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Genel ve Yerel Seçim Sonuçlarına Göre Konya’da Gözlemlenen Siyasal Kimlikler

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3.3. Genel ve Yerel Seçim Sonuçlarına Göre Konya’da Gözlemlenen Siyasal Kimlikler

No dia 10 de julho de 1980 é fundada a Associação Brasileira de Psicologia Social – ABRAPSO (Anais do I encontro brasileiro de Psicologia Social, 1980, p.90-92), como parte das atividades ocorridas oficialmente na 32ª reunião da SBPC, na Universidade Estadual do Rio de Janeiro.

Uma síntese das discussões que ocorreram nessa ocasião pode ser observada na seguinte citação de Silvia Lane, que deixa claro quais eram as questões críticas daquele momento e as perspectivas a serem incorporadas em uma nova proposta de Psicologia Social.

Será que a Psicologia Social não estaria se atendo a ‘objetos’ aparentes, dissimuladores de uma realidade concreta? Quais os comportamentos sociais fundamentais para se compreender o indivíduo como agente histórico? Qual o elo fundamental entre o indivíduo e a sociedade a que ele pertence? Porque o psicólogo social não estudava profundamente a questão da linguagem? Seria o homem um simples produto social? E a sua individualidade, a sua personalidade? Linguagem, grupos, história: a individual e a social, são aspectos fundamentais a serem estudados e investigados, mas como? De onde partir? Que situações são relevantes para serem estudadas? (Lane, 1980, p. 68-70).

As perguntas colocadas acima por Lane (1980) refletem em grande medida os problemas e as críticas realizadas à Psicologia Social e ao mesmo tempo sugerem uma nova posição a ser adotada pelos psicólogos sociais. É evidente, no trecho, uma proposta de Psicologia Social que vê o indivíduo como produtor e não apenas mero produto da sociedade, além disso, é ressaltada a importância de considerar o caráter eminentemente histórico e lingüístico que envolve a relação do indivíduo e os grupos sociais aos quais ele pertence, além da autora ressaltar também que uma atuação em Psicologia Social só é possível se esses aspectos forem investigados.

Portanto, a criação da ABRAPSO marca uma proposta de mudança de perspectiva na Psicologia Social brasileira. A comunicação científica torna-se, nesse período de transição,

aspecto fundamental para a mudança pretendida. Criar meios de divulgar e difundir a “nova” produção de conhecimento em Psicologia Social no Brasil é um dos principais objetivos da ABRAPSO desde sua criação. No primeiro estatuto dessa associação é bem definida a sua relevância.

A ABRAPSO TEM POR FINALIDADE: Garantir e desenvolver as relações entre pessoas dedicadas ao estudo, ensino, investigação e aplicação da Psicologia em uma perspectiva social no Brasil. Propiciar a difusão e o intercâmbio de informações sobre o desenvolvimento do conhecimento e prática da Psicologia Social. Organizar conferências e cursos e promover a publicação de trabalhos de interesse para o desenvolvimento da Psicologia Social. Promover a integração da Psicologia com outras áreas do conhecimento que atuem em uma perspectiva social crítica. Incentivar e apoiar institucionalmente o desenvolvimento de ações no campo social e comunitário. (Artigo 2º do estatuto da ABRAPSO, 1984)

O lançamento em 1980, da primeira publicação da ABRAPSO, os Anais do I Encontro Brasileiro de Psicologia Social, é um dos resultados da iniciativas da recém criada Associação Brasileira de Psicologia Social. Neste anais além do seminário sobre “Psicologia Social e problemas urbanos”, contém os trabalhos apresentados na mesa-redonda: “A Psicologia Social como ação transformadora”, que ocorreu na 32ª reunião da SBPC, e também a ata de reunião que marca a fundação oficial da ABRAPSO.

A publicação do livro “O que é Psicologia Social?” em 1981 e a publicação, em 1984, do livro “Psicologia Social: o Homem em Movimento” são outros dois bons exemplos da mudança de rumo na produção de conhecimento em Psicologia Social no Brasil que indicam novas perspectivas de atuação dos psicólogos sociais a partir dos anos 80.

Segundo Molón (2001), é claro nesse momento a influência principalmente do materialismo histórico e da dialética marxista. Nesse sentido, a explicitação da ideologia nas relações que envolvem o indivíduo, as instituições e os conceitos importantes na psicologia, como identidade e consciência passam a serem tratados como inerentes ao contexto de produção do trabalho e das relações econômicas e sociais.

É muito provável que tenha se iniciado, a partir desse período, uma mudança de perspectiva teórica e prática (mudança de concepção de homem, de ciência e de sociedade) que a adoção inicial de no mínimo dois referenciais teóricos diversos na Psicologia Social brasileira tornou-se possível. Como ressalta Molón (2001),

Desse modo, uma nova Psicologia Social ganha força e, conseqüentemente, as polêmicas são acirradas, permitindo a definição de duas posições bem diferentes no que diz respeito à natureza, objeto e atuação da Psicologia Social no Brasil. (p.55)

O debate “A tecnologia Social na Psicologia: controvérsias” é emblemático das polêmicas e, ao mesmo tempo, das transformações da Psicologia Social brasileira. Esse debate apresentado na revista Psicologia: Ciência e Profissão, 1985, v. 5, nº 1, p.18-20, traz a posição de três importantes psicólogos sociais brasileiros, Aroldo Rodrigues, representante de uma Psicologia Social Experimental de orientação positivista e cognitivista; Silvia Lane e Wanderley Codo, representantes de uma Psicologia Social crítica. Comentando a polêmica desse debate Molón (2001) diz que:

Esse debate manifesta explicitamente o confronto, no Brasil, entre duas concepções de Psicologia Social e traduz o entendimento sobre a função social da ciência e a questão da neutralidade na produção de conhecimento. (p.56)

Nesse debate os autores são convidados a exporem suas posições referentes à possibilidade de desenvolvimento de uma tecnologia social a partir da Psicologia Social e suas implicações. Aroldo Rodrigues apresenta nessa discussão uma concepção de Psicologia Social enquanto ciência básica que formula leis que servem ao tecnólogo social para aplicação no contexto social. Para ele,

A tecnologia social consiste na utilização dos achados científicos das ciências sociais a fim de resolver problemas sociais. O tecnólogo social se fundamenta nos

dados científicos existentes, combinados e, através de sua criatividade, utiliza-se na resolução de problemas sociais. (p.18-19)

Já Silvia Lane (1985) ressalta as limitações da importação direta do modelo norte- americano para nossa realidade. Segundo Lane (1985), “O problema era que uma tradição positivista procurava manter a objetividade dos fatos e negar ou controlar a subjetividade, que assim ficava afastado do fato social”. (p.20)

Para Lane (1985) era preciso recuperar a subjetividade no campo da Psicologia Social, o indivíduo deveria deixar de ser visto como produto de si mesmo e começar a ser visto como produtor de mudanças e, ao mesmo tempo, produto histórico. Conforme Lane (1985), a sua perspectiva prima por uma concepção histórico-cultural; a idéias de teoria e de prática não podem mais ser vistas de forma dicotômica, elas precisam vir juntas e serem constantemente revistas. Lane (1985) destaca que essa visão crítica da Psicologia Social só é possível no contexto latino americano, “(...) porque as condições históricas de países extremamente desenvolvidos tornam o conhecimento deles inadequado para nós”.(P.20)

De forma a complementar à posição de Silvia Lane, Wanderley Codo (1985) afirma nesse debate que a proposta de uma tecnologia social apresenta-se como uma receita pronta para a resolução de questões sociais complexas de um contexto diferente daquele em que tal tecnologia foi desenvolvida. A conseqüência disso é o uso acrítico da tecnologia que muitas vezes se presta apenas a solucionar o problema sem se perguntar sobre a sua função. Codo (1985) destaca que uma tecnologia social só faz sentido se for capaz de instrumentalizar o cidadão para a busca de sua própria cidadania e não para beneficiar apenas o detentor da tecnologia que é o dono do capital.

Mesmo que de forma incipiente a partir das discussões acima mencionadas, é possível presumir que a crise da Psicologia Social foi além de uma crise paradigmática, ou seja, além

de uma crise teórica e/ou metodológica foi também uma crise política. Essa diferenciação parece fazer sentido considerando que as discussões desse período vão além daquelas consideradas internas à ciência, como a efetividade e validade interna de teoria e métodos. Haberer (1979) ao discutir a politização da ciência ao longo do século XX, politização essa que parece ter acontecido com a Psicologia Social nas décadas de sessenta e setenta, afirma que quando o clima político estende-se para o sistema social da ciência os conflitos científicos continuam a existir. Mas grande parte das forças da comunidade científica é direcionada para questões sociais e políticas e não somente para as questões de ordem paradigmática.

Antes de finalizar esse tópico, é preciso dizer que, embora neste capítulo tenhamos destacado o desenvolvimento e a evolução da Psicologia Social em vários aspectos que indicam uma clara mudança de perspectiva na atuação do Psicólogo Social no Brasil, isso não quer dizer que a produção de conhecimento dessa área seja isenta de problemas e que seja por si um reflexo do compromisso da disciplina aqui tratada com uma atuação voltada para resolução de problemas sociais relevantes. Nesse sentido, não queremos dizer que isso não ocorreu, mas sim que, ao olhar para a produção do conhecimento em Psicologia Social após a década de 70, buscando apenas demonstrar como esse conhecimento é superior e melhor do que aquele produzido nas décadas que antecederam a crise da Psicologia Social pode ser ingênuo e prejudicial para uma análise mais crítica dessa produção. Ao agir dessa forma, estaríamos desconsiderando a própria Psicologia Social como parte de um contexto social eivado por questões de ordens econômicas, sociais, políticas, institucionais e subjetivas. Ademais, deixando de ver o pesquisador em Psicologia Social como indivíduo inserido nesse contexto. Com isso, precisamos ter em mente que a produção do conhecimento não é um mero reflexo da área que a produz, é mais do que isso, é um fenômeno social complexo que merece análise crítica assim como qualquer outro fenômeno social que interfere na vida da sociedade.

Nesse sentido, a descrição a seguir da metodologia e dos dados foi realizada de forma a estabelecer possíveis relações entre a produção do conhecimento em Psicologia Social e a própria organização de uma perspectiva em Psicologia Social no Brasil a partir da década de 80.

Benzer Belgeler