5. BULGULAR VE TARTIŞMA
5.4. Katkısız ZnO ve Al Katkılı ZnO Filmlerinin Yüzeysel Özelliklerinin
5.4.1. Atomik kuvvet mikroskobu (AFM)
5.4.1.1. Üretilen filmlerin AFM analizleri
O capítulo 3 da obra Pragmatics: an introduction (Pragmática: uma introdução, 2007 – doravante PI), intitulado Context, implicature and reference (Contexto, subentendido/implicatura e referência), encontra-se na segunda parte da obra, intitulada Micropragmática. Ele se preocupa com o estudo dos elementos relacionados a contexto, que, segundo Mey (2007), é um conceito dinâmico, devendo ser entendido como o ambiente em mudança contínua em que os participantes do processo comunicativo interagem por meio de expressões linguísticas que, nesse ambiente, se tornam inteligíveis. Diante disso, para o autor, o contexto é muito mais do que referência, pois ele é ação: através deles os enunciados passam a ter um real significado pragmático.
Nessa esteira do pensamento, Mey (2007) discute os conceitos de pressuposto, subentendido (implicatura) e referência. O pragmaticista explica pressuposto como elementos subjacentes aos enunciados proferidos pelos
interlocutores. Ele o exemplifica com a seguinte situação: um interlocutor afirma que João conseguiu vender todas as suas ações antes da queda da bolsa de valores. Outro interlocutor nega a sua asserção, dizendo que ele não conseguiu vendê-las. Para o pragmaticista, quer o primeiro interlocutor quer o segundo estejam certos em suas afirmações, há um elemento que subjaz aos enunciados: João tentou vender as suas ações. Esse elemento subjacente é o pressuposto. Mey (2007) explica que, para alguns teóricos, o pressuposto é construído na semântica de algum elemento lexical ou diretamente na própria palavra. Para ele, no entanto, nem sempre o valor semântico de itens lexicais isolados permite a compreensão de pressupostos em um ato de comunicação, devendo buscar-se uma explicação pragmática, ou seja, uma explicação baseada em um contexto específico de um interlocutor específico. Para o leitor melhor compreender essa visão pragmática de pressuposto, ele dá o seguinte exemplo: ‘João não lamenta ter sido reprovado, pois ele, de fato, passou’. A oração coordenada sindética explicativa ‘pois ele, de fato, passou’ pressupõe que ‘João passou’. No entanto, a oração coordenada assindética pressupõe que ele não passou. Para que essas orações não sejam consideradas ilógicas, o autor afirma ser necessário pensar em um contexto no qual essa oração poderia ser enunciada: um interlocutor, por brincadeira, faz outro acreditar que João ficou reprovado. O segundo, conhecendo João, afirma que ele deve estar lamentando a sua reprovação. O primeiro, em tom triunfante, enuncia ‘João não lamenta ter sido reprovado, pois ele, de fato, passou’. Percebemos, portanto, que a compreensão dos pressupostos torna-se possível dentro de um contexto pragmático, ou seja, de uso real da fala.
Quanto à implicatura, Mey (2007) define-a como sendo os elementos subentendidos em uma conversa, ou seja, aqueles que são implícitos durante o uso da língua pelos interlocutores. O autor explica que, em um contexto específico, a resposta à pergunta ‘que horas são?’ pode perfeitamente ser ‘o ônibus acabou de passar’. Esse contexto deve incluir o fato de que apenas um ônibus por dia passa pelas casas dos interlocutores às 7h45 todas as manhãs. Nesse contexto, o ouvinte da resposta ‘o ônibus acabou de passar’, estando consciente desse fato, entenderá perfeitamente que horas são. Mey (2007) declara, portanto, que, se a explicação pragmática desses enunciados estivesse limitada aos elementos gramaticais, a resposta ‘o ônibus acabou de passar’ seria percebida como ilógica, tendo em vista a
ausência de elementos gramaticais nessa interlocução que tragam informações relevantes sobre os interlocutores e seu contexto de comunicação.
Diante disso, Mey (2007) enfatiza que o contexto é o “universo” do uso da língua, permitindo que os interlocutores saibam o que está sendo feito em um contexto comunicativo. É por essa razão que uma implicatura pragmática não fará sentido em um ambiente puramente lógico ou gramatical, pois uma implicatura só poderia fazer parte das interações entre interlocutores se elas se conformarem aos seus contextos de uso.
Semelhantemente, ao explicar referência dentro do campo da Pragmática, Mey, em sua obra When voices clash: a study in literary pragmatics (Vozes em desarmonia: um estudo na pragmática literária, 2000 – doravante VD), declara que o processo de referir-se a alguma coisa ou a alguém tem ramificações não apenas no campo do verbal, mas, também, do não verbal, pois, restrito ao linguístico, a referência correta pode não ser estabelecida. Para exemplificar essa situação, Mey (2007) pede ao leitor para refletir sobre a seguinte situação: ao ouvir alguém batendo à porta, um interlocutor pergunta ‘quem é?’. A única resposta obtida foi ‘sou eu’. O entendimento do pronome ‘eu’, que faz referência ao enunciador, só é possível por meio de elementos não linguísticos, como o reconhecimento da voz do falante. Esse elemento não verbal determinará se a porta será aberta ou não.
Segundo Mey (2000), o pronome pessoal ‘eu’, dêitico de pessoa (eu, mim, comigo, tu, teu, etc.) juntamente com os dêiticos de lugar (este, esse, atrás, vir, ir, etc.) e de tempo (hoje, amanhã, agora, há quatro dias, etc.) permitem que um ponto de vista seja determinado, quer o do enunciador (eu, aqui), quer o do enunciatário (tu, aí). A mudança de perspectiva ou de ponto de vista é uma noção importante tanto para o entendimento de contextos pragmáticos quanto para os estudos da narratologia literária (MEY, 2007).
Diante disso, para o autor, a fim de esclarecer uma situação, é preferível que o enunciador diga ‘à sua esquerda’ (‘to your left’) em vez de apenas ‘à esquerda’ (‘to the left’), pois a adoção da perspectiva do outro permite a eliminação de dúvidas referenciais. No entanto, essa referencialidade é, muitas vezes, deixada no campo contextual, o que demanda a necessidade de os interlocutores conhecerem esse contexto. Por exemplo, ao dizer ‘Esquerda!’ (‘Left!’), um sargento espera que os soldados saibam que devem virar à esquerda deles.
Outro exemplo apresentado pelo autor refere-se aos dêiticos temporais. Ao dizer ‘eu o vi semana passada’, o enunciador utiliza, como referência, a semana corrente. Se a sua fala aconteceu na semana passada, o dêitico não pode permanecer o mesmo, pois, doutra forma, o tempo do evento não será definido corretamente. Para o autor, ainda, problemas podem acontecer quando há comunicação entre interlocutores que estão em hemisférios diferentes. Por exemplo, se um professor no Brasil escreve para um colega que mora no Canadá, afirmando que gostaria de dar cursos de verão lá, o enunciatário pode ficar com dúvidas sobre o período em que deve providenciar a estadia do colega brasileiro, pois pode perguntar: ‘Ele se refere ao período do verão brasileiro ou ao do canadense?’ Novamente, o enunciatário só compreenderá “cursos de verão” sem uma coordenada específica (cursos durante o verão canadense) dentro de um contexto pragmático (por exemplo, o professor brasileiro já deu outros cursos no Canadá durante o verão canadense).
Nesse contexto, Mey (2000) adiciona que, de certa forma, os problemas relacionados aos dêiticos temporais são semelhantes aos de referência temporal dos verbos. Da mesma forma que é necessário uma referência temporal ao dizer ‘semana passada’, o uso de ‘I order’ (ordeno), ‘I ordered’ (ordenei) ou ‘I have ordered’ (ordenei) demanda um conhecimento da posição temporal do enunciado no contexto enunciativo. Para tal, o autor apresenta a distinção encontrada na literatura: (1) o tempo em que o enunciado é produzido: tempo da fala (ST – speech time); (2) o tempo do evento sobre o qual o enunciado se refere: tempo do evento (ET – event time) e (3) o tempo indicado pelos dêiticos temporais: tempo de referência (RT – reference time). Na oração ‘João já tinha terminado o seu artigo semana passada’ (John had already completed his paper last week), Mey (2000) declara ser possível estabelecer os tempos claramente: RT – semana passada; ET – algum período anterior à semana passada e ST – período posterior ao RT e ao ET. Nesse exemplo, para o autor, o enunciado está ancorado (anchored) ao ST. Essa conclusão é percebida pelo uso do dêitico de tempo (semana passada) e do aspecto perfeito do verbo completar (had already completed), que indica uma ação anterior a outra.
No entanto, segundo o autor, nem sempre o enunciado está ancorado ao ST. Ademais, os conceitos de RT, ET e ST podem não coincidir de forma tão harmoniosa com os recursos temporais encontrados nos enunciados, como os dêiticos temporais e os tempos verbais. Outro problema apontado pelo pragmaticista
é que muitas interpretações das relações temporais em um texto são orientadas para a noção puramente semântica de ‘referência’ em vez de se analisar o contexto discursivo como um todo. Diante disso, o autor sugere a criação de outro tipo de tempo, o tempo de visão (VT – vewing time), definido como o ponto específico do tempo em que o enunciador (que é o contemplador - viewer) vê os eventos aos quais se refere ou que descreve.
Essa ausência de harmonia, afirma Mey (2007), está diretamente relacionada ao fato de as unidades básicas de comunicação linguística (ou atos de fala) não serem orações perfeitas produzidas na solidão do filósofo ou do linguista, mas em situações reais de uso da língua, o que pressupõe interlocutores humanos com intenções relevantes ao entendimento dos enunciados. Para o autor, ainda, a intencionalidade não está restrita às intenções de um determinado enunciador, mas, em uma perspectiva mais ampla, à sua funcionalidade em um determinado grupo social.
Para discutir atos de fala, Mey (2007) apresenta a classificação encontrada na literatura. Quando alguém diz ‘está frio aqui’ (‘it’s cold in here’), o enunciado apresenta o seu aspecto locucionário. Em circunstâncias normais, essa oração foi enunciada para se fazer uma afirmação ou declaração, não tendo sido feita para expressar um desejo, um julgamento, uma promessa, etc.). Esse aspecto do ato de fala é o ilocucionário (ou força ilocucionária ou ponto ilocucionário). Se, ao ouvir esse enunciado, o enunciatário fechar a porta, percebe-se o efeito que o enunciado causou, ou seja, o seu aspecto perlocucionário. Esse último aspecto depende das circunstâncias particulares do enunciado e não pode ser previsível. Para Mey (2007), ainda, apesar de muitos pragmaticistas direcionarem seus estudos para a força ilocucionária, é exatamente o aspecto perlocucionário que permite conhecer a motivação das pessoas ao usarem os atos de fala.
Em relação à força ilocucionária, Mey (2007) discute a classificação do filósofo americano John Searle dos atos de fala em assertivas, diretivas, comissivas, expressivas e declarações. As assertivas contêm valores verdadeiros ou falsos conforme a sua correspondência com o mundo. As diretivas estão direcionadas ao enunciatário, buscando que ele aja de acordo com algum objetivo (na maioria, do enunciador). As comissivas criam, também, uma obrigação; no entanto, ela não é direcionada ao enunciatário, como as diretivas, mas ao enunciador. Isso, para o autor, é o que faz a diferença entre um pedido (diretiva) e uma promessa
(comissiva). As expressivas apresentam o estado interior do enunciador, sendo completamente subjetivas. Como exemplo, o autor declara que se uma pessoa pisa no pé de outra e diz ‘Desculpe-me’ (‘Excuse me’), esse ‘desculpe-me’ não muda a situação de o pé do enunciatário ter sido pisado; resulta, tão somente, do seu caráter subjetivo, sujeito aos diferentes conceitos e comportamentos sociais aceitáveis. Por fim, para o filósofo americano, as declarativas alteram o estado das coisas através de declarações bem executadas. Por exemplo, quando um casal ouve a declaração ‘Eu os declaro marido e mulher’ (‘I declare you to be husband and wife’), eles deixam a condição de namorados ou noivos e passam à condição de casados.
Em sua crítica à classificação feita por Searle, Mey (2007) afirma que o filósofo americano, apesar de mencionar o caráter social dos atos de fala, exclui fatores contextuais ao apresentar a sua classificação. Para o pragmaticista, é imperioso que se dê atenção às condições contextuais não só na descrição dos atos de fala, mas no uso da língua em geral. É, portanto, exatamente por essa preocupação com o contexto de produção e recepção linguística que Mey (2000, 2007) passa a trabalhar com pressupostos pragmáticos e atos pragmáticos, tema da próxima seção.