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4 6 ÇERKEZ ETHEM AYAKLANMASININ BAŞLAMAS

Belgede Kuva-yı seyyare (sayfa 71-80)

ÇERKEZ ETHEM’İN BMM’YE KARŞI AYAKLANMAS

4 6 ÇERKEZ ETHEM AYAKLANMASININ BAŞLAMAS

“Uso sempre a palavra velho (ou velha)... Não gosto, quem me lê já sabe, de idoso ou terceira idade... Ai, isso até me dói...., pela tentativa de falsidade que encerra. A palavra velho implica numa carga de sabedoria e experiência que nos dá a vida à medida em que vivemos. E dessa carga também quero falar.”

Olympia Rodrigues.

Ariès (1981) afirma que para cada época histórica corresponde uma idade privilegiada, um período da vida humana é mais enfatizado: a juventude é a idade do século XVII, a infância do século XIX e a adolescência do século XX.

Não obstante, o autor revela que a velhice, como também a infância, não são entidades naturais, mas criações culturais, possibilitando a essas serem diferentes em sociedades distintas. São apropriações simbólicas que as definem, em diversas faixas etárias, um sentido político e organizador do sistema social, e vão se estruturando e evoluindo ao longo das degradações do ciclo de vida do ser humano (ARIÈS, 1981).

De acordo com o citado autor, a criança, como categoria, não existia na Idade Média; as crianças não eram separadas do mundo adulto, ou seja, participavam ativamente do mundo do trabalho e da vida social adulta. A noção de infância ao longo do tempo foi surgindo, e a criança começou a ter roupas adequadas, ir à escola, além dos jogos e brincadeiras específicas para a idade.

Do mesmo modo, Elias (1994) aponta que, durante a Idade Média, o comportamento dos adultos era mais espontâneo, as emoções mais soltas e não havia a sensação de culpa ou vergonha. Diferentemente do homem adulto da modernidade, que tem como característica, na definição do seu comportamento, um ser independente dotado de maturidade psicológica, como também de direitos e deveres de cidadania.

Nessa perspectiva, como demonstraram Áries (1981) e Elias (1994), a modernidade revelou as etapas intermediárias entre a infância e a idade adulta, e, atualmente, de acordo com Debert (1999a), observa-se uma propagação de etapas de envelhecimento: “meia-idade”, terceira idade, aposentadoria ativa, termos hoje utilizados para designar uma nova configuração da gestão da velhice.

De acordo com a autora, a denominação terceira idade surgiu na França, nos anos 1970, com a implantação das “Universitès du Troisième Âge”, mais tarde incorporada ao vocabulário inglês com a criação das “Universities of the Third Âge” em Cambridge, na Inglaterra, e começou a ser percebida como um fruto do processo da crescente socialização da velhice a partir de várias discussões, principalmente no momento em que ela foi entendida

como uma questão pública. Dessa feita, ocorreu o surgimento das condições que dão configuração específica à terceira idade e às representações da velhice na sociedade contemporânea, tais como: a) Os aposentados já não são mais considerados o setor mais desprivilegiado da sociedade. Com o advento da industrialização, houve uma perda do status social da velhice, devido às relações entre as gerações que havia nas famílias das sociedades tradicionais. Porém, hoje, com a universalização das aposentadorias e de várias garantias sociais para os mais velhos, passou a ser excluída a população de outras faixas etárias, sobretudo os jovens; b) A segunda condição refere-se às concepções do corpo e de saúde que não são re-elaboradas na nossa sociedade. A boa aparência passou a ser sinônimo de bem- estar, e todos são levados a cuidar bem do corpo, para que sejam recompensados; c) A terceira condição se relaciona com o sistema produtivo, um contingente cada vez mais jovem da população começou a se aposentar e buscou novos meios de consumo; d) E a quarta condição é o interesse crescente da complexidade da vida adulta. Alguns autores vêm estudando essa questão de vários ângulos distintos.

Boutinet (1995) apud Debert (1997, p. 43) afirma que, pensar na vida adulta e desenhar um quadro sombrio, a idéia de autonomia, que caracterizava o indivíduo adulto, é substituída por precariedade e dependência, e, que, se de um lado esboça a existência de uma juventude interminável, do outro, acontece a aposentadoria precoce.

Contribuindo nesse debate, Debert (1999a, p.16) enfoca três grandes atores que contestam, criam e recriam esse tema no Brasil: os gerontólogos, os idosos e a mídia. Nesse contexto, a autora revela que “o espaço social, o tempo e o curso de vida, o corpo e a saúde ganham novas configurações.” Segundo a autora, a velhice é objeto de um saber científico visto pelos gerontólogos em diferentes campos de estudo, desde o desequilíbrio demográfico, o envelhecimento orgânico e a questão econômica das políticas sociais. Contudo, chama a atenção para concepções radicalizadas como: “a eterna juventude”2 deve ser alcançada e

todos podem ter acesso e ficar atentos a essas “verdades”2, pois nos deparamos com meios de comunicação ansiosos em divulgar medidas de retardar o envelhecimento, promessa de um mercado de consumo apto a vender seus “belos produtos mágicos”2. Para a autora, são termos utilizados em prol de uma nova concepção da velhice, na sociedade contemporânea: “meia-idade”, “a idade da loba”, “a terceira idade”, “aposentaria ativa”3 São mudanças que estão ocorrendo no pensar a velhice na sociedade brasileira, que, se por um lado é positivo quando trata a velhice de uma forma heterogênea, possibilitando espaços para novas

2 Grifo nosso 3 Grifos do autor.

experiências do envelhecimento, usadas coletivamente, por outro, continua o estigma das idades quando ainda há a supervalorização da juventude (DEBERT, 1999a).

Somando a essas afirmações, Goldstein e Siqueira (2000) remetem para as diferentes realidades socioeconômicas do país, coexistindo várias categorias de velhos: aqueles que têm um poder aquisitivo suficiente para desfrutar do mais moderno produto de rejuvenescimento e da alta tecnologia da medicina, categorizados de “terceira-idade”; e no outro lado, aqueles que nunca tiveram oportunidade na vida, quando adultos, e ao chegar a velhice, encontram-se na mesma condição de penúria, e, mais ainda, sendo cobrados a todo instante do novo papel de ser velho, devendo ser participativos, ativos e ter sob a sua responsabilidade, a capacidade de um envelhecimento saudável.

Portanto, esta-se lidando com diversas “velhices”, cada qual com sua especificidade, dependendo das condições econômicas, sociais e culturais nas quais se está inserida a pessoa idosa. Contribuindo para esse debate, Uchoa (2003) menciona que o fator econômico do idoso e de sua família é essencial na manutenção da sua saúde, o que se confirma em Heck e Langdon (2004, p.129) ao considerarem que a velhice,

passa a ter diferentes construções de acordo com as relações de poder, as expectativas dos papéis sociais no grupo, as relações de gênero e os conflitos que fazem parte da vida, podendo encaminhar situações de readaptação, invenção de valores e ou exclusão.

Belgede Kuva-yı seyyare (sayfa 71-80)