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12 HAYVANLI TÜRK TAKVİMİ VE KEHANET

Belgede I. CİLT / VOLUME I / TOM I (sayfa 131-149)

O crescimento econômico, só por si, revela-se insuficiente para reduzir desigualdades, conforme já se asseverou. As consequências sociais da

globalização, portanto, não podem produzir retrocessos, notadamente no campo do trabalho.

Como reação às condições injustas, indignas e degradantes de muitos trabalhadores em todo o mundo, a Organização Internacional do Trabalho (OIT), agência multilateral ligada à Organização das Nações Unidas (ONU) especializada nas questões do trabalho, a partir do processo de reformulação de suas políticas estratégicas iniciado em 1987, apresenta a Declaração sobre os Princípios e Direitos Fundamentais no Trabalho, de 1998. Seguidamente, durante a Conferência Internacional do Trabalho realizada em 1999, externa a ideia e as dimensões do denominado trabalho decente.

Neste ponto do estudo, é relevante se lançarem as peculiares características da OIT e os diferentes aspectos que abrangem sua legitimidade para definir os padrões de direitos trabalhistas no plano internacional.

A criação da OIT foi aprovada ao ensejo da Conferência da Paz de 1919, no âmbito do Tratado de Versalhes86, o qual estabeleceu as bases para o desenvolvimento das relações internacionais após o advento da Primeira Guerra Mundial.

A tese da internacionalização do Direito do Trabalho, no entanto, é anterior ao enunciado período. A ideia de se criarem normas internacionais de combate à exploração do trabalhador antecede a criação da OIT, relacionando-se com a preocupação humana com a manutenção de padrões civilizatórios mínimos em todas as nações.

As normas protetivas do trabalho passaram a exibir tendências consistentes no sentido da internacionalização, notadamente, com a influência gerada pelo

Manifesto Socialista de Marx e Engels de 1848 ("Trabalhadores do mundo, uni-vos, vós não tendes nada a perder a não ser vossos grilhões.") Também os movimentos sindicais do final do século XIX contribuíram para tal tendência, por meio da repercussão que ensejavam e por seus panfletos a estamparem o ideário socialista.

A internacionalização das normas de proteção ao trabalho teve clara influência da Encíclica Rerum Novarum, de 1891, criada pelo Papa Leão VIII, um marco para a proteção do trabalhador.

Com a expansão do sindicalismo e da difusão de ideais universalistas de afirmação da classe operária, inclusive por meio de congressos transnacionais (Congresso Socialista de Paris de 1889), a tese da internacionalização do trabalho se fortaleceu, culminando com a criação da OIT (1919), cuja finalidade é a de estabelecer normas internacionais de proteção do trabalhador, garantindo padrões civilizatórios que combatam a desigualdade, miséria, e exploração da força do trabalho, preservando, com finalidade maior, a paz entre os homens.

Conforme assevera Adalberto Martins87, “observa-se, pois, que a OIT é o principal fator de internacionalização do Direito do Trabalho”.

Em 1944, foi aprovada a Declaração de Filadélfia, com os novos objetivos e fundamentos da OIT, a saber:

• o trabalho não é uma mercadoria;

• a liberdade de expressão e de associação é uma condição indispensável para um progresso constante;

• a pobreza, onde quer que exista, constitui um perigo para a prosperidade de todos;

• a luta contra a necessidade deve ser conduzida com uma energia

87 MARTINS, Adalberto. Manual didático de Direito do Trabalho. 3.ª ed. São Paulo: Malheiros,

inesgotável todas as nações e por meio de um esforço internacional contínuo e organizado pelo qual os representantes dos trabalhadores e dos empregadores, colaborando em pé de igualdade com os Governos, participem em discussões livres e em decisões de caráter democrático tendo em vista promover o bem comum.

Após a Segunda Guerra Mundial, com a criação da ONU, a OIT foi reconhecida como organismo especializado em relações de trabalho no âmbito internacional, competente para empreender a ação e instrumentos na consecução de seus objetivos. O processo de internacionalização dos Direitos Humanos, em tal período, como reação às atrocidades praticadas durante a Segunda Grande Guerra, percebe diferenciado relevo e impulso consistente.

A OIT é a organização internacional competente para estabelecer normas internacionais trabalhistas. Diante da adesão da grande maioria dos países do mundo, goza de apoio e reconhecimento universais na promoção dos direitos fundamentais no trabalho como expressão de seus princípios constitucionais.

A formulação de normas internacionais trabalhistas, como função precípua da OIT, ocorre por meio de instrumentos como convenções, recomendações e resoluções. Também atua por meio de procedimentos de ratificação, revisões e denúncias.

O sistema de normas internacionais formulado na OIT manifesta-se, mormente, sob o formato de convenções88, as quais correspondem a tratados internacionais sujeitos a ratificação dos países membros, estando abertas à adesão, e por meio das recomendações, que se constituem em instrumentos facultativos, os

88 Nas hipóteses de ratificação de uma convenção por um país, são assumidas duas principais

obrigações: o engajamento formal na aplicação de suas disposições e a aceitação de um controle internacional.

quais versam a respeito dos temas abordados nas convenções, mas restringem-se a oferecer orientações para a política e as ações nacionais.

Entre as características da OIT, encontra-se sua composição tripartite. O tripartismo corresponde à composição dos principais órgãos da OIT, os quais, ao deliberarem sobre as normas internacionais de proteção do trabalho, contam com representantes de governos, de associações sindicais de trabalhadores e de organizações de empresários. Tal representa, efetivamente, o engajamento de todas as partes que participam diretamente das relações de trabalho.

A proteção da dignidade humana do trabalhador, ao longo de seus 90 anos de existência, sempre foi o objetivo primeiro e a razão fundamental das ações valiosas desenvolvidas pela OIT.

A legitimidade da OIT para definir os padrões de direitos trabalhistas no plano internacional está escorada, portanto, de modo firme e consistente, no processo histórico que demarca sua evolução constitutiva e a progressiva defesa dos direitos laborais por meio de sua ação e instrumentos preconizados, conjugado com as notáveis especificidades de sua estrutura decisória tripartite.

Qualquer modelo econômico que leve a condições desumanas de trabalho, à desconsideração do trabalhador como ser humano dotado de dignidade como valor principal, não pode sustentar-se isoladamente.

3.4 O processo permanente de construção dos direitos

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