3. YAPI BİLGİ SİSTEMLERİ
3.3 Yapı Bilgi Sisteminin Gelişim Süreci
3.3.3 GLIDE-II ve CAEADS
3.3.3.1 GLIDE-II
Primeiramente será esclarecido o uso de termos atribuídos ao conceito de MO utilizado neste estudo. Antes de Baddeley propor o primeiro modelo de MO, em 1974, a memória era dividida em curto-prazo e longo-prazo. A memória de curto-prazo era definida como um sistema de capacidade limitada, responsável pela retenção de informações ordenadas (Baddeley e Hitch, 1974). Observando os resultados de pesquisas, os quais apontavam uma relação entre este tipo de memória e atividades como o raciocínio, o aprendizado ou a compreensão, Baddeley e Hitch desenvolveram o modelo de MO. Este modelo teve como objetivo adequar o conceito de memória de curto-prazo às novas descobertas, pois eles observaram que, em algumas situações, a memória de curto-prazo atuava como uma MO (Baddeley, 1986). A partir daí, muitos estudiosos começaram a adotar somente o termo MO, porém outros empregavam os dois termos para referir dois diferentes processos de memória. Um deles, a memória de curto-prazo, responsável apenas pela retenção de informação e seu resgate imediato e
o outro, a MO, compreendido por um sistema mais complexo que retém a informação durante um tempo maior, enquanto outras atividades são realizadas e, somente depois, é feito o resgate.
Considerando que esta pesquisa se baseia no conceito de Baddeley, a memória de curto-prazo será tratada como MO. A diferença está na demanda necessária de MO que a atividade irá exigir.
Uma vez que estes termos foram esclarecidos, os testes de repetição de palavras e de dígitos serão discutidos a seguir.
O teste de repetição de palavras exige que o sujeito memorize os itens apresentados auditivamente e os repita na mesma seqüência. Segundo Baddeley et al (1975) e Baddeley (1986), a MO exerce dois efeitos na memorização da informação verbal: o efeito de similaridade fonêmica e o efeito de extensão de palavras. Baddeley (1986) concluiu que nas situações em que o material a ser processado pela memória operacional apresentava alguma similaridade fonêmica, o span do indivíduo diminuía em relação ao span de informações sem similaridade fonêmica. O autor justifica a presença deste efeito devido ao estoque ser fonológico. Sendo assim, itens semelhantes apresentam menos pistas distinguíveis que itens diferentes e daí, são mais susceptíveis ao esquecimento. A similaridade dos significados não apresenta este efeito, sugerindo que a alça fonológica não é responsável pela codificação semântica (Baddeley, 1992).
O mesmo resultado foi encontrado quanto à extensão das palavras. Quanto maior a extensão das palavras a serem estocadas, reverberadas e resgatadas da MO, menor o span se tornava (Baddeley, 1986). Segundo Baddeley et al (1975) (1984) e Baddeley (1986), os sujeitos têm maior capacidade de memorizar itens mais curtos, que utilizariam uma menor capacidade da MO. Ou seja, o span de itens curtos é sempre maior que o span de itens com maior extensão, uma vez que itens mais longos ocupariam mais espaço na memória.
Para manter a informação de fala na alça articulatória, para um possível resgate após um determinado tempo, é realizada uma reverberação subvocal. Esta reverberação é utilizada também na produção da fala (Baddeley, 1986).
Baddeley et al (1984) e Baddeley (1986) realizaram a supressão articulatória em seus experimentos. Com esta estratégia, o indivíduo estaria abolindo a função da alça articulatória de manutenção do material durante a repetição de informações. Assim, enquanto o material era fornecido aos sujeitos, eles eram instruídos a produzirem algum outro material de fala, que impedisse a função de reverberação subvocal da alça
articulatória. Os autores concluíram que na presença da supressão articulatória, o span da MO encontrava-se diminuído. Além disso, o efeito de extensão de palavras, comumente descrito nas pesquisas com listas de palavras, foi abolido com a presença da supressão articulatória, porém o efeito de similaridade fonêmica permaneceu, mesmo com a presença da supressão articulatória.
Assim, Baddeley (1986) sugeriu que estes dois efeitos provêm de diferentes componentes da alça articulatória. O efeito de extensão das palavras deve ocorrer a partir da função de resgate do material de fala promovido pelo processo articulatório enquanto o efeito de similaridade fonêmica deve ocorrer devido à função de estocagem do material de fala pelo estoque fonológico.
Waters et al (1992) realizaram um estudo comparando apráxicos e controles e verificaram que o grupo de apráxicos apresentou span diminuído, além da ausência do efeito de extensão de palavras. Já Howard et al (2000) observaram que os sujeitos normais, sob condição de supressão articulatória, agiam como os apráxicos e também não apresentavam o efeito de extensão de palavras.
Sendo assim, seria esperado, neste estudo, o efeito de extensão de palavras nos sujeitos-controle e sua ausência nos apráxicos. Os pacientes apráxicos realmente apresentaram médias idênticas (tabela 2), tanto na repetição de palavras curtas quanto longas, demonstrando ausência do efeito de extensão. Já nos controles, apesar da média do span de palavras curtas ser maior que o de palavras longas, essa diferença não foi estatisticamente significante (tabela 3). Analisando as palavras utilizadas no teste, pode-se observar que a diferença de extensão entre as curtas e as longas é considerada pequena. Baddeley et al, 1975 e 1974, utilizaram palavras com uma sílaba e compararam seu span com o de palavras de cinco sílabas. Talvez a utilização de palavras com uma maior diferença entre suas extensões pudesse permitir a ocorrência do efeito de extensão.
De acordo com a comparação dos resultados entre os apráxicos e os controles (tabela 3), pode-se verificar uma diferença estatisticamente significante, tanto no span de palavras curtas quanto no de palavras longas. Estes resultados serão discutidos juntamente com a comparação entre os grupos no teste de dígitos.
A partir de agora, uma discussão mais cuidadosa sobre a diferença na performance entre os grupos, tanto no DS quanto na repetição de palavras (tabela 3) será desenvolvida.
Considerando-se o fato dos apráxicos apresentarem uma alteração na prosódia, devido a uma lentificação da fala, pois hesitam na programação (Darley et al, 1975),
poder-se-ia relacionar o déficit da MO com a diminuição da velocidade da fala. Isto poderia ocorrer, pois durante o ato motor, os itens a serem falados já teriam sido esquecidos, em vista do maior tempo utilizado para articular.
A participação da alça fonoarticulatória tanto no DS quanto na repetição de palavras é evidente. Belleville et al (2002) realizou um estudo com um paciente que apresentava alteração de MO, mais especificamente no componente fonoarticulatório. Foram aplicadas tarefas de memória de material semântico e fonológico. O paciente apresentou um importante déficit na memorização da informação fonológica e, apesar da memorização da informação semântica ter sido melhor, ele não utilizou as características fonológicas das palavras para auxiliá-lo na recordação. Ou seja, seu desempenho em relação ao material semântico poderia ter sido melhor se ele utilizasse as características fonológicas, como uma pista adicional para a memória, através da alça fonoarticulatória. Em vista disso, apesar dos itens dígitos, utilizados no presente estudo, apresentarem informações mais puramente fonológicas do que as palavras, que possuem importante carga semântica, a alça fonoarticulatória é ativada na memorização de ambos os estímulos.
A partir dos resultados obtidos, tanto no DS quanto na repetição de palavras, no grupo de pacientes apráxicos, pode-se afirmar que estes sujeitos apresentam um déficit na MO. Este mesmo achado foi descrito por Waters et al (1992) que compararam o DS e o WS (word span) entre sujeitos apráxicos e controles. Observaram uma redução do span nos apráxicos e ausência do efeito de extensão de palavras. Os autores concluíram que esta alteração no resgate da informação, encontrada nos apráxicos, envolve o estágio de planejamento articulatório da produção de fala.
Howard et al (2000) verificaram a relação entre a MO e a apraxia de fala. Eles compararam a memória em 43 indivíduos normais e 36 indivíduos com Doença de Parkinson (DP). Destes indivíduos com DP, todos apresentavam disartria e 14 deles apresentavam um quadro de apraxia de fala associado. Seus resultados indicaram uma redução do span de memória nos apráxicos. Além disso, os autores revelaram que esta diminuição no span não estava relacionada à velocidade articulatória, uma vez que a fala dos apráxicos apresentava a mesma velocidade de fala dos indivíduos normais. Eles sugeriram que a alteração na memória pode ter sido provocada por alteração tanto na alça fonoarticulatória, quanto no baixo funcionamento do executivo central dos indivíduos com DP.
A relação da redução do span de memória com a velocidade articulatória é discutida em diversos estudos. Standing et al (1980) afirmaram que a memória varia de acordo com a capacidade de reverberação subvocal, apesar de não depender do tipo de reverberação utilizado, seja ele silencioso ou sussurrado. Sendo assim, eles concluíram que a reverberação não depende do componente motor e sim da velocidade do processamento subvocal. Hitch et al (1989) também determinaram que o efeito de extensão de palavras, ou seja, itens mais longos ocupam mais espaço na memória, não reflete o tempo utilizado para subvocalizar. O aumento do material memorizado depende da velocidade ou da fluência da subvocalização realizado pelo indivíduo. Service (1998) referiu que é a estrutura fonológica da informação, isto é, a complexidade fonêmica que interfere no efeito de extensão. Segundo ela, quanto maior a complexidade fonêmica do material, mais limitado se torna o processo de resgate da informação. Coincidentemente ou não, sabemos que, quanto maior a complexidade fonêmica, mais erros são cometidos pelos indivíduos apráxicos.
A redução da capacidade da MO dos apráxicos deve ser relacionada, portanto, à perda da capacidade de reverberação subvocal destes indivíduos. Porém, não ao aspecto motor da subvocalização, e sim ao seu processamento “mental”, independentemente, de algum comprometimento motor. Se a diminuição do span estivesse relacionada à reverberação motora, os indivíduos normais com supressão articulatória não apresentariam os mesmos resultados dos apráxicos, já que eles não possuem nenhum comprometimento motor, como observou Howard (2000). Sendo assim, pode-se concluir que a capacidade de MO depende da velocidade do processamento mental da subvocalização.
Assim como relatou Waters et al (1992), o processo de resgate da informação realizado pela alça fonoarticulatória acontece no mesmo estágio do planejamento articulatório. Pode-se sugerir, contudo, que este estágio, comprometido nos apráxicos, implique também em uma alteração da MO.
Para um melhor entendimento dos processos que fazem parte da produção de fala, o modelo proposto por Levelt et al (1999) será descrito a seguir. A produção de fala é composta por quatro estágios. O primeiro, denominado preparação conceitual, escolhe a mensagem a ser transmitida. O segundo estágio, a seleção lexical, seleciona as palavras que serão utilizadas na mensagem. Posteriormente, as formas morfológica e fonológica das palavras são selecionadas, o chamado estágio de codificação morfofonológica. E, por último, a codificação fonética. Esta etapa final é muito importante na relação da alça fonoarticulatória com a programação motora da
fala. Neste momento, os gestos adequados para produzir cada fonema são selecionados. As representações dos gestos articulatórios são determinadas de maneira sucessiva, correspondendo aos fonemas já pontuados no estágio anterior. Neste mesmo estudo, Levelt et al afirmam que a seleção dos fonemas se completa antes do início da articulação. Este fato pode ser observado na antecipação de algum erro e sua correção durante a fala. Na emissão oral, a antecipação de um erro é possibilitada através do processo de automonitoramento. Isto acontece devido ao controle da “fala interna”, ou seja, dos gestos escolhidos no último estágio, antes mesmo destes serem produzidos.
Considerando que a última etapa do modelo proposto por Levelt et al (1999) se refere à escolha dos gestos articulatórios correspondentes aos fonemas, pode-se dizer que é nesta fase do processamento que é realizada a programação motora da fala. E, assim, os sujeitos apráxicos apresentam alguma alteração neste nível do processamento.
Gathercole e Baddeley (1993), tentaram relacionar o papel da alça fonoarticulatória da MO com o complexo processo de produção de fala. Através de uma revisão bibliográfica, eles concluíram que os processos de controle e resgate articulatório podem ser os mesmos responsáveis pelo controle da saída da fala. Sendo assim, alterações na produção oral irão interferir no processo de reverberação subvocal, realizado pela alça fonoarticulatória. Os autores finalizam o estudo, sugerindo que a manutenção subvocal das informações nesta alça envolve os mesmos processos utilizados na programação motora da fala.
De acordo com estes relatos da literatura, pode-se supor que o déficit de MO encontrado nos apráxicos provém de algum tipo de interrupção no processo de reverberação subvocal, e este influencia tanto o resgate da informação quanto a programação da fala.
Retomando o segundo objetivo do presente estudo, quais os componentes da MO que influenciam a apraxia, pode-se afirmar que o principal sistema envolvido é a alça fonoarticulatória, mais especificamente o seu processo articulatório. Como informações visuais não fazem parte da praxia de fala, a influência da alça visuo- espacial está descartada. As participações do estoque fonológico e do buffer episódico serão abordadas na seguinte discussão dos resultados obtidos no teste RAVLT.
A partir dos resultados observados na tabela 2, observa-se que, apesar dos apráxicos apresentarem uma capacidade para aprender, este aprendizado não foi tão bem sucedido quanto o aprendizado dos sujeitos normais. De acordo com a tabela 3,
uma diferença estatisticamente significante nas tarefas de evocação imediata, evocação tardia e reconhecimento foi verificada entre os apráxicos e os controles. Segundo Humes e Floyd (2005), o aprendizado de seqüências deve envolver, principalmente, o processo de reverberação subvocal, que mantém a informação disponível na MO.
A tarefa de evocação imediata, primeira tentativa de evocação da lista A, é considerada similar à tarefa de repetição de palavras. Portanto, os mesmos processos são realizados aqui e o principal componente da MO responsável por esta atividade é o processo articulatório da alça fonoarticulatória, como acontece na repetição de palavras. Este processo estoca as palavras no estoque fonológico, as mantém disponíveis através da reverberação e, finalmente as resgata para a produção de fala (Gathercole e Baddeley, 1993).
A evocação tardia pode revelar, além da alça fonoarticulatória, o envolvimento do buffer episódico. Este mais novo componente da MO foi adicionado a fim de justificar a integração de diferentes tipos de informações (visual, auditiva) e a transferência destas informações de uma memória de curto-prazo para uma memória de longo-prazo. Assim, o buffer episódico compreende um sistema de capacidade limitada que proporciona um estoque temporário de informações e é capaz de integrar o material das alças articulatória e visuo-espacial juntamente com o material da memória de longa duração em uma representação episódica final (Baddeley, 2000). Durante a evocação tardia, o indivíduo utiliza tanto a alça fonoarticulatória quanto o
buffer episódico para resgatar o material estocado na memória de longo-prazo.
Segundo Baddeley et al (1998), durante o aprendizado, a alça fonoarticulatória parece promover a entrada de estruturas mais permanentes, as quais serão estocadas em um léxico mental. Os autores afirmam que a verdadeira função deste componente é o aprendizado de novas palavras, e não a simples memorização de seqüências de estímulos. Esta última tarefa acontece secundariamente ao aprendizado. Eles também referem que o aprendizado de palavras familiares requer a participação da alça fonoarticulatória, porém ele é mediado pelo uso do conhecimento já existente. Porém, Burgess e Hitch (2005) relataram que este envolvimento da memória de longo-prazo também acontece na repetição de palavras.
Sendo assim, nesta prova, o sujeito utiliza um conhecimento prévio, estocado na memória de longo-prazo, para facilitar e auxiliar a memorização de palavras e, assim, seu aprendizado. A viabilidade desta conexão, entre a memória operacional e a memória de longo-prazo, é realizada pelo buffer episódico (Baddeley, 2000).
Considerando o baixo desempenho dos apráxicos na evocação tardia, pode-se sugerir que, além do comprometimento funcional da alça fonoarticulatória, já descrita anteriormente, é relevante investigar se o buffer episódico também estaria comprometido.
Este achado pode ser melhor discutido através dos resultados obtidos na tarefa de reconhecimento. Novamente foi encontrado um baixo desempenho, no grupo apráxico, estatisticamente significante, se comparado ao desempenho dos controles. Porém, vale ressaltar que, nesta tarefa, a alça fonoarticulatória não é tão requisitada e exigida como nas outras evocações do RAVLT, uma vez que o estímulo é fornecido e sua função é apenas compará-lo aos estímulos estocados no buffer episódico e não resgatá-lo.
Em relação aos apráxicos, comparando as médias das palavras resgatas na evocação tardia, 4,1, de um total de 15 palavras com a média das palavras reconhecidas, 24,1, de um total de 30 palavras (tabela 2), pode-se concluir que estes indivíduos apresentaram melhor performance no reconhecimento e, portanto, o buffer episódico não esteja influenciando a apraxia de fala. Talvez o baixo desempenho do teste de reconhecimento, se comparado aos resultados dos controles, se explique devido ao comprometimento da alça fonoarticulatória já esclarecido previamente.
Sendo assim, pode-se sugerir que o baixo desempenho geral no RAVLT deva- se, principalmente, ao comprometimento da alça fonoarticulatória, responsável pela reverberação, e que este sistema é o principal componente envolvido na apraxia de fala.
As falhas de armazenamento também poderiam ter sofrido a interferência de um déficit atencional. No entanto, a possível participação da atenção não foi objeto de análise neste estudo. Estudos posteriores poderão investigar a participação da atenção na dificuldade da MO em indivíduos com apraxia de fala.