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3.1 Hayat Memnuniyetinin Kavramsal Çerçevesi

3.1.1 Hayat Memnuniyetinin Tanımı

Dentro do conceito de Organizações de Aprendizagem apresentado por Peter Senge, deve-se destacar a disciplina Raciocínio Sistêmico, a chamada quinta disciplina, que tem por função dar unidade ao conjunto de disciplinas. É por isso que o raciocínio sistêmico é a quinta disciplina, pois é a disciplina que integra as outras quatro, fundindo-se num conjunto coerente de teoria e prática, evitando que elas sejam

vistas isoladamente como simples macetes ou o último modismo para efetuar mudanças na organização. Reforçando cada uma delas, o raciocínio sistêmico está sempre nos mostrando que o todo pode ser maior que a soma das suas partes (SENGE, 1990).

Para a compreensão de um sistema é importante entender uma de suas características, denominada complexidade dinâmica.

Um sistema é composto por ações e efeitos que ocorrem no espaço e no tempo. Pois bem, quando determinadas ações provocam diferentes efeitos no espaço e no tempo, ou seja, os resultados de uma ação aparecem em locais diferentes e em momentos posteriores à própria ação que os gerou, diz-se que o sistema apresenta complexidade de dinâmica. Conforme enfatiza Senge, na busca de uma visão sistêmica, maior atenção deve ser dada a essa complexidade e não (como em muitos casos), à complexidade de detalhes. Ater-se à complexidade de detalhes, ignorando a complexidade de dinâmica, advém do hábito da observação dos problemas, priorizando uma visão da multiplicidade de conseqüências em detrimento da avaliação da interdependência entre vários eventos. Esse tipo de abordagem consome grandes quantidades de recursos técnicos ou intelectuais e não produz resultados significativos.

Ilustrando com um exemplo extremo, de máxima atenção à complexidade de detalhes e mínima atenção à complexidade de dinâmica – que, no entanto, não deixa de oferecer uma analogia aos comportamentos “normais” – pode-se imaginar um grupo de cientistas estudando a difusão de determinado gás e fazendo-o a partir do acompanhamento da trajetória de cada átomo desse gás. Claro que o trabalho seria enorme, dada a imensa quantidade de átomos e os resultados seriam confusos, pois o comportamento individual de um átomo não é igual ao comportamento geral do gás.

Para compreender sistemas com complexidade de dinâmica é preciso abandonar a visão de “cadeias causa-efeito” e passar a ver “inter-relações”. Explicando de uma forma melhor:

Cadeias Causa-Efeito: No relacionamento de eventos, feito desta forma,

só se enxerga o efeito “principal” ou o efeito necessário para a ocorrência de um evento desejado. Aborda-se o problema como se uma ação gerasse apenas um efeito. O resultado é um raciocínio linear e limitado. Enxergar inter-relações significa enxergar todos os efeitos causados por uma ação dentro do sistema. Dessa forma, evita-se que um efeito não seja enxergado numa abordagem causa-efeito.

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Mesmo quando nos colocamos como meros observadores de um sistema, tentando compreendê-lo (raciocínio passivo) ainda assim percebemos que muitos sistemas, embora possuam inter-relações, também possuem, inegavelmente, uma cadeia causa-efeito, que pode ser chamada de principal. Ou seja, mesmo considerando-se que há mais de um efeito causado por uma ação, há quase sempre um que ocorre com mais intensidade ou mais rapidamente, o que não significa que seja o efeito final líquido.

Utilizar a denominação cadeia principal também é útil quando se deseja interferir no sistema por meio de uma ação (raciocínio ativo). Nesse caso, a cadeia principal seria a série de eventos que se deseja que ocorram. Em nenhum dos casos, porém, estão sendo ignorados os demais efeitos de uma ação (chamados agora de secundários).

Outra questão a ser esclarecida é quanto à delimitação da dimensão do sistema dentro do qual é feito o raciocínio. Evidentemente que quanto mais amplo o sistema considerado, mais inter-relações são percebidas e menores são as chances de haver surpresas, resultantes de efeitos de feedback não previstos no sistema considerado. No entanto, não se deve tomar o sistema tão grande a ponto de comprometer a factibilidade do raciocínio. Utilizando um exemplo simples: quando se pensa no processo “respiração” numa sala onde trabalham muitas pessoas, seria interessante considerar toda a sala e todas as pessoas como um sistema (e não cada pessoa individualmente). Pensando que “a sala tem que respirar” chega-se à conclusão de que “a sala precisa de algum sistema de circulação de ar (janelas, ventiladores, ar condicionado)” e resolve-se o problema dentro do sistema considerado. É claro que, nesse caso, a cidade ou o planeta não foram considerados como um sistema; porém a dimensão do problema não pedia uma amplitude tão grande para o sistema.

O primeiro passo, portanto, é a delimitação do sistema a ser considerado. Em seguida determinam-se a cadeia principal e as possíveis cadeias secundárias, que gerem feedback’s. O terceiro passo consiste em dar um tratamento formal aos eventos inter-relacionados, de forma a facilitar a compreensão de seu funcionamento.

Essa formalização é feita por meio da construção de diagramas que representam visualmente os ciclos de causa-efeito/efeito-feedback. Os elementos básicos desses diagramas são, portanto: “feedback de reforço”; “feedback de balanceamento” e “tempo de espera”. (Figura 2.2).

Com os elementos básicos podem-se representar várias situações que apresentam complexidade dinâmica. De acordo com a situação a ser representada, os elementos são combinados de forma diferentes. No entanto, é possível perceber conjuntos de situações que seguem o mesmo padrão de comportamento e são representadas pela mesma combinação de elementos. Essas situações-padrão são denominadas arquétipos.

Tornam-se convenientes, neste momento, algumas observações sobre o significado da palavra arquétipo. Arquétipo, pela origem da palavra, significaria “imagem tipicamente antiga”. É, portanto, algo típico, que se repete há tempos e com certa freqüência. Como é uma imagem, tem grande capacidade de constituir-se numa

representação de uma determinada realidade.

E é justamente essa capacidade de representação que é utilizada por Senge, usando situações típicas e facilmente visualizáveis para tornar mais clara a visão de situações ou comportamentos análogos, porém, menos evidentes.

FIGURA 2-2. Ciclo de Limitação do Crescimento (adaptada de Senge, 1990).

Na Figura 2.2 está representada uma situação, chamada Ciclo de

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(R), no qual a Ação de Crescimento e a Condição influenciam-se mutuamente e de forma positiva, criando uma espiral de crescimento. Há, porém, um outro ciclo de feedback, o de balanceamento (B), no qual a condição – sob o efeito de uma Condição

Limitadora e, passado um Tempo de Espera, provoca uma Ação Retardadora, que

influencia negativamente na Condição.

Geralmente o que ocorre quando não se raciocina sistemicamente é que um dos ciclos (cadeia principal) é claramente percebido, porém os demais efeitos (cadeia secundária), são ignorados. Colabora para que alguns ciclos componentes do sistema permaneçam incógnitos o fato destes possuírem o “tempo de espera”. Mais do que uma defasagem de tempo entre um evento e outro, este elemento indica uma influência que se acumula ao longo do tempo.