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A atual Constituição do Brasil traz, já no Título II, Capítulo II, previsão quanto aos direitos sociais, que vão do artigo 6º ao artigo 11º. O artigo 6º diz o seguinte: “São direitos sociais a educação, a saúde, a alimentação, o trabalho, a moradia, o lazer, a segurança, a previdência social, a proteção à maternidade e à infância, a assistência aos desamparados, na forma desta Constituição.” Conforme se verifica, a seguridade social se perfectibiliza no texto constitucional como um direito social.

No Título VIII, Capítulo I, a partir do artigo 193, a Constituição retoma a temática da Ordem Social e diz: “A ordem social tem como base o primado do trabalho, e como objetivo o bem-estar e a justiça sociais.” Assim, resta evidenciada a intenção do legislador em criar um Estado de Bem-estar Social que tem como fundamento primeiro o trabalho.

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Os direitos sociais, consagrados na Constituição do Brasil, são, na verdade, direitos fundamentais de segunda dimensão, como por exemplo, o direito ao bem-estar social, direito ao trabalho, à saúde e à educação, possibilitando melhores condições de vida aos mais fracos, através da previsão do direito à igualdade.35

O direito social atinge várias esferas da vida em sociedade, dentre elas, o trabalho. Ao elencar direitos e garantias ao trabalhador, busca-se a efetivação de um Estado moderno, que vise ao desenvolvimento social com uma distribuição mais igualitária. Essa busca do bem- estar social não é privilégio apenas do Brasil, mas a regulamentação constitucional brasileira segue a tradição dos países desenvolvidos, inclusive utilizando-se de uma maior intervenção estatal para alcançar esse objetivo.

Os direitos sociais insculpidos na Constituição do Brasil, por fazerem parte dos direitos fundamentais, são considerados como cláusulas pétreas, não podendo ser modificadas. De acordo com Paulo Lopo Saraiva36, “Caso o Estado Brasileiro não possa garantir, de imediato, todos os direitos sociais preconizados pelo Texto Maior, priorize o atendimento do Jus Habitandi e do Jus Laborandi”. Desse modo, constata-se que a Constituição do Brasil elevou os direitos fundamentais trabalhistas e previdenciários à condição de verdadeiros limites materiais à atuação normativa tendente à sua abolição.

Sendo direitos fundamentais, ou seja, que constituem valores eternos e universais, possuem as seguintes características, as quais podem ser acrescidas de outras: historicidade, inalienabilidade, imprescritibilidade e irrenunciabilidade.

Quanto à historicidade, cumpre dizer que os direitos são criados em um determinado contexto histórico, e quando colocados na Constituição se tornam direitos fundamentais. Em

35SILVA, José Afonso da. Curso de Direito constitucional positivo. São Paulo: Ed. Malheiros. 2002, p. 289.

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SARAIVA, Paulo Lopo. Garantia constitucional dos direitos sociais no Brasil. Rio de Janeiro: Forense, 1983, p. 105

relação à inalienabilidade, significa dizer que são direitos intransferíveis, inegociáveis, indisponíveis. No que diz respeito à imprescritibilidade, pode-se dizer que os direitos fundamentais não prescrevem, ou seja, não se perdem com o decurso do tempo. Por fim, quanto à irrenunciabilidade, importa dizer que os direitos fundamentais não podem ser renunciados, embora alguns deles possam não ser exercidos.

Os direitos sociais contidos na Constituição do Brasil relacionam-se com as liberdades e prestações positivas do Estado, objetivando a melhoria das condições de vida das pessoas vulneráveis, no caso, os hipossuficientes econômicos.

Desse modo, necessário reconhecer os direitos sociais trabalhistas e previdenciários como direitos fundamentais protegidos contra qualquer forma de anulação.

Os direitos sociais são conceituados por Silva como sendo “prestações positivas proporcionadas pelo Estado direta ou indiretamente, enunciadas em normas constitucionais, que possibilitam melhores condições de vida aos mais fracos, direitos que tendem a realizar a igualização de situações sociais desiguais.”37

O artigo 7º da Constituição do Brasil prevê os direitos dos trabalhadores urbanos e rurais, elencando um rol de direitos do trabalhador. Para garantir que esses direitos fundamentais não sejam enfraquecidos pelos governantes é que existe o princípio do não- retrocesso social, o qual foi expressamente acolhido pelo ordenamento jurídico brasileiro através do Pacto de São José da Costa Rica. Segundo Barroso, embora o princípio do não- retrocesso social não esteja explícito, detém plena aplicabilidade.38 Esse princípio caracteriza- se pela impossibilidade de reduzir os direitos sociais amparados na Constituição.

37 SILVA, José Afonso da. Curso de Direito constitucional positivo. 15.ed. São Paulo: Saraiva, 1998. p. 289.

38

BARROSO, Luís Roberto. O Direito constitucional e a efetividade de suas normas. 5. ed. Rio de Janeiro: Renovar, 2001, p. 158.

De acordo com Canotilho39, a proibição de retrocesso social faz com que os direitos sociais estejam garantidos como núcleo efetivo do ordenamento jurídico. Dessa forma, o legislador fica proibido de legislar com o fim de reduzir ou abolir direitos.

Conforme entendimento de Sarlet40,

A garantia de intangibilidade desse núcleo ou conteúdo essencial de matérias (nominadas de cláusulas pétreas), além de assegurar a identidade do Estado brasileiro e a prevalência dos princípios que fundamentam o regime democrático, especialmente o referido princípio da dignidade da pessoa humana, resguarda também a Carta Constitucional dos “casuísmos da política e do absolutismo das maiorias parlamentares”.

No mesmo sentido, Bonavides41 ensina que a harmonia da hermenêutica constitucional dos direitos fundamentais com os postulados do Estado social e democrático de direito é que pode iluminar e servir de guia aos juristas, que têm como base os princípios gravados na Constituição do Brasil, nos artigos 1º, 3º e 170. Para esse doutrinador, é inconstitucional toda inteligência que venha a restringir os direitos e garantias individuais, o que não pode servir de suporte para afastar os direitos sociais constitucionalmente garantidos.

Essa proibição do retrocesso social consiste em uma importante conquista, favorecendo e fortalecendo as estruturas da assistência social do Estado e garantindo sustentação aos direitos fundamentais.

No entendimento de Jorge Miranda42, a proibição de retrocesso consiste em impugnar judicialmente qualquer medida que conflite com o conteúdo da Constituição do Brasil, devendo ser rechaçadas as medidas legislativas que tenham como objetivo subtrair

39

CANOTILHO, Joaquim José Gomes. Constitucional e teoria da constituição. 3. ed. Coimbra: [s.n.], 1998, p. 340.

40

SARLET, Ingo Wolfgang. A eficácia dos direitos fundamentais. 5. ed. Livraria do Advogado, 2003, p. 354.

41

BONAVIDES, Paulo. Curso de Direito constitucional. 25. ed. São Paulo: Ed. Malheiros. 2010, p. 641.

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supervenientemente a uma norma constitucional o grau de concretização anterior que lhe foi outorgado pelo legislador.

No que diz respeito à normatividade e aplicabilidade dos direitos sociais, Bonavides43 afirma que esses direitos “[...] passaram primeiro por um ciclo de baixa normatividade ou tiveram sua eficácia duvidosa, em virtude de sua própria natureza de direitos que exigem do Estado determinadas prestações materiais nem sempre resgatáveis por exiguidade, carência ou limitação essencial de recursos.”

Na Constituição do Brasil, a Seguridade Social engloba as políticas da Previdência Social, Assistência Social e Saúde. A partir dela, leis e decretos foram criados em benefício da sociedade.

Dentre os direitos sociais do trabalhador, podem ser encontradas as ações da seguridade social, as quais são financiadas por toda a sociedade, de forma direta e indireta, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos municípios, e das contribuições sociais, conforme preceitua o artigo 195 da Constituição do Brasil44.

2.3 A PROTEÇÃO CONSTITUCIONAL DO TRABALHADOR PORTADOR DE