4. BULGULAR
4.6. Hastaların Kan Biyokimyalarının Değerlendirilmesi
Uma vez determinado no tópico 5.1 o perfil mais comum dos “nômades digitais” brasileiros entrevistados, cabe identificar os principais motivos que os levaram a ingressar no “nomadismo digital”. A partir deste momento, o conteúdo das respostas será analisado mais profundamente.
Foi realizada uma investigação sobre as experiências prévias de trabalho, os estilos de vida que levavam, os valores que orientam suas escolhas de vida, a relação com o trabalho e seu significado. Além disso, foi preciso determinar se trata-se de uma fase passageira, própria da juventude, ou se essa escolha está inserida em um projeto a longo prazo.
Em seus relatos, dez entrevistados descreveram crises com o trabalho, alguns até mesmo enquanto eram apenas estagiários. A idade não parece ter tido influência nessa percepção, nem mesmo a profissão. Eles relataram problemas de relacionamento, aprisionamento, falta de sentido no trabalho. “É um problema geral de falta de respeito com o tempo do outro, com o outro” (ND3), afirmou uma entrevistada com uma visão bastante negativa das relações organizacionais.
Em primeira instância, a gente pode falar que tinha o problema da rotina de trabalho, você tem que ficar lá pelo menos oito horas, independentemente de você ter trabalho ou não. Você pode ficar seis horas de um dia sem fazer nada e na sétima hora chegar alguma coisa e você precisar virar a noite. Tem o problema de você ter um horário
restrito de almoço; tem o problema de você ter sempre que chegar naquele horário, senão as pessoas olham feio; você não pode sair cedo, senão as pessoas olham feio. Todos esses problemas inicialmente, só que, depois, eu percebi que não eram só esses. Esses também vinham com um problema de relações, porque chefe não respeita funcionário, funcionário não respeita o outro funcionário, e ninguém respeita fornecedor. Enfim, ninguém respeita ninguém em todas as relações (ND3).
Outra entrevistada (ND4) considerou sua experiência mais “radical” de trabalho os anos que passou empregada na área de marketing de uma grande empresa siderúrgica brasileira, comparando-a a uma “prisão”, e afirma que foi essa experiência que a fez querer “implodir” um estilo de vida para criar outro. Em relação à motivação dela e do marido resume:
A gente tinha dois problemas principais: um era a falta de liberdade para fazer os nossos horários, trabalhar nos momentos em que a gente está mais produtivo ou poder investir em outros projetos pessoais enquanto trabalha, porque as duas empresas onde trabalhávamos eram muito tradicionais em termos de formato de trabalho. E a outra coisa que nos incomodava muito era o conteúdo do trabalho, não era a carga, era fazer uma coisa que a gente achava que não fazia nenhuma diferença para o mundo, que não tinha nenhum propósito positivo. Era simplesmente para enriquecer o bolso de empresas em que a gente já não acreditava mais (ND4).
Esses depoimentos são semelhantes ao discurso propagado em sites sobre “nomadismo digital”, que transmitem uma sensação claustrofóbica e sem sentido em relação ao formato tradicional de trabalho. Por outro lado, seis entrevistados disseram que não havia crise, pelo contrário, que gostavam da vida que levavam e do trabalho que exerciam, ainda assim, a oportunidade de viajar pareceu atraente o suficiente para que abandonassem a vida que já era considerada boa. “A gente não tinha nenhum problema com o trabalho, de não gostar do trabalho, de não gostar do chefe, odiar o mundo corporativo... nada disso. A viagem não é fruto de uma ruptura (...) A viagem foi uma vontade pessoal” (ND6 e ND7). Eles dizem ter sido motivados pelo desafio de poder fazer algo que as outras pessoas normalmente não fazem e, já que estavam pedindo demissão, teriam resolvido fazer tudo o que sempre desejaram, mas que não tinham tempo, como cursos de gastronomia, moda e italiano. “Não é porque a gente está naquele trabalho que a gente só gosta daquele trabalho” (ND7).
Enquanto dez eram empregados, seis trabalhavam como autônomos antes de pensar ou mesmo conhecer o “nomadismo digital”, seja como donos de seus próprios negócios, seja como freelancers. Para eles, a vida de viajante surgiu posteriormente. Nesses casos, novamente, a viagem surge como um prazer, uma oportunidade de realizar sonhos. Uma
entrevistada (ND8) diz que a ideia de aproveitar a vida apenas depois da aposentadoria era da época de seus pais. Ela queria fazer diferente.
Essa mesma pessoa afirma pensa em seguir este estilo de vida e trabalho para sempre. Da mesma forma, outros oito entrevistados dizem encarar este como um projeto a longo prazo. Mesmo aqueles que pensam em ter filhos no futuro não pensam em parar de viajar por esse motivo, garantiriam a educação da criança por meio de home schooling ou de outros métodos a distância. Os demais planejam parar de viajar continuamente em determinado momento para realizarem outros projetos, para ficarem mais próximos da família, ou por causa dos filhos que gostariam de ter no futuro. Uma entrevistada declarou que o projeto continua “até enjoar” (ND10), evidenciando como principal compromisso o prazer e seus próprios desejos. Os entrevistados parecem sentirem-se livres para escolher como melhor entenderem, livres de obrigações e amarras sociais.
Seguindo essa lógica, seis entrevistados afirmam não dar valor ao status social. De fato, muitos abriram mão de carreiras, receitas mais altas, segurança e reconhecimento social e profissional em troca de experiências de vida que consideram mais ricas. Uma entrevistada (ND8) renunciou à segurança de seu trabalho como agrônoma em uma empresa pública para investir em seu negócio digital na área de comunicação. Um casal resume ao dizer que optou por “sair do mercado financeiro para morar no carro” (ND6 e ND7), encarando suas receitas como uma maneira de financiar sua liberdade e não como uma forma de acumular bens. Um entrevistado diz que seus valores orientam suas escolhas entre viver versus ter (ND9).
Esse modelo demanda um desembaraço em relação a bens de consumo e propriedades. Na condição de “nômades”, abrem mão de muitos bens de consumo visando economizar para as viagens e para viabilizar a alta mobilidade, que os impede de possuir muitos objetos. A mãe entrevistada conta que todos os objetos que ela, o marido e a filha possuem cabem em três malas e em uma caixa de brinquedos.
Contudo, o processo de desapego que o “nomadismo digital” demanda foi bastante doloroso para uma entrevistada em especial. Ela relatou ter tido muita dificuldade em modificar sua carreira, justamente quando estava em seu melhor momento. Deixar o reconhecimento profissional e o negócio de sucesso que havia montado dez anos antes para se tornar uma profissional anônima em outras cidades do mundo não foi uma escolha fácil. Observou-se que essa dificuldade foi trazida para a discussão por uma “nômade digital” de 43 anos, que não faria parte da geração Y, com valores relacionados à carreira que podem ter influenciado no processo de desapego.
Muitas vezes as pessoas olham para essa questão do nomadismo e acham que a principal dificuldade é o dinheiro, não ter o dinheiro para fazer. Claro que o dinheiro é uma coisa importante, que as pessoas têm que resolver, mas normalmente elas não se dão conta que têm outras coisas que são muito mais complicadas, especialmente este apego ao status que você tinha. Quando você parte em uma viagem dessas é um troço complicadíssimo porque todo mundo precisa de aprovação das pessoas que estão em volta, todo mundo têm uma dependência enorme disso, é natural. E quando você vai para outro lugar, acontece um fenômeno que é assim: ela estava em uma cidade onde todo mundo conhecia ela, ela é muito desejada, aí ela chega em um lugar em que ninguém conhece ela, ninguém nunca viu, ela não fala o idioma do lugar, ela não conhece a cultura do lugar... É um exercício de desprendimento muito complicado (ND11).
A distância da família e amigos é outro trade off encarado pelos “nômades digitais”. Segundo Hofstede (2003), o Brasil possui uma cultura coletivista, tornando os círculos sociais prioridades. A falta de relacionamentos sociais é apontada como um problema e possível motivo para que dez respondentes retornem frequentemente para sua cidade de origem no Brasil. A família, então, parece funcionar como segurança, mas também motivo de apego.