disse que] ela [Elizabeth] não continuaria vivendo dessa maneira). É exatamente esse recurso que torna o discurso indireto livre, pois está livre das restrições impostas por uma voz narradora, ficando suscetível às vozes das personagens. Ademais, por não seguir uma sequência verbal (consecutio temporum), o autor conclui que a sequência dos verbos é pragmaticamente e, não, gramaticalmente motivada.
Por fim, é importante a menção de que, segundo Mey (2000), a busca pela vocalização do texto literário (perspectiva do usuário) torna o seu estudo pragmático. Essas vozes, ancoradas na pluralidade do discurso, na multivocalidade societal, são governadas pelas mesmas forças sociais que têm domínio sobre as situações representadas na obra literária.
Essa visão das línguas sociais em uso na obra literária aproxima-se, na nossa visão, da concepção de plurilinguismo/heteroglossia apontada por Bakhtin em O discurso no romance (2002b). Com isso em mente, apresentaremos como essas duas áreas do conhecimento (ADD e Pragmática) possuem elementos que as aproximam e as distanciam, visando à demarcação benevolente das suas fronteiras (BAKHTIN, 2003d), o que será feito na próxima seção deste trabalho.