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1. GÜNDELİK-DIŞI OYUNCULUK TEKNİĞİNİN GELİŞİMİ

1.3. Grotowski, Yoksul Tiyatro ve Bütünsel Edim

Segundo Nottingham (2011), as referências ao esgotamento urbano de Fortaleza são raras até o século XIX, uma vez que os avanços no atendimento

público à população foram lentos e deficientes até a segunda metade do século XX. Até então, conforme relata Ponte (2010), a maioria da população fortalezense ainda tinha a fossa rudimentar como principal instrumento de destinação de seus esgotos domésticos, muitas vezes construídas próximas de cacimbas e poços. Esta proximidade entre as fontes de obtenção de água e os depósitos de resíduos contribuía para o aumento na proliferação de doenças de veiculação hídrica, como a cólera.

De acordo com Bento (2011), foi a partir da consolidação de Fortaleza como capital e principal centro urbano cearense e, mediante o crescimento demográfico e econômico, que políticas de implantação de infraestruturas básicas ganham força, a fim de melhorar a vivencia neste núcleo urbano.

Os levantamentos históricos apontados pelo Plano Municipal de Saneamento Básico de Fortaleza de 2014 informam que Fortaleza teve projetado em 1911 seu primeiro sistema de esgotamento sanitário, que teve suas operações iniciadas em 1927 e cobria uma porção da região central da cidade enviando os efluentes coletados diretamente ao mar sem qualquer tratamento, na região da praia Formosa (FORTALEZA, 2014). A continuidade das ações de implementações de benfeitorias sanitárias coletivas seguiu de forma lenta e priorizando as regiões mais nobres da cidade.

Em 1971, quando apenas 8% da população contava com rede coletora de esgoto, foi criada a Companhia de Água e Esgoto do Ceará – CAGECE, através da Lei 9.499/71, sob a forma de empresa de economia mista (CAGECE, 2011).

O período de 1996 a 1998 mostrou-se um marco na recente história de Fortaleza quanto ao oferecimento do serviço de esgotamento sanitário, com a execução do projeto Sanear I, que elevou o atendimento com serviços de esgotamento sanitário de 18% para 60% – baseado na população da época – a partir da construção da Estação de Pré-condicionamento de Esgoto (EPC), automatizada e com capacidade para tratar 4,5 m³/s de esgoto. Atualmente, a EPC, em conjunto com redes coletoras, coletores-tronco, interceptores, estações elevatórias, linhas de recalque, estação de tratamento de odores e emissário submarino, constitui o chamado sistema integrado de tratamento, formando um sistema de disposição oceânica (CAGECE, 2010). De acordo com a Cagece,

Fortaleza conta com índices de cobertura de 98,64% para água e 57,10% para esgoto. (CAGECE, 2016a).

Progressivamente, grande parte do crescimento da cidade deu-se no sentido de afastar-se das regiões nobres no centro e litoral, observando-se um aumento significativo dos conjuntos habitacionais dos bairros periféricos. Alguns destes atualmente contam com o processo de coleta, tratamento e disposição concentrado em um mesmo local, constituindo-se assim os chamados sistemas isolados (FORTALEZA, 2014).

Analisando a cobertura do sistema de esgotamento sanitário do município de Fortaleza (figura 18), podemos perceber que o sistema integrado cobre toda a bacia da Vertente Marítima e parte das bacias do Cocó e do Siqueira.

Outra informação trazida pela figura 18 é qual o estado das diversas regiões da cidade frente à existência ou não de rede coletora de esgoto, bem como sua situação quanto à captação de recursos para projetos e obras de coleta, transporte e tratamento de esgoto. Uma vez conhecendo a distribuição demográfica destas regiões, o Plano de Saneamento Básico do Município de Fortaleza (FORTALEZA, 2014) estima a quantidade de habitantes submetida a cada um destes status do sistema (tabela 8).

Tabela 8 – Situação da Ligação de Esgoto

Status do sistema População (hab.) Percentual (%) Existente (incluindo sistemas isolados) 1.545.829 60,7

Em Andamento 305.759 12,0

Recurso Assegurado para Obra 115.422 4,50 Em Captação de Recursos Financeiros 90.390 3,60 Recurso assegurado para Projeto 418.880 16,5

Recursos a Equacionar 52.719 2,10

Demais Bacias 15.876 0,60

Total 2.544.875 100

Figura 18 – Cobertura do sistema de esgotamento sanitário de Fortaleza

Juntos, os sistemas isolados e o sistema integrado conseguem atender 57,10% da população fortalezense, contabilizando 388.711 imóveis ligados a rede de esgoto. Este número poderia crescer em cerca de 16%, caso os 63.642 imóveis – estimados por estudos da companhia – que estão em áreas com disponibilidade de rede de esgoto efetuassem a ligação (CAGECE, 2016b). A situação da ligação destes imóveis encontra-se representada na tabela 9.

Tabela 9 – Situação da Ligação de Esgoto em áreas com rede

Situação Descrição Número de imóveis

Ativo Normal Ativas e individuais: rede convencional na via pública 315.416 Ativo Condominial Ativas compartilhadas entre imóveis: com caixas coletoras nos quintais (fundo de lote); 36.803 Faturado para outro

Imóvel Ativas compartilhadas entre imóveis: caixas coletoras independentes; 13.95 Suspenso Suspensas por solicitação de corte de água ou decisão judicial; 22.540 Sem Condição de

Interligação Disponíveis, mas sem condições de interligação (desnível de solo); 4.073 Tamponado Interligadas mas bloqueadas pela companhia; 780 Ligado sem

Interligação Ligação com caixa instalada mas sem interligação ao imóvel; 20.854 Factível Rede disponível sem existência de caixa para interligação 42.008

Total de ligações

Imóveis Interligados à Rede 388.711

Imóveis Não Interligados à Rede 63.642

Fonte: CAGECE, 2016b.

Ao avaliar o processo de desenvolvimento urbano – e em particular o tocante ao serviço de esgotamento sanitário – é possível inferir que as características socioeconômicas das diversas regiões de Fortaleza estão associadas à observância da presença ou falta de soluções adequadas para o descarte e tratamento de efluentes, de modo que podemos destacar que:

a) A área norte da cidade – sobretudo os bairros próximos ao litoral leste, caracterizados por uma elevada verticalização e alto poder aquisitivo, como por exemplo Meireles, Aldeota, Mucuripe e Varjota – já são contempladas pelo sistema integrado.

b) Embora a área da bacia do rio Cocó em Fortaleza caracterize-se por ser a de menor densidade de ocupação em relação às demais, apresenta-se com maiores perspectiva de crescimento demográfico

(FORTALEZA, 2003). Isso pode ser analisado sob duas perspectivas diferentes:

– Nas regiões nobres que ainda não contam com rede coletora de esgotos, existe uma grande quantidade de empreendimentos particulares – sobretudo condomínios residenciais de alto padrão – que possuem suas próprias estações de tratamento de esgotos, licenciadas e fiscalizadas pela SEUMA e acompanhadas por um responsável técnico, o que representa um custo acessível a este perfil populacional;

– Nas regiões de condições mais precárias – sobretudo naquelas não contempladas pelo sistema integrado – os corpos hídricos da bacia do Cocó sofrem variados impactos decorrentes dos baixos percentuais de esgotamento sanitário e um significativo número de domicílios sem instalações sanitárias domiciliares, como observado nos bairros do Jangurussu, Barroso, Passaré, Castelão, Mata Galinha e Cajazeiras.

c) Na região compreendida pela bacia do Maranguapinho/Siqueira, também pode se observar uma grande quantidade de bairros com baixa cobertura de esgotamento e elevado adensamento populacional, sobretudo nas margens do rio Maranguapinho, tornando o rio um depósito de dejetos e resíduos sólidos (CARLEIAL; ARAÚJO, 2010).