3.4. Sosyal Medya Örgütlenmelerinde Örnek Olaylar
3.4.3. Gezi Parkı Protestosu
É importante ressaltar que, a partir da década de 1960 e início de 1970, a questão ambiental tornou-se marcante. Por um lado, pelos processos de degradação ambiental que se intensificavam com a industrialização e o acelerado desenvolvimento adotado por alguns países e, por outro lado, pelas discussões que já se formavam em defesa do meio ambiente. Como já foi dito, o lançamento do livro Primavera Silenciosa (Silent Spring), em 1962, denunciando a contaminação do ambiente pelos inseticidas, foi o fato pioneiro. Outro evento a ser lembrado foi a iniciativa do Clube de Roma que, por meio do seu relatório denominado Limites de Crescimento Econômico, escrito por Donella H.Meadows, precursor na luta pela sustentabilidade, juntamente com outros autores, alertava sobre a filosofia do crescimento ilimitado, prevendo limites para o desenvolvimento global se não mudassem as tendências socais e econômicas dos países do terceiro mundo (BRUNACCI; PHILIPPI JR, 2005).
Nesse contexto, as condições de poluição e de degradação ambiental decorrentes de processos predatórios da industrialização, comprometedores do ambiente e da saúde, levaram o governo sueco, em 1968, a pensar em uma conferência internacional. Tal fato contribuiu para a defesa da necessidade de mudança no modelo de desenvolvimento que vinha sendo adotado.
Dessa forma, a concepção de desenvolvimento sustentável tem suas raízes na conferência das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente Humano, realizada em Estocolmo,
capital da Suécia, em Junho de 1972, que reuniu 113 países e 250 organizações não governamentais (KOHLER; PHILIPPI JR, 2005).
Inclusive intensificaram a busca por esse modelo de desenvolvimento que harmonizasse o econômico, social e a preservação ambiental. E em 1973 o canadense Mauricio Strong faz uso da palavra ecodesenvolvimento significando uma proposta nova como alternativa para o desenvolvimento. Porém o economista Ignacy Sachs foi quem consolidou o termo ecodesenvolvimento enumerando seis eapectos que indicavam princípios desse modelo: a) a satisfação das necessidades básicas; b) a solidariedade com as gerações futuras; c) a participação da população envolvida; d) a preservação dos recursos naturais e do meio ambiente em geral; e) a elaboração de um sistema social garantindo emprego, segurança social e respeito a outras culturas, e f) programas de educação. (SACHS, I. apud GÓMEZ, H. 1996 p.145).
Sachs (1993 apud SALAMONI e GERARDI, 2001, p. 79):
Propõe um conceito de sus tentabilidade para o desenvolvimento, a fim de que este possa melhorar as condições de vida das comunidades humanas e, ao mesmo tempo, respeitar os limites da capacidade dos ecossistemas. Convém ressaltar que essa noção de sustentabilidade encontra-se fortemente alicerçada na, assim chamada pelo autor, “extraordinária riqueza da cultura humana”; em outras palavras, nos conhecimentos e tradições do homem em relação ao meio ambiente.
Na conferência de Estocolmo e nos debates do ecodesenvolvimento, procurava-se um conceito que se materializou em 1987 no documento chamado “Nosso Futuro Comum”, resultado de estudos de uma comissão composta por representantes de 21 países e presidida por Gro Harlem Brundtland, primeira ministra da Noruega. Esse relatório passou a ser denominado de Relatório de Brundtland e refletia com clareza a mudança de perspectivas da problemática ambiental em relação aos acontecimentos de Estocolmo, inclusive foi esse relatório que cunhou o termo “desenvolvimento sustentável”, expresso da seguinte maneira: É o desenvolvimento que satisfaz as necessidades das gerações atuais sem comprometer a capacidade das gerações futuras de satisfazer as suas próprias necessidades. (KOHLER; PHILIPPI JR, 2005).
É importante mencionar a Conferência das Nações Unidas sobre o Meio e Desenvolvimento de 1992, denominada Eco/92 ou Cúpula da Terra, realizada no Rio de Janeiro/BR, que apresentou uma mensagem clara aos políticos, representantes internacionais e ao público em geral, sobre a necessidade de práticas ambientais saudáveis e novas posturas para a construção de um desenvolvimento que seja sustentável e que busque a equidade. Além
disso, nesse mesmo evento, a Declaração do Rio sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento, estabeleceu como princípio nº 1: “Os seres humanos constituem o centro da preocupação do desenvolvimento sustentável. Por conseguinte, têm o direito a uma vida saudável e produtiva em harmonia com o ambiente natural.” (OPAS/OMS, 1999, p. 1).
Nesse sentido, prioriza-se a vida humana e, portanto, deve ser reconhecida perante a sociedade e as instituições que a representam, normatizando diretrizes e formulando políticas públicas que assegurem a justiça social na promoção da saúde e educação.
Segundo Jacobi (2003), na conferência Rio-92 o Tratado de Educação Ambiental para Sociedades Sustentáveis e Responsabilidade Global propôs um plano de ação para educadores ambientais, segundo o qual as políticas públicas de educação ambiental e a sustentabilidade devem interagir, valorizando os processos participativos na promoção do meio ambiente, envolvendo recuperação e preservação, bem como promovendo a melhoria da qualidade de vida.
De acordo com Leff (2009, p. 57), o conceito que contempla essa questão expressa que:
O desenvolvimento sustentável é um projeto social e político que aponta para o ordenamento ecológico e a descentralização territorial da produção, assim como para a diversificação dos tipos de desenvolvimento e dos modos de vida das populações que habitam o planeta. Nesse sentido, oferece novos princípios aos processos de democratização da sociedade que induzem à participação direta das comunidades na apropriação e transformação de seus recursos ambientais.
É importante esclarecer que o projeto de desenvolvimento sustentável contesta o modelo tradicional de desenvolvimento, entendendo que deve haver uma mudança radical nas formas de desenvolvimento econômico, investimentos, tecnologia, bem como na apropriação dos recursos naturais, tornando concreto o pleno atendimento das necessidades das gerações presentes, garantido também esses recursos para as gerações futuras. Enfim, a proposta do desenvolvimento sustentável defende um desenvolvimento econômico ambientalmente saudável.
Nesse sentido, o desenvolvimento sustentável envolve muito mais coisas além da proteção ambiental. Ele busca a reconciliação entre as pressões aparentemente conflitantes do desenvolvimento econômico, da proteção ambiental e da justiça social. De acordo com IUCN, UNEP e WWF (1991, apud KRANZ, 2010, p.14).
O verdadeiro objetivo do desenvolvimento é melhorar a qualidade de vida humana. Ser um processo que permita aos seres humanos realizarem seu potencial plenamente e levar vidas dignas e satisfatórias. O crescimento econômico é uma parte importante do desenvolvimento, mas não pode ser um objetivo em si mesmo, nem pode continuar indefinidamente. O desenvolvimento só é real se torna nossas vidas melhores.
Contextualizando, observa-se que o desenvolvimento sustentável apresenta propostas diferentes do desenvolvimento anterior a ele, porque propõe ações a favor do meio ambiente, defendendo que o crescimento econômico deve ter um limite e, sobretudo, que o humano seja valorizado. Em síntese, que o desenvolvimento exista para responder às necessidades das pessoas de forma sustentável, buscando um equilíbrio entre o econômico e o ambiental, devendo-se respeitar o meio ambiente para que os recursos naturais sejam preservados e seu ciclo inserido na vida futura.
Estas são proposições louváveis, mas, no entanto, difíceis de serem totalmente concretizadas, pois a população da Terra alcançou em 2012 o número de 7 bilhões de pessoas e de acordo com Kranz (2010) a terra com 6 bilhoes de habitantes, consomem 7.8 toneladas de combustíveis fósseis não-renováveis por ano, devasta 180 mil quilômetros quadrados de florestas tropicais e bosques, e torna improdutivos 60 a 70 mil quilômetros quadrados de terras agrícolas devido à erosão. Os efeitos colaterais deste consumo voraz são 22.3 bilhões de toneladas de dióxido. Em menos de 200 anos o planeta perdeu 6 milhões de quilômetros quadrados de floresta e os sedimentos da erosão do solo triplicaram nas principais bacias hidrográficas. As florestas remanescentes não podem mais absorver o incrível aumento de dióxido de carbono.
Sobre essa questão, Capra comenta (2009, p.3)
A lição para as comunidades humanas é óbvia. Um dos principais desacordos entre a economia e a ecologia deriva do fato de que a natureza é cíclica, enquanto nossos sistemas industriais são lineares. Nossas atividades comerciais extraem recursos, transformam-nos em produtos e em resíduos, e vendem os produtos para os consumidores, que descartam ainda mais resíduos depois de ter consumido os produtos. Os padrões sustentáveis de produção e de con sumo precisam ser cíclicos, imitando os processos cíclicos da natureza. Para isso, necessita-se organizar as atividades comerciais e econômicas, obedecendo a esses padrões cíclicos.
Leff (2009) cita a impossibilidade de resolver os crescentes e complexos problemas ambientais e reverter suas causas sem que ocorra uma mudança radical nos sistemas de conhecimento, de valores e comportamentos, gerados pela dinâmica de racionalidade existente, fundada no aspecto econômico do desenvolvimento.
Nesse sentido, a aplicação dos princípios da sustentabilidade representa a possibilidade de garantir mudanças tanto sociais como políticas que não comprometam os sistemas ecológicos, que reflitam nos sociais e que sustentem as comunidades. Para tanto, deve-se promover o crescimento da consciência ambiental, expandindo a possibilidade da participação popular no processo decisório, como uma forma de fortalecer sua corresponsabilidade na fiscalização e no controle dos agentes de degradação ambiental.
De acordo com Melo (2010), há uma demanda atual para que a sociedade esteja mais motivada e mobilizada para assumir um papel mais propositivo, bem como seja capaz de questionar, de forma concreta, a falta de iniciativa do governo na elaboração de políticas ditadas pelo binômio da sustentabilidade e do desenvolvimento num contexto da problemática ambiental.
Mediante a discussão da questão ambiental, compreende-se que os problemas enfrentados não podem ser analisados por uma única ótica, mas que possa fazê-lo reconhecendo todas as dimensões do conhecimento. Para que isso ocorra, é necessário que haja profundas mudanças nas instituições sociais, nas ideias e nos valores atuais, caracterizando uma mudança de paradigma.
[...] explicar a análise do espaço, seus elementos e suas interações, o que nos interessa é o fato de que a cada momento histórico cada elemento muda seu papel e sua posição no sistema temporal e no sistema espacial e, a cada momento o valor de cada qual deve ser tomado da sua relação com os demais elementos e com o todo (SANTOS, 1992, p. 9).
Dessa forma, somente com o conhecimento integral do ambiente, o redescobrimento do ambiente e sua exploração, é que os atores sociais entram em contato com a realidade e se tornam criativos na busca de soluções para os problemas ambientais. A sustentabilidade, como critério básico e integrador, precisa estimular permanentemente as responsabilidades éticas, na medida em que a ênfase nos aspectos extraeconômicos serve para reconsiderar os aspectos relacionados com a equidade, a justiça social e a própria ética dos seres vivos.
A noção de sustentabilidade implica, portanto, numa inter-relação necessária de justiça social, qualidade de vida, equilíbrio ambiental e a ruptura com o atual padrão de desenvolvimento (JACOBI, 1997 apud JACOBI, 2003).
Enfim, é importante ressaltar que na busca do desenvolvimento sustentável a participação popular é fundamental e o trabalho de educação ambiental também é
imprescindível como estratégia para que, no diálogo entre o econômico e o social, este último seja priorizado, resultando numa melhor qualidade de vida para o planeta.