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4.6. Hamile Kadınların Eşlerinin Hamilelik Esnasında Ev İşlerinde Yardım Etme Durumları
Para assumir um grau de consciência elevado acerca de todos os aspectos que influenciam seu aprendizado, o aluno deve conhecer a metodologia que é utilizada para ensinar- lhe a L2. Esse conhecimento pode torná-lo um aprendiz mais eficiente, pois ele saberá as razões pelas quais o professor está lançando mão de uma técnica de ensino específica ou os objetivos que subjazem a escolha de uma determinada seqüência de atividades e, assim, agir de uma maneira mais harmônica com relação ao que ocorre na sala de aula.
O ensino da L2 tem sido considerado, neste trabalho, sempre em função de um objetivo maior educativo: o desenvolvimento do aprendiz autônomo. A abordagem de ensino que mais se aproxima dessa concepção é a Instrução Baseada em Conteúdos; similarmente, exteriorizamos nossa crença na necessidade da atenção direcionada para o sucesso da aprendizagem; nesse aspecto, destaca-se a Instrução com Foco na Forma.
a) A Instrução com Foco na Forma
No tocante à abordagem de ensino da L2 com enfoque na atenção, defendemos a noção de que somente a exposição à língua não é suficiente para a sua aprendizagem, havendo necessidade de um tratamento formal e explícito na sala de aula. Nesse aspecto, advogamos o uso da Instrução com Foco na Forma (IFF, doravante) como abordagem de ensino da L2. A IFF vem definida como “qualquer esforço pedagógico que é usado para direcionar a atenção do aprendiz para a forma da língua, seja explicitamente ou implicitamente” (Spada, 1997:73) ou como “qualquer atividade instrucional planejada ou incidental que é dirigida a induzir os aprendizes da língua a prestar atenção à forma lingüística” (Ellis, 2001)37.
38 Vale salientar que a palavra “forma” refere-se a aspectos fonológicos, lexicais e gramaticais da língua (Ellis, 2001).
Suas raízes teóricas podem ser relacionadas aos trabalhos de Schmidt e sua “Hipótese da Percepção” (Noticing Hypothesis), segundo a qual o aprendiz deve perceber uma forma de maneira consciente para que possa ser processada pela memória de trabalho e adquirida (Schmidt, 1990). Há trabalhos também relacionados às diferentes maneiras como o aprendiz processa o insumo, como a “Instrução em Processamento” (VanPatten, 2002) e a transformação de conhecimento explícito declarativo em implícito procedimental (DeKeyser, 1997, 1998), sendo esta última uma das bases de nossa concepção de aprendizagem. Tal internalização do conhecimento ocorre também na L1, conforme sugerem De La Paz & Graham (2002), ao afirmar que a instrução explícita foi a responsável pela utilização de estratégias e a aquisição de habilidades e conhecimentos na área de redação. Podemos dizer, então, que a IFF atua tanto na aprendizagem implícita (não intencional e inconsciente) quanto na explícita (intencional e consciente) da L2, em níveis variados, conforme a modalidade utilizada pelo professor.
A IFF defende basicamente uma posição intervencionista, ou seja, a noção de que uma combinação entre a instrução formal em uma forma (no nosso caso, a pronúncia/fonologia) e oportunidades de interação comunicativa conduzem à aquisição da L2 ou, pelo menos, apresentam resultados superiores que a instrução implícita ou a ausência de instrução (Spada, 1997; Skehan, 1998; Norris & Ortega, 2000; Chan & Li, 2002; R. Ellis, 2005; Gass & Torres, 2005, Radwan, 2005)38. A IFF poderia atuar na aquisição do próprio conhecimento implícito, dependendo da forma enfocada e da duração da instrução (R. Ellis, 2002). Podemos especular que a atenção à forma seja, inclusive, uma necessidade e uma condição para o aprendiz adquirir a L2; Williams (1999) oferece um exemplo de foco na forma gerado pelos próprios alunos durante a interação entre eles e Ellis, Basturkmen & Loewen (2001) sugerem que a própria qualidade das produções finais dos alunos alteradas pela negociação (uptake) pode ser melhor quando os próprios alunos enfocam uma forma espontaneamente.
A noção da necessidade desse foco encontra-se frontalmente oposta à teoria de aquisição de uma L2 preconizada por Krashen (1980), que postula uma divisão entre aprendizado, que seria resultado de instrução formal e se realizaria no âmbito do consciente, sendo utilizado para a aprendizagem de regras da L2, e aquisição, que seria um processo inconsciente e que aconteceria através do recebimento de um insumo imediatamente superior à capacidade do aprendiz. Para Krashen (ibid), a instrução formal não conduziria à aprendizagem,
ou seja, o aprendizado não se transformaria em aquisição, o que o levou a defender a chamada posição não-intervencionista de ensino de L239.
Widdowson (2003) reconhece a possibilidade de que a aprendizagem natural de uma L2 possa ser mais efetiva, ou seja, o papel do professor seria o de oferecer oportunidades em sala de aula para que o processo ocorra naturalmente. Ele argumenta, contudo, que as condições práticas do processo de educação (tempo restrito do estudo da L2 em uma grade composta por outras disciplinas ou a artificialidade intrínseca da situação de sala de aula) impossibilitariam que um aprendizado satisfatório fluísse naturalmente. O autor ainda adverte que “o ensino não pode determinar o processo de aprendizagem, mas pode guiá-lo por caminhos que os alunos não seguiriam facilmente sozinhos, ou não encontrariam de forma alguma” (ibid:144-145). Portanto, ele defende a necessidade de se ativar o processo de percepção e reflexão dos alunos a respeito dos aspectos da L2 que são relevantes para a comunicação, construindo uma argumentação que fundamenta a intervenção pedagógica levada a efeito na IFF.
Vamos analisar a IFF, agora, em termos da modalidade da abordagem, o grau de explicitação do ensino formal de regras e a integração da forma com o sentido.
O termo IFF é, na verdade, um conceito geral que abrange modalidades diferentes de aplicação na prática pedagógica, a saber, o Foco em Formas e o Foco na Forma, esta última subdividida em espontânea e planejada (Spada, 1997; Ellis, 2001).
O Foco em Formas pressupõe um enfoque principal na aprendizagem de uma forma específica, em oposição ao uso comunicativo da L2 (Ellis, 2001). Segundo o autor (ibid), ela pode ser explícita e compreender o ensino dedutivo ou indutivo de regras, ou implícita e abranger a memorização de exemplos da língua ou a inferência de regras sem a consciência do ponto que está sendo aprendido. Um ponto fundamental é que deve haver oportunidades para o aprendiz produzir a forma em questão.
Por sua vez, o Foco na Forma apresenta dois tipos. O primeiro é o planejado, no qual a instrução é preparada de maneira a propiciar o contato com insumo que contenha a forma a ser estudada. O ponto básico que distingue esta modalidade da de Foco em Formas é que o objetivo principal das atividades é a apreensão e prática do uso comunicativo da L2. Por fim, temos o
39 Na realidade, em Dulay, Burt & Krashen (1982), Krashen chega a recomendar o uso do ensino formal de gramática para adultos, com a ressalva de que esse uso serviria mais como um suporte psicológico que os adultos necessitam do que propriamente como um fator necessário para a aquisição.
Foco na Forma de tipo espontâneo, no qual a forma estudada é selecionada de maneira reativa aos erros e necessidades dos alunos que surgirem ao longo da aula e não previamente selecionada, como acontece no tipo planejado. O enfoque na forma ocorre brevemente durante a instrução, de forma a não desviar os alunos demasiadamente do foco comunicativo da lição (Ellis, Loewen & Basturkmen, 2006) e é o tipo recomendado por alguns estudiosos como Seedhouse (1997). Ellis (ibid) ainda destaca o fato de que, na realidade, mesmo a modalidade de Foco em Formas pressupõe um certo enfoque na comunicação, assim como o Foco na Forma pode compreender o estudo isolado de uma forma lingüística, contanto que não se perca de vista seu objetivo comunicativo.
Um outro ponto interessante é levantado sobre o contexto de ILE, como é o caso do Brasil. Fotos (1998) expressa a necessidade de se diferenciar os contextos de ensino de IL2 e ILE. No primeiro caso, o Foco na Forma é utilizado para se incluir a instrução da forma dentro uma situação de uso comunicativo intenso fora de sala de aula. Por outro lado, a autora (ibid) destaca que, nos contextos de ILE, há poucas oportunidades de uso da L2 fora de sala e o uso dentro de sala é surpreendentemente escasso. Dessa forma, ela sugere que se façam adaptações na abordagem de Foco na Forma para permitir a inclusão da instrução formal antes (grifo meu) da
atividade comunicativa, seguida de um retorno (feedback) ao aluno. Com base nestas argumentações, neste trabalho nos aproximamos de um misto entre o Foco em Formas, quando enfocamos um tipo específico de forma e lhe aplicamos um tratamento intensivo (Ellis, 2005a), e o tipo planejado de Foco na Forma, adotando o seu uso pró-ativo. Conforme temos afirmado neste trabalho, entendemos a prática educativa como um processo intencional sistemático e progressivo cuja elaboração cuidadosa objetiva primariamente o desenvolvimento cognitivo do educando. Somos, dessa forma, frontalmente contrários à percepção que os itens fonológicos devem ser abordados somente quando emerjam nas aulas (uso reativo), conforme sugere Underhill (1994)40. Nessa linha, Rosa & O’Neill (1999) postulam que graus maiores de explicitude e consciência do aluno a respeito do ponto estudado melhoram a qualidade do insumo absorvido por eles ao início da atividade.
No caso do ensino de pronúncia, há aspectos que, devido à sua pouca saliência para os aprendizes de uma determinada L1, como discutimos neste trabalho, podem passar despercebidos, inviabilizando, assim, o ensino reativo. É papel dos professores, portanto,
estabelecer um programa progressivo de estudo da pronúncia a ser desenvolvido com seus alunos para assegurar que as formas relevantes para a comunicação na L2 sejam percebidas e adquiridas por eles.
Em relação ao grau de explicitação de ensino formal de regras, há alguns pontos que devem ser considerados. A escolha em se adotar uma posição não-intervencionista em oposição à intervencionista já foi parcialmente discutida no início desta seção. Ela depende, basicamente, do grau de dificuldade de aprendizagem do item em questão. Dessa forma, um item que é exatamente igual na L1 e na L2, por exemplo, o fonema /b/ no português e no inglês, não demandaria ensino explícito. À medida que o grau de complexidade e dificuldade de apreensão do item aumentarem, deve haver mais suporte e tempo em sala de aula para sua análise e prática. Entretanto, o principal ponto que desejamos destacar é que nosso modelo defende a idéia de Underhill (1994) a respeito do fornecimento mínimo de suporte lingüístico e/ou metalingüístico aos alunos a fim de garantir a aquisição. A premissa educativa é a de que, se oferecermos todas as respostas prontas aos alunos, furtando-os, assim, da possibilidade de levantar questionamentos, de analisar e experimentar, pouco estaremos contribuindo para seu desenvolvimento lingüístico- cognitivo. Esta noção justifica a utilização da aprendizagem indutiva na elaboração das atividades do modelo, embora, dependendo do grau de dificuldade da regra em questão, seja mais indicado o uso do ensino dedutivo (DeKeyser, 2003).
Em relação à integração da forma com o sentido, outro aspecto fundamental da abordagem do Foco na Forma, o modelo que mais se adapta à nossa proposta é resumido por Doughty & Williams da seguinte maneira (1998:250):
1- Fornecimento de insumo;
2- Instrução explícita de um aspecto do conhecimento formal;
3- Fornecimento de um tempo necessário ao aluno apreender o conhecimento de forma declarativa, ou seja, que ele seja capaz de se expressar sobre o aspecto utilizando a metalinguagem;
4- Prática extensiva das formas por meio de comportamentos controlados, utilizando o conhecimento declarativo como suporte;
5- Prática extensiva das formas em atividades comunicativas improvisadas, com vistas à automatização.
Quanto ao modelo acima, conferimos destaque às teorias de construção de habilidades e processamento automático (Ellis, 2003). Segundo o autor (ibid), essas teorias apregoam, basicamente, que o conhecimento explícito (ou declarativo) sobre regras pode desenvolver um conhecimento procedimental de uso da língua através da prática. Assim, o processamento da informação evoluiria de um estágio controlado (consciente) para a automatização (inconsciente). Alguns pontos são meritórios de destaque: a) o processamento controlado é mais flexível e passível de modificação, porém o aluno só é capaz de processar uma informação de cada vez (daí a necessidade de se iniciar o estudo de um item qualquer com uma prática imitativa, pois sua atenção está toda direcionada na precisão da produção do som); b) é reconhecida a possibilidade de que nem todo conhecimento inicial seja declarativo, ou seja, o fornecimento de um insumo pode dar início à construção do processo; c) a utilização da repetição é encorajada e necessária para a internação ocorrer, porém o contexto deve ser de comunicação real; d) há a necessidade de oferecer um retorno ao aluno em termos de monitoração e correção de seus erros.
Nessa mesma linha, nossa concepção de ensino sustenta que o aluno forma uma noção implícita ou intuitiva inicial do funcionamento de um item especificado41. A partir dessa
noção, o conhecimento declarativo entra em ação e funciona como um suporte para a re- conceituação da interlíngua do aluno (daí a participação crucial da metalinguagem na construção dos novos conceitos). Em nosso ponto de vista, a aprendizagem de novos conhecimentos se dá, principalmente, de forma consciente, explícita e analítica, não cabendo, portanto, uma posição não intervencionista.
Resumidamente, a teoria de ensino da L2 como uma disciplina isolada que advogamos baseia-se na IFF, destacando a importância da ativação da atenção do aluno (noticing) para um aspecto fonológico da L2 e a construção do conhecimento sobre tal aspecto com a aprendizagem indutiva e a mediação da metacognição e da metalinguagem. Essa teoria será utilizada em composição com a Instrução Baseada em Conteúdos para a formação de nossa abordagem de ensino de língua.
b) A Instrução Baseada em Conteúdos
Quando consideramos a aprendizagem da L2 como necessariamente pertencente à educação geral, podemos nos reportar a abordagens como a Instrução Baseada em Conteúdos (IBC) e suas derivações como a Instrução em Leitura Orientada para Conceitos (ILOC) ou a Tarefa-Conteúdo-Linguagem (TCL). Stoller (2004) as menciona como exemplos de abordagens que inserem o ensino de outros conteúdos ou de estratégias de aprendizagem no programa de ensino da L2. O enfoque geral, todavia, é no ensino de conteúdos por meio da linguagem, a qual não é tratada de forma explícita, daí a classificação dessa abordagem como comunicativa (Larsen-Freeman, 2000; Richards & Rodgers, 2001).
Richards & Rodgers (ibid:207) argumentam que a CBI é fundamentada em dois princípios: “as pessoas aprendem melhor uma L2 quando elas usam essa língua como meio de aquisição de informações”, daí seu viés comunicativo e “a IBC reflete melhor as necessidades dos aprendizes da L2”, ou seja, a aprendizagem de conteúdo acadêmico ou específico de escolas regulares. Kasper (1997), por exemplo, atribui o sucesso na aprendizagem da L2 e em habilidades acadêmicas gerais à instrução pela IBC; Ayaduray & Jacobs (1997) recomendam o ensino de estratégias de aprendizagem em conjunto com as disciplinas da escola; Guthrie et alii (1998) aplicaram a abordagem de ILOC para a leitura de textos e chegaram à conclusão de que os alunos desenvolveram seu conhecimento de conceitos mediados por estratégias de aprendizagem, assim como foram capazes de transferir tais conceitos para outras atividades; e Guthrie, Wigfield & Vonsecker (2000) relacionaram a aplicação da ILOC a uma maior motivação e utilização de estratégias de leitura.
Larsen-Freeman (2000) ainda mencionam outros princípios complementares, dentre os quais são de interesse para este trabalho: o ensino deve partir das experiências prévias do aprendiz (no nosso caso, as experiências com o sistema fonológico de sua L1); quando o aprendiz percebe relevância no uso da língua, eles se motivam a aprender (coincidente com nossa visão de motivação); o professor fornece suporte para o aluno se comunicar, provendo informações para que este complete seus enunciados (o suporte do professor é fundamental para o desenvolvimento lingüístico dos alunos); a competência comunicativa envolve mais do que a utilização da língua em conversas (incluindo, também, as habilidades metalingüísticas).
Os autores ainda mencionam o fato de que a IBC integra diversas habilidades, tanto lingüísticas como de conhecimento e pensamento. Stoller (2204) cita um exemplo na abordagem denominada “Tarefa-Conteúdo-Linguagem”, na qual o componente da Tarefa diz respeito às atividades acadêmicas que estimulam o aprendiz a utilizar estratégias para melhorar seu desempenho. O enfoque, contudo, é que difere: enquanto a IBC enfoca a transmissão de conteúdos acadêmicos, nossa abordagem objetiva um desenvolvimento integral do aprendiz acerca do aprendizado e do conhecimento visando à sua autonomia.
Quanto ao papel desempenhado pelo aprendiz, Richards & Rodgers (ibid) destacam o desenvolvimento da compreensão e autonomia do aprendiz sobre sua aprendizagem. Neste aspecto, a IBC é coincidente com nossa abordagem, embora consideremos que o enfoque em conteúdos e a ausência de um ensino explícito da língua sejam empecilhos para se atingir tal objetivo. O aprendiz ainda deve atuar como um “intérprete ativo do insumo, o qual tolera a incerteza ao longo da aprendizagem, explora estratégias de aprendizagem alternativas e busca interpretações múltiplas para textos orais e escritos” (Richards & Rodgers, 213).
Especificamente, uma das grandes limitações dessa abordagem, conforme apontado por Langman (2003, apud Stoller, 2004) reside no fato de que os alunos, por não receberem instrução explícita dos aspectos lingüísticos, fiquem restritos à sua aprendizagem incidental, o que resulta em pouco desenvolvimento da área de L2. Dessa forma, o autor (ibid) sugere um trabalho de instrução focada na forma (IFF) em conjunto com a IBC como uma condição sine qua non para que tal desenvolvimento ocorra efetivamente.
A análise da IFF e da IBC serviu para descrevermos a abordagem de ensino da L2 sob dois pontos de vista: um interno, no qual a língua é aprendida quando há um enfoque na forma (IFF) e outro externo, que apregoa o desenvolvimento da L2 em conjunto com as outras áreas do conhecimento humano (IBC). Estas duas noções são básicas para a composição de nossa abordagem de ensino.
Vamos partir agora para uma integração dos campos atitudinal, procedimental e conceitual.