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Geleneksel Kamu Yönetimi AnlayıĢına

2.3. TÜRKĠYE‟NĠN AVRUPA BĠRLĠĞĠ ÜYELĠĞĠ SÜRECĠ

3.1.2. Türkiye Kamu Mali Yönetim Ve Kontrolü Alanındaki GeliĢmeler

3.1.2.1. Geleneksel Kamu Yönetimi AnlayıĢına

Os anos 90 foram marcados pela necessidade da criação de um Estado Mínimo, fundamentada na teoria do neoliberalismo e “de que os recursos públicos deveriam ser administrados com maior eficiência” (Santos, s/d:3). Isso implicava, também, numa maior flexibilização nas relações trabalhistas e nas licitações de compras e gestão pública. A partir desse cenário, deu-se início aos diversos processos de privatização de empresas estatais, sendo, no Brasil, um dos mais emblemáticos o da privatização dos serviços de telefonia – a compra da Telesp pela Telefônica, empresa espanhola. Outro movimento importante nesse sentido foi a mobilização social frente à tentativa de venda da Petrobras. Para Santos, durante as privatizações, era evidente a centralidade das ações para a lucratividade dos negócios e para atrair os investimentos privados. Contudo, ainda se via necessária a criação de outro mecanismo que não estivesse sob a visão do lucro, mas que garantisse a execução dos serviços públicos com a parceria do setor privado. Santos (s/d:3) complementa que:

A concepção que orientava essa proposta era de que a administração direta deveria se envolver com atividades exclusivas a sua natureza (formulação e execução de leis, aplicação da justiça, planejamento das políticas públicas, segurança interna e externa). As demais passariam a ser consideradas atividades não-exclusivas, como a prestação de serviços sociais, de saúde, ensino, pesquisa científica, desenvolvimento tecnológico, proteção e preservação do meio ambiente, cultura.

Nesse momento foram concebidas qualificações que pudessem garantir que entidades sem fins lucrativos, sob o formato de Organizações Sociais (OS) ou Organizações da Sociedade Civil de Interesse Público (Oscips)12, pudessem assumir alguns serviços considerados atividades não-

12 OS e Oscips são, na realidade, qualificações criadas por meio de leis para que uma organização sem fins lucrativos possa assumir a execução de atividades de serviços públicos. A lei 9.637/98 deu vida às OSs, dando, portanto, possibilidade de que essas organizações assumissem a execução de serviços públicos, por meio de contratos de gestão. As Oscips nasceram em 1999, por meio da Lei 9.790/99, que estabelece o Termo de Parceria entre o poder público e entidades privadas.

exclusivas. O objetivo desses títulos era garantir que essas entidades pudessem criar uma relação de parceria com o Estado na gestão de programas ou ações públicas de saúde, cultura, educação, assistência social, entre outros. OSs e Oscips são, portanto, qualificações e não formas jurídicas de organizações sem fins lucrativos. Dentro do Gife, 44% dos seus associados possuem a titularidade de Oscips e 4%, de OS. A Abong não apresenta essa informação sobre os seus associados, mas pode-se supor que existam, também, OSCs com as mesmas titularidades. O proposto de entrar com um pedido dessa qualificação, muitas vezes, tem por objetivo facilitar certas formas de financiamento e de editais públicos, caso das Oscips com os termos de parcerias. Contudo deve-se fazer a ressalva de que, apesar de serem títulos, qualificações, muitas entidades surgiram dentro deste contexto – de prestadoras de serviços – e, portanto, para esse fim:

Conforme Abreu (2001), a partir dos anos 1990, as elites dirigentes no Brasil passam a criar organizações empresariais para atuar como organizações da sociedade civil. Surgem também organizações paragovernamentais, criadas por intermédio de políticas de governo, com o propósito de implementar políticas de governo (Paz, 2005:19).

Isso difere das organizações que nasceram a partir de uma historicidade própria, na defesa de direitos e na luta pela democracia no país, como será visto, a seguir, nos demais eixos propostos.

Em pesquisa realizada por Freitas (2010) sobre a gestão pública de serviços culturais nos estados de São Paulo e Minas Gerais, foram analisados diversos serviços prestados por meio de OS ou Oscips. A pesquisa colheu os dados nessas unidades federativas por serem as que utilizam, com bastante frequência, o sistema de parceria entre público e privado. O Estado de São Paulo adotou esse formato e possui muitas instituições com esse perfil. Foram identificados 39 espaços e programas culturais desenvolvidos no estado de São Paulo, coordenados por 10 organizações sociais, para a gestão de espaços públicos, como museus (Pinacoteca do Estado, gerenciada pela Associação Amigos da Pinacoteca), ou instituições voltadas ao ensino das artes (Associação Santa Marcelina Cultura, que é responsável pela Escola de Música do Estado de São Paulo - Tom Jobim).

Freitas não considera que essa forma de parceria possa ser considerada como “privatização” dos serviços públicos, na medida em que acredita que alguns exemplos de gestão

com OS e Oscips foram bem sucedidos, e nomeia-os como publicização dos serviços ou gestão pública não estatal. Para a pesquisadora, o importante é respeitar os processos de contratação dessas organizações, garantir a transparência e o controle social frente às ações. Um dos problemas apontados está na falta de transparência na contratação dessas organizações e também na publicação das informações sobre os serviços e sobre os recursos financeiros. “Entretanto, as vantagens imediatas obtidas com o modelo não devem desviar os questionamentos necessários, tais como a que preço e de que formas estas vantagens estão sendo atingidas ” (Freitas, 2010:113). Agnaldo dos Santos, sociólogo e pesquisador do Observatório do Cidadão do Instituto Polis, concorda que deve valer o controle social e o monitoramento dessas parcerias e observa que ainda faltam estudos e informações sobre o tema, mas que:

[...] movimentos sociais e fóruns da sociedade civil que atuam em políticas onde existem OS e Oscip, como no caso da saúde, denunciam que essas organizações não permitem (ou não facilitam) a presença de conselhos gestores, e que incorrem em irregularidades ao utilizarem recursos humanos da administração pública direta. Também denunciam a enorme falta de transparência financeira (Santos, s/d:4).

Do ponto de vista da cultura, muitas vezes a parceria não é feita de forma salutar e não se respeita a base do que seja uma parceria, que seria a relação entre iguais e responsabilidades mútuas.

A prática de algumas experiências de publicização na área cultural prova que, não raro, as metas são estabelecidas unilateralmente, oferecendo um risco duplo. Quando apenas a visão da OS ou Oscip prevalece, o interesse público pode ser comprometido e a abstenção do Estado pode significar a ausência de políticas públicas para o setor cultural. Por outro lado, quando o Estado controla sozinho a elaboração e proposta das metas, corre o risco de incoerência com a realidade da gestão e no desperdício de uma oportunidade de parceria correta com a sociedade para elaboração de políticas públicas (Freitas, 2008:97).

Tais apontamentos podem ser ampliados para toda e qualquer forma de parceria entre a sociedade civil, o poder público e o setor privado. Abong, Gife e outras redes de associações defendem a necessidade de um ambiente legal e seguro para o acompanhamento dessas parcerias e do uso dos recursos públicos. Para tal, foi criada uma frente de diálogo com o governo federal através da Plataforma por um Novo Marco Regulatório para as organizações da sociedade civil.

Defendem a implementação de um marco legal e de políticas públicas que criem um ambiente favorável e seguro para o envolvimento dos cidadãos e cidadãs em causas públicas. As organizações precisam dessas condições para mobilizar recursos junto à própria sociedade

civil e, com legitimidade e transparência, acessar recursos públicos para realizar atividades relevantes para a democracia e para o bem comum (Abong, 2012).

Contudo, para compreender se essa forma de parceria entre público e privado assume ou não uma relação de privatização de serviços, é preciso, antes, proceder a uma análise mais aprofundada das relações estabelecidas e estudar diretamente alguns casos. Como não é objeto de análise desta pesquisa, esta limitar-se-á ao apontamento dessas reflexões, observando a necessidade de uma análise mais profunda e da consolidação de um campo de pesquisa sobre o tema.

Por essas razões, esta pesquisa não se dedicará muito a esse eixo e às OS, na medida em que o seu foco são mais as ações vindas diretamente da sociedade e que estão contextualizadas historicamente pela defesa de direitos e pela luta pela democracia. A construção das OSs está numa lógica distinta e, por isso, não condiz com o que essa autora acredita ser uma organização da sociedade civil.