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Hatemi Dönemi Güvenlik İlişkileri

BÖLÜM 2: AHMEDİNEJAD ÖNCESİ DÖNEMDE TÜRKİYE-İRAN

2.3. Hatemi Dönemi Türkiye-İran İlişkileri

2.3.2. Hatemi Dönemi Güvenlik İlişkileri

A partir da criação da Escola Normal em 1835, a música tinha papel relevante como uma de suas disciplinas, apresentando - se, na prática, principalmente por meio do canto conjunto.

Mas, raras são as pesquisas e estudos sobre a questão do ensino e da aprendizagem de música em nossas escolas. De forma especial Fucks tem pesquisado e estudado a música na Escola Normal Pública do Rio de Janeiro, o que nos traz importantes contribuições.

Eleger a Escola Normal como objeto de nosso estudo tornou possível, pela sua especificidade, entender as características das instituições escolares públicas em geral. Portanto, sempre que mencionarmos a Escola Normal, estaremos, em verdade, nos referindo à escola pública como um todo. (FUCKS, 1992, p.43)

Esta afirmação nos leva a refletir sobre contribuições de Fucks, para que possamos desvendar aspectos da memória e do contemporâneo da música na escola brasileira. Num diálogo do passado com o presente a pesquisadora nos coloca a “função disciplinadora que a música executa na escola” (FUCKS, 1993, p.140) O que coloca a necessidade de se entender, também, nesta relação música - escola - currículo, as articulações da música na Escola Normal com o contexto sócio cultural. E, paralelamente ao fato de o canto estar presente nesta escola (muitas vezes não importando sua qualidade, relacionado ao aprendizado de “musiquinhas de comando” e associando - se ao disciplinar de comportamentos), poucas exigências se fazem quanto à qualificação do professor de música. Há uma música que, no geral, não é cuidada, é mal cantada, mas que “está afinada com o contexto social maior”, (FUCKS, 1993, p. 143 ) que seria disciplinador.

No século XIX o predomínio da música européia no Brasil se refletiu nas escolas; com a eclosão do movimento nacionalista, ela passa a ser substituída, paulatinamente, por músicas patrióticas. O canto estava sempre presente, embora sem cuidados específicos quanto a ele e também quanto ao professor que com ele trabalhava. Sobressai - se, no entanto,

...o trabalho executado por João Gomes Júnior da primeira década do século XX em São Paulo - elogiadísssimo pelo seu elevado nível de seriedade e de competência - que pode ser entendido como exceção na prática musical da escola daquela época.... (FUCKS, 1993, p. 144 )

Com a criação da Superintendência de Educação Musical e Artística (SEMA) instituição que passou a orientar o ensino de música no Brasil, por meio do projeto do “Canto Orfeônico” em conexão com a era Vargas em 1932 no Rio de Janeiro, dirigido por Villa Lobos, quando há toda uma nova orientação do ensino musical no país por meio do Canto Orfeônico4. Com este novo projeto musical que tinha como objetivo desenvolver a disciplina, o civismo e a educação artística, pretendia - se que a escola participasse cantando das datas cívicas e comemorativas, refletindo assim o autoritarismo do Governo Provisório que sucedera à deposição do governo do Presidente Washington Luiz (1930), e que teve Getúlio Vargas como chefe do novo assim chamado Governo Provisório da República. Tem-se então o início da era Vargas, na qual a escalada do autoritarismo inspirado no movimento facista europeu vai se fazer presente na 3ª Constituição Brasileira, promulgada em 1934.

4 Canto Orfeônico - nome pelo qual passou a ser chamada a disciplina que trabalhava com o ensino de música na

A nova Carta Magna aumentava o poder de intervenção do Estado em diferentes setores da organização política e social do país.

Dentre as primeiras medidas do Governo Provisório temos a criação do Ministério da Educação e Saúde Pública. Ocorreram então reformas no ensino, como as propostas pelo SEMA. Cursos de breve duração foram ministrados para preparar professores para as “funções cívicas” atribuídas também ao ensino de música nas escolas

Em resposta às reações sociais que se sucederam em movimentos organizados, o presidente Vargas anuncia a 4ª Constituição Brasileira, (1937) outorgada, elaborada pelo jurista Francisco Campos, e inspirada na constituição facista da Polônia, que valeu à nossa o apelido de “Polaca”.

Com ela teve início o Estado Novo, vigente até 1945, quando então a redemocratização do país e a restauração do regime republicano de governo ocorrem. Com o término do Estado Novo e enfraquecimento do SEMA, aos poucos o movimento do Canto Orfeônico bem como a sua natureza enquanto atividade cívica foi se extinguindo.

Os anos 60 trouxeram novas modificações, euforia desenvolvimentista, e novas condições para a criação cultural e artística de nosso país, sendo que na música popular surge a bossa- nova. Em 1960 o presidente Juscelino Kubitscheck inaugura Brasília e, no ano seguinte, transmite a presidência a Jânio Quadros. No âmbito parlamentar o início da década de 60 é marcada por amplas discussões sobre a nova Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional.

Caldeira Filho, eminente professor e crítico musical da época, em seus artigos questionava a ausência de uma filosofia de educação, refutava os novos direcionamentos e o tratamento isolado que era dado às disciplinas:

Entre nós não se tornou ainda possível estabelecer distintamente os fins da educação com base em princípios não menos claramente formulados, nem a adequação retilínea entre estes e aqueles. Por outro lado, já se verificou que o diminuto tempo diário durante o qual o educando está sob a ação da escola – desdobrada e tresdobrada – anula a eficácia dela, já de si pouco significante devido também à falta de aparelhamento. (p.705)

Novas reformas educacionais estão à vista. O Canto Orfeônico será por elas atingido. Uma vez por todas, tente-se resolver o problema perguntando com clareza: que queremos em matéria de educação? E depois formule-se a resposta com não menor clareza e objetividade. Formuladas os princípios e os fins da educação nacional poder-se-á então, mas só então, torná-los efetivos através as várias disciplinas e atividades escolares, música inclusive, mas fazendo que cada uma delas não seja compartimento estanque, não pretenda resolver exclusivamente o problema da educação, não absorva totalmente a tarefa escolar; antes, que cada uma contribua proporcionalmente, em função de um ponto de vista superior a cada uma e fecundador das possibilidades todas: e que todas (canto orfeônico ou música, inclusive) se vejam dotadas dos meios indispensáveis (sala ambiente, material, pessoal, horário, etc) para que possam ter função efetiva no processo educativo. Sem essa visão de conjunto e sem agir no plano do conjunto, é infantil modificar programas de disciplina isolada. Em que influirá no todo o pormenor? Em nada; mas, estranhamente, é assim que reformamos ou pretendemos reformar as coisas. (p.706) (CALDEIRA FILHO, 1960, n.117, p. 705-706)

Em conseqüência da Lei de Diretrizes e Bases do país, Lei N. 4.024/61, a disciplina Canto Orfeônico é extinta e passa a existir a disciplina Educação Musical.

Alguns meses antes da promulgação da LDB, o Governo João Goulart, em 21/08/61, assinou o “Decreto n. 51.215 que - Estabelece Normas para a Educação Musical nos Jardins de

Infância, Escolas Pré-Primárias, Primárias, Secundárias e Normais de todo país”. (SÃO

PAULO,1984, p.55) Procurava - se dar feição uniforme às atividades de todas as escolas. Mas, por outro lado, dificuldades eram explicitadas em relação a esta obrigatoriedade que o presente decreto trazia.

Volta a baila agora o Canto Orfeônico. Por decreto do Governo Federal, assinado à 21-8-61, foram estabelecidas normas para a educação musical nos jardins de infância, escolas pré-primárias, primárias, secundárias e normais de todo o território nacional, com o fim de dar feição uniforme às atividades em todas as escolas de todo o País. Ingenuamente (será só ingenuamente?) pretende o aludido decreto que alunos de escolas primárias participem de bandas e outros conjuntos instrumentais, tenham audições de discos, de conjuntos orquestrais, vocais e coreográficos, recitais vocais e instrumentais, concertos de música popular e folclórica e tudo isso fora do limite total das aulas semanais... [...]

[...] O decreto em apreço obriga todas as escolas do País, oficiais e particulares, sem exceção alguma. (p.421)

[...] Em resumo: sucedem-se decretos e portarias modificadores da situação em vigor. Até agora, que utilidade trouxeram? Unicamente esta: a de obrigar a subterfúgios, a autênticas "tapeações". E é nesse clima que se pretende desenvolver e processar uma educação?

Tudo isto, porém, talvez não tenha maior importância, pois não se tem dito e repetido que o professor é quem não presta, não progride, não trabalha? Ele que se arrume. (p.422) (CALDEIRA FILHO, 1961. n.131, p.421,422)

Professores com formações musicais diferenciadas assumem as aulas de música: tanto os que haviam feito o curso de Canto Orfeônico, instituído em 1942 (Curso considerado de nível médio, e que tinha como função preparar professores para dar aula da disciplina Canto

Orfeônico nas escolas.), como os egressos dos cursos superiores de música (Instrumento,

Canto,...) e ainda, na inexistência destes, os que vinham de cursos de conservatórios musicais de nível médio. A formação para o ensino de Educação Musical na maioria das vezes não existia, o que se tornou elemento dificultador no contexto escolar.

Após o Golpe de Estado de 64, com a ditadura militar no poder, suspensão das garantias constitucionais, fechamento do Congresso Nacional, e o advento da Lei 5.692/71, que modifica o ensino de 1º e 2º Graus no governo Emílio Garrastazu Médici, é feita a unificação das disciplinas que trabalhavam com arte (Desenho, Educação Musical,...) na disciplina Educação Artística, recém criada. Os professores de Educação Musical e Desenho do dia para a noite se transformam em professores de Educação Artística. Os docentes que vão concluindo agora os novos cursos de Licenciatura em Educação Artística no ensino superior, chegam aos cursos de Habilitação para o Magistério, no 2º Grau (Hoje Ensino Médio.) com uma formação polivalente, sem formação específica e/ou com formação insatisfatória em licenciaturas mal estruturadas.

Neste contexto a modalidade musical nas décadas de 80 e 90 foi aos poucos ficando ausente nas aulas de Educação Artística, o que se reflete até os dias atuais. Várias são as causas apontadas para a gradativa ausência da música na escola, que já se iniciara quando da extinção do Canto Orfeônico e chegada da Educação Musical. São dificuldades bastante citadas a inexistência de bibliografia atualizada, a ausência de produção na área de educação musical, de cursos destinados, principalmente, ao ensino de música e de propostas de ensino contemporâneas. O professor de música não quer mais o repertório já defasado e, também,

questiona a forma como o ensino de música tem se dado, procura alternativas que contemplem a relação escola - sociedade, mas, ainda não as encontra. Concomitantemente, as artes plásticas apresentam inovações e produção de conhecimento em consonância com o contemporâneo, levando grande número de professores, mesmo os que anteriormente lecionavam música, a passarem a atuar com artes plásticas. Assim, tendo se iniciado como uma rejeição ao canto orfeônico, o silêncio musical cada vez mais foi se instaurando na escola.

Ao analisar o decrescer do canto em suas aulas de música, a escola não entende como uma forma de luta dos seus professores, mas como sendo fruto da inércia destes. O discurso institucional limita - se a afirmar que, cada vez mais, os professores e alunos vêm demonstrando uma grande ausência de interesse pelo ensino musical. (FUCKS, 1993, p. 146)

Em 20 de dezembro de 1996, no Governo Fernando Henrique Cardoso, período de redemocratização do país, é promulgada a nova Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional - Lei nº 9.394/96, que traz a obrigatoriedade do ensino de Arte:

Art. 26 §2º - O ensino da arte constituirá componente curricular obrigatório, nos

diversos níveis da educação básica, de forma a promover o desenvolvimento cultural dos alunos.

A disciplina passa, então, a se denominar Arte, e pouco depois, são propostos pelo Ministério da Educação do país os Parâmetros Curriculares Nacionais de Arte / MEC, nos quais são explicitadas as quatro linguagens artísticas que a compõe: Artes Visuais, Dança, Música e Teatro, cada qual com conteúdos específicos. As propostas dos referenciais e parâmetros curriculares nacionais passaram a ser elaboradas, após muito estudo, pesquisas, consultas a Universidades e Secretarias de Educação, recebimento de Pareceres de vários profissionais envolvidos com a causa da educação nacional. Foram, então, publicados: o Referencial Curricular Nacional para a Educação Infantil (RECNEI), os Parâmetros Curriculares Nacionais de Arte (PCN-Arte) de 1ª a 4ª séries do Ensino Fundamental; os Parâmetros Curriculares Nacionais de Arte (PCN-Arte) de 5ª a 8ª séries do Ensino Fundamental; os Parâmetros Curriculares Nacionais- Ensino Médio: Linguagens, Códigos e suas Tecnologias (PCN-Ensino Médio); Parâmetros Curriculares Nacionais - Arte para a Educação de Jovens e Adultos (PCN-EJA) de 5ª a 8ª séries do Ensino Fundamental. A prolongada participação que

tive no processo de elaboração desses documentos, conforme relato na Apresentação deste trabalho, me permitiu analisar o paradoxo no qual nós vivíamos: o quanto a área de música já podia caminhar por ter estado próxima de artes plásticas e da forte liderança de Ana Mae Barbosa, que a todos propiciava congressos, simpósios, cursos,... e nos levava a avançar nos fundamentos e pressupostos da arte-educação, e o quanto era necessário reiniciar, propor, implementar o ensino de música no país. Nós precisávamos de propostas contemporâneas que dialogassem com os alunos e com as escolas que tínhamos, mas, não partiríamos do nada, pois, havia experiências da própria rede pública de São Paulo, as quais eu tinha vivenciado em diferentes tempos e espaços, que muito nos auxiliariam.

No período que se segue após a Lei nº 9.394 /2006, e a publicação pelo Ministério da Educação dos Parâmetros Curriculares Nacionais, inicio na Secretaria Municipal de Educação de Mogi das Cruzes, estado de São Paulo, o projeto “Tocando e cantando,...fazendo música com crianças”, que tem como foco a formação contínua de educadores em ensino de música. Formação contínua como meio para o aperfeiçoamento e o desenvolvimento profissional de professores polivalentes, e que passa a ser objeto desta tese de doutorado.

Em 18 de agosto de 2008 o governo Luiz Inácio Lula da Silva assina a Lei nº 11.769, que altera a Lei de diretrizes e Bases da Educação, incluindo a música como conteúdo obrigatório no ensino de Arte na Educação Básica.

LEI No - 11.769, DE 18 DE AGOSTO DE 2008

Altera a Lei no 9.394, de 20 de dezembro de 1996, Lei de Diretrizes e Bases da Educação, para dispor sobre a obrigatoriedade do ensino da música na educação básica.

O P R E S I D E N T E D A R E P Ú B L I C A

Faço saber que o Congresso Nacional decreta e eu sanciono a seguinte Lei:

Art. 1o O art. 26 da Lei no 9.394, de 20 de dezembro de 1996, passa a vigorar acrescido do seguinte § 6o:

"Art. 26. ... ... § 6o A música deverá ser conteúdo obrigatório, mas não exclusivo, do componente curricular de que trata o § 2o deste artigo." (NR)

Art. 3o Os sistemas de ensino terão 3 (três) anos letivos para se adaptarem às exigências estabelecidas nos arts. 1o e 2o desta Lei.

Art. 4o Esta Lei entra em vigor na data de sua publicação. Brasília, 18 de agosto de 2008; 187o da Independência e 120º da República.

LUIZ INÁCIO LULA DA SILVA

Fernando Haddad

(DIÁRIO OFICIAL DA UNIÃO - República Federativa do Brasil - Imprensa Oficial - Brasília - DF, terça-feira, 19 de agosto de 2008)

Vivemos então um momento propício para a necessária produção de conhecimentos sobre ensino de música, e alentador de processos de formação inicial e contínua de professores para o ensino de música.