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2.3. TÜRK VERGİ SİSTEMİNDE AMORTİSMANLAR

2.3.1. Yürürlükte Olan Yasal Düzenlemeler

2.3.2.2. Amortismanlar Konusunda Özellik Arz Eden Durumlar

2.3.2.2.33. AR-GE Giderlerinin Durumu

Como já pontuado no primeiro capítulo desta dissertação, a comunicação assume, a cada dia mais, um papel central na configuração da sociedade urbana – que se impõe como modelo de desenvolvimento social, segundo os padrões estipulados pelo capitalismo e suas consequências, quase sempre nefastas para grande parte da população.

Vale destacar que, neste contexto, a comunicação torna-se fundamental para o capitalismo, num duplo sentido relacional: ao mesmo tempo em que a comunicação se configura como um instrumento de valorização do sistema econômico (e cultural), ao favorecer a livre circulação de informações e capitalização de produtos e relações sociais, ela também se caracteriza como uma forma possível de questionamento e até superação das contradições do mesmo capitalismo. Conforme afirma Valério Brittos (2010):

É inegável que os processos midiáticos constituem a essência das operações de dilatação do consumo, que sustentam a difusão e reprodução do sistema. Mas a produção simbólico-tecnológica, o firmamento da midiatização, não é só um anel de passagem da condição de cidadão ao de consumidor (ou de indivíduo a consumidor- cidadão), tornando pleno um modo de vida específico, o capitalismo, que se

22 O papel da comunicação na construção da cidadania demanda ampla e profunda discussão acerca das variáveis envolvidas nessa dinâmica. Por não ser o foco desta dissertação, a questão não foi desenvolvida no texto, mas se fez necessário deixar indicada a importância do contexto comunicacional na construção dos sujeitos sociais.

transforma no modo natural de estar no mundo. É ainda um lócus de relação com a diversidade, transmissão de visões distintas e dos desmandos do próprio mundo capitalista. Isso não ocorre por deliberação do sistema e seus agentes; é apesar deles, por dinâmicas concorrenciais entre corporações, fissões no interior das classes, necessidade de incorporação de elementos distintos para garantir a adesão de outros setores sociais (construindo permanentemente a hegemonia) e ações específicas de seus trabalhadores. (BRITTOS, 2010, p. 54)

A utilização dos produtos midiáticos pode ser, assim, ressignificada no interior do sistema que sustenta e é sustentado pela midiatização, caracterizando lógicas que se diferenciam em relação aos processos comunicacionais dominantes, ainda que localizadas no interior do mesmo sistema. Tal dinâmica coincide com o contexto contraditório do desenvolvimento do capital (capitalismo), que acaba por gerar, em sua própria expansão, conjunturas contraditórias à sua existência (MESZÁROS, 2009).

Vale destacar que a globalização, forma atual assumida pelo capitalismo como expressão máxima da busca pela expansão do capital, é responsável, também, pela exacerbação da contradição inerente ao sistema capitalista. Por isso, vários autores prenunciaram no advento do século XXI e ainda hoje identificam o contexto contemporâneo como sendo a fase mais crítica do capitalismo (MESZÁROS, 2009; MARTÍN-BARBERO, 2006).

A discussão dessa pretensa expansão capitalista se faz necessária no contexto da comunicação justamente por ser esta a principal forma simbólica que o capital se apropria na contemporaneidade a fim de implementar o objetivo principal do sistema que é manter o lucro, sem perder de vista novas possibilidades para tal reprodução do capital. Ou seja, falar de globalização é compreender, em última instância, o delineamento da comunicação enquanto expressão cultural na sociedade, mas sempre em face das disputas econômico- políticas que permeiam esse delineamento.

E essa estreita inter-relação social entre comunicação e a cultura só faz sentido se entendida como processo inerente à constituição dos territórios, ou seja, entende-se que é nas dimensões locais que as exigências advindas com o globalismo capitalista, também chamado de transnacionalização do capital, se expressam, como já indicado neste capítulo (MARTÍN- BARBERO, 2003). A colonização das formas simbólicas – em especial da comunicação – pelo capitalismo, bem como o movimento que se opõe a essa dinâmica, só é observável quando se atenta para as configurações culturais no interior das comunidades, a partir dos vínculos estabelecidos entre os sujeitos e os códigos que compartilham.

É no cotidiano dos sujeitos que o capital se reproduz e que a hegemonia se perpetua23, mas é também no cotidiano que as formas de superação são descobertas, reinventadas e implementadas. Dênis de Moraes (2010) mostra, a partir do pensamento gramsciano, como os veículos midiáticos em geral, por trabalharem as instâncias simbólicas de construção de ideias e verdades, são utilizados estrategicamente como um dispositivo de manutenção da hegemonia. No entanto, o autor destaca que o próprio Gramsci enxergava possibilidades dentro do próprio sistema hegemônico, tendo em vista as possibilidades de os mesmos dispositivos servirem para a difusão de outras perspectivas e ideias – contra-hegemônicas, com o objetivo de conformar lógicas sociais alternativas que sejam capazes de instaurar uma nova hegemonia capaz de promover maior justiça social.

A contra-hegemonia institui o contraditório e a tensão no que até então parecia uníssono e estável. Trata-se de apresentar argumentações alternativas para vergar o senso comum, aprofundando e aperfeiçoando o conhecimento crítico da realidade para transformá-la (...). Significa reorientar as percepções sobre o mundo vivido e combater as racionalidades hegemônicas, concebendo o presente como passível de ser alterado por ações concatenadas e convincentes.” (MORAES, 2010, p. 104)

Baseando-se em Gramsci, Moraes (2010) mostra, no contexto da esfera simbólico- comunicativa, as possibilidades de superação da perversa dinâmica do capital, que é sensível material e simbolicamente no cotidiano da maioria da população, privada de seus direitos básicos de dignidade, como moradia, alimentação, educação e cultura.

Assim como a expansão capitalista, também a promoção de uma hegemonia simbólica se dá em escala planetária, tendo em vista a estratégia de padronização dos comportamentos (gostos, preferências, formas de lazer, estilos) com vistas ao incremento e estímulo constante do consumo e da demanda por novos produtos.

Segundo Martín-Barbero (2003), a globalização representa para as expressões simbólico-culturais o desafio da definição da própria identidade, processo mediado pelos meios de comunicação não de forma isenta, mas de forma em que a tradução do conceito de diversidade é utilizada mais para confundir que para esclarecer. Desse modo, a pluralidade se torna cada vez mais superficial e menos efetiva. Por isso, o autor defende o sentido de

23 Evoca-se, aqui, a compreensão de hegemonia defendida por Raquel Paiva (2007), segundo a qual “pode-se considerar que o conceito de hegemonia inclui o de cultura, de ideologia e de direção moral. O conceito, assim entendido, desloca-se do plano político para o da supremacia da formação econômico-social, isto é, da sociedade como totalidade” (PAIVA, 2007, p.138). Na mesma linha de raciocínio, Dênis de Moraes (2010) apresenta definição que complementa a abordagem deste trabalho: “Além de congregar as bases econômicas, a hegemonia tem a ver com entrechoques de percepções, juízos de valor e princípios entre sujeitos da ação política” (MORAES, 2010, p.78). Ambas as definições são baseadas nos estudos do filósofo italiano Antonio Gramsci.

“fragmentação” para definir a suposta diversidade promovida pelo contexto da globalização, que ele denomina de “vertigem do ecletismo” (MARTÍN-BARBERO, 2003, p.72).

Para Martín-Barbero (2003), a confusão entre pluralismo e fragmentação, no entanto, é superável nas experiências culturais latino-americanas, com a possibilidade de articulação de novas formas de coletividade e solidariedade

(...) pois, enquanto nos países centrais o elogio da diferença tende a significar dissolução da sociabilidade, na América Latina, como afirma L. Lechner, “a heterogeneidade só produzirá dinâmica social ligada a alguma noção de comunidade”. Não certamente a uma idéia de comunidade “resgatada” de algum passado idealizado, mas àquela que assuma as ambíguas formas e modalidades do presente. (MARTÍN-BARBERO, 2003, p.73)

O autor destaca que as formas organizativas dessas comunidades, nas quais a comunicação assume sempre um papel decisivo e central, os sujeitos buscam não simplesmente a representação de suas culturas e características, mas sim o reconhecimento das mesmas.

A ideia de reconhecimento que supere a representação traz em seu bojo a discussão sobre a diversidade como conceito-chave para a construção mais democrática e justa da sociedade, entendendo que a construção dos sujeitos sociais (seus direitos e deveres) se dá nas relações sociopolíticas mediadas pelos aparatos comunicacionais no cotidiano. Vale, aqui, trazer à luz as reflexões de Muniz Sodré (2008) sobre a dimensão contra-hegemônica assumida pelo “diverso” na sociedade.

O autor introduz a reflexão a partir da advertência do filósofo Kant, ao destacar que “uma questão é distinguir as coisas uma das outras, outra questão é conhecer a diferença das coisas” (SODRÉ, 2008, p.31). Nesse sentido, conhecer o outro em tempos de globalização significa compreendê-lo em função de seu contexto espaço-temporal, estimulando as sensibilidades e comportamentos em relação tanto à alteridade quanto à identidade. Segundo Sodré (2008), também a própria identidade, a própria cultura é composta pela diversidade de repertórios, e por isso mesmo, somente a partir da diversidade que se conhece uma cultura. No entanto, imuniza-se uma cultura de determinadas dimensões da diversidade justamente pela negação da complexidade e sensibilidades das relações espaço-temporais, com o objetivo único da hegemonia de um ponto de vista. Resta apenas o restrito conceito de pluralidade, que pouco tem de reconhecimento da diversidade, mas apenas de representação.

Sodré (2008) reforça que a simples expressão cultural não é capaz de engendrar uma situação realmente contra-hegemônica. Segundo ele, somente pela intervenção do diverso no

âmbito simbólico, pensada como estratégia política, é que a contra-hegemonia se produz efetivamente (SODRÉ, 2008, p.35).

O âmbito simbólico – com especial destaque para a comunicação –, portanto, se configura como sendo a arena estratégica para as dinâmicas que buscam mudanças sociais que passem a vislumbrar a urgência de uma sociedade mais justa e democrática. Essa indicação, aparentemente otimista, no entanto, traz consigo pelo menos dois questionamentos, destacados aqui em função do desafio que representam para a comunicação alternativa.

O primeiro se refere às seduções exercidas pelos discursos sociais, e a disparidade inerente à natureza dos diferentes discursos em disputa simbólica. Ramonet (2003), ao refletir especificamente sobre os padrões reproduzidos pela mídia na contemporaneidade, ressalta que a informação, por estar sujeita às questões do mercado e do lucro, da velocidade e instantaneidade, e da relação estrutural com a publicidade – reduzindo leitores e espectadores à “função” de consumidores de notícias, é captada na sociedade por meio de um discurso contra o qual qualquer forma de resistência ou proposta de mudança se torna muito difícil.

O autor descreve a retórica comum do discurso informativo contemporâneo: rapidez, que é obtida com textos, períodos e títulos curtos; simplicidade de linguagem e vocabulário, capaz de ser compreendido por todos, sem esforços; e, por fim, a espetacularização da informação, com incidência direta nas emoções dos sujeitos (dramaticidade, euforia). Ramonet (2003) denomina essa retórica de “discurso infantilizante”, por se aproximar muito do discurso utilizado para se dirigir às crianças: linguagem emocional, simples e rápida (RAMONET, 2003, p. 249).

É por meio dessa infantilização discursiva que se mantêm as estruturas hegemônicas do poder livres de questionamentos e críticas. Por isso, as ações contra-hegemônicas passam necessariamente pela superação da retórica infantil que se impõe atualmente, fazendo com que as experiências em comunicação alternativa também se caracterizem como sendo didáticas, no sentido de instaurarem formas mais complexas de apreensão dos fatos.

Nesse sentido, a perspectiva que se delineia se mostra pouco otimista. Além da difícil tarefa de incidir sobre as formas de sensibilidade social, alterando-as, a perspectiva contra- hegemônica da comunicação alternativa também tem que lidar com a fluidez das relações sociais contemporâneas, engendradas pelo imperativo da tecnologia e do consumo, o que caracteriza o segundo questionamento envolvendo a arena simbólica de disputa para as mudanças sociais. O próprio desenvolvimento social se dá reforçando um contexto de superficialidades e transitoriedade de relações. Conforme ressalva Raquel Paiva (2008):

Entretanto, é preciso também admitir a hipótese de que toda a discussão em torno do conceito de hegemonia e contra-hegemonia não faça sentido algum para o senso comum das sociedades atuais (...). Em sociedades marcadas pelo consumo, pelo capitalismo disseminado como ordem social, é pouco provável que se desenhem com nitidez grupos hegemônicos, uma vez que a diluição é a marca dessa ordem. Não se identificam, nem mesmo na ordem do consumo, as imbricações de poder do sistema produtivo. (...) Apenas sobressaem, magnificados, os produtos. (PAIVA, 2008, p.172)

Ou seja, o imperativo do sistema produtivo capitalista, ao contaminar todas as instâncias das relações sociais com a ditadura do consumo, expressas pela e na midiatização (tecnológica) das sociabilidades, parece impor também certo pessimismo às ações que visam difundir na sociedade outras lógicas relacionais (contra-hegemônicas), mais éticas e democráticas. Por isso, se faz necessário a reinterpretação dessas práticas alternativas à luz do contexto que se delineia com essas novas mediações que se desenvolve na sociedade (PAIVA, 2008, p.174)

Ou seja, mais que definir com rigidez a linha fronteiriça que delineia o caráter alternativo de um determinado veículo de comunicação, se mostra mais profícuo refletir acerca das relações socioculturais que estabelece – especialmente em seu próprio conteúdo, mas também em seu entorno –, com vistas a compreender em que medida a prática comunicacional em questão pode contribuir para a construção de novos parâmetros éticos para as relações sociais contemporâneas.

Este é, portanto, o esforço deste trabalho, ao longo do qual se pretende revelar o contexto que permite a configuração de uma revista como a Ocas, tal como se encontra hoje. O próximo item dedica-se, então, a compreender a estratégia comunicacional do periódico estudado.