3.5. Verilerin Analizi
3.5.1. Ön Hazırlıklar
Em geral é possível dizer que as deliberações na sistematização foram comportadas e somente em alguns episódios o plenário se manifestou em tumulto, mas sem nunca impedir o processo decisório ou causar a interrupção da reunião. Nessas reuniões das primeiras fases da
sistematização tiveram oportunidade de participar novamente algumas das organizações civis que tinham já participado na primeira etapa da subcomissão VIc, como a CONTAG, a CPT, o MTRST e a OCB, para defender as emendas populares por eles apresentadas.
A ocasião foi a reunião décima sétima dos dias três de setembro de 1987, uma reunião diferente das outras dado que a participação dos constituintes foi muito maior do que nas precedentes reuniões, como notou José Francisco da Silva no início da defesa da emenda da CONTAG (Sistematização I p. 504). A emenda PE-052 da CONTAG era a proposta unificada de três emendas, a da CONTAG e aquelas da CPT e do MTRST, que foram defendidas conjuntamente porque, nas declarações dos representantes, não havia divisão nenhuma no programa dos grupos.
Os pontos apresentados foram substantivamente os mesmos expostos na subcomissão, mas articulados mais claramente entorno de quatro princípios que deveriam servir como guia da reforma:
1.Vínculo da propriedade rural a sua função social e necessidade da intervenção pública e estatal para corrigir as situações de desrespeito através da desapropriação;
2.Indenização em títulos da dívida agrária e determinação do preço na base das declarações fiscais;
3.Importância da imissão automática da posse para não tornar a reforma um processo paralisado na cortes dos tribunais;
4.Determinação de um limite máximo de propriedade pela definição de latifúndio.
Terminado o tempo da defesa pegaram a palavra o líder do PMDB Mário Covas e o constituinte Cardoso Alves.
Covas sublinhou a importância da definição da função social e a sua ligação estrita com a produtividade da terra: esta última seria perfeitamente incluída na definição de função social, que prevê o aproveitamento racional da propriedade, mas não é suficiente como critério de proteção.
Por outro lado, o líder do PMDB moderou o pedido pela imissão automática defendendo o dispositivo do rito judiciário abreviado para contestar a legitimidade da ação de desapropriação para os fins da reforma. Essa proposta representava uma mediação entre as posições da imissão automática e da plena defesa judiciária e diferenciava fortemente a
posição do PMDB com aquelas dos grupos e dos partidos mais de esquerda (ibi p. 506).
Em resposta, Cardoso Alves, PMDB, retomou também o argumento da necessidade de explicitar com um dispositivo separado a exclusão da propriedade produtiva para garantir a tranquilidade necessária a continuidade da produção agropecuária. Sempre para garantir a produtividade o constituinte do PMDB falou também do efeito negativo que teria o dispositivo da imissão automática, mas não falou claramente contra o rito sumário, fato que de certa forma revela que sobre essa questão os grupos tinham convergido para uma solução consensual (ibidem).
Sucessivamente foi a vez da emenda PE-098 que foi apresentada pelo Sr. Flávio Teles Menezes da OCB. A emenda do grupo das cooperativas brasileiras defendia uma série de dispositivos de tipo mais geral, mas permitiu uma argumentação particularmente interessante na ótica dos resultados finais e dos anos após da promulgação da constituição.
1.A OCB encontrava um ponto de acordo na defesa da pequena propriedade rural, ressaltando a necessidade do treinamento profissional e do uso dos modernos sistemas de produção. 2.No segundo ponto apelava-se a concretude do projeto de reforma, que não podia ser de tipo
revolucionário e que devia respeitar a determinação do valor da terra feita pelo mercado e proteger a propriedade produtiva
3.O argumento mais importante foi o de mostrar como a condição dos trabalhadores rurais fosse um problema solucionável com instrumentos diferentes da reforma, como a assistência social.
4.Exclusão da imposição de um limite máximo a propriedade, dado que isto limitaria a capacidade de agregação do sistema cooperativo.
Tais argumentações encontraram muito consenso e resultaram vencedores no texto final da reforma na constituição.
Sucessivamente, retomaram a palavra os representantes da CPT e do MTRST defendendo a importância da obrigação social da propriedade da terra e dos efeitos positivos pela economia que a reforma agrária comportaria. O esquema do discurso foi linear: a reforma permitiria o assentamento dos trabalhadores pobres dos campos e das favelas das grandes cidades. Isto levaria para uma solução dos problemas da criminalidade e da pobreza urbana e garantiria uma maior paz social no campo. Conseqüentemente a população da faixa de renda
menor teria possibilidade de consumo maior, a demanda interna subiria estimulando a produção industrial para o mercado brasileiro e a economia nacional teria benefício.
A orientação mais econômica dos argumentos nos sugere que também os grupos de inspiração social perceberam a pressão sobre as consequências econômicas que a reforma levava consigo. Naquele momento dos trabalhos era acesa na opinião pública a idéia que as propostas mais radicais fossem utópicas e não praticáveis naquele contexto de crise e que portanto os pedidos da esquerda mais radical sobre a reforma fossem somente uma bandeira ideológica.
A sessão dos representantes civis terminou tranquilamente como acontecido precedentemente e a última fase das reuniões antes das votações foi marcada por duas questões, a UDR e as regras de votação.
Falando da UDR, nas últimas semanas de setembro a União Democrática Rural foi mencionada por alguns constituintes. O primeiro foi Vicente Bogo, do PMDB, conhecido como representante da CONTAG na ANC e que defendia a limitação da propriedade em 100 módulos agrários contra as declarações feitas nas mídias pelo presidente da UDR Ronaldo Caiado que teria falado de 100 hectares (ibi p. 663). Sucessivamente tomou a palavra a Sra. constituinte Abigail Feitosa, PMDB, (ibi p. 697) que declarava:
“O Sr. Ronaldo Caiado, da UDR, já vem ameaçando que invadirá o plenário com milhares de pessoas, para protestar contra a reforma agrária, contra a imissão na posse. Os pequenos proprietários estão com medo da reforma agrária. Esse é o poder que tem os meios de comunicação. O dinheiro está nas mãos deles e os mal informados não entendem, não sabem que eles é que se beneficiarão com a reforma. Como o poder dos grandes grupos de comunicação – televisão, rádio e jornais – está nas mãos dos grandes empresários, eles passam a mensagem errada.”
A constituinte denunciava a pressão exercida pela imprensa que era financiada pelos proprietários rurais e a ação de comunicação pública feita pela UDR para convencer também os médios e pequenos proprietários rurais que a radicalização socialista que estava ocorrendo na comissão de sistematização ameaçava todos os proprietários indistintamente (Jornal da Tarde 17/09/1987: Terra UDR: protesto nacional por mudanças na Constituinte, anexo K). A posição mais agressiva já estava clara desde a marcha de 11 de julho (Correio Brasiliense 10/07/1987 p. 7; O Globo 11/07/1987 p.3, anexo L), e com a aproximação das votações em setembro e outubro de 1987 os constituintes mencionaram mais frequentemente a UDR,
denunciando também as pressões sobre os constituintes do “baixo clero” por razões econômicas: os grupos ruralista e a UDR prometiam apoio financeiro pelas futuras campanhas eleitorais para quem defendesse os interesses dos ruralistas (Jornal de Brasília, Brasília, nº 4513, p. 5, 09/09/ de 1987, anexo M)
O outro argumento que foi levantado no final dos debates foi o da certeza do procedimento de votação e da necessidade de proteger a decisão dos constituintes sobre um assunto que causava tantas divisões (ibi Cristina Tavares p. 710), todavia como já acenado, os espaços de manobra nas votações da sistematização eram reduzidos e dominavam os acordos entre as lideranças e os grupos intra-partidários.
Em conclusão, os debates na sistematização não foram caracterizados por polarizações particulares, mas também foram acompanhados por intensas reuniões paralelas. As portas abertas não causaram tumultos ou confrontações verbais, mas as posições ideológicas também não mudaram significativamente e as soluções de acordo foram propostas pelos líderes de partido ou os representantes dos grupos paralelos, que como veremos dirigiram as votações.