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3. BİYOLOJİ TEMELLİ BİLİMSEL KURAM VE KAVRAMLAR

3.3. Genetik Kuramlar

Para Foucault, na formação das redes, há determinada funcionalidade do poder, a partir da constituição de um discurso que tem em si o mencionado “efeito de

verdade”. Para o autor, existem relações de poder múltiplas que atravessam, caracterizam e

constituem a trama histórica. Por tal aspecto, tais relações não podem se dissociar, se estabelecer e nem funcionar sem uma produção, uma acumulação e uma circulação no funcionamento de um discurso179.

Na verdade, para Foucault, o poder é capaz de submeter o homem à produção da verdade, sendo o exercício do poder através da própria produção da verdade. Entretanto, o poder é exercido em redes e, de acordo com o modelo bélico da abordagem acerca da história que nos domina e nos determina, o poder se fará perpassar em redes que criam discursos culminantes em embates sangrentos nas batalhas que tal poder atravessa.

“O poder funciona e se exerce em rede. Nas suas malhas os indivíduos não só circulam mas estão sempre em posição de exercer este poder e de sofrer sua ação; nunca são o alvo inerte ou consentido do poder, são sempre centros de transmissão. Em outros termos, o poder não se aplica aos indivíduos, passa por eles. (...) Efetivamente, aquilo que faz com que um corpo, gestos, discursos e desejos sejam identificados e constituídos enquanto indivíduos é um dos primeiros efeitos de poder. Ou seja, o indivíduo não é o outro poder: é um de seus primeiros efeitos. O indivíduo é um efeito de poder e simultaneamente, ou pelo próprio fato de ser um efeito, é seu centro de transmissão. O poder passa através do indivíduo que ele constituiu.”. 180

A partir das categorias de Foucault, o poder posiciona indivíduos estrategicamente em uma rede ou em diferentes redes, pois os indivíduos pertencentes a essas redes serão sujeitos portadores de uma mobilidade e, de igual forma, instrumentos por onde o poder se fará perpassar, porque sendo o indivíduo um efeito de poder, também se coloca como um transmissor eficaz do poder que o constituiu.

Porém, também se verifica que a conseqüência do poder que se exerce nas redes, é o estabelecimento de uma “via de mão dupla”, porquanto os indivíduos estão sempre

179 FOUCAULT, Michel. Soberania e Disciplina. In. MACHADO, Roberto (Org). Microfísica do Poder, p. 179. 180 FOUCAULT, Michel. Soberania e Disciplina. In. MACHADO, Roberto (Org). Microfísica do Poder, p. 183 e 184.

postos em posições de exercer um poder que ocasionará, para o sujeito através do qual o poder se exerceu, uma conseqüência de sofrer a rápida ação do poder.

Constata-se, a partir dessas concepções, que o poder estabelece, em outras palavras, determinados “custos de suas ações”, a saber, há diversas formas de conseqüências e implicações do exercício do poder181 e, na maioria dos casos, quando há uma formação de redes de poder, também os indivíduos se comprometem constituindo-se e doando-se como verdadeiros instrumentos por onde a mobilidade da dinâmica do poder perpassa.

Portanto, nenhuma rede se formará isoladamente, pois o poder atravessa por entre as malhas das redes de uma forma produtiva e nunca é detido por nenhum indivíduo, porque, como se disse, os corpos são instrumentos por onde o poder perpassa, ou seja, são pontos de interligação, porquanto ninguém poderá “segurar” o poder, embora possa se iludir no momento em que é utilizado por sua dinâmica, na transmissão desse poder disseminado.

Destarte, enquanto seres humanos vivos, os sujeitos religiosos que vivenciaram a formação de uma rede de poder na biblioteca são altamente produtivos por conta da produtividade das redes nas dinâmicas das experiências legitimadoras. Tais sujeitos também serão identificados por suas expressões, as quais, enquanto participantes de uma rede, são mencionadas por Foucault como sendo através do “corpo”, dos “gestos”, dos “discursos” e dos “desejos”, pois esses são elementos constatáveis da constituição de indivíduos nos primeiros efeitos do poder. No caso em tela, os sujeitos religiosos, na experiência extática da biblioteca, através da aplicação de técnicas, utilizaram de forma constitutiva as mencionadas expressões, configurando a experiência religiosa naquele momento e lugar.

Não se pretende fazer uma abordagem meramente descritiva no que tange aos processos de objetividade histórica, pois se quer abordar, de igual forma, a partir da experiência religiosa ocorrida na biblioteca do Seminário, a constituição e a tensão das demais redes formadas pela religião oficial que pode ouvir nitidamente os barulhos da experiência extática que configurou a reunião de oração não autorizada e proporcionou a resposta para a pergunta: “O Pentecostes se repete?”

181 Cf. FOUCAULT, Michel. Soberania e Disciplina. In. MACHADO, Roberto (Org). Microfísica do Poder, p. 183.

Veja o que diz Wirth:

“Assim, a escrita da história de um determinado grupo não se esgota na descrição de processos supostamente objetivos, mas problematiza este processo, captando suas diferentes perspectivas, suas diferentes redes de significados, explicitando as formas de apropriação pelos diferentes sujeitos em questão e visibilizando as tensões entre os diferentes significados. No que se refere à memória religiosa, implica, por exemplo, distinguir entre o discurso oficial e as diferentes formas de apropriação deste discurso pelos fiéis”. 182

Por isso, problematizar o processo que se verifica na experiência da biblioteca significa observar e ponderar sobre as tensões no interior da instituição onde a biblioteca estava localizada e, com isso, constatar a tensão que se estabelece entre a experiência religiosa que ocorreu às margens e a instituição portadora de um discurso oficial, inclusive exe rcendo um papel de formação de teólogos batistas, entre os quais, muitos ordenados ao ministério pastoral batista. Por isso, é relevante notar as tensões entre as redes de poder que se entretecem no interior de um grupo denominacional, pois, além dos embates no âmbito de uma denominação, deve-se perceber que há diferentes formas de apropriação das referidas experiências pelos diferenciados fiéis.

Visando identificar as tensões entre as redes de poder que estavam se inaugurando naquele ensejo, percebe-se que Rego tinha uma consciência bem arraigada acerca do movimento que começou a acontecer, pois na sua carta à Tognini, Rego diz:

“começou o avivamento em nossa Pátria”, e, por conseguinte, ele também disse: “A reação já se faz sentir”. Ora, quando um movimento encontra diante de suas articulações algumas

reações que se fazem “sentir”, constata-se a formação de outra rede de poder. No caso em tela, segundo Rego, “um professor do Seminário já teria culpado o reitor por ter aberto as

portas do Seminário a um herético” e, ainda segundo ele, “as discussões já começam a surgir”, pois “o sentimentalismo, a emoção barata, têm sido chamados para justificar o ocorrido”. Entretanto, Rego alega que os seminaristas eram mais “racionais do que simplórios” e, com isso, pretende dizer que todo o processo de experiência religiosa ocorrido

na biblioteca passou pelas vias da consciência, o que concedia responsabilidades também aos seminaristas que vivenciaram de forma consciente a experiência.

182 WIRTH, Lauri E. Novas metodologias para a História do Cristianismo: em busca da experiência religiosa

dos sujeitos religiosos. In. COUTINHO, Sérgio Ricardo (Org). Religiosidades, Misticismo e História no Brasil Central, p. 31.

Portanto, a experiência fundante ocorrida na biblioteca traz a rápida consciência de que um avivamento se encaminharia e, da mesma maneira, responsabiliza a todos os seminaristas por um entendimento mais ou menos certo daquilo que havia ocorrido, porque eles eram mais “racionais do que simplórios” e, desse modo, poderiam discernir, até mesmo fazendo uso do embasamento histórico-teológico adquirido nos estudos seminarísticos, do que havia ocorrido na experiência religiosa ocasionada pela pergunta: “O Pentecostes se Repete?”.

Em sua carta, após uma tentativa de cativar Enéas Tognini, Rego faz algumas perguntas que demonstram claramente a belicosidade do momento pelo qual o Movimento de Renovação Espiritual estava passando. Rego pergunta: “Enéas, estamos

prontos para o martírio nesta hora desafiante?”. Tal pergunta remonta a um campo de

batalhas em que parece haver uma consciência do poder que lhes tornava instrumentos produtivos naquele momento histórico. A mencionada pergunta parece denotar ainda, que havia uma consciência, por parte de Rego, de que o Movimento de Renovação Espiritual seria culminante num determinado processo inquisitório dos seus praticantes, em especial de Rego.

Assim, para Rego, havia um desafio naquele momento crucial, a saber, o martírio iminente que, como se mencionou, seria a conseqüência de uma “via de mão dupla” no exercício do poder nas malhas das redes de poder. A referida pergunta é bastante intrigante e, a partir do que foi suscitado por Rego, cabem outras indagações: teria Rego previsto algum cisma na Convenção Batista Brasileira? Teria Rego previsto que seria desligado da denominação? Tendo em vista que o martírio supostamente enaltece a figura do mártir, teria Rego desejado passar pela experiência de martírio?

Com base nessas reflexões, constata-se que a experiência religiosa extática, a partir da possessão da divindade e das muitas manifestações com gestos “extraordinários”, quando combinada e misturada com o poder exercido em redes, parece conceder um estado de consciência sobre as ações cometidas por quem estava experimentando uma determinada situação de amostragem parcial da divindade. Portanto, parece haver uma legitimação dessa consciência pelas experiências religiosas que foram vivenciadas, porém, tal consciência também faz saber que esse início oficial que se deu às margens da religião oficial, através do barulho ecoado, fez-se notar fazendo o movimento conhecido pela instituição.

A reunião pentecostal ocorrida num lugar religioso da biblioteca do Seminário do Sul foi bastante notória na denominação, pois a Administração e o Corpo

Docente do seminário lançaram mão de O Jornal Batista183, veículo oficial da Convenção

Batista Brasileira, para publicar uma declaração184.

Na referida declaração, a Administração e o Corpo Docente manifestam o desejo de esclarecer os pastores e as igrejas sobre a posição do Seminário com relação aos acontecimentos que foram verificados. Admite-se, no mencionado documento, que o grêmio formado pelos alunos do seminário convidou “certo pastor” para dirigir reuniões de oração e fazer preleções aos alunos; entretanto, admitem-se também que não é concebível que uma das reuniões, “que durou a noite inteira”, tenha ocorrido sem “consentimento e autorização da

Administração do Seminário”.

Na declaração da Administração e do Corpo Docente também consta que os professores estavam “sendo argüidos por terceiros” acerca do episódio ocorrido na aludida madrugada. Portanto, a declaração enfatiza que a reunião se deu com “extremado

emocionalismo e excessos perturbadores”. Vê-se, doravante, que a experiência pentecostal

vivenciada na biblioteca não foi tida por legítima pela religião oficial, a qual ouviu o ecoar constante de barulhos que perduraram por quase toda a madrugada.

Nesse sentido, o Seminário Teológico Batista do Sul do Brasil estava sendo citado em outras reuniões pentecostais como um lugar onde tais experiências se procederam e, dessa maneira, segundo a mencionada declaração, precisava-se dizer que a Administração e o Corpo Docente desaprovavam os aspectos da reunião ocorrida na biblioteca e que os fiéis deveriam “distinguir entre a verdadeira espiritualidade e os excessos de emocionalismo”, que seriam, segundo a declaração, “desvirtuamentos perigosos contra os quais” devia-se

“acautelar”. Portanto, a partir dessa declaração, verifica-se que há determinado propagador

das idéias do Movimento de Renovação Espiritual que, além de proceder com práticas as quais não eram aprovadas pela religião oficial, também parece se valer da imagem do seminário para a propagação do avivamento.

Tendo a Administração e o Corpo Docente do Seminário Teológico Batista do Sul do Brasil desaprovado as experiências religiosas vivenciadas na biblioteca, também identificaram-nas como “excessos perturbadores” e como “excessos de emocionalismo”, o que parecia denotar um desvirtua mento das práticas batistas. O protesto veemente contra Rego e contra a reunião que aconteceu na biblioteca demonstrou que a experiência religiosa

183 Cf. O Jornal Batista. Rio de Janeiro, nov. 1958, p. 7. 184 No Anexo 2 a declaração é reproduzida na íntegra.

ocorrida havia se tornado pública e que também havia chegado até os pastores e as igrejas da denominação.

O propagandista Rego do Nascimento não somente conseguiu atingir Enéas Tognini, mas também parece ter atingido as estruturas denominacionais, bem como pastores e igrejas, a partir da experiência fundante da biblioteca. Ele mesmo declara isso na sua carta à Tognini: “Enéas, Deus continua quebrantando pastores. Três estão nas mãos do Espírito. Em

Maceió. Em São Paulo também”. Outrossim, Rego sabia que Tognini teria um grande

potencial para ajudá-lo, pois declara na carta: “Meu amado irmão, espero tanto na sua

influência nesta hora”.

Além do mais, como já se mencionou, parece que Rego estava usando o êxtase religioso ocorrido na biblioteca como experiência propagadora do Movimento de Renovação Espiritual, pois, em sua carta à Tognini, Rego diz: “o irmão pode usar esta carta

como desejar”, prevendo que ela pudesse ser publicada ou até mesmo propagada. Com isso,

através de suas inúmeras pregações pelas igrejas batistas da Convenção Batista Brasileira, Rego utiliza-se do poder perpassado para promover a constituição de outros sujeitos religiosos na rede de poder da Renovação Espiritual.

A belicosidade das redes de poder opositoras do Movimento de Renovação Espiritual continuou se entretecendo e abrangendo os sujeitos religiosos, pois assim que Rego iniciou sua propaganda, também o Seminário do Sul, através da Administração e do Corpo Docente, deu início à reação. Entretanto, a rede de poder denominacional continuou abrangendo com eficácia, pois a Junta Administrativa do Seminário Teológico Batista do Sul do Brasil decidiu, de igual forma, fazer uma declaração oficial185.

Depois da reunião plenária ocorrida no dia 19 de dezembro do ano de 1958, estando 12 dos 15 membros da Junta Administrativa, três medidas foram tomadas, a saber:

Em primeiro lugar, como consta na declaração da Junta Administrativa, o plenário aprovou a anterior declaração da Administração e do Corpo Docente do Seminário do Sul, pois, segundo o documento da Junta Administrativa, os fatos ocorridos na biblioteca e em igrejas vizinhas, durante a estada de Rego no Rio de Janeiro, foram “desagradáveis”.

Em segundo lugar, a declaração da Junta Administrativa dirigiu um “apelo

urgente às Igrejas Batistas do Brasil no sentido de se acautelarem” e de estarem “em alerta contra qualquer desvirtuamento da gloriosa doutrina do Espírito Santo”. Tal desvirtuamento

poderia ocasionar “excessos de emocionalismo” e ainda algumas “conseqüências

imprevisíveis”, as quais gerariam “dúvidas e confusão no seio das igrejas batistas”. A

declaração da Junta Administrativa também alertou que as dúvidas e confusões poderiam até

“provocar cisão” na denominação e, tendo tais coisas suscitado certo temor com relação ao

perigo da cisão, consta na declaração uma oração acerca do referido perigo : “rogamos ao

Senhor que nos livre e guarde”.

Em terceiro lugar, a Junta Administrativa “lamenta a atitude tomada pelo

Pastor José Rego do Nascimento”, pois tendo “levado a efeito tais reuniões; principalmente, a que se realizou na Biblioteca do Seminário, sem prévio acordo com o irmão Reitor, que foi surpreendido em altas horas da noite pelos estranhos acontecimentos que se passavam naquele recinto”. A Junta Administrativa ainda insere mais uma oração na sua declaração: “A Junta do Seminário roga ao Senhor que oriente os irmãos envolvidos nesses acontecimentos, a fim de que reflitam a tempo e evitem desvirtuamentos e exageros”, pois,

segundo a Junta, os “desvirtuamentos de uma boa doutrina são sempre perigosos e

funestos”.

Estavam presentes à reunião plenária os seguintes membros da Junta Administrativa: Almir S. Gonçalves, Moysés Silveira, John L. Riffey, Samuel de Souza, Mathan Lopes da Silva, Ernani de Souza Freitas, Joaquim José da Silva, M. Tertuliano Cerqueira, Jayme Lunsford, João Emílio Henck, Pedro Gomes de Melo e J. J. Cowsert. Enéas Tognini também era membro da Junta Administrativa, porém alega que, por motivo justo, não compareceu; entretanto, ele diz que votaria contra a referida declaração da Junta Administrativa186. Esses nomes compuseram uma rede de poder bastante atuante, através do

discurso contido na declaração que fizeram, bem como nos embates decorrentes da mencionada declaração.

Assim, segundo Xavier, a reunião do seminário ficou bastante famosa e Rego passou a ser criticado veementemente por ter se tornado um pentecostal, numa conotação bastante pejorativa. Segundo o mencionado autor, a reação da Administração e do Corpo Docente, bem como a reação da Junta Administrativa, não foi nada cordial, pois, como se verificou, um dos professores culpou o reitor por ter permitido que um “herege” falasse na Semana de Renovação Espiritual. Xavier atribui tal rejeição ao tradicionalismo que os batistas cultivavam, pois, segundo o autor, algumas pessoas “não tinham o coração aberto

para o que o Espírito iria fazer daí em diante” 187.

186 TOGNINI, Enéas e ALMEIDA, Silas Leite de. História dos Batistas Nacionais, p. 60. 187 XAVIER, João Leão dos Santos. Colunas da Renovação, p. 59.

Existe, com tantos discursos, uma verdadeira guerra instaurada a partir das conseqüênc ias da experiência religiosa na biblioteca, pois se nota que cada rede de poder que se formava também constituía seu discurso próprio, que, com determinadas declarações, pareciam ser bastante conscientes de algumas implicações de suas ações. Os poderes exercidos em rede, através da instrumentalidade dos sujeitos religiosos, além de constituir, também compuseram determinados efeitos de verdade no interior de discursos bastante definidos e belicosos, em meio ao início de uma guerra institucional.

Os discursos estão diretamente vinculados ao poder que se exerce em redes, pois os referidos discursos é o que define o objeto do desejo manifesto na tradução das lutas, das guerras e das batalhas em termos de dominação. Acerca disso, Michel Foucault afirma:

“Por mais que o discurso seja aparentemente bem pouca coisa, as interdições que o atingem revelam logo, rapidamente, sua ligação com o desejo e com o poder. Nisto não há nada de espantoso, visto que o discurso – como a psicanálise nos mostrou – não é simplesmente aquilo que manifesta (ou oculta) o desejo; é, também, aquilo que é objeto do desejo; e visto que – isto a história não cessa de nos ensinar – o discurso não é simplesmente aquilo que traduz as lutas ou o sistema de dominação, mas aquilo por que, pelo que se luta, o poder do qual nos queremos apoderar”. 188

Quer-se, portanto, através do que diz Foucault, evidenciar uma rede de poder que, a partir do momento no qual constata uma ação na biblio teca também se forma na constituição de sujeitos. Há, a partir da formação dessas redes, quer com a declaração da Administração e do Corpo Docente, quer com a declaração da Junta Administrativa, uma luta pelo poder de exercer os “efeitos de verdade” contidos na ação de um discurso. Verifica-se, portanto, uma notória diferenciação na belicosidade das redes de poder; entretanto, toda a formação dos discursos confrontativos culminaram em embates contundentes entre as redes que se formaram num emaranhado denominacional.

Assim, todos quiseram se fazer ouvidos, tanto Rego, que escreve uma carta à Tognini e prega em diversas igrejas, como as redes opositoras, que se farão ouvir através do “discurso oficial” impresso nas páginas de O Jornal Batista. Investe-se belicosamente em propaganda, tanto por parte do Movimento de Renovação Espiritual, quanto por parte dos opositores oficiais da Convenção Batista Brasileira.

Desse modo, o confronto se ampliou na medida em que passou o tempo e na medida em que O Jornal Batista publicou artigos contendo discursos das redes de poder

oficial, a qual se formou no âmbito da Convenção Batista Brasileira. Quando mais se mexia na questão, mais a propaganda do Movimento de Renovação Espiritua l cresceu, assim como também o movimento de resistência.

Portanto, a vivência da experiência religiosa na biblioteca do Seminário Teológico Batista do Sul do Brasil constituiu-se num entrecruzar da experiência do

“Erlebnis” com a experiência do “Erfahrung”. Esses vocábulos alemães auxiliam bastante

na compreensão de tais experiências, pois “Erlebnis” demonstra algo que vem do fundo, que seria vivenciado desde “dentro” do sujeito que pratica religião, sendo que os alemães dizem