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HAKLARIN DAVA YOLUYLA KORUNMASI 1. HUKUK DAVALARI

ESER SAHİBİNİN HAKLARI VE KORUNMASI A. ESER SAHİBİNİN HAKLARI

B. ESER SAHİBİNİN HAKLARININ KORUNMASI 1. KORUMANIN KONUSU VE KAPSAMI

2. HAKLARIN DAVA YOLUYLA KORUNMASI 1. HUKUK DAVALARI

As interpretações sobre o PT e a CUT no Governo Lula compõem um quadro interessante de pesquisa, e sugerem problemáticas pertinentes, por exemplo: a relação entre partido e sindicato; a ênfase na figura de um político dotado de carisma e apoio popular; o problema organizacional no âmbito dos partidos e sindicatos, como a burocratização, a profissionalização e a necessidade de mudanças; e a participação de membros oriundos do proletariado no aparato estatal.

Embora as análises tenham se concentrado na atuação dos “sindicalistas no poder”, os argumentos mobilizados sugerem uma questão que merece um exame mais detalhado. É possível que a dinâmica de mudanças no interior da CUT e do PT tenha se realizado em dois planos, no processo de constituição da identidade e da estratégia política, como sugere respectivamente as abordagens de Perry Anderson (1996) e Adam Przeworski (1989) sobre os rumos do movimento operário europeu.

Por outro lado, pode-se afirmar também, que, as mudanças no perfil político daquelas organizações decorrem da dinâmica da conjuntura política e econômica, mas principalmente, devido à participação na arena político-institucional, e no embate político inerente a este espaço, como propõem a vertente do “transformismo”. Somadas a esta, as variantes do populismo (o “lulismo” e o “bonapartismo”), contribuem para entender o desempenho das lideranças petistas e cutistas na defesa da realização do “pacto social” e de reformas deletérias para a classe trabalhadora.

Nesses termos, consideramos necessário preservar as relações entre identidade e estratégia, e a partir daí, destacar outra, qual seja, o papel do Estado na interação com o movimento operário. O tema foi examinado pelo cientista político Gerardo Munck13, em artigo sobre os desafios enfrentados pelos movimentos sociais na participação com o aparato estatal, e pode auxiliar na apreensão desta dinâmica.

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Entretanto, algumas adequações precisam ser realizadas no esquema proposto por Munck, tendo em vista a complexidade de nosso objeto de pesquisa. O autor propõe uma perspectiva de estudo centrada nos movimentos sociais. Cabe lembrar que, os movimentos a qual ele se refere, eram bastante distintos dos que, na mesma época, afloravam no Brasil e em outros países da periferia do sistema capitalista.

Embora fossem inegáveis os pontos de conexão, as demandas dos “novos movimentos sociais” dos países de capitalismo central apontavam para questões relativas ao estilo de vida como a defesa de direitos políticos e sociais, assim como a preservação do meio ambiente. Enquanto os “novos movimentos sociais” brasileiros (para ficarmos neste caso), se voltavam para reivindicações de creches, saneamento básico, barateamento do custo de vida e reivindicações operárias consideradas clássicas, tudo isso articulado a resistência ao regime militar (SADER, 1988).

Além disso, o autor emprega o conceito de “movimentos sociais”, como uma categoria abrangente de movimentos políticos de caráter popular. No entanto, faremos uso do conceito de movimento operário. Conforme Alain Bihr (1998:19), este pode ser caracterizado por formas organizacionais, institucionais e ideológicas, que correspondem a uma estratégia na luta de classes, relacionado ao projeto de emancipação do proletariado. Assim, pode-se afirmar que o PT e a CUT fazem parte de um movimento deste tipo, uma vez que, são originários das lutas grevistas, classistas e anticapitalistas gestadas na época do movimento conhecido como “novo sindicalismo”.

Por fim, a proposta sugerida por Munck apresenta algumas limitações, tais como: o papel desempenhado pelas ideologias na constituição da identidade coletiva. A disputa de hegemonias no campo da política é mencionada sob a forma de “atores no interior de uma estrutura de conflitos”, não há qualquer referência à luta de classes, apenas sugestões da ocorrência delas. No que tange à noção de estratégia, considera-se a perspectiva de uma relação entre meios e fins, que estaria relacionada com os desafios aos quais a organização precisa lidar ao interagir com o Estado.

Apesar de não abordarmos detalhadamente a proposta sugerida pelo autor, nos concentraremos no exame da dinâmica entre as identidades e as escolhas estratégicas, relacionando-as à participação no aparato estatal. Deste modo, tenciona-se examinar a constituição da identidade coletiva a partir da determinação estrutural. Resgataremos a concepção

formulada por Antônio Gramsci (1974), segundo a qual a formação de identidade no interior da sociedade capitalista é constantemente moldada, redefinida e reconstruída em virtude, dos conflitos e disputas na sociedade.

A relação entre os lugares ocupados pelos indivíduos na sociedade e sua identidade emerge assim, como uma conseqüência histórica da contingência dos conflitos. A consciência acerca desta identidade, segundo Gramsci (1974:41), “advém, portanto, através de uma luta de ‘hegemonias’ políticas, de direções constantes, primeiro no campo da ética, depois no da política, para chegar a uma própria concepção do real.”

Gramsci destaca o papel do partido político como articulador da classe operária e instrumento na elaboração da consciência prática e teórica da luta de classes. A participação dos partidos operários nas instituições burguesas deveria operar de forma pedagógica, possibilitando a difusão do ideário da classe operária a outros setores da sociedade. Para Gramsci, o Estado continuava a ser o lugar onde as disputas hegemônicas acontecem.

Diante disto, torna-se possível elaborar um conceito de identidade determinada por uma relação estrutural. O processo de constituição da classe operária define, em grande parte, o que vem a ser identidade, e não pode ser entendida independentemente do conflito com o capital, da experiência, dos desafios culturais e estruturais, que dificultam ou desmobilizam o movimento dos trabalhadores.

Entende-se por estratégia política, os meios mobilizados para a concretização de um objetivo, no caso, a transformação social e a emancipação dos trabalhadores. De acordo com Vladimir Lênin (1998) estratégia política deveria ser responsabilidade de um grupo de dirigentes de partidos, que tomariam as decisões sobre os rumos do partido operário.

Nesta acepção, as estratégias políticas relacionam-se diretamente com a conjuntura política, com os desafios impostos, com as oportunidades e com os constrangimentos, para transformar a “oportunidade histórica” em história real, tendo em vista a correlação de forças sociais, a possibilidade de construção de alianças políticas, e as formas de luta mobilizadas.

Sendo assim, a identidade e a estratégia estão relacionadas com as disputas na esfera da política. A trajetória de eventos pode indicar que as mudanças no perfil destes movimentos podem sofrer influência de alguns fatores: como a fragilidade diante das investidas do capital na produção, no plano das ideologias, a correlação de forças políticas na sociedade e os conflitos no interior da própria organização.

Capítulo 2 – Da transformação social à defesa da cidadania: as mudanças na identidade e na estratégia do PT e da CUT (1978-2002)