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Geleneksel-Modern Ikiliğine Sıkışmış Namus Anlatıları

3.4. Üniversiteli Öğrencilerin Namusu Anlamlandırma Biçimleri

3.4.1. Geleneksel-Modern Ikiliğine Sıkışmış Namus Anlatıları

O definhamento do Estado já foi problematizado por um outro viés mais endógeno de auto-destruição por dentro, uma vez conquistado por forças anti-capitalistas. Marxistas como Engels, Lenin, Radek, Luxemburgo, Pannekoek, partem do pressuposto de que as condições materiais de uma sociedade (modo e relações de produção) formam sua estrutura social, sua ideologia e consequentemente o formato de Estado que organiza a sociedade. Para estes autores, o Estado burguês formado nos primórdios do capitalismo não busca o bem-comum da sociedade, e sim a materialização dos interesses da classe dominante. O Estado é a força de repressão da classe dominante sobre as classes subalternas. Nesta concepção, não cabia a diferenciação do conceito de sociedade política e sociedade civil elaborada por Gramsci e que vai dar uma outra perspectiva para a noção de Estado entre os marxistas.

Para Engels (1884), em A origem da família, da propriedade privada e do Estado, o Estado é um produto da sociedade em uma certa fase de seu desenvolvimento e de efusão de suas contradições internas. Ele está acima da sociedade, para atenuar os conflitos entre as classes antagônicas e impedir que estas destruam a sociedade. O Estado, portanto, segundo Lenin, em O Estado e a revolução, é o produto e a manifestação do antagonismo inconciliável das classes. Para Marx, se fosse possível a concilição entre estas classes, não seria necessário o Estado. No Manifesto Comunista, Marx é bastante enfático ao dizer que “o executivo do Estado moderno não é mais do que uma comissão para administrar os negócios coletivos de toda a classe burguesa (MARX & ENGELS, 1987, p. 36).”

Marx funda sua teoria sobre o Estado na experiência histórica dos grandes anos revolucionários na França de 1848 a 1851. Mas, o que Marx não pôde apontar concretamente foi pelo que substituir essa máquina governamental que era preciso aniquilar. Ao problematizar pelo que seria substituída a máquina estatal, Marx diz no Manifesto Comunista: “o primeiro passo na revolução operária é a passagem do proletariado à classe dominante, a conquista da democracia pela luta” (MARX & ENGELS, 1987, p. 53). Na verdade ele esperava um movimento de massas que lhe desse respostas mais concretas – o que ele vai encontrar posteriormente ao poder analisar a Comuna de Paris23. Segundo Coutinho, sobre as limitações do alcance da teoria do Estado de Marx, “o Estado moderno ainda não explicitara

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Fruto da resistência da população parisiense durante a guerra franco-prussiana, a Comuna de Paris, inspirada nos princípios da Primeira Internacional foi a primeira experiência de uma tomada popular do poder. Ocorreu em 1871 na cidade de Paris, na França, fazendo com que os membros do governo abandonassem a capital francesa e fossem substituídos pela Guarda Nacional que apoiou e deu respaldo à população que se organizou em forma de comuna. Esta comuna era constituída por conselheiros municipais eleitos por sufrágio universal nos diferentes bairros de Paris e sua maioria compunha-se de operários ou representantes reconhecidos da classe operária.

plenamente suas múltiplas determinações e, desse modo, a teoria “restrita” do Estado correspondia à existência real de um Estado “restrito” e de uma esfera política restrita”. (COUTINHO, 1987, p. 64).

Lênin deriva suas análises da leitura que fizera de Marx e nas experiências revolucionárias de 1905 e 1917 na Rússia, “numa sociedade em que não existam os antagonismos de classes, o Estado é inútil e impossível” (LENIN, 2007, p. 47). Em O Estado e a Revolução, Lênin busca restabelecer a verdadeira doutrina de Marx sobre o Estado e debater com aqueles a quem acusava de desvirtuar o pensamento de Engels e Marx, como Kautsky. Tais desvios estavam fundamentados principalmente na negação da concepção original de Marx de que, com a tomada violenta do poder pelo proletariado e a conseqüente superação da luta de classes, o Estado passaria a ser desnecessário, definharia e morreria. Esta formulação derivou em uma série de polêmicas sobre democracia direta e democracia representativa e ditadura do proletariado e democracia burguesa preconizadas por teóricos marxistas (ALTHUSSER, 1985; GRAMSCI, 1987; OFFE, 1984).

As opiniões que contrarivam esta concepção, como a de Kautsky, por exemplo, foram taxadas no interior do marxismo de oportunistas ou traidoras. Segundo Lenin, Kautsky faz uma concessão aos oportunistas, como Bernstein, ao admitir a conquista do poder pelo proletariado sem a destruição da máquina do Estado. As posições como a de Kautsky foram refutadas por outros como o próprio Lenin e Pannekoek com a opinião de que

A luta do proletariado não é simplesmente uma luta contra a burguesia pelo poder governamental, é também um aluta contra esse poder... A revolução proletária consiste em anquilar os meios de força do Estado e dispersá-los pelos meios de força do proletariado ... A luta só terá fim uma vez atingido o resultado, uma vez a organização do Estado completamente destruída (LENIN, 2007, p. 130).

Será neste terreno de polêmicas sobre o papel do Estado no período pós-revolucionário que, ao construir sua elaboração sobre hegemonia, Gramsci vai contribuir para o desenvolvimento da teoria marxista em um dos pontos em que Marx a deixou mais aberta e incompleta, que foi justamente na elaboração sobre o papel do Estado na dominação capitalista e o seu destino pós-revolução do proletariado. Na verdade, o ponto de conclusão de Marx será o ponto de partida para Gramsci. Se, para Marx, o Estado é o aparelho coercitivo, estritamente de dominação de uma classe sobre outra, para Gramsci o Estado é permeável, atravessado pela luta de classes (SIMIONATTO, 1995, p. 64).

Para discutir sua concepção de Estado, Gramsci se baseou em uma leitura que também se tornou polêmica no seio do marxismo, a de que existem duas esferas distintas no interior da superestrutura: a sociedade civil e a sociedade política. A sociedade civil seria o aparato da hegemonia, formada por organizações responsáveis de elaborar e difundir a ideologia, como as escolas, igrejas, partidos políticos, sindicatos, meios de comunicação; e a sociedade política, ou o Estado estritamente dito, seria o aparato da coerção, formado por um conjunto de mecanismos através dos quais a classe dominante detém o monopólio legal da repressão e da violência.

A sociedade civil em Gramsci “compreende o conjunto de relações sociais que engloba o devir concreto da vida cotidiana, da vida em sociedade, o emaranhado das instituições e ideologias nas quais as relações se cultivam e se organizam” (SIMIONATTO, 1995, p. 68). A sociedade política será o conjunto de aparelhos de exercício da violência pela classe dominante, sendo possível identificar em qualquer Estado moderno as funções de hegemonia e dominação ou coerção e consenso. A interdependência e a relação dialética entre as duas esferas é fundamental para apreender a concepção gramsciana, pois a dominação mediante a coerção do Estado não sobreviveria sem o exercício da direção política e da construção do consenso no seio da sociedade civil. As duas esferas relacionam-se ainda com uma terceira, que é a “esfera econômica”. As três esferas seriam constitutivas da realidade social. O ideal gramsciano é que a sociedade política fosse aos poucos absorvida pela sociedade civil, substituindo as funções de coerção e violência pela hegemonia e construção do consenso. Uma sociedade assim regulada substituiria o Estado “restrito” pelo Estado integral, com o a socialização dos meios de produção e da vida política (SIMIONATTO, 1995, p. 72). Gramsci não deixa de lado, portanto, a ideia marxista de necessidade da abolição do Estado, condenando inclusive a “estatolatria”, porém redefinirá o desaparecimento do aparelho estatal como o resultado do desenvolvimento da auto-regulação da sociedade civil.

Gramsci foi forjado a fazer a leitura política de seu tempo e perceber que o Estado se ampliou e a trama social tornou-se mais complexa. Segundo Coutinho, “a esfera política “restrita” (...) cede progressivamente lugar a uma nova esfera pública “ampliada”, caracterizada pelo protagonismo político de amplas e crescentes organizações de massa” (COUTINHO, 1987, p. 65). Obviamente as sociedades contemporâneas a Gramsci eram mais desenvolvidas que a francesa de 1848 ou a Russa de 1917, e Gramsci propõe um conceito mais amplo de Estado para analisar estas sociedades, sem eliminar os pressupostos teóricos de Marx, Engels e Lenin, mas enriquecendo-os.

Ao apresentar o Estado como a hegemonia encouraçada de coerção através de um Estado formado por uma sociedade civil e uma sociedade política, Gramsci deixa sua contribuição ao desenvolvimento do marxismo: o problema não estava no Estado em si, mas na divisão entre governantes e governados, opressores e oprimidos. A superação do Estado enquanto órgão de coerção e manutenção dos privilégios era fundamental, portanto era necessário democratizar suas funções e não simplesmente aniquilá-las sem ter nada para colocar no lugar.