KUVA-Yİ SEYYARE'NİN DAGILMAS
5.1 BMM’NİN ÇERKEZ ETHEM’E YÖNELİK ASKERİ HAREKÂTLAR
5 Ocak 1921 Harekâtı: 61 Tümen, emredilen saatte taarruza geçerek, Derbent mevzii kesimini aşmış; tümenden çıkarılan Süvari Subay Keşif Kolu, Gediz istikametinde ilerlediğ
“Eu não tinha este rosto de hoje, assim calmo, assim triste, assim magro, nem estes olhos tão vazios, nem o lábio amargo.... Em que espelho ficou perdida a minha face?”
Cecília Meirelles.
Ferreira (1994) destaca que o corpo é um reflexo da sociedade; a ele se aplica sentimentos, discursos e práticas da vida social. Também é no corpo que se processa a saúde ou a doença do indivíduo, sendo um momento de interpretação dada por códigos específicos na relação médico/paciente. Segundo Mauss (2003, p. 217), “o corpo é o primeiro e o mais natural instrumento do homem”. Os hábitos existentes em cada sociedade lhes são próprios, ocorrendo através de técnicas corporais nas várias etapas do desenvolvimento humano, desde o nascimento, formas de comer, de parir, de andar, sentar, entre outras. Mauss (2003)
denomina de técnicas um ato “tradicional eficaz”; o homem é o único dos animais que transmite as técnicas corporais através da tradição. Esses hábitos vão variar não apenas com os indivíduos e suas imitações, como também com as sociedades, educação, conveniências, modas e prestígios, numa prática individual ou coletiva.
Contribuindo para esse discurso, Boltanski (1989) traz essa reflexão para a diferenciação do uso do corpo nas camadas populares e nas mais abastadas. À medida que sobe, na hierarquia social, o nível de instrução, as regras estabelecem que a relação dos indivíduos com o corpo também se modifique. Dessa forma, o autor tenta explicar a valorização da magreza e a atenção à aparência física que crescem nas camadas superiores, assim como aumenta a importância da força física nas camadas populares, visto que adquire efetivo valor devido à utilização, na maioria das vezes, por integrantes desta última camada, como força bruta de trabalho.
Motta (2004) declara que os corpos se diferenciam em cada sociedade, em períodos históricos distintos, na sua forma, na natureza humana (corpos de homem ou de mulher, de jovem ou de velho), em classe social e em práticas diversas.
Bourdieu apud Motta (2004, p. 40) analisa o corpo ligado ao poder social, pelo estabelecimento de preconceitos com relação às idades/gerações, no que concerne à concorrência a postos de trabalho, ou quando os velhos não possam mais manter as competências sociais do controle corporal.
De acordo com o modelo criado pelo preconceito social, o comportamento corporal do idoso assevera que o corpo do idoso deve não ter vigor, ser enrrugado, encolhido, com reflexos lentos, com menos agilidade. A pessoa idosa, apesar de perceber com menor intensidade essas mudanças, considera natural esse fato, principalmente ao se referir às dores do corpo. Mme de Sévigne, citada por Beauvoir (1990, p. 351), descreve essa passagem do tempo sentida no seu corpo:
A Providência nos conduz com tanta bondade em todos os diferentes tempos de nossa vida, que quase nem os sentimos. Essa encosta desce brandamente, e é imperceptível; é o ponteiro do relógio que não vemos caminhar. Se aos vinte anos, nos dessem o grau de superioridade na nossa família, e se nos fizessem olhar num espelho o rosto que teremos ou que temos aos sessenta anos, comparando-o ao dos vinte, cairíamos para trás e teríamos medo dessa figura; mas é dia após dia que avançamos; estamos hoje como ontem, e amanhã como hoje; assim avançamos sem sentir, e este é um dos milagres dessa Providência que eu tanto amo.
A autora menciona que a velhice “é uma relação dialética entre meu ser para outrem _tal como ele se define objetivamente_ e a consciência que tomo de mim mesma através dele. Em mim, é o outro que é idoso, isto é aquele que sou para os outros: e esse outro sou eu” (Beauvoir, 1990, p. 348). Acrescenta, nos seus ensinamentos, que o corpo passa a inquietar-se ao percebe-se que a velhice o habita.
Contribuindo para esta reflexão, Goldfarb (1998) refere que o idoso ao ver sua imagem no espelho entende que ela está fora, por mais que tenha conhecimento que aquela é a sua imagem, lhe causa certo estranhamento. Ao se olhar no espelho, este precipita ou confirma a velhice, enquanto a imagem da memória tende a ser uma imagem idealizada, do Eu familiar. Este fato remete ao retrato de Dorian Gray, obra escrita por Wilde, citado por Goldfarb (1998, p.54), em que o seu personagem ao confrontar-se com seu retrato envelhecido e decrépito, experimentou um ideal para sempre perdido, um ideal de imagem fracassada.
Assim sendo, para a pessoa idosa que está sentindo as transformações ocorridas no corpo é diferente daquela que está se passando na mente. Motta (2004) explica, através das palavras de Featherstone (1991, p.42), a expressão “mascara do envelhecimento”, denominação em que o idoso teria uma máscara imposta ao corpo escondendo a sua identidade, que ainda seria fundamentalmente a mesma durante a sua mocidade. Featherstone, referido por Motta (2004, p.42), relata um depoimento do escritor Priestley, de 79 anos, ilustrando a afirmação acima:
É como se, descendo a Avenida Shaftesbury como um homem jovem, eu fosse subitamente raptado, arrastado para um teatro e obrigado a receber o cabelo grisalho, as rugas e outras características da velhice, e empurrado para o palco. Atrás da aparência da idade eu sou a mesma pessoa, com os mesmos pensamentos de quando eu era jovem.
Expressões como “a velhice é a máscara da morte” idealizada durante o Renascimento (século XVI), e a “ velhice é a porta da morte e da eternidade” conferida por BOIS (1989, p.7) citada por Oliva (2006), concebem a imagem negativa que a sociedade impõe à imagem da velhice.
Porém, apesar das adversidades conferidas pela sociedade durante as transformações ocorridas no envelhecimento, seja no aspecto físico ou sociocultural, encontra-se atualmente um processo de mudança, na medida em que os idosos começam a movimentar-se conforme as suas trajetórias de vida, se homem ou mulher. As mulheres, em maior proporção que os
homens, tendem a se cuidar mais, como também elas, desde a juventude, são as mais cobradas pela aparência física, procurando o lazer e a cultura; e o homem se direciona para o lazer ou para as questões políticas, principalmente para os movimentos dos aposentados (MOTTA, 2004).
Por outro lado, constitui preocupação quando a sociedade exagera nos cuidados com o corpo. Isto se torna perigoso pelas artimanhas de métodos de rejuvenescimento que atraem milhares de pessoas que temem a velhice (MONTEIRO, 2003). Corroborando o autor, Debert (1999a) aponta que o individuo idoso é convidado a assumir a responsabilidade pela sua aparência e bem-estar através da ajuda de cosméticos, da ginástica, das vitaminas, da indústria do lazer, e assim esconder as rugas e a flacidez, além de ser responsável pela sua saúde. Quando o rejuvenescimento se torna algo obrigatório, não há espaço para a velhice, pois se as pessoas não seguirem a ordem imposta pelo mercado de consumo, e quando o declínio do corpo passa a ser inevitável, não haverá perdão. São oferecidos todos os caminhos da juventude, e, quando não acontece, o individuo é excluído desse boom. Nesse caso, é extremamente cruel esse tipo de escolha para a pessoa idosa.