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ABSTRACT Aesthetic Life

Belgede I. CİLT / VOLUME I / TOM I (sayfa 123-131)

desumanização

Ao longo dos séculos XX e XXI, a emergência da economia global e da doutrina neoliberal, despertou, a um só tempo, temores e entusiasmos. Novos produtos, tecnologias, espaços para criação de riqueza, resultantes do fenômeno de globalização e do aperfeiçoamento dos mercados, pareciam evidenciar significativa esperança de mudança em direção aos ideais de igualdade na distribuição de recursos e equidade social.

As profundas transformações nas relações humanas, com notáveis impactos na ordem econômica e na ordem social, no entanto, não se traduziram nos avanços esperados, especialmente em relação aos países em desenvolvimento.

Conforme destaca Daniel Sarmento75:

“As idéias econômicas neoliberais tornaram-se hegemônicas na comunidade financeira internacional, inspirando o chamado Consenso de Washington – receituário proposto pela Secretaria do Tesouro dos EUA, Banco Mundial, FMI, e principais instituições bancárias do G7, para a estabilização das economias dos países emergentes, cujas propostas básicas são abertura dos mercados internos, estrita disciplina fiscal com corte de gastos sociais, privatizações, desregulamentação do mercado, reforma tributária e flexibilização das relações de trabalho. Como afirmou Noam Chomsky, um dos maiores críticos desse modelo, “(...) os grandes arquitetos do Consenso (neoliberal) de Washington são os senhores

75 SARMENTO, Daniel. Direitos Fundamentais e Relações Privadas. 2.ª ed. Rio de Janeiro: Lumen Juris, 2006, p. 45/46

da economia privada, em geral empresas gigantescas que controlam a maior parte da economia internacional e têm meios de ditar a formulação de políticas e a estruturação do pensamento e da opinião” (CHOMSKY, Noam. O Lucro ou as Pessoas: Neoliberalismo

e a ordem social. Trad. Pedro Jorgensen Jr., Rio de Janeiro: Bertrand

Brasil, 2002, pág. 22).”

Os direitos sociais, que por sua natureza eminentemente prestacional, já revelam sensíveis dificuldades para a sua implementação, sofrem diminuição de importância em razão da mudança do paradigma do Estado Social para o Estado Neoliberal, a propugnar pela não-intervenção e pela desregulamentação do mercado.

A globalização demonstrou ser o agente de mudança mais visível em tal contexto. Como fator produzido pela dinâmica do capitalismo, trata-se de um processo de integração econômica, social, cultural, política, motivado pelos avanços tecnológicos observados, notadamente, nos meios de transporte, nos sistemas de informática e na comunicação dos países.

Acopladas a seu núcleo de formação, posicionaram-se a liberalização do comércio internacional, a privatização da produção, a desregulamentação dos mercados, a eliminação de barreiras aos fluxos financeiros e a flexibilidade do mercado de trabalho.

Em consequência, novas formas de produção foram concebidas e a concorrência internacional acirrou-se de modo tormentoso. Sensíveis impactos foram produzidos no campo das relações de trabalho, que se demonstrou mais suscetível aos postulados de mitigação de proteção social exigidos pelos atores econômicos em evidência.

Segundo afirma Arnaldo Sampaio de Moraes Godoy76:

“O empresário vê-se forçado a competir em condições que exigem mão-de-obra barata e manipulação de horários. Uma fúria neoliberal estaria minando conquistas laborais construídas ao longo de penosa jornada histórica.”

Consoante se denota, em nome da concorrência, da ampliação das condições de competição no mercado, da eficiência, tudo parece permitido. Limites, freios e restrições não são admitidos.

As perspectivas delineadas para a classe trabalhadora relacionam-se à flexibilização de seus direitos, enfraquecimento dos movimentos reivindicatórios e do próprio sindicalismo, além da mitigação de resistências e abandono no tocante à participação em ações coletivas e lutas sociais.

Desse modo, direitos fundamentais dos trabalhadores são questionados sem que se evidencie qualquer contrapartida equivalente no sentido da melhoria de suas condições sociais e econômicas.

Em posicionamento claro, afirma José Soares Filho77:

”Fala-se em destruição ou minimização dos direitos instituídos em prol dos trabalhadores, para propiciar às empresas mais produtividade e maior competitividade, ou seja, o favorecimento do capital em detrimento do trabalho.”

76 GODOY, Arnaldo Sampaio de Moraes. Direito do Trabalho e Globalização. Disponível em

http://jus2.uol.com.br/doutrina/texto.asp?id=6042#sdfootnote24sym#sdfootnote24sym. Acesso em 21.10.2008.

77 FILHO, José Soares. A Crise do Direito do Trabalho em Face da Globalização, artigo in Revista

A realidade que se apresenta revela que os benefícios advindos da nova economia global não atingiram os indivíduos de modo uniforme e justo. O particular modo como a riqueza criada é distribuída é de fundamental importância para determinar a construção de uma sociedade justa.

A realidade, efetivamente, demonstrou que os benefícios advindos do fenômeno mencionado cingiram-se a poucos privilegiados. Demais, não atingiu o mundo de modo uniforme e justo.

As consequências sociais da globalização, fora de dúvida, demandavam a afirmação de posicionamentos e ações efetivas, capazes de conter retrocessos. Enunciado panorama ressaltou a necessidade, no universo laboral, do estabelecimento de padrões universais de proteção do trabalho, a serem seguidos e observados por todas as nações do mundo.

3.1.1 O enfrentamento do dumping social

No contexto da crescente e inexpugnável globalização da economia, ganha relevo a temática do denominado dumping social. Para Ari Possidonio Beltran78, o fenômeno se caracteriza pela

“grave violação de direitos sociais, em especial pelo pagamento de baixíssimos salários por parte de alguns Estados como arma de redução de custos e conseqüente aumento da competitividade no mercado integrado.”

78

BELTRAN, Ari Possidonio. Os Impactos da Integração Econômica no Direito do Trabalho. Globalização e Direitos Sociais. São Paulo: LTr, 1998, p.87.

Maria Margareth Garcia Vieira79 considera que:

“este dumping laboral é utilizado como forma de baixar o custo do valor-trabalho, diminuindo o valor do produto final e levando, assim, à concorrência desleal no comércio destes países com os países desenvolvidos, pois, muitas vezes, o principal componente do custo de produção é o salário.”

Enunciada prática tem sido denunciada por governos de países com padrões trabalhistas mais avançados com o objetivo de resguardar seus mercados internos. De modo contundente, o dumping social evidencia as disparidades e os desequilíbrios gerados pela globalização econômica que não valoriza, como preceito ético, padrões internacionais de direitos fundamentais no trabalho.

Para Luiz Carlos Amorim Robortella80, há, ao menos, três modos de manifestação do dumping social, a saber:

• empresas se transferem para outro país em busca de custo inferior de mão-de-obra e vantagens tributárias;

• estabelecimento interno de salários reduzidos em comparação com outros países com o objetivo de atrair corporações estrangeiras; e

• o trabalhador, buscando maiores salários e proteções trabalhistas mais amplas, transfere-se para outro Estado, determinando o agravamento da situação econômico-social.

Ao se utilizarem de mão-de-obra infantil, jornadas extenuantes de trabalho, enfim, condições indignas negligenciadas por governos de países menos desenvolvidos, conquistam-se, de modo espúrio e afrontoso à dignidade humana,

79

VIEIRA, Maria Margareth Garcia. A Globalização e as Relações de Trabalho. Curitiba: Juruá, 2000, p. 42

80

ROBORTELLA, Luiz Carlos Amorim. As relações de trabalho no Mercosul. Revista LTr, 57(11), Nov.1993, p. 1315.

vantagens competitivas, da qual se beneficiam empresas que atuam no contexto transnacional. Exemplar, em mencionado sentido, o caso Nike, tratado no quadro contido no apêndice do presente trabalho, o qual provocou poderosa reação da sociedade civil, a exigir, da influente corporação multinacional, postura condizente com as diretrizes da responsabilidade social empresarial.

A conjuntura exposta aclara a imprescindível e premente necessidade da afirmação de direitos fundamentais no trabalho que sejam observados por todos os países, por todas as empresas. A concretização dos mesmos é de basilar importância para a valorização da dignidade do trabalhador.

3.2 O estabelecimento de standards internacionais de

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