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1.6 İş-Aile Çatışmaları ile İlgili Teoriler

1.6.5 ABC-X Teorisi

Contratado em 1969 para retomar e dar continuidade ao processo de planejamento de Goiânia, Wilheim se deparou com uma cidade imersa num caos físico e social, graças à aprovação indiscriminada, nos anos anteriores, de inúmeros loteamentos particulares e sem infra-estrutura adequada. Com um crescimento em torno de 10% ao ano, essa falta de infra-estrutura não era simplesmente visível, mas sobretudo vivenciada por uma população urbana que girava em torno de 363.056 habitantes ao final da década de 60. Nesse período, as áreas verdes de Goiânia, principalmente os fundos de vale, ficaram quase totalmente invadidas (RIBEIRO, 2000; IBGE, 1992).

Em linhas gerais Jorge Wilheim, a partir do diagnóstico dos principais problemas da cidade, traçou o que seriam os objetivos do plano, tendo em vista estabelecer as opções de crescimento e expansão futura para Goiânia. Nesse sentido, foram definidos seis principais objetivos (Título I, Capítulo único, Artigo 3°), dentre os quais destacamos a “racionalização do uso do solo e

compatibilização da estrutura urbana com a população”, e, na mesma linha, o “estabelecimento de diretrizes para a expansão urbana e adensamento da população na área urbanizada, de forma a garantir equipamentos urbanos necessários” (WILHEIM, 1969).

Para o reordenamento da cidade Wilheim propõe quatro medidas fundamentais, das quais destacamos: 1. a suspensão da aprovação de loteamento de terras, até a aprovação da lei de parcelamento; 2. a proibição de construção nos fundos de vale.

Em se tratando do conjunto das áreas verdes Wilheim, afirmando sua intenção de preservar e valorizar as grandes áreas verdes no longo dos cursos d´água que atravessam a cidade, reconhecidas pelo autor como sua característica marcante, propõe uma “estrutura verde linear Norte - Sul”, devidamente servida pelo sistema viário. Assim colocadas, essas áreas lineares, como “dedos de uma mão verde estendida sobre a cidade”, se inseririam naturalmente na trama urbana, possibilitando seu acesso a partir de qualquer ponto, em 15 minutos, a pé (MOTA, 2003). Partindo desses pressupostos Wilheim propõe o “Sistema Verde” (Quadro 05; Figura 16) composto por cinco categorias segundo suas dimensões, localização e usos, sendo: 1. Áreas Lineares Ocupadas; 2. Áreas de Bairro; 3. Parques Municipais; 4. Áreas Produtivas; 5. Parque Regional.

As Áreas Lineares Ocupadas corresponderiam aos fundos de vale dos afluentes do rio Meia Ponte, situados na área urbana e utilizados para a criação do “Sistema Verde Linear” no sentido Norte-Sul. Com cerca de 70 hectares e largura mínima de 100 metros (sem incluir os cursos

d´água), esse verde linear possuiria funções produtivas, recreativas e culturais:

“Utilização dos fundos de vale da rede coletora da bacia do rio Meia-Ponte, que se situam

na área urbana, para a criação de um sistema linear, com predominância Norte-Sul e funções recreativas e culturais (Wilheim, 1969:264).

...

A largura mínima do verde linear seria de cem metros sem incluir o córrego. Essa dimensão poderá ser situada simetricamente com relação ao córrego ou não, conforme o sistema viário e as conveniências de uso local e outras considerações” (WILHEIM,

1969:264).

Buscando na configuração físico-espacial respostas para os problemas de ordem econômico- social diagnosticados Wilheim estabelece, para as regiões de fundos de vale, diretrizes de uso e ocupação que reforçam essas áreas como elementos estruturadores do sistema de espaços livres e verdes da cidade, que deveriam receber equipamentos públicos culturais e recreativos (teatros, auditórios, centros comunitários etc.), e também sociais, educacionais e de saúde pública. Assim, nessas áreas estariam implantadas infra-estruturas destinadas ao lazer das diferentes classes sociais e etárias, conforme diagnóstico do quadro social de Goiânia, que procurou caracterizar os diferentes grupos e identificar suas demandas relacionadas às atividades de lazer buscando legitimar, principalmente, segundo RIBEIRO (2000), sua proposta de ocupação dos fundos de vale com equipamentos culturais e recreativos de caráter público, e a canalização dos leitos pluviais para a implantação desses equipamentos:

“(…) revela claramente que a prática de esportes no âmbito dessa classe (a classe C)

aumentaria se existissem mais equipamentos de fácil acesso… As possibilidades oferecidas pela ‘Indústria da Diversão’, no entanto, como todo o resto, não estão ao alcance financeiro das classes C e D … Somente o investimento do poder público, orientado por critérios de sobriedade, realismo e visão de conjunto, poderia melhorar as condições gerais de vida da grande maioria da população” (WILHEIM, 1969:265, 266 e

267). ...

Esse verde linear poderá receber um tipo de ocupação mista, que reúna equipamentos educacionais, culturais, assistenciais, recreativos e produtivos, assim como hospitais e centros de saúde (WILHEIM, 1969:265).

Em resumo, propõe-se a criação de centros comunitários (Educacionais, Culturais e Recreativos) síntese de atividades complementares. Síntese ao nível físico, permitindo

um agrupamento recomendável depois de experiências no país; síntese facilitando uma projetação plurivalente das instalações e equipamentos para uso amplo e aberto independentemente de idades e níveis sócio-econômicos e culturais; centralização pedagógica; motivação de novas formas de vida social urbana; disponibilidade para o ‘tempo livre’ em função da autoqualificação dos indivíduos” (WILHEIM, 1969:268).

Ao lado das infra-estruturas destinadas às atividades recreativas, culturais, educacionais e de saúde, estariam também localizados nos fundos de vale da cidade “bosques-viveiros” destinados à produção de mudas para a arborização da cidade:

“Propõe também a criação, no verde linear, de viveiros da Prefeitura Municipal (…) totalizando setenta hectares, permitindo o plantio de quinze a vinte mil mudas de árvores e outras plantas ornamentais de fácil trato (…) correspondendo (…) às necessidades de arborização da cidade a curto prazo” (WILHEIM, 1969:268).

As mudas produzidas poderiam ser ainda vendidas para outras prefeituras e para particulares visando custear os viveiros implantados e inclusive as desapropriações de terrenos que se fizessem necessárias:

“Exigindo-se mão-de-obra diminuta e disponibilidades financeiras relativamente modestas, este investimento poderá tornar-se altamente rendoso. Bastaria a venda a outras prefeituras e a particulares de uma pequena parte da produção para custear todo o viveiro e talvez até a desapropriação dos terrenos” (WILHEIM, 1969:268).

Os viveiros por sua vez desbastados pela retirada de mudas destinadas à venda e arborização urbana seriam transformados em bosques para o usufruto da população e para suprir, ao lado de outras áreas e outras equipamentos urbanos, determinadas carências sócioculturais identificadas na cidade.

“Estes plantios, com o tempo, aumentando o porte das árvores e o espaçamento,

mediante a retirada alternada de árvores, poderão oferecer áreas otimamente climatizadas para piqueniques e repouso” (WILHEIM, 1969:268).

As Áreas de Bairro constituiriam áreas livres equipadas para atender a escala do bairro. Para esse fim deveria ser estudada a possibilidade de aproveitamento de todas as áreas públicas urbanas (particularmente aquelas inseridas no interior das quadras do Setor Sul), de acordo com suas dimensões e necessidades dos bairros onde se localizavam.

Os Parque Municipais, também localizados nos fundos de vale, com dimensões além da zona de preservação (100 metros excluindo-se o curso d´água), possuiriam o mínimo de instalações e equipamentos necessários às atividades de lazer e cultura para as quais estavam destinados, mantendo, pois, a predominância da paisagem natural:

“Propõe-se a criação de parques municipais localizados em fundos de vale. Nos parques

prevalecerá a paisagem natural, com arborização intensiva e amplos gramados. Isto não exclui a presença de um mínimo de construções e equipamentos necessários, como bancos, sanitários, estacionamento, zoológico, restaurantes, instalações para espetáculos e piqueniques etc” (WILHEIM, 1969:270).

Com o raio de atendimento em escala municipal, o índice de Parques Municipais por habitante em

Goiânia estaria em torno de 2m2/hab.

As Áreas Produtivas (mini-hortas) constituiriam pequenas propriedades localizadas ao norte e ao leste da cidade, no vale do ribeirão Anicuns (“excelente para produção agrícola”), destinadas à produção horti-granjeira e a servir como barreiras (“tampões físicos”) para a expansão indesejada nessas áreas, evitando a conurbação com os municípios vizinhos. Ainda, segundo o autor, essas áreas deveriam, posteriormente, ocupar outros pontos estratégicos nas áreas de expansão urbana, em função do desenvolvimento desejável da cidade. Dimensionadas a partir de estudos mais detalhados essas áreas, além de “tampão físico” e produção de hortaliças, serviriam ainda para a produção de mudas de reflorestamento.

O Parque Regional, com aproximadamente 100 (cem) ha, seria localizado entre a Vila Água Branca e Jardim da Luz, em áreas drenadas pelo córr. Gameleira e que englobariam as nascentes do córr. Botafogo. Neste parque poderia ser instalada uma feira agropecuária.

Figura 16: Fundos de vale e vegetação remanescente estudados por Wilheim visando a escolha das áreas que constituiriam o Sistema Verde - Áreas Lineares Ocupadas, Verde Produtivo Parques Municipais e Parque Regional. Fonte: MOTA, 2003.

Quadro 05: Áreas verdes propostas por Jorge Wilheim, em 1969, para Goiânia.

Área livre/verde

proposta Localização Funções Índice por habitante

Áreas Lineares

Ocupadas Fundos de vale dos córregos, ribeirões e rios da cidade. recreação, lazer, prática de esportes, higienista, estética,

produtiva e de preservação ambiental.

2m2/hab

Áreas de Bairro Terrenos públicos urbanos, com

ênfase nas áreas públicas do Setor Sul.

recreação, lazer, prática de

esportes, higienista e estética. ___

Parques

Municipais Fundos de vale (além dos 100 metros excluindo-se o cursos

d´água) dos córregos, ribeirões e rios da cidade.

recreação, lazer, prática de esportes, higienista, estética e de

preservação ambiental. 2m2/hab

Áreas Produtivas

(Mini-hortas) Fundo de Vale do ribeirão Anicuns produtica e de “tampão físico” ___

Parque Regional Entre a BR-153 e o córr.

Gameleira, englobando a nascente do córr. Botafogo.

recreação, lazer, prática de esportes, estética e de preservação

ambiental. ___

Fonte: Jorge Wilheim, 1969; Org.: Mota, L.C. (2003).

Importante salientar que a proposta de canalização dos córregos em Goiânia foi a medida encontrada por Wilheim para solucionar o problema da transmissão de doenças de veiculação hídrica, principalmente verminoses, que na época afetavam cerca de 80% da população. Assim Wilheim descreve a situação:

“Atualmente, os córregos contaminados pelo esgoto são geradores de doenças,

contribuindo para agravar uma situação já desastrosa (cerca de 80% da população é afetada pela verminose). A erradicação do caramujo, a regularização, a canalização a descoberto, o saneamento são medidas prioritárias e indispensáveis, portanto, não só do ponto de vista do uso paisagístico dos fundos de vales dos córregos, como do ponto de vista sanitário” (WILHEIM, 1969:246).

“Logo que seja aprovado este Plano, deve-se elaborar os projetos básicos de execução

para a retificação, dragagem e canalização definitivas dos córregos Botafogo, Capim Puba e Cascavel, tendo especial consideração com o destino dos fundos de vales, como áreas verdes e retificação do ribeirão Anicuns, do rio Meia-Ponte e da represa Jaó”

(WILHEIM, 1969:306).

Conforme observa RIBEIRO (2000), essa proposta de retificação, dragagem e canalização dos córregos via de regra adotada por Wilheim para solucionar os problemas relacionados aos fundos de vele naquela época, caso implementada resultaria numa solução técnica de alto custo e baixa eficácia, contribuindo para baixar a qualidade de vida da população, devido à situação físico- geográfica da cidade, principalmente a extensão e volume da sua rede hidrográfica e sua importância para o equilíbrio hidrológico, biológico, climático e de áreas verdes da cidade.