BÖLÜM II KAVRAMSAL ÇERÇEVE
2.2 Yapılandırmacı Yaklaşımda 5E Modeli
2.2.1 Girme aşaması
Outro lado da inovação social são as iniciativas tomadas de baixo para cima, como a dinâmica de reestruturação econômica socialmente orientada, com ação territorial coletiva e programas levados por vários tipos de agentes públicos (sociedade civil e Estado). Essas, muitas vezes, seguem uma lógica “integrada” de desenvolvimento, tentando resolver uma variada gama de problemas e necessidades por meio da ação coordenada. Entretanto, não se pode atender às necessidades de desenvolvimento ou mudança vendo-as apenas como uma lógica de alocação de recursos, mas focada nas transformações das relações sociais, no desenvolvimento territorial.
Assim sendo, a perpectiva de análise pode ser desenvolvida e engendrada em torno do conceito de desenvolvimento territorial, política pública e inovação social. Esse conceito rejeita o tradicional e a aplicação de tecnologia focada do termo “inovação”, que tem sido fundamental para a política de desenvolvimento em favor de uma leitura mais sutil, pois valoriza os ativos de conhecimento e culturas das comunidades e coloca em primeiro plano a reconfiguração criativa de relações sociais (MACCALLUN et al., 2008). Por outro lado, difere da mera participação em serviço público, pois é uma ação comunitária e não do Estado ou do mercado. Por isso, possui uma base territorial, de inclusão social, empoderamento e atendimento de necessidades sociais.
Essa visão, na qual se originam os estudos realizados pelo CRISES8 (Centre de Recherche sur les Innovations Sociales) – um centro interuniversitário e interdisciplinar que reúne diversos pesquisadores e muitos geógrafos – aborda a inovação social através de três eixos complementares: território, condições de vida e trabalho e emprego. As pesquisas sobre inovação social e território buscam analisar o papel dos atores sociais e suas práticas inovadoras no âmbito local. Os estudos sobre inovação social e qualidade de vida se inclinam para a melhoria das condições de emprego, renda, saúde, educação, segurança e moradia. Nesse caso, os pesquisadores, sobre trabalho e emprego atentam para as dimensões organizacionais e institucionais que se relacionam com a regulação, a governança, o emprego e a organização do trabalho (LÉVESQUE, 2008).
A principal análise desse centro de estudos canadense é a confluência entre inovação e transformação, sendo a sua definição sobre inovação social:
Une innovation sociale est une intervention initiée par des acteurs sociaux pour répondre à une aspiration, subvenir à un besoin, apporter une solution ou profiter d’une opportunité d’action afin de modifier des relations sociales, de transformer un cadre d’action ou de proposer de nouvelles orientations culturelles (LÉVESQUE, 2008, p. 191)9.
Este horizonte é mais focado no processo e não apenas nos resultados, com um objetivo social cujo “prólogo”, assim como o “epílogo”, deve ser a sociedade. Este poderia ser o fundamento do recurso interposto por “atores sociais”, e o que levaria, portanto, a novas relações de poder. O desejo de transformação afeta as relações sociais de produção, consumo, distribuição, gênero, ambiental ou o todo espacial, superando assim, visões de adaptações a novas realidades exigidas pelo mercado, mas de possíveis transformações socioespaciais.
Para Fontam (2008; 2010), a inovação social seria a institucionalização de uma novidade, sendo que esse processo se desenvolve em três tempos precisos e articulados. Primeiro, o espaço da criação, invenção ou descoberta, que pode ser um novo conhecimento, uma nova forma de ação social ou de relações de poder. Posteriormente,
8 <http://crises.uqam.ca/>.
9 Um processo iniciado pelos atores sociais para responder a uma aspiração humana, suprir uma
necessidade, trazer uma solução ou aproveitar uma oportunidade de ação na intenção de mudar as relações sociais, de transformar um quadro de ação ou de propor novas orientações culturais. (Tradução deste autor).
a adoção dessa novidade e sua integração ao uso social, e finalmente, a a territorialização, que será marcada por sua institucionalização, podendo significar um modelo territorial de desenvolvimento que passa a interferir na forma de produção e reprodução social. São três períodos distintos, nos quais um conjunto complexo e diversificado de mecanismos de seleção/disputas de uma novidade é efetivado por caraterísticas econômicas, culturais, ambientais e políticas, transformando o espaço e, ao mesmo tempo, demarcando a inovação de base social e territorial.
A partir dessa dada perspectiva, a inovação social não seria algo criado a partir do nada, mas sim a partir de subsequentes “novidades” nas relações sociais, no espaço- território, de modo com que rompa suas inércias espaciais - nesse caso, a ausência de desenvolvimento, ou seja, uma relação cuja concepção ideal produz relações socioterritoriais. As ações que exibem um caráter individual sem a sua institucionalização podem ser classificadas como novidade, pois, segundo Comeau (2004, p. 37), a inovação social “confronta o estabelecido, ou seja, ela derrota o habitual, ela ultrapassa a rotina e desafia as restrições”; é, portanto, uma proposta desafiadora para os tempos atuais de mercado pleno. Logo, pode-se defini-la como um paradigma que ultrapassa o tecnológico e o econômico, e tem seu uso a partir da década de 1990 (MOULAERT et al., 2005(c)), na busca por um desenvolvimento territorial crítico emancipatório.
Pela definição de André (2006; 2008), crê-se que esse modelo territorialmente constituído seja capaz de ser articulado por ações locais suficientes para romper com o não desenvolvimento, e que uma concepção de inovação social seja capaz de produzir o desenvolvimento: uma resposta nova e socialmente reconhecida, que visa e gera mudança social, ligando simultaneamente três atributos10: satisfação de necessidades humanas não satisfeitas pela via do mercado; promoção da inclusão social; capacitação
10 Uma definição que traz conformidade com o pensamento de inovação social é a matriz conceitual
usada no Projecto Social Innovation, Governance and Community Building – Singocom, principal projeto social na Europa: [...] innovation brought about by and within social movements – is a highly contextual phenomenon: it depends on the time and place of its occurrence, as represented by specific institutional contexts. What may represent a social innovation in one place at a given time may not be such in another place or another time. Nonetheless, all the country surveys confirm that social innovation- in both its product and process dimensions – is characterized by at least three forms of achievements, alone or in combination, accomplished through some form of collective action, as opposed to individual action: 1) It contributes to satisfy human needs not otherwise considered/satisfied. 2) It increases access rights (e.g. by political inclusiveness, redistributive policies, etc.). 3) It enhances human capabilities (e.g. by empowering particular social groups, increasing social capital, etc.). (MARTINELLI et al., 2005, p. 18) (Grifos do autor). Disponível em: <http://ec.europa. eu/research/social-sciences/projects/100_en.html>.
de agentes ou autores sujeitos, potencial ou efetivamente, a processos de exclusão/ marginalização social, desencadeando, por essa via, uma mudança mais ou menos intensa das relações de poder (ANDRÉ, 2006).
Esses atributos devem ser vistos como um processo perfeitamente coerente e provável com a inovação na economia social no sentido de transformar e, ou, manter as relações, em especial, as governanças no espaço-tempo da região.
A dimensão mais importante e que será um desafio para este trabalho é a de que a inovação social provoca o desenvolvimento territorial, pois esta pesquisa versará sobre o tema em uma região “excluída”, e com forte presença do rural e das políticas públicas, recentemente territoriais, com surgimento do paradigma dos atores sociais após o retorno do sujeito social na análise das ciências sociais de desenvolvimento, redescobrindo lugares. É através do dispositivo e da dimensão territorial que são expressas as reivindicações da sociedade civil no desenvolvimento para implementar iniciativas socialmente inovadoras, com ampliação dos direitos básicos e mudanças de empoderamento nas ações públicas.
Territorialmente falando, isso significa que a inovação social envolve, entre outros, a transformação das relações sociais no espaço, a reprodução de identidade-lugar ligada e espacialmente trocada, além do estabelecimento de estruturas de governança local baseadas nas escalas local, regional e nacional. Também significa que a inovação social é muitas vezes localmente ou regionalmente específica, ou é espacialmente negociada no sentido da governança entre agentes e instituições que têm uma forte ligação territorial.
Para que esse arranjo de desenvolvimento seja uma possibilidade, é necessário um novo paradigma que mude a visão econômica e técnica dos modelos de desenvolvimento, definida por Moulaert (2005), como uma ontologia comunitária em que se busquem nas necessidades da comunidade as ações e estratégias de inovação.
El término comunidad se refiere aquí a la naturaleza de las distintas interacciones humanas entre grupos que puedan ser definidas de acuerdo con consideraciones geográficas, sociológicas, políticas, o económicas. Nosotros lo usamos como una alternativa a la visión de la organización humana individualista dirigida por las leyes de mercado, tan en boga en estos tiempos. De acuerdo con nuestra teoría, las relaciones do mercado deben ser consideradas sobre un telón de fondo constituido por los otros modos de interacción que se dan en las diferentes esferas de la vicia humana, fondo donde el sentimiento humano de «pertenecer» cobra realmente sentido. En otras palabras, la «comunidad» es una manera de integrar las
relaciones de mercado que históricamente han sido situadas en el mundo de la organización humana. En este mundo más complejo tales relaciones de mercado están arraigadas al mismo tiempo que limitadas por el conjunto (MOULAERT, 2005, p. 103)11.
Elaborou-se uma análise alternativa que observa os diferentes tipos de relações sociais e práticas do nível micro ao macro, e que se baseia em uma política positiva de empoderamento, concebendo a economia como um conjunto de práticas sociais e não a subordinação dessas práticas ao processo econômico em stricto sensu, mas sim a uma economia social que busque como função primordial o atendimento das nescessidades básicas, com primazia do social. Esse processo poderia gerar um excedente que seja reposta às demandas sociais, com inclusão social, ambiental, cultural, enfim terrritorial. Para isso, seria necessária a institucionalização, por organizações capazes, de desenvolver novas formas de produção que possibilitassem a inovação social.
nous nous intéressons particulièrement aux innovations sociales qui peuvent surgir de la synergie entre les initiatives de l’économie sociale et des initiatives étatiques dans le cadre du renouvellement des politiques sociales. Nous faisons l’hypothèse que les entreprises d’économie sociale peuvent être porteuses d’innovations sociales. (...) Notre intérêt pour l’économie sociale vient de sa contribution potentielle à l’émergence d’un nouveau modèle de développement plus démocratique et solidaire (...) [et] s’inscrit dans une recherche de réformes de politiques publiques soucieuses de trouver des solutions de rechange au modèle dualiste traditionnel basé sur le couple État-marché (VAILLANCOURT, 2003, p. 54)12.
11 O termo comunidade refere-se aqui à natureza de várias interações humanas, entre grupos que podem
ser definidos de acordo com as considerações geográfica, sociológica, política, ou econômica. Vamos utilizá-lo como uma alternativa à visão de organização individualista regido pelas leis do mercado, tão em voga nos dias de hoje. Segundo a nossa teoria, as relações de mercado devem ser consideradas em um contexto formado por outros modos de interação que ocorrem nas diferentes esferas da vida humana, no qual o sentimento humano de “pertencimento” realmente faz sentido. Em outras palavras, a “comunidade” é uma forma de integrar relações de mercado que historicamente foram localizados no mundo de organização humana. Em um mundo mais complexo relações de mercado estão enraizadas, mas também limitado pelo conjunto. (Tradução deste autor).
12 Estamos particularmente interessados em inovações sociais que possam surgir a partir da sinergia entre
as iniciativas de economia social e do Estado no contexto da renovação da política social. Nossa hipótese é a de que as empresas sociais podem ser portadoras de inovações sociais. (...) O nosso interesse na economia social vem de sua contribuição potencial para o surgimento de um novo modelo de desenvolvimento mais democrático e inclusivo (...) [e] é parte de uma reforma das políticas de pesquisa pública, ansiosos para encontrar alternativas ao modelo tradicional dualista com base no mercado/Estado. (Tradução deste autor).
De acordo com Vaillancourt, a participação do Estado não deve se limitar a ser o ordenador e planificador, bem como um investidor na área social, ou de um transferidor de ações a outros níveis de organização de mercado. Mas um fundamental um parceiro das sociedades para formulação de novas formas econômicas solidárias. Se na constituição do atual sistema, cuja construção do pensamento utiliza dados ou elementos para fins conceituais da construção do mercado, foram produzidas as desigualdades com as quais se convive até hoje, é legitimo buscar a resposta para tais desigualdades fora da economia formal, mas com um entendimento de que na complexidade espaço-tempo em que se vive tais indagações estão engendradas em todas as esferas da vida social e que o mercado não se resume apenas a aspectos econômicos, mas também em atividades que se pode dizer não mercantis.
As ideias de Polaniy (1944) são um passo para se pensar em economia como substantiva, baseando-se não na escassez, mas na manutenção da vida, na qual as relações de produção, em seu sentido mais amplo, são regidas por formas institucionais e socialmente complexas, o que permite uma perspectiva paradigmática para se pensar em inovação. As atividades não mercantis são, para Polaniy (2000), a condição para o próprio sistema existir, pois na economia de mercado nem todos os elementos que a compõem são de origem mercadológica, como a terra, o trabalho e o dinheiro, por serem condição para o funcionamento dela. Estes são transformados em mercadorias pela sociedade industrial.
A economia está submersa em relações econômicas e não econômicas e são três os padrões que a integram: Reciprocidade (lógica simétrica), que consiste em correspondência mútua de grupos com proximidade; redistribuição (lógica centralizadora), a partir de partihas de ganhos e de intercâmbio (lógica de mercado); e permutas.
Em todo esse processo, a inovação pode ser vista como sendo atravessada por um duplo movimento de apropriação e territorialização, melhorando o bem-estar das populações excluídas; ou seja, negociações, tributação e outros meios. Todavia, essas relações ocorrem em um contexto de redefinição das hierarquias sociais e hierarquias de relações de poder (FONTAN, 2004).
As mudanças do processo de globalização impõem repensar um novo modelo de desenvolvimento que explique a nova visão do mundo, o novo sistema de produção e o modo de regulação da nova divisão territorial do trabalho no mundo, do novo sistema de serviço público e das igualmente novas relações entre mundial-nacional-local
(LÉVESQUE, 1999). Portanto, pensar em um desenvolvimento territorial (local e regional) como um instrumento inovador de intervenção socioespacial no mundo é uma necessidade.