• Sonuç bulunamadı

2.3. Yerelleşmiş Öğrenme, Yenilikçilik ve Kurumlar

3.1.5. Araştırma Sonuçları ve Değerlendirme

3.1.5.6. Gelişme Sürecinde Kurumların Rolü

Para os desafios, destacaram-se as seguintes questões:

“Mudança da nomenclatura do órgão responsável pela política de Assistência Social – de Secretaria Municipal de Ação Social para Secretaria Municipal de Assistência Social. - Regulamentação através de lei do organograma compatível com a estrutura atual da Secretaria. – Garantir equipes para o órgão gestor e para há tambexecução dos serviços socioassistenciais conforme NOB/SUAS-RH. Implantação de um sistema de monitoramento e avaliação dos serviços socioassistenciais com profissionais efetivos garantindo a construção de indicadores de avaliação, impacto e índice de cobertura dos serviços, mapeamento de vulnerabilidades e indicadores de qualidade dos serviços. - Garantia de capacitação continuada para a rede socioassistencial. - Implantação do sistema informatizado e articulação da rede. - Garantir equipes compatíveis com os atendimentos conforme os guias de orientação para CRAS e CREAS, visando a garantia e ampliação dos serviços de competência das respectivas unidades. - Reconhecimento da Política de Assistência Social

enquanto política pública de direito e dever do Estado pelos poderes legislativo, executivo e judiciário. - Aumentar o orçamento para a Política de Assistência Social. - Garantir através de Legislação Municipal a Política de Assistência Social. - Ampliar o atendimento sociofamiliar para as famílias do Programa Bolsa Família. - Descentralizar o Cadastro Único para os CRAS. - Definir piso de referência para transferências a entidades assistenciais. - Implantar Plano de Cargos e Salários para trabalhadores da Política de Assistência Social. - Implantar a Política Municipal de Atendimento ao Idoso, desenvolvendo uma ação intersetorial das políticas públicas (educação, saúde, esporte e lazer, cultura, habitação, trabalho, assistência social, etc). - Transferir o Projeto de Compra Direta Local da Agricultura Familiar para a Secretaria Municipal de Agricultura. - Implantar o CRAS itinerante para a zona rural. - Implantar serviço de atendimento à pessoa adulta em situação de rua. - Instituir o Plantão Social no CREAS. - Readequar projetos de inclusão produtiva em parceria com a política do trabalho. - Estabelecer parceria com a política do trabalho para o fortalecimento e descentralização do Programa de Qualificação EPA”. (M1 Gestor)

“É conhecer e aceitar o SUAS; superar a visão assistencialista em toda a rede. Melhorar a estrutura; Ampliar as equipe de RH; Aumentar a quantidade de CRAS no município por ser muito grande”. (M1 CRAS1)

“Equipe! com equipe incompleta não tem como. Espaço físico, recurso financeiro que não seja só pra custeio, ficamos limitados, (não pode isso só pode aquilo), o recurso está muito direcionado e a prefeitura, que deveria dar o suporte dos 20%, acaba não fazendo, porque é pouco e são diversos projetos”. (M1 CRAS2)

“Visibilidade da política para a população”. (M1 CRAS3)

“Administração pública e planejamento, isso é o que falta, vontade política., faltam também recursos humanos. Espaço, uma sede própria com instalações adequadas. Aqui nós temos um sério problema, temos recursos mas não podemos gastar, já tivemos que até devolver dinheiro porque não foi gasto, por falta de administração, não souberam gastar o dinheiro, o município tinha que dar a contra-partida e não foi feito como deveria. Não foram nem implantados certos serviços e programas por falta de planejamento”. (M2 CRAS 4)

“A superação do atendimento na lógica individual para o coletivo e a participação vinculada ao recebimento de benefício material” (M2 CRAS1) “O maior desafio é o trabalho com famílias. Historicamente o atendimento era individual, questão do favor do assistencialismo. O foco do CRAS é o acompanhamento social e atendimento socioeducativo. A demanda é emergente, não dá conta de fazer o que realmente preconiza a política. Há uma forte cultura das famílias quanto à questão da troca, dificuldade da participação sem ser vinculada a um benefício”. (M2 CRAS2)

“O desafio maior que vejo ainda hoje, enquanto gestor da assistência, é a adequação das pessoas, elas entenderem que dentro desse processo elas não são coitadinhas, hoje ele recebe um benefício mas tem que dar a sua contra- partida, a participação das mães nas atividades ainda não é a esperada, é necessário criar estratégias, decidir o que fazer, como trazer esse povo, ele entender que isso é feito pra ele e ele pode mudar”. (M3 Gestor)

“Estratégias para a participação da população e a compreensão do que é o CRAS; formação da rede pública tem que ser construída; trabalho em equipe”. (M3 CRAS)

“Que se efetive o que está na política, no SUAS, que continuem as discussões, ainda não está pronto. E a efetiva participação do usuário que de forma geral, não participa dos conselhos, do planejamento, são grandes desafios.”. (M4 CRAS)

“Conseguir superar o ato de dar do assistencialismo. Dificuldade da população de compreender a política de assistência social como política pública. Superar a resistência em relação à política de assistência social por muitos que desqualificam a política e os profissionais da área. [Outro desafio pontuado] dificuldade de capacitação, fundamental para o trabalho coletivo. O Estado cobra muito, mas não oferece nada, especialmente recursos financeiros”. (M5 Gestor)

“Os funcionários do CRAS são novos, estão em processo de compreender a política. Alguns [que já atuavam no município] estão resistindo em mudar a forma da ação em relação ao que realizavam anteriormente”. (M5 CRAS) “Um dos grandes desafios é quanto à população indígena no município, o CRAS não dá conta de atender esse público que na sua maioria são beneficiários do programa Bolsa Família. [São, em média, 76 famílias de duas tribos indígenas descobertas do atendimento do CRAS]. No município não tem SENAI, não tem SENAC, não tem hotel, o que dificulta ter pessoal qualificado para oferecer cursos ”. (M6 CRAS).

São inúmeros os desafios pontuados, alguns destacados por mais de um município, outros configurando-se como realidades particulares. Entre os desafios, alguns, no decorrer da pesquisa, ficaram em maior evidência, como é o caso da nomenclatura do órgão gestor da assistência social, variando-se entre Secretaria de Ação Social, Secretaria de Assuntos Comunitários, compondo 77% do total do universo da pesquisa, e Secretaria de Assistência Social representando 33% dos municípios pesquisados.

A nomenclatura do órgão gestor é uma questão a ser debatida e faz-se necessário avançar nesse sentido, pois na gestão da política de assistência social, comumente, mantém-se a marca histórica da assistência como ação pontual e apenas voltada a suprir necessidades imediatas e materiais através do auxílio com cesta básica. Tem havido avanços, alguns municípios já possuem a nomenclatura como Secretaria de Assistência Social, em outros casos os técnicos, estão fomentando o debate no sentido de mudar, pois é de fato, um aspecto inerente à constituição da identidade da política de assistência nos municípios. Há muito a caminhar nesse sentido, inclusive quanto ao gestor estadual, que tem sua

nomenclatura vinculada ao Trabalho e Promoção Social, e não apresenta, na atual gestão, nenhum debate no sentido de alteração. Conforme afirma a Chefe da ER SETP:

“Parece não haver espaço no Governo para essa discussão. Na SETP, como no geral do Governo também, a política do Trabalho tem grande repercussão nos discursos, apesar de ter encolhido significativamente na execução de sua programática. A Assistência Social ainda não faz parte do referencial dos discursos e, consequentemente, de planejamentos e outras projeções de mudanças. Falta status para esta política pública, que dificilmente será alcançado numa sociedade capitalista”.

Outro aspecto a ser ressaltado, diz respeito à reestruturação das Secretarias Municipais, da mesma forma, importantes, para que haja o reordenamento de alguns serviços e benefícios que têm sido realizados e oferecidos pela assistência social enquanto demanda de outras políticas, devido à fragilidade ou inexistência de outras Secretarias nas Prefeituras. Essa realidade se destacou nos municípios de pequeno porte I, apesar de haver algumas situações esporádicas referentes a projetos específicos que outras secretarias se recusam a assumir, ficando ainda delegados à assistência social.

Quanto a equipe de recursos humanos e a capacitação continuada, são essenciais para o avanço do desenvolvimento do SUAS nos municípios e na região, portanto é preciso garantir que as normas estabelecidas sejam colocadas em prática.

A reestruturação dos CRAS, a instalação de novas unidades, e a aquisição de equipamentos eletrônicos e móveis também se configura como imprescindíveis ao avanço do SUAS nos municípios. Pois o CRAS ainda não está acessível a toda a população que demanda seus serviços, no caso dos municípios de grande porte, por ser insuficiente a quantidade de unidades instaladas, e no caso dos de pequeno porte I, devido à população rural que tem difícil acesso agravado pela distância, aos quais seria ideal, o oferecimento de uma unidade móvel denominada de CRAS itinerante.

Há também o agravante, já destacado anteriormente, quanto à falta de equipe mínima indicada pela NOB/RH/SUAS nas unidades instaladas.

Em relação ao financiamento da política de assistência social, trata-se ainda de grande entrave a ser superado, pois alguns municípios não têm fixado a porcentagem destinada à rubrica da assistência social, em alguns casos o próprio gestor entrevistado não soube dar a informação quanto aos recursos destinados à área. A partir das entrevistas observamos, há também a falta de diálogo quanto a utilização dos recursos entre gestor e técnicos que estão na execução da política, o que dificulta a aplicação desses com o que, de

fato, tem-se demandado pelo público, caracterizando-se como falha administrativa e de planejamento como ressaltado em algumas citações. Apesar da construção dos Planos de Assistência Social, dos Planos Plurianuais e demais instrumentais quanto à organização do destino do orçamento no município, há que se ampliar esse diálogo. Também registrou-se a dificuldade quanto ao repasse dos mesmos aos municípios pelo Governo Federal através do piso básico fixo, destinado aos CRAS, podendo ser utilizados somente para manutenção e não na aquisição de equipamentos permanentes.

Outra categoria destacada nas falas foi quanto à participação, que se apresenta como um grande desafio, todas as entrevistadas deram ênfase à dificuldade da participação dos usuários da política, nos programas e ações desenvolvidas pelo CRAS. Estamos no ano de Conferência de Assistência Social com o tema “controle social e participação no SUAS”, eixo importante para a reflexão do trabalho voltado para o atendimento à família. A questão é que as práticas realizadas com finalidade de instigar a participação se construíram mediante o atendimento com algum benefício, geralmente através da cesta básica, portanto, as propostas de trabalho socioeducativo que não são vinculadas a algum benefício material, têm sido frustradas. Essa é uma problemática que precisa ser vencida não julgando os usuários, pois, as propostas de trabalho têm que estar voltadas às suas reais necessidades, precisam compreender que é algo pra efetivamente proporcionar melhorias para suas vidas, e isso terá que ser construído pelos trabalhadores do SUAS. O desafio da participação não se resume ao público atendido pela assistência, é uma dificuldade que deve ser entendida sob a luz da leitura da história do país quanto à instigação as instâncias participativas, considerando a atual conjuntura em que vivemos. Os próprios espaços de participação da categoria de serviço social estão, enfrentam problemáticas quanto à participação, e a cada dia tem sido um desafio reunir grupos na perspectiva de debater e construir, coletivamente, caminhos para superar desafios.

A descentralização do Cadastro Único se apresentou como uma demanda dos municípios de grande porte, da mesma forma tem sido uma urgente e necessária ação a ser realizada nos municípios, pois a partir da instalação dessas unidades nos CRAS, possivelmente ampliará o acesso do público ao CRAS, e facilitará o atendimento dos beneficiários do Bolsa Família através dos programas, projetos e serviços oferecidos, resultando no fortalecimento da identidade do CRAS e na realização do que a PNAS orienta quanto à prioridade do atendimento do CRAS ao público beneficiário do Bolsa Família.

Outros aspectos destacados referem-se à construção de indicadores de forma a dar base para a construção da política municipal de assistência social: a ineficiência

ou inexistência de um sistema de monitoramento e avaliação das ações realizadas; a falta de um sistema de informática integrado à Rede socioassistencial e ao Cadastro Único, de forma a facilitar os registros do público atendido, instrumento essencial para fomentar a intersetorialidade.

Em algumas falas registrou-se também a resistência às mudanças que o SUAS proporciona, são questões pontuais, porém, que dificultarão ou atrasarão o avanço do SUAS nos municípios que apresentam essa problemática.

É necessário que o CRAS seja conhecido e reconhecido por toda a população enquanto um equipamento público criado pelo SUAS, esse configura-se como um grande desafio. Discorreremos sobre essa questão em seguida.

Outra citação importante que destaca desafios para o SUAS, sob a ótica da gestão regional, diz respeito à:

“O que estão postos como avanços não contemplam todos os municípios, este é o desafio: universalizar o SUAS! Isso é trabalho de continuidade, sem esmorecer, mesmo quando parecer que está havendo retrocesso. Há que se considerar as mudanças de governos que, a cada quatro anos, sempre entram novos atores, muito trabalho precisa ser refeito. As próprias Instituições de Ensino Superior precisam inserir o conteúdo da PNAS e o SUAS com maior aprofundamento na formação dos profissionais do Serviço Social, assim como a atuação de psicólogos nos CRAS está a clamar por formação em Psicologia Social. Também a sociedade, com seus fundamentos liberais, estará sempre tensionando a Assistência Social, com suas concepções sobre a pobreza, principalmente. E, criar nova consciência, trabalhar com famílias na construção de suas identidades e autonomias, não é tarefa para uma ou duas gestões de governo, há trabalho para mais de uma geração, mas as bases dessa revolução social estão postas no SUAS!”. (Chefe ER SETP)

O primeiro ponto registrado nessa fala é fundamental, pois a implantação do SUAS é processo, e não se dá descolado de toda a conjuntura política existente no município. Outro aspecto a ser considerado é a história da construção da política de assistência social em cada município. Certamente esses fatores estão diretamente ligados com a forma com que tem ocorrido a implantação do SUAS em cada realidade distinta, apesar de haver uma Lei que refere-se a todo o país, ela não é linear, está intrínseca às realidades estabelecidas. Ainda em relação a essa questão, é importante fomentar o debate entre os trabalhadores do SUAS, para que não desanimem com alguns retrocessos158 que ocorrerão pelos fatos registrados na citação.

158 Há 2 exemplos concretos vivenciados por municípios que fazem parte dessa pesquisa, o município nº 02, que

Nesse sentido, vale ressaltar o essencial papel dos órgãos competentes na realização da fiscalização e monitoramento dos municípios no que se refere à política de assistência social, para que se garanta minimamente as condições de concretização do SUAS.

“Sistematicamente chamamos atenção para a Política Nacional de Assistência Social, para o cumprimento das Normas Operacionais Básicas – NOB-SUAS e NOB/RH-SUAS. Verificamos no próprio município as instalações físicas e o funcionamento efetivo dos serviços socioassistenciais, programas e projetos, quando das visitas técnicas, temos incluído orientações aos contabilistas da Prefeitura, reuniões com os CMASs, audiências com Prefeitos Municipais, conversas com Vereadores. Neste ano, com a revisão dos Instrumentos de Gestão, ocorre um processo mais forte. Houveram outros momentos importantes, como o Monitoramento dos CRAS pelo MDS, que acompanhamos realizando verificação in loco dos dados informados e emitindo parecer técnico, que gerou demandas da CIB. O Plano de Monitoramento, Avaliação e Habilitação implantará uma fiscalização sistemática. É o SUAS ‘tomando corpo’! [...] [Portanto],há acompanhamento de diversas formas e ainda neste mês de agosto terá início o Plano de Monitoramento, Avaliação e Habilitação, consolidando os requisitos necessários de gestão, financiamento e controle social no SUAS, pelos municípios do Paraná. [A operacionalização ocorre] a partir do preenchimento do aplicativo disponível no sitio da SETP pelo município, a equipe técnica do Escritório Regional da SETP se reúne com a equipe da Secretaria Municipal de Assistência Social e com os conselheiros do CMAS, analisando todos os quesitos do aplicativo. Conforme a situação levantada, será imediatamente composto um Plano de Providências com definição de prazo para seu cumprimento. Durante esse período de tempo, a equipe técnica do ER retorna ao município, assessorando no que for necessário. Os resultados desse processo, com parecer do ER, podem resultar na indicação da habilitação ou mudança do nível de habilitação do município pela CIB. Paralelamente a esse processo, o ER de Cascavel mantém as reuniões técnico- administrativas com todas as SMAS e CMAS, já tradicionais, com participação do conselheiro regional do CEAS, FOREAS e representante da região no COGEMAS-PR.”(Chefe ER SETP) grifos meus.

Um aspecto a ser considerado e questionado, refere-se às condições de trabalho propostos na SETP enquanto órgão gestor estadual, pois se a equipe for reduzida certamente resultará em serviços de menor qualidade e não produzindo adequadamente respostas as demandas expressas pelos municípios que contemplam o território de abrangência dos ERs/SETP. Atualmente o quadro de recursos humanos do ER em Cascavel, conta com 4 profissionais contratados com vínculo estatutário, atuando na área da assistência social, do trabalho e administrativa; na modalidade de cargo comissionado, são 2

um dos municípios de pequeno porte I, precisamente em junho desse ano, expressou seu desespero, por estar sozinha no CRAS com carga horária de 20 horas, num quadro que anteriormente havia para além da coordenadora, 1 assistente social e 1 psicóloga. Portanto, haverá sim retrocessos, mas não devem ser considerados cristalizados. Daí a importância de se garantir o constante monitoramento dos municípios de forma a dar respaldo para que se garanta as mínimas condições para que o SUAS se efetive.

profissionais que atuam na chefia e na assessoria; ainda, 5 profissionais que atuam na área do trabalho e segurança alimentar na modalidade de contratação denominada em Disposição Funcional de Prefeitura; 1 contratado como terceirizado para serviços gerais; e 5 estagiários entre adolescente aprendiz, ensino médio e superior. É inaceitável, que no quadro de Técnicos159 do ER/SETP em Cascavel não haja nenhum assistente social, ou seja, a luta no âmbito dos municípios no sentido de garantir técnicos qualificados na área para trabalhar na gestão da política, deve ser reproduzida no âmbito regional e estadual. Esse aspecto também insere-se enquanto um desafio para o avanço do SUAS na região, pois são necessárias as condições adequadas de assessoria e suporte aos municípios, portanto é imprescindível que os ERs da SETP tenham as condições de cumprir suas atribuições enquanto gestor regional da política de assistência social.

Se essas questões avançarem, outro patamar da política de assistência social no país, será alcançado, mas não são desafios facilmente superados e, além desses, outros virão.