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Geleneksel Hayatı BenimsemiĢ Kadınlar

4.2. KĠMLĠK AÇISINDAN KADINLAR

4.2.3 Geleneksel Hayatı BenimsemiĢ Kadınlar

217 COMPARATO, Fábio Konder. A afirmação histórica dos direitos humanos. 4ª edição. São Paulo: editora

Saraiva, 2005, p. 395.

218 HAQ, Mahbub Ul. O Paradigma do Desenvolvimento Humano. In PUC Minas Virtual: Introdução ao

Desenvolvimento Humano: Conceitos Básicos e Mensuração. Belo Horizonte: PUC Minas. Disponível em http://soo.sdr.sc.gov.br/index.php?option=com_docman&task=doc_download&gid=200, acesso em 02/09/2008.

Como se pôde perceber, desde o início do século passado o desenvolvimento vem galgando um espaço cada vez mais privilegiado no âmbito econômico e político nas sociedades em geral e nos debates internacionais, tendo migrado de uma visão estritamente econômica para uma dimensão mais humanitária, com forte preocupação social.

Importa, agora, verificar as relações do desenvolvimento com outro fenômeno social de suma importância: o Direito. As relações entre o Direito e o desenvolvimento manifestam- se principalmente de duas maneiras. A primeira é a influência que o Direito positivo pode ter no processo de desenvolvimento. A segunda é a possibilidade do desenvolvimento ser visto como um direito subjetivo.

Celso Furtado deixou anotado que um dos primeiros frutos do avanço da teoria do desenvolvimento foi uma percepção mais lúcida da história econômica, na qual se inserem os fatores não-econômicos nas cadeias decisórias que conduziram as transformações dos sistemas econômicos219. Conseqüentemente, esses fatores importam também para o desenvolvimento. Um desses fatores não-econômicos é o Direito220.

De fato, a evolução do desenvolvimento não passou ao largo de desdobramentos jurídicos. Os fenômenos que possuem vínculos com a economia historicamente têm se interrelacionado com o Direito221. A adoção, por muitos países, do Estado de Direito, especialmente considerando o paradigma da democracia e do bem-estar social, assim como a afirmação crescente de um sistema internacional de direitos humanos desde o final da Segunda Guerra Mundial, foram fatores importantes para a correlação entre Direito e desenvolvimento.

Nessa toada, o tema Direito e desenvolvimento vem sendo discutido especialmente desde meados do século passado222, sendo possível identificar duas vertentes opostas: a que

219 FURTADO, Celso. Teoria e Política do desenvolvimento econômico. 10ª edição. São Paulo: Paz e Terra,

2000, pp. 9-10.

220 Vários autores já estudaram as relações entre direito e desenvolvimento, como veremos no correr do

presente trabalho. No Brasil, dentre os pioneiros cabe mencionar Orlando Gomes (Direito e desenvolvimento. Salvador: Publicações da Universidade da Bahia, 1961) e Eros Roberto Grau (Elementos de Direito Econômico. São Paulo: Editora Revista dos Tribunais, 1981, pp. 7-14; Notas Preliminares à abordagem da relação entre Direito e Desenvolvimento. Revista dos Tribunais, volume 519, 1979, pp. 13-20).

221 Sobre as relações entre direito e economia, vide GRAU, Eros Roberto. O direito posto e o direito

pressuposto. São Paulo: Malheiros Editores, 1996, pp. 36-41.

222Ocorreram pelo menos três ondas acadêmicas acerca do tema “direito e desenvolvimento”, bem descritas

por Welber Barral, Direito e Desenvolvimento: um modelo de análise. In BARRAL, Welber (org.). Direito e desenvolvimento: análise da ordem jurídica brasileira sob a ótica do desenvolvimento. São Paulo: Editora Singular, 2005, pp. 48-51.

considera o Direito como um entrave, e a que o vê como um elemento impulsionador do processo de desenvolvimento223.

O Direito pode ser um obstáculo ao desenvolvimento, por exemplo, quando permite instabilidade ou corrupção, produzindo um custo excessivo para os contratos, ou quando estipula normas obscuras e ineficientes, gerando insegurança jurídica224. São comuns, ainda, os embates jurídicos e políticos em torno das normas jurídicas de natureza ambiental e as pretensões desenvolvimentistas, embora o conceito moderno de desenvolvimento teoricamente abarque a preocupação com o meio ambiente ecologicamente equilibrado. Por outro lado, o direito pode ser um fator positivo para o processo de desenvolvimento, por diversas razões. Orlado Gomes, por exemplo, aponta a função do Direito como instrumento que institucionaliza as transformações decorrentes do desenvolvimento.

Vê-se, assim, que há intensa dinamicidade e inter-relação entre o desenvolvimento e o Direito, que se retroalimentam como integrantes do processo evolutivo histórico-social225. Além disso, o reconhecimento de novos direitos vinculados ao desenvolvimento também pode constituir dado relevante para os Estados e a sociedade em geral. Cabe indagar, assim, se é possível que o processo de desenvolvimento seja visto em si mesmo como um direito subjetivo, ou seja, se o desenvolvimento pode ser objeto de direito.

Há várias objeções à possibilidade do desenvolvimento ser considerado um direito. Afirma-se, por exemplo, que o desenvolvimento seria apenas um interesse, um desejo, um

223 “O ordenamento jurídico, porque regula a conduta dos homens na sociedade, constitui, sob o ponto de

vista institucional, o principal fator de influência no desenvolvimento, visto que o sistema legal pode favorecê-lo, ou dificultá-lo. (...) O comportamento dos indivíduos em relação aos fenômenos de produção e consumo dos bens é regrado pelo Direito, através de leis, usos e costumes que tanto podem estimular as atividades necessárias ao desenvolvimento econômico do país como constituir um entrave à sua realização.” (GOMES, Orlando. Direito e desenvolvimento. Salvador: Publicações da Universidade da Bahia, 1961, pp. 19, 34-35).

224 Cf. BARRAL, Welber. Direito e Desenvolvimento: um modelo de análise. In BARRAL, Welber (org.).

Direito e desenvolvimento: análise da ordem jurídica brasileira sob a ótica do desenvolvimento. São Paulo: Editora Singular, 2005, p. 48.

225 Vale lembrar, por exemplo, que Eugen Ehrlich anotou que “toda evolução legal repousa na evolução

social e toda evolução social consiste no fato de que os homens e suas relações se modificam no decorrer do tempo” (Fundamentos da Sociologia do Direito. Brasília: Editora Universidade de Brasília, 1986, pág. 303). Sobre o desenvolvimento econômico e o direito vide, ainda: MACHADO NETO, Antônio Luís. Sociologia Jurídica. 6ª edição. São Paulo: Saraiva, 1987, pp. 252-254; SOUTO, Cláudio, SOUTO, Solange. Sociologia do Direito: uma visão substantiva. 2ª edição, revista e aumentada. Porto Alegre: Sergio Antonio Fabris Editor, 1997, pp. 333-342.

propósito ou meta a atingir, não um direito226. Há quem diga, ainda, que não seria possível reconhecer que o desenvolvimento é um direito porque lhe faltaria exigibilidade. Além disso, a tarefa de identificar claramente os sujeitos e o objeto da relação jurídica obrigacional subjacente a esse suposto direito seria irrealizável.

Essas e outras objeções postas serão enfrentadas adiante. Porém, desde logo é possível afirmar que elas não foram suficientes para evitar a proliferação dos debates sobre o reconhecimento de direitos que têm como objeto o fenômeno do desenvolvimento. Estes debates, diga-se de passagem, têm o seu nascedouro principalmente em reivindicações dos países subdesenvolvidos e encontraram resistência em nações ricas, refletindo a polarização norte-sul.

Nessa perspectiva, cabe abordar a recente construção dos conceitos do direito do

desenvolvimento e do direito ao desenvolvimento. Esses dois direitos muitas vezes têm

sido equivocadamente tratados como um único fenômeno jurídico, talvez porque ambos estejam inseridos em um mesmo processo histórico de evolução da noção de desenvolvimento, para o qual foi relevante o reconhecimento de alguns princípios gerais pelo Direito Internacional, dentre os quais a autodeterminação política e econômica dos povos, a soberania incidente sobre os recursos naturais e a igualdade soberana entre os Estados227. Porém, embora tenham origens comuns, aspectos conceituais próximos e até mesmo uma interdependência, vários autores apontam a existência de traços distintivos entre as duas noções 228, como, ora, veremos.

226 A posição dos Estados Unidos no foro das Nações Unidas historicamente tem seguido essa linha de

argumentação, e está registrada em vários documentos. Vide, por exemplo, os comentários dos Estados Unidos ao relatório de 2001 do Grupo de Trabalho sobre o direito ao desenvolvimento, onde nega que exista consenso internacional sobre o significado preciso do direito ao desenvolvimento, e afirma-se que direitos econômicos, sociais e culturais são metas que só podem ser alcançadas progressivamente, não garantias (E/CN.4/2001/26, Anexo III, item III, n. 5-12). Também fica clara a posição contrária norte-americana nos seus comentários às conclusões adotadas na terceira sessão do Grupo de Trabalho sobre o direito ao desenvolvimento (E/CN.4/2002/28, anexo IV). Nesse sentido vide ainda a nota 15 do documento E/CN.17/1997/8: “No obstante, cabe señalar la declaración presentada por escrito de los Estados Unidos, en el sentido de que ‘la adhesión de los Estados Unidos al consenso [...] no modifica su oposición de larga data al denominado 'derecho al desarrollo’. Para los Estados Unidos, el desarrollo ‘no es un derecho [...] es una meta que todos nos hemos propuesto’. Véase A/CONF.151/26/Rev.1 (vol. II), cap. III, § 16”.

227 NASSER, Salem Hikmat. Desenvolvimento, Costume Internacional e Soft Law. In: Alberto do Amaral

Júnior. (Org.). Direito Internacional e Desenvolvimento. 1ª ed. Barueri: Manole, 2005, pp. 201-218.

228 Uma síntese da distinção entre o Direito Internacional do Desenvolvimento e o Direito ao

Desenvolvimento pode ser encontrada em ZACKLIN, Ralph. The right to development at the international level: some reflections on its sources, content and formulations. In DUPUY, René-Jean (ed.). Le droit au