5. BOĞAZİÇİ YALILARININ MİMARİ VE İÇ MİMARİ
5.4. Sait Halim Paşa Yalısı – İstanbul (19 Yy son çeyreği)
5.4.1. Sait Halim Paşa Yalısı Tarihçesi
Reminiscente
Uma das marcas da modernidade e da representação política que lhe é peculiar é a separação dos homens de sua capacidade de se governarem a si mesmos. O sufrágio, ao permitir à sociedade civil participar do Estado, o faz apenas de forma limitada, na medida em que sua influência não pode ultrapassar as fronteiras jurídicas e institucionais da cidadania. Desse modo, o conceito de representação política funda-se no exclusivismo do Estado no exercício do poder político, sustentado por uma soberania do indivíduo manifesta por meio do voto. Tal concepção está em consonância com o significado moderno da palavra representar, como uma espécie de agir no lugar do outro. Nesse sentido, como observa Pollak (2007), quando o parlamento tornou-se a instituição representativa legítima, a questão “quem representa” mudou em direção à pergunta “como autorizamos nossos representantes”. A aceitação irrefletida da representação como atividade restrita aos agentes estatais autorizados encobre, porém, a história do conceito como prática plural e complexa que pode ajudar a lançar luz na atividade representativa adotada por agentes da sociedade civil no mundo contemporâneo. A análise histórica mostra que, ao contrário da visão monopolista de
representação e unidade em torno de seu significado, a prática pré-moderna da representação e os critérios que justificavam sua legitimidade eram plurais e diversos.
Qual seria então o percurso do Estado moderno ou as características desse processo que seriam responsáveis por modificar a noção de representação? Furtando-me de desenvolver toda a história política da representação, é relevante destacar o movimento operado da Idade Média à modernidade no que se refere aos deslocamentos de uma estrutura de poder descentralizada e plural, para uma estrutura monopolista e exclusivista do poder. Nessa perspectiva, importa menos descrever tal percurso e mais realçar as características da representação que se cristalizam e os argumentos que sustentam a separação entre esfera política e social. Entre as mudanças que se processaram no nível político destacam-se a crescente afirmação do poder real, o desenvolvimento de um aparelho burocrático diferenciado, o estabelecimento de finanças efetivamente públicas, o monopólio do uso legítimo da força e assim por diante (TILLY, 1985; SPRUYT, 1994; WEBER, 1994). Interessante notar que essas transformações não ocorreram num vazio institucional de completa inovação teórica e prática, mas a partir da interação entre características do Estado moderno e aquelas presentes no período precedente (SASSEN, 2006). O desenvolvimento de capacidades modernas a partir da utilização de referências medievais pode ser ilustrado no processo de independência da autoridade secular do Estado em relação à igreja, no qual os monarcas ao negarem o poder do clero na administração dos negócios públicos, acabam por invocar a origem divina como fonte de legitimidade, se aproximando desse modo, do argumento utilizado pela Igreja na Idade Média. O exame da gênese do Estado Moderno e da nova concepção de representação política mostra também que além dos condicionamentos institucionais e políticos da estrutura feudal, há um processo misto que envolve escolhas políticas dos atores centrais e contingência da história.
A interação entre referências medievais e modernas que se dá nos primeiros Estados absolutistas marca a fundação da soberania do poder político. Para Torres (1989), o Estado moderno surge como uma abstração, com uma existência exterior e elevada em relação aos súditos a ele subordinados. O Estado moderno é abstrato num duplo sentido, é retirado dos indivíduos e alheio e desvinculado dos interesses imediatos surgidos e determinados no nível da vida social. Sua abstração é uma propriedade que lhe é intrínseca, no que se refere à “inevitável ficção de que esta instância abstrata representa e em algum sentido incorpora, congrega e une a multiplicidade diversa e contraditória de que é formado o todo social” (Ibid, p. 76). Para o autor, a abstração está no fato de que “unidade, medida e identidade encontram-
se fora da vida social efetiva, determinando-se como uma projeção autonomizada da sociedade que retorna sobre ela para sintetizá-la, regrá-la e dar-lhe figura” (Ibid, p. 77). Nesse contexto, a representação é percebida como o verso da abstração – “entendendo-se por representação tanto um sistema jurídico (mais ou menos formalizado, pouco importa) de imputação do caráter público a coisas, pessoas e atos, quanto mecanismos de reduplicação e reapresentação dos elementos definidores da identidade social instituídos na instância política elementar e fundamental” (Idem). Ademais, ainda não importa se são legítimas as formas de tornar públicas as coisas ou pessoas. Seja no direito de sucessão dinástica, seja no sistema eleitoral, há um dispositivo institucional que opera como um mecanismo de conversão de um indivíduo natural em representante do comum, do coletivo.
Existem particularidades históricas no que diz respeito aos mecanismos de conversão do indivíduo em representante do coletivo que corroboram as teses sobre a complexidade e não linearidade do fenômeno da representação e a pluralidade de critérios e princípios legitimadores do exercício do poder político. Na França, por exemplo, o processo histórico- político revela que, na ausência de constituição deliberada do poder político, a contingência dos acontecimentos, as doutrinas mobilizadas e a necessidade de produzir regras para manutenção do poder dos monarcas influenciaram paulatinamente a formação de um conjunto de normas que regulamentavam o poder sucessório da Coroa. A partir dessas normas, construiu-se uma teoria do rei como pessoa pública, que respondia pela sua legitimidade como sede do poder político (TORRES, 1989). As imagens do rei, no século XVI, foram reinterpretadas de diferentes maneiras – defensor e incorporador do bem comum; primeiro dos senhores, a partir de uma concepção feudal; filho favorito da igreja e defensor da fé e imperador em seu reino – as quais recebiam uma adesão afetiva, ao mesmo tempo que eram sustentadas por todos os dispositivos institucionais, coativos e persuasórios, necessários a assegurar ao rei o monopólio da representação. Tais figuras do poder real, além de se constituírem como representações coletivas, princípios jurídicos ou instrumentos de legitimação, estabelecem a estrutura simbólica que sustentará o desenvolvimento histórico da monarquia francesa. (Ibid, p. 127).
Já na Inglaterra, a constituição da esfera público-estatal e a modelagem das estruturas de representação pelas instituições monárquicas devem ser buscadas na reconstituição da longa história em que interagiram tensamente rei, conselho régio e parlamento, ao invés de serem analisadas a partir de regras sucessórias ou exame das doutrinas da representação política. A singularidade do caso inglês está no “modo pelo qual o caráter público do poder
passou a significar também um poder no exercício do qual havia a participação – ainda que, a princípio, socialmente muito restringida e de caráter puramente negativo – do público, isto é,
daqueles sobre os quais incidiam seus mandatos e ações” (Ibid, p. 170-1, grifos no original).
Com o nascimento das instituições parlamentares17
e a inclusão sistemática dos comuns no conselho régio há uma mudança central na ideia de representação política. Os compromissos firmados no conselho passam a ter expressão de atos soberanos, na medida em que vinculam indivíduos e comunidades como um todo e fixam uma identidade social e territorial do reino18. O parlamento, dessa maneira, reflete uma nova concepção de representação política, na qual a participação daqueles potencialmente atingidos pelas decisões políticas é crucial para sua representatividade “quod omnes tangit ab omnibus approbetur”19 (Ibid, p. 248). Dois componentes centrais para a moderna compreensão da representação – territorialidade e delegação – ganham expressão nesse período por meio da designação de representantes pelas próprias comunidades. Além disso, outro elemento que está na raiz remota da representação política moderna é a noção de que os representantes recebiam plenos poderes e discrição na avaliação do que melhor convinha a seus constituintes20. Nestes termos, Pitkin (2006) ilustra com propriedade a transição do antigo “pôr-se em lugar de outros” pela via da substituição – associada à ideia de que os governantes no parlamento simbolizavam e encarnavam o país como um todo – para algo como “atuar para os outros”. De acordo com autora, até 1595 não havia um exemplo de representar como “atuar para alguém como seu agente autorizado ou deputado” (Ibid, p. 20). O desenvolvimento na teoria política, de interpretações a respeito do que o Parlamento estava fazendo, acompanhou os desenvolvimentos que ocorriam na realidade.
17 Torres (1988, p. 221-232) mostra como o nascimento das instituições parlamentares nos séculos XIII e XIV é
um fato controverso e apresenta diferentes interpretações entre os historiadores. A principal controvérsia é se o Parlamento se originou no conselho do rei ou nas assembleias de magnatas convocadas para tratar dos ardua
negotia regni. Porém, a despeito das controvérsias, importa enfatizar que o conselho nacional, composto por
grandes barões, representou um passo inicial na mudança da ideia de representação política, na medida em que esses reivindicavam não em nome do estamento, mas em nome do interesse comum do reino. O reconhecimento pelo rei do princípio de anuência do conselho da nação para suas iniciativas no terreno fiscal foi um passo inegável de mudança política na concepção de representação.
18 A inclusão dos comuns se dava a partir de eleições feitas em condados e burgos, prática local já difundida na
estruturação da vida institucional e administrativa, agregava ao princípio estamental o da representação territorial. Desse modo, contribuiu para que o território e o conjunto da população nele distribuída se tornasse uma dimensão determinante da identidade do reino (TORRES, 1989, p. 257).
19“O que interessa a todos deve ser aprovado por todos”. 20
Mister lembrar que naquele momento, o alargamento do espectro das forças sociais relevantes era essencialmente de inspiração corporativa. Sendo assim, a comunidade possuía uma identidade própria, sendo irredutível ao somatório de seus integrantes, podendo desse modo a delegação ser feita por uma parte pequena daqueles sobre os quais as decisões iriam obrigar. Esse caráter corporativo provinha da convocação régia, uma vez que era o rei que definia o caráter comum do conjunto das comunidades, ficando assim o parlamento, até o período das revoluções, dependente dos critérios de inclusão definidos pela realeza.
As diferenças entre França e Inglaterra sublinham a disputa em torno dos significados da representação política e da legitimidade do exercício do poder. Enquanto na França a transição para o Estado Moderno conviveu com referências medievais marcantes, na Inglaterra, o princípio da autorização encontrou terreno fértil como mecanismo de legitimação da representação política. Apesar do florescimento na monarquia parlamentar inglesa da ideia de autorização, Knights (2005; 2009) mostra que no nascedouro da representação política moderna, especificamente no período entre 1785 e 1847, na Grã-Bretanha pré-democrática, as questões “quem representa” e “por quais meios” ainda estavam em aberto. Nesse período, os indivíduos não apenas consentiam o poder, mas também o exerciam por meio de corpos representativos locais, associações, sociedades, uniões e petições, de forma compatível com a representação eleitoral, num sistema de autoridades sobrepostas, mas legítimas (KNIGHTS, 2009, p. 37). Sendo assim, questionavam a exclusividade da representação parlamentar e seus princípios organizadores como a territorialidade, a unicidade do soberano e do representado e a autorização. Esse sistema de representação informal, longe de ser livre de tensões, apresentava-se como complementar ao sistema formal de representação política, ao mesmo tempo que competitivo. Em alguns casos, instaurava um sentimento de ausência de representação “misrepresentation”21, à medida que a política publicamente contestada estimulava discursos que eram desenhados para enganar ao invés de informar e criava incertezas sobre o discurso público e sobre as intenções e propostas dos representantes formais e informais. A análise de Knights (2009) é importante porque revela não apenas uma visão diferente do que constitui a representação política antes do advento da democracia, mas também porque esclarece que essa representação mobilizava e estimulava a participação ativa e o debate público a fim de obter as assinaturas necessárias para a aprovação das petições. Esse é um quadro completamente diverso do tradicionalmente destacado pela literatura sobre representação política, que enfatiza o momento de autorização como fundacional e último da representação.
De acordo com o autor, importantes mudanças no contexto do final do século XVII e início do século XVIII tiveram influência no florescimento de meios informais de representação, tais como o reconhecimento do público como uma força coletiva e como um ideal de representação das pessoas. Além disso, ocorreu o desenvolvimento de uma política nacional de massa, a partir de formas mais autônomas de reivindicação na arena pública
21 Não há um sinônimo em português exato para a palavra inglesa misrepresentation. Neste contexto, expressa
um sentimento de falsa ou ausência de representação, ou ainda uma representação deturpada de suas funções originais.
(TILLY, 1995, p. 13-14, 53 apud KNIGHTS, 2009, p. 38). Tais associações e grupos tinham o objetivo de unir interesses de pessoas de classes mais baixas e média e um misto de eleitores e não incluídos, tendo um papel crucial no Projeto de Reforma de 183222, analisado pelo Parlamento inglês. Por meio de petições e “adresses”23, grupos e associações tinham o objetivo de influenciar os representantes em Westminster, mas também eram representantes num segundo e mais importante sentido, uma vez que o ato de coletar assinaturas envolvia indivíduos numa ação coletiva que reivindicava o status representativo. Peticionários rotineiramente reivindicavam falar para as pessoas, representar sua “vontade” ou mostrar a tendência da nação. Eles eram a “voz do país”. De acordo com Zaret (1996), a prática de impressão das petições facilitou a “invenção” da opinião pública e o desenvolvimento da esfera pública e de uma cultura democrática. Desse modo, o autor localiza no século XVII o surgimento de uma esfera pública influenciada pelos avanços técnicos na impressão de textos que apelavam à opinião pública, impondo uma ordem dialógica ao conflito político por meio de petições (ZARET, 1996, p. 1542)24. Algumas visões extraparlamentares defendidas pelas petições foram antiescravidão, representação mais igualitária das pessoas e ação contra o projeto repressivo do governo, que restringia o direito de reunião e de falar livremente, durante a Revolução Francesa (KNIGHTS, 2009, p. 42).
Vale ressaltar que a defesa do governo de um só homem, modelo que estava na base dos principados e ducados da Idade Média, e que as monarquias absolutas, com o advento dos tempos modernos, pareciam querer impor inexoravelmente, encontrou oposição também nas repúblicas italianas (SINTOMER, 2010, p. 67). Florença e Veneza são exemplos de cidades europeias que adotaram amplamente o sorteio, método ateniense de seleção dos
“representantes” na vida política25
, que tornava possível o autogoverno para uma fração de cidadãos politicamente ativos. Em Veneza, a partir do século XIII até o fim do século XVIII, o sorteio foi parte integrante do processo legislativo juntamente com a adoção de eleições. Nesta cidade, Sintomer (2010) aponta que o método não era utilizado com objetivos
22 Chamado “Reform Act”, buscava reformar o sistema eleitoral, atribuindo direito de sufrágio a cerca de 7% da
população e adoção de uma nova distribuição dos distritos eleitorais.
23
Adress é uma palavra inglesa usada para denominar o ato de discursar formalmente para uma audiência.
24Nesse texto, Zaret (1996) tenta desconstruir a tese de que o capitalismo e o protestantismo seriam os fatores
explicativos do desenvolvimento democrático da esfera pública no século XVII e XVIII. Para o autor, seu estudo demonstra que as causas da “invenção” da opinião pública derivam de aspectos econômicos e técnicos do avanço da impressão: a intensificação do mercantilismo e a capacidade de reprodução de textos.
25 Embora a palavra representação não fosse conhecida em Atenas, Manin (1997, p. 12) destaca que o método do
sorteio selecionava também um número limitado de pessoas para governar, uma vez que importantes poderes em Atenas pertenciam a uma parcela restrita da população com assento nos Conselhos ou Cortes e não ao demos ou Assembleia. Ademais, a seleção por sorteio envolvia uma série de restrições e salvaguardas que garantiam a seleção de pessoas qualificadas para a função.
igualitários presentes na república ateniense, mas como método de resolução de conflitos e com o objetivo de estabelecer uma divisão neutra e imparcial dos cargos entre as famílias ricas e as facções políticas que disputavam permanentemente o poder. Em Florença, apesar do governo ser dominado pela alta burguesia, o sorteio permitia a participação mais ampla na vida cívica, incluindo também a média e pequena burguesias.
Para Manin (1997), a exclusão do sorteio como método de escolha política não se deveu à impossibilidade técnica de processá-los em governos de Estados nacionais, mas justamente à mudança na concepção de legitimidade política. Além disso, argumenta que os revolucionários franceses e americanos não visavam o autogoverno do povo, mas o governo representativo, ou seja, uma aristocracia eletiva onde os melhores, designados pelas eleições e não pelos títulos de nobreza, são chamados para governar26. Sintomer (2010, p. 78-79)
sustenta que a tese de Manin está incompleta. Mesmo que a ideia de que um corpo de cidadãos escolhidos pode decidir melhor do que o povo sobre o bem comum seja antiga, os argumentos modernos em favor da “aristocracia eletiva” ganharam novos atributos. Subjacente a essa defesa está uma noção importada da economia política que aponta para uma divisão de trabalho entre a classe política, que passa a viver “da” política, para retomar a noção weberiana, e a esfera social, que passa a exercer sua soberania de maneira largamente abstrata. Nessa perspectiva, Araujo (2009) destaca que a principal distinção da representação política moderna não é o seu método de seleção, conforme apontado por Manin, mas a presença de algumas ideias desconhecidas pelos gregos, como o conceito de soberania, a divisão entre Estado e sociedade e a defesa de um poder abstrato que esteja acima dos poderes constituídos, como se verá na seção a seguir. Conforme mostra Gierke (1985, p. 87), a sobreposição de poderes entre Estado, governos locais e instituições como a Igreja católica no começo do Estado moderno, aos poucos foi sendo substituída por dois axiomas centrais da teoria política: a soberania do Estado e a soberania do indivíduo. O Estado é colocado numa posição de representante exclusivo de todos os interesses comuns da comunidade, definida no interior de um determinado território (AVRITZER, 2007a).
Nesse sentido, é possível concluir esta seção apontando que havia disputas em torno das questões “quem representa” e “por quais meios” que mostram a complexidade e a pluralidade da representação política no período de transição para o Estado moderno. Apesar
26 Apesar de o governo representativo, no século XIX, ignorar o sorteio, alguns autores continuaram a defendê-lo
como forma de resolver conflitos de forma imparcial e de manter o autogoverno. “O sufrágio pelo sorteio é da natureza da democracia, o sufrágio pela escolha é da natureza da aristocracia. O sorteio é uma maneira de eleger que não aflige ninguém; deixa a cada cidadão a esperança razoável de servir sua pátria” (MONTESQUIEU, 2005, p. 22).
de não haver qualquer relação conceitual ou institucional entre a transformação da representação na forma principal de operação das instituições políticas e sua modificação em autorização na única forma de organização do sistema político no interior dos Estados modernos (AVRITZER, 2007a, p. 449), a influência do pensamento liberal contratualista será decisiva para a definição da teoria da representação ligada à noção de soberania e depois de governo. A forma como compatibiliza as duas ordens de soberania – pública e privada – será a chave para se justificar a legitimidade do poder político e consolidar a unidade em torno do conceito de representação.