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GENERATÖR GRUPLARI DENETİM RAPORU

A análise do grupo controle foi feita tomando por base as duas produções: PI e PF de cada uma das turmas.

Para iniciarmos a discussão acerca da ocorrência e funcionamento dos recursos modais mobilizados no corpus, trazemos, a seguir, a tabela 29 que demonstra quantitativamente a distribuição das modalizações nas categorias arroladas para a análise das produções do 3º bloco, na PI e PF.

Tabela 29 - Modalizações presentes nas PI e PF do 3º bloco do grupo controle. Modalização

Turma Lógicas Deônticas Apreciativas Pragmáticas

Asseverativas Quase-asseverativas Delimitadoras

PI3C - 5 - 11 2 3

PF3C - 4 - 07 7 3

A tabela 29 evidencia que:

ii) em ambas as turmas não apareceram ocorrências de modalizadores asseverativos e

delimitadores;

iii) na PI há maior ocorrência dos modalizadores quase-asseverativos e deônticos;

iv) na PF há uma maior ocorrência dos modalizadores apreciativos;

v) ambas as turmas usam o mesmo número de modalizadores pragmáticos.

No grupo controle, há o uso mais acentuado da modalização deôntica. Nossa expectativa era de que este tipo de modalização fosse, realmente, bastante frequente no gênero carta de reclamação, o curioso, entretanto, é o fato de os alunos usarem mais tal modalidade na PI em relação à PF.

O exemplo (37), a seguir, ilustra o uso da modalidade deôntica.

(37) Quero que a sra, providencie logo uma professora de inglês, pois não é justo, eu e meus colegas de tuma perderem aulas, pois é por isso que pesso-lhe que dê um jeito, não queremos nos prejudicar por causa de um erro da escola, não queremos passar um ano todo sem ter aulas de inglês.

Então diretora essa é uma reclamação que quero que a senhora corresponda.

O exemplo acima ilustra a ênfase que o aluno dá às obrigações do seu interlocutor, na tentativa de fazer com o que a diretora da escola reconheça os deveres atribuídos à sua função na comunidade escolar.

O fragmento ‘quero que a senhora corresponda’, trecho do exemplo (38), nos leva a relacioná-lo à análise que Neves (2006), partindo da proposta de Klinge (1996), faz do que ela chama de modalidade de raiz dinâmica. Conforme Neves (2006), este tipo de modalidade é a maneira pela qual referentes de sintagmas nominais de função sujeito são dispostos em direção a um ato, em termos de habilidades e intenção. Este aspecto fica melhor explicitado com o exemplo que a autora traz: “Mas eu te amo e quero te ver sempre” (NEVES, 2006, p. 162).

Outro aspecto que queremos destacar é referente ao uso significativo da modalidade pragmática nas produções do 3º bloco. Consideramos que seis ocorrências se configuram como significativas, porque não esperávamos sequer encontrá-las, uma vez que no gênero carta de reclamação não é comum a presença de segmentos do discurso narrativo19. Conforme discutimos no item 2.3.2.3, a modalidade pragmática se manifesta como expressão modalizada das intenções, razões, capacidade de ação etc. de uma entidade enunciativa posta em cena, ou

19 Conforme já foi discutido neste estudo, os tipos de discursos que predominam em cartas de reclamação são o explicativo e o argumentativo

seja, a responsabilidade pelo que é dito não é mais do enunciador e sim de uma voz polifônica, sendo que esta voz polifônica se materializa em intenções e capacidades de ação de personagens.

Os exemplos (38) e (39), a seguir, ilustram, claramente, a presença da modalidade pragmática.

(38) E as vezes ao caros de som, nos bares, não respeita as pessoas e botam o som muito alto, e não é so isso o carro de lixo passa muito pouco, podiam passar mais vezes, e alguns vizinhos não respeitãom os outros com o lixo, agora mesmo na porta da minha casa, um visinho colocou todo tipo de lixo, ex. matos, pal, e outros lixos fico cheio de lixo na minha porta, quando agente colocar lixo fora do tambor o carro de lixo não apanha e agente tem que pagar para retirar e eles não mandaro retira, eu tive que pagar uma carrocinha para tirar que cobrou 10.00 Reais.

Eu acho muito injusto os visinhos que não respeitam os outros.

Faltam tambem policial nas ruas, a semana passada meu esposo deixou o carro fora e os ladrões entraram dentro mas como não tinha nada prar roubar, eles decharam as portas do carro abertas, isto é tudo o que eu tenho de reclamar, mas se eu fosse falar mais coisas o senhor não daria conta. (065C – PI).

(39) Eu não reclamo não é por ter tanta gente mas por que lá acumular muito lixo e eles colocão no nosso tambor, é tanto lixo que derrama no chão, e não dar pra colocar o nosso lixo, é saco de estagos de carvão queimado, é resto de comida pode, e muitas garrafas de guaraná que ficão jogadas no chão, e as vezes meu esposo varrir e apanha todo lixo e as garrafas por que vai todo lixo pra minha porta de casa e eu tenho medo do musquito da dengue, eu já reclamei com eles pra que eles passam comprar um tambor pra eles colocar lá, mas eles não tão nem ai. Tam bem tem alguns visinhos que colocão portas velhas quebradas e intulho de construções perto da minha porta e não mandão tirrar, eles tem que pedir a uma carrocinha pra tirar por que o carro do lixo não leva e não tão nem ai.

Senhor secretario no meu predio está tendo a maior confusão de corte de água, por que tem gente devendo 1.500 de água e de outros valores depito é de 5.000 mil reais, são 12 apartamentos mas só tem o meu e mais 3 em dias o resto todos tem depitos eu acho enjusto por causa de uns temos que pagar por isso ficar sem água. nos temos que ir na agespissa pra parcelar o debito. a agespissa quer que cada um pague 460 reais mais eu não devo nada e só pode puxar a água quem pagar este debito eu não vou pagar nada disso como é, Senhor secretario que vai ficar a nossa cintuação. (065C – PF).

Como vemos, a modalização pragmática, refere-se a alguns aspectos (intenção, razão, capacidade de ação etc.) da responsabilidade de uma voz enunciativa que é colocada em cena pelo textualizador. No que concerne à nossa pesquisa, como vimos, esse tipo de modalização ocorre em passagens em que há a presença do discurso narrativo.

É importante destacar que os dois exemplos apresentados acima são fragmentos da PI e da PF de um mesmo aluno. Vemos que o aluno demonstra uma fragilidade expressiva no domínio do gênero carta de reclamação, pois, ao relatar o problema, desvia o foco para o

propósito que se espera ser central no gênero carta de reclamação: reivindicar algo a que julga ter direito.

Outro aspecto curioso, conforme a tabela 29 evidencia, é referente aos modalizadores quase-asseverativos. Aparecem nove ocorrências desse tipo de modalização, em contraposição com nenhuma ocorrência asseverativa. Conforme vimos em Castilho; Castilho (1992), os modalizadores quase-asseverativos indicam pouco engajamento do produtor do texto com o enunciado produzido.

A tabela 30 apresenta os dados referentes ao uso e tipo de modalizações utilizadas pelos alunos do 4º bloco do grupo controle.

Tabela 30 - Modalizações presentes nas PI e PF do 4º bloco do grupo controle. Modalização

Turma Lógicas Deônticas Apreciativas Pragmáticas

Asseverativos Quase-asseverativos Delimitadores

PI4C - 4 - 10 1 -

PF4C - 3 - 10 1 -

A tabela 30 mostra-nos que:

i) os alunos, em ambas as produções, usam mais a modalização deôntica, sendo que aparece a mesma quantidade em ambas as produções, PI e PF;

ii) em ambas as turmas não apareceram ocorrências de modalizadores asseverativos,

delimitadores e pragmáticos;

iii) na PI, há maior ocorrência dos modalizadores quase-asseverativos;

iv) há somente uma ocorrência dos modalizadores apreciativos, em cada uma das turmas.

Em relação aos demais tipos de modalidade, a deôntica se sobressaiu. Como já havíamos justificado anteriormente, a nossa expectativa era de que realmente fosse este tipo de modalidade o mais presente no gênero carta de reclamação, dado o seu propósito. O número de ocorrências, porém, foi o mesmo tanto na PI quanto na PF.

Entretanto o que chamou a atenção nos textos produzidos pelos alunos do 4º bloco, assim como foi destaque também nos textos produzidos pelos alunos do 3º bloco, conforme a tabela acima, foi o uso das modalizações lógicas quase-asseverativas. Esse tipo de marca de modalização nos leva a interpretar como decorrente do pouco engajamento do aluno com o enunciado produzido, conforme vemos com o exemplo (40), a seguir.

(40) eu acho que as provas devem ser entregas no horario normal depois que bater a campa_ Porque não adianta a gente ficar com os dois primeiros horários livris;.. vocês pensando que os alunos tão estudando: quanto na verdade_ tão sor conversando palestrando ê atrapalhando quem tar mesmo enteresada na prova por isso, Eu acho que tem que ser entregue as provas nos primeiros horio por que sor os dois ultimos são muinto...muinto curto para respondelas_ E tenta lembrar alguma coisa que esquecê_ Eu mesma esqueço um pouco e tentando lembra, o tempo, passou tão rapido que eu cheguei entregar a maioria de lapis mesmo. (054C – PF).

As duas expressões destacadas acima, ‘eu acho’, evidenciam que o aluno considera o conteúdo de sua proposição ‘quase-verdadeiro’, como uma hipótese a ser confirmada. O uso dessa modalização pode denotar uma baixa adesão do sujeito com o seu discurso, uma vez que, o que está em jogo não é a certeza dos fatos, mas a possibilidade, a probabilidade.

No mesmo exemplo (40), podemos destacar as expressões ‘provas devem ser entregas

no horario normal’ e ‘tem que ser entregue as provas nos primeiros horio’ que ilustram

também ocorrências da modalidade deôntica.

Na tabela 31, a seguir, apresentamos os dados das duas turmas do grupo controle. Tabela 31 - Modalizações presentes nas PI e PF do 3º e 4º blocos do grupo controle.

Modalização

Turma Lógicas Deônticas Apreciativas Pragmáticas

Asseverativas Quase-asseverativas Delimitadoras

PI3C - 5 - 11 2 3

PF3C - 4 - 07 7 3

PI4C - 4 - 10 1 -

PF4C - 3 - 10 1 -

Conforme a tabela 31, vemos que:

i) os alunos do 3º bloco PI são os que mais usam modalizações em seus textos, destacando-se a modalidade deôntica;

ii) em nenhuma das turmas apareceram ocorrências de modalizadores asseverativos e

delimitadores;

iii) os modalizadores pragmáticos só aparecem nos textos produzidos pelos alunos do 3º bloco.

Comparando os dados encontrados nas duas turmas, vemos que os sujeitos do 3º bloco usam mais modalizações do que os do 4º.

Conforme verificamos, no 3º bloco acontece uma situação um tanto paradoxal: ao mesmo tempo em que há alunos que usam adequadamente a modalidade deôntica para enfatizar a obrigação que reveste seus enunciados; há também alunos que fazem uso da modalidade pragmática, num contexto inadequado ao gênero produzido. Conforme Bronckart (1999), a modalidade pragmática tende a se manifestar como expressão das intenções, razões e capacidade de ação de uma entidade enunciativa posta em cena, ou seja, entidade esta que não é comum aos tipos discursivos predominantes no gênero textual carta de reclamação.

Nas PI, os alunos mostraram mais sua voz, deixando mais clara sua posição para atingirem seu propósito, ou seja, usaram mais modalizações, já que os modalizadores, conforme, KOCH, 2004b, são índices atitudinais, indicadores das intenções, sentimentos e atitudes do locutor com relação ao discurso. Por outro lado, na PF, os alunos do grupo controle tenderam a assumir uma postura de menor engajamento com o conteúdo temático explicitado nos textos.

Benzer Belgeler