2. BÖLÜM: KALKINMA AJANSLARI TARAFINDAN SAĞLANABİLECEK
2.1. MALİ DESTEKLER
2.1.1. Doğrudan Finansman Desteği
2.1.1.1. Proje Teklif Çağrısı Yöntemi
2.1.1.1.1. Genel Hususlar
Feitas essas considerações sobre os direitos e garantias fundamentais em geral, agora, a fim de compreendermos melhor os limites à restrição de direitos e garantias dos contribuintes, analisaremos mais especificamente os direitos e garantias fundamentais compreendidos nas dimensões individual e social117, já que são estas as mais pertinentes à relação tributária118. Nesta
116 É o caso, por exemplo, da norma que, a pretexto de que o ingresso no REFIS era
facultativo, é interpretada pela Receita Federal como uma autorização – embora não seja clara a respeito – para que contribuintes sejam excluídos do citado programa de forma unilateral e sumária. Confira-se, a esse respeito: MACHADO, Raquel Cavalcanti Ramos. “Refis: adesão voluntária, eficiência da Administração e exclusão sumária e unilateral”, em Revista Dialética
de Direito Tributário n.º 92, p. 47 e ss.
117 Esse tipo de confronto de direitos fundamentais de primeira dimensão com direitos
fundamentais de segunda dimensão, bem como o confronto dos direitos fundamentais de primeira dimensão com os de terceira e quarta dimensão, é também denominada pela doutrina de colisão de direitos fundamentais em sentido amplo. Diz-se que colisão de direitos fundamentais pode ser de dois modos a) em sentido estrito e b) em sentido amplo. Em sentido estrito é a colisão que se verifica entre direitos fundamentais individuais de titulares distintos. Em sentido amplo é a colisão que, segundo Gilmar Ferreira Mendes, envolve “direitos fundamentais e outros valores constitucionalmente relevantes. Assim, é comum a colisão entre o direito de propriedade e interesses coletivos associados, v. g. à utilização da água ou à defesa de um meio ambiente equilibrado.” (Colisão de Direitos Fundamentais na Jurisprudência do Supremo Tribunal Federal. Repertório IOB de Jurisprudência. São Paulo: IOB, 1/18145, 1ª quinzena de março de 2003, p. 178-185). Do mesmo modo, Edílsom Pereira de Farias afirma que “sucede a colisão entre os direitos fundamentais e outros valores constitucionais quando interesses individuais (tutelados por direitos fundamentais ) contrapõem-se a interesses da comunidade, reconhecidos também pela constituição, tais como: saúde pública , integridade territorial, família, patrimônio cultural, segurança pública e outros.” (Colisão de Direitos – a
honra, a intimidade, a vida privada e a imagem versus a liberdade de expressão e informação.
Porto Alegre: Sérgio Antônio Fabris Editor, 1996, p. 95). Em relação à colisão em sentido amplo, entendemos que há certa imprecisão da doutrina quando se refere à colisão de direitos fundamentais com outros valores constitucionais relevantes, já que esses ‘outros valores constitucionais’ estão abrangidos pelas normas enumeradoras de direitos fundamentais de outras dimensões. O mais correto, assim, seria tratar de colisão entre direitos individuais e direitos sociais, ou direitos individuais e de direitos fundamentais terceira dimensão (p.ex. direito a um meio ambiente saudável) etc. É certo que os direitos fundamentais genuínos são
tem-se, de modo mais imediato, de um lado, o contribuinte, com seus direitos de liberdade e com o dever de contribuir para o custeio dos gastos públicos, e, de outro lado, o Estado, que tem o poder de arrecadar para, em tese, prestar os serviços sociais que, por sua vez, são necessários para a efetivação (dentre outros) de direitos sociais da generalidade de cidadãos, devendo realizar tal arrecadação nos limites traçados pela Constituição Federal.
O Estado Social traz consigo a idéia não só de que o Poder Público deve prestar assistência ao cidadão, mas de que os custos assistenciais devem ser arcados por toda a sociedade. Tanto que, atualmente, quando se menciona o termo cidadania, entende-se que esta deve ser considerada de forma multidimensional, de modo a englobar direitos fundamentais considerados em sua dimensão individual e social, para, assim, tentar superar as “contradições e perplexidades que cercam a temática da liberdade e da justiça social... nesta ‘era dos direitos’ que vai caracterizando a transição do século XX para o XXI.”119 Seria como se na idéia de cidadania estivesse incluído o dever fundamental de pagar tributos, meio através do qual o Estado realizaria os direitos fundamentais considerados em sua dimensão social. No Estado Social, portanto, à palavra cidadão deve-se associar não apenas um conjunto de direitos e garantias, mas também de deveres, sobretudo o dever de ser solidário e pagar tributos.
os direitos individuais, em face dos quais, aliás, surgiu as outras dimensões de direitos fundamentais, para torná-los mais efetivos, aumentando a dignidade da pessoa humana, mas como se viu no item I.I do presente trabalho, os direitos fundamentais abrangem sim essas outras dimensões, tendo em vista “a profusão, o alargamento e multifucionalidade dos direitos fundamentais colocados numa dimensão de nova objetividade” (BONAVIDES, Paulo. Curso de
Direito Constitucional. 13 ed, 2ª tiragem. São Paulo: Malheiros, 2003, p. 29)
118 Podem, é certo, ser realizados outros tipos de sopesamento, como por exemplo, com os
direitos fundamentais considerados em sua terceira geração (direito fundamental ao meio ambiente saudável), o que poderia culminar com a criação de uma CIDE (contribuição de intervenção no domínio econômico). Essa hipótese, porém, é mais rara, e não foi face à mesma que se desenvolveu a genérica relativização de direitos ora combatida, razão pela qual prefere-se analisar apenas os direitos fundamentais, considerados nessas duas dimensões. Precisamente sobre a relação do Direito Tributário com o direito fundamental ao meio ambiente saudável, recomendamos a leitura dos livros Direito Ambiental Tributário, de Celso A. Pacheco Fiorillo e Renata Marques Ferreira. São Paulo: Saraiva. 2005; e Direito Tributário Ambiental, de vários autores, organizado por Heleno Taveira Tôrres. São Paulo: Malheiros. 2005.
119 TORRES, Ricardo Lobo. “A Cidadania Multidimensional na Era dos Direitos” em Teoria dos
Direitos Fundamentais. Organizador: Ricardo Lobo Torres. 2 ed. Rio de Janeiro: Renovar.
Direitos sociais são direitos de “alto custo”, eis que a prestação de serviços públicos por parte do Estado demanda grande disponibilidade de “receita pública”. Receita esta que, por sua vez, é obtida principalmente através da cobrança de tributos. Assim, para realizar, por exemplo, os direitos sociais de educação, saúde e assistência social, o Estado poderia interferir, com mais intensidade, na disponibilidade econômica das pessoas, tributando-as para a arrecadação de maior receita. Além disso, como a relação tributária também envolve uma série de atos necessários à efetiva cobrança do tributo, tais como a fiscalização e a prestação espontânea de informações pelos contribuintes, afirma-se que a fim de permitir a realização dos direitos fundamentais de segunda geração, com a maior arrecadação de receita, o Estado também estaria autorizado a relativizar inúmeros direitos individuais de liberdade, relacionados à cobrança, tais como o direito ao sigilo, e vários decorrentes do devido processo legal, e até mesmo poderia realizar inúmeras presunções legais. Invoca-se, então, o princípio da praticidade.
Essas idéias, porém, precisam ser mais bem refletidas. Até porque o equívoco de algumas pode ser percebido logo no início do raciocínio. Partem de uma falsa compreensão sobre a multifucionalidade da cidadania e sobre a necessidade de aumento de receita no Estado Social. Isso leva a que muitos direitos e garantias fundamentais do contribuinte tenham sua dimensão individual esmagada em prol de uma prevalência iníqua dos direitos fundamentais considerados em sua dimensão social e de uma invocação abstrata do dever fundamental de pagar tributo.
Analisemos primeiramente, a situação do contribuinte, do cidadão, com sua cidadania multidimensional e depois a do Estado, enquanto realizador dos direitos sociais.