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Hanedan Yapıları (Saraylar, Kasırlar ve Kö úkler)

2.2. Sivil Mimari

2.2.1. Hanedan Yapıları (Saraylar, Kasırlar ve Kö úkler)

A demanda por combustíveis de madeira em alguns setores industriais – notadamente o das indústrias cerâmicas - costuma provocar impactos ambientais negativos evidentes, onde o uso intensivo de lenha é visivelmente não renovável e insustentável, associado ao empobrecimento do solo e à desertificação (FAO, 2007, apud UHLIG, 2008).

No que diz respeito ao Rio Grande do Norte, ao problema da redução da mata nativa, composta basicamente pela caatinga, se soma a falta de florestas plantadas com o objetivo de prover a necessidade de biomassa para fins energéticos. Os 2.070 hectares que constam no Censo Agropecuário de 2006 do IBGE já não atendiam minimamente à demanda da época e não se destinavam necessariamente a fins energéticos. De modo que a oferta de lenha depende apenas de desmatamentos em áreas destruídas para finalidades agrícolas e pastagem, e de espécies com permissão para corte, como a algaroba, de manejo florestal e de biomassa residual, sendo estas duas últimas numa menor escala (INT, 2012).

As maiores consumidoras de lenha do Baixo-Açu são as indústrias alimentícias e cerâmicas. Entre as primeiras destacam-se as panificadoras, queijarias, pizzarias e churrascarias. Estas últimas consomem a lenha indiretamente, uma vez que utilizam o carvão vegetal como combustível. A pesquisa para estimar o consumo de lenha nessas empresas foi feita através de visitas de campo ao longo do mês de julho de 2012, nas quais foram entrevistados os proprietários e/ou gerentes dos estabelecimentos em funcionamento nos nove municípios da região.

As entrevistas foram feitas a partir da aplicação de um questionário (Apêndice I) com perguntas abertas e fechadas em que se procurou dimensionar a produção de cada estabelecimento e estimar o respectivo grau de dependência da lenha para continuar funcionando, gerando emprego e renda. Tanto o consumo em metros cúbicos estéreos quanto o valor, em dinheiro, gasto mensalmente com a compra de lenha foram multiplicados por 12 para estimar a demanda anual pelo combustível, assim como a expectativa de despesa com ele ao final do ano. Já os valores mensais gastos com salários foram multiplicados por 13, considerando como sendo esse o número de parcelas pagas ao longo do ano.

Foram visitadas mais de 90% das panificadoras que usam lenha em seus fornos (três usam fornos a gás). Os estabelecimentos que se encontravam fechados ou sem o respectivo responsável para dar as informações, tiveram os dados calculados pela média dos valores encontrados nos demais estabelecimentos da cidade. A pesquisa incluiu também todas as queijarias da região, assim como todas as churrascarias que usam carvão para assar as carnes (uma das maiores churrascarias da região usa gás natural). O questionário aplicado nessas empresas tinha 15 perguntas (Apêndice 1), através das quais se apuraram dados sobre a origem, preço, consumo mensal e forma de obtenção da lenha, além do quantitativo e remuneração da mão de obra. Para se ter uma ideia do volume de produção dessas indústrias optou-se por apurar a quantidade de matéria prima processada – farinha de trigo, no caso das panificadoras e pizzarias; leite, nas queijarias e carne nas churrascarias.

Por fim, a pesquisa ouviu os proprietários de todas as cerâmicas em operação nos municípios de Açu, Ipanguaçu, Itajá e Pendências. Eles responderam um questionário com 35 perguntas (Apêndice II) no qual, além das informações de produção e consumo de lenha se procurou saber também as expectativas do setor e os planos de cada empresa para garantir a segurança energética da atividade nos próximos anos.

A primeira constatação da pesquisa foi que, independentemente do porte, todas as empresas têm um caráter familiar, a grande maioria sem uma administração profissional, o que faz com que informações fundamentais para o desenvolvimento dos negócios não estejam sistematizadas e disponíveis, como a discriminação precisa dos custos de produção. De qualquer forma, juntas, essas empresas empregam cerca de 1700 trabalhadores e pagam mais de R$ 22 milhões em salários ao ano, além de movimentarem suas respectivas cadeias produtivas, gerando empregos indiretos e renda numa das regiões mais pobres do Estado (Tabela 10)

O levantamento contabilizou uma expectativa de consumo de lenha

para o ano de 2012 de 406.978 m³ st. Já a expectativa de consumo de carvão para o

Tabela 10 -Perfil das indústrias consumidoras de lenha na região do Baixo-Açu (2012) Setor Nº de estabel. Nº de func. Gasto c/ salários (R$/ano) Panificadoras 39 201 1.885.351,00 Queijarias 4 13 126.740,00 Pizzarias 3 31 295.350,00 churrascarias 7 101 966.203,00 cerâmicas 32 1.340 19.056.000,00 TOTAL 81 1.686 22.327.644,00

Fonte:proprietários e gerentes dos estabelecimentos pesquisados.

Tabela 11- Gastos anuais com lenha e carvão vegetal nas indústrias do Baixo-Açu (2012)

Setor Cons. de lenha (m³st)

Cons. de carvão (t) Gasto com lenha (R$) Gasto com carvão (R$) Raio de coleta da lenha Panificadoras 6.274 ---- 151.029,00 ---- Até 50 km Queijarias 924 ---- 16.200,00 ---- local Pizzarias 888 ---- 25.500,00 ---- local churrascarias --- 55,8 ---- 37.908,00 local cerâmicas 398.892 ---- 9.184.380,00 ---- Até 160 km TOTAL 406.978 m³st 715,83 m³st 55,8 t ou 9.377.109,00 37.908,00 Até 160 km

Fonte:proprietários e gerentes dos estabelecimentos pesquisados

*Fatores de conversão: 1 m³st de lenha da caatinga = 0,21t (RIEGELHAUPT, 2004); 1t de carvão = 2,694 t de lenha(SOCIEDADE BRASILEIR DE SILVICULTURA, 2012).

A pesquisa de campo revelou também a vulnerabilidade das empresas visitadas especialmente as panificadoras e as cerâmicas, em relação à lenha. Os proprietários das panificadoras acreditam que os gastos com o combustível representem entre 10% e 15% dos custos de produção. Entre os ceramistas, esses gastos representam de 20% a 30% do custo total de produção.

O fornecimento de lenha é disciplinado pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), que fiscaliza o trânsito desse material e o seu uso nos estabelecimentos. Conforme já foi exposto no tópico 3.2, que trata do uso de terras na região, o número de florestas plantadas ainda é insignificante no Estado e no Baixo-Açu, o que leva as empresas a consumir o combustível obtido de forma ilegal.

De acordo com informações fornecidas pelo responsável pelo Núcleo de Gestão Estratégica do Ibama-RN, em agosto deste ano (2012), o órgão emitiu 23 autos de

infração por transporte de lenha irregular na região do Baixo-Açu durante todo o ano de 2011. A lenha sem certificação geralmente é consumida logo que entregue para não ficar acumulada nos pátios e chamar a atenção dos fiscais dos órgãos ambientais. De fato, nos pátios das cerâmicas, padarias, queijarias e pizzarias predomina a lenha legal, advinda de podas autorizadas de cajueiro, mangueira e algaroba, entre outras.

Segundo Uhlig (2008), um dos indícios de problemas na oferta de lenha em algumas regiões do Brasil é o aumento de preços sistemático do combustível: há 11 anos, o valor do metro cúbico estéreo da lenha na região do Baixo-Açu variava entre R$ 7,00 e R$ 8,00 (CARVALHO, 2001); em julho de 2012 ele era vendido por um preço médio de R$ 26,00, podendo ultrapassar R$ 30,00, conforme a procedência e a situação do material – se legal ou não.

3.3 BALANÇO DA OFERTA E DO CONSUMO TOTAL DE LENHA E CARVÃO