4. BİR ACİL SERVİSTE DEĞER AKIŞ HARİTALAMA
4.2. Gelecek Durum Haritası
A intensidade de edificações verticais se faz presente em grande parte das cidades, principalmente nas latinoamericanas. Entretanto, a inspiração por áreas verticalizadas data desde meados do século XX, como apontado anteriormente.
Hall (1996) menciona o que seria a cidade ideal para Le Corbusier e fala de alguns dos seus projetos, dentre eles o Plano Voisin, que apresentava dezoito (18) torres uniformes de 700 pés de altura (aproximadamente 213 metros) e o seu nome homenageava o fabricante de aviões que o havia patrocinado, porém a sua construção demandava a demolição da maior parte da Paris histórica e, por isso, o arquiteto foi chamado de bárbaro pelos membros do conselho da cidade.
No Plano Voisin, Corbusier separou as partes centrais para uma elite, com 95% de espaços livres; fora desta zona, haveria dois tipos de edificações, apartamentos de luxo, com seis pisos para esta mesma elite, deixando 85 % de área livre e outros mais modestos para a classe operária, com 48% de área livre.
Hall (1996) afirma que Le Corbusier criava habitações para se morar em massa porque não tinha tempo para pensar individualmente, por isso chamava as habitações de células. Escreve também que as moradias planejadas pelo arquiteto refletiam uma estrutura social específica e segregada, pois dependeriam do trabalho de cada um. Le Corbusier, segundo Hall (1996), pensava que os centros das cidades comtemporâneas, à sua época, deveriam ser demolidos e, para sobreviverem, as cidades deveriam reconstruir as suas regiões centrais.
Uma das experiências mais frustrantes de verticalização em renovação urbana, nos Estados Unidos, aconteceu na cidade de St. Louis, no estado do
Missouri: o complexo de edifícios denominado Pruitt-Igoe, projeto do arquiteto
Minoru Yamasaki, tornando-se um clássico que não deu certo. O projeto, premiado em St. Louis, em 1955, contava com 33 blocos e 2800 apartamentos, que na construção teve algumas contenções de despesas. A princípio, os apartamentos eram para famílias numerosas, porém, depois, ficaram resumidos ao mínimo. As fechaduras e janelas não possuíam boa qualidade e um dos elevadores quebrou no dia da inauguração. Ao final da construção, percebeu-se que os edifícios não passavam de cabanas de aço e concreto, com desenho ineficiente, sem ventilação e de difícil manutenção. Os locatários não possuíam o perfil daqueles para os quais os edifícios tinham sido construídos.
O complexo de Pruitt-Igoe, segundo Hall (1996), foi demolido em 1972. O mesmo autor ressalta que a maioria dos seus ocupantes era negra, com mulheres como chefes de família, que um terço da população era de crianças – 75% com menos de 12 anos –, 32% dos pisos estavam ocupados por pessoas sem emprego, o lixo se acumulava, o odor da urina era repugnante. As ruas próximas estavam cheias de escombros, vidros e pedregulhos e, assim, inconformados com o descaso, deixaram de pagar os alugueis em forma de protesto. Chegou-se ao ponto de 28 dos 34 elevadores existentes não funcionarem, tornando a circulação uma verdadeira tortura.
Algumas questões sobre a demolição de Pruitt-Igoe foram levantadas: como um projeto tão significativo poderia ter chegado ao fim em dez anos? O que ocorreu
de errado? Hall (1996) afirma que os blocos de onze pisos tinham corredores longos demais, com crianças brincando e mães em demasia. O arquiteto Oscar Newman, arquiteto e planejador urbano americano, chamava estes corredores largos de áreas de difícil controle e afirmou que, para o projeto, não estudaram os edifícios já existentes com menor altura, que não sofreram do mesmo ―mal‖. Outros edifícios foram igualmente abandonados (Los Rosen Apartments, em Filadélfia; Columbus
Homes, em Newark). As famílias envolvidas geralmente eram muito pobres. Nem as
famílias puderam arcar com esse tipo de moradia, nem esse tipo de moradia pôde com eles; isto é claramente afirmado por Hall:
En este tipo de pisos podrían haber vivido bien famílias com ingresos medios y superiores, siempre y cuando las que tuvieran hijos no excedieran al 50 por ciento del total, hubiera vigilantes y cada una de ellas contara, como mínimo, con padre o madre. Puesto que si bien es cierto que ―las famílias de clase media no se comportarían de modo distinto fueran cuales fueran las casas donde vivieran. El comportamiento de las famílias que viven acojidas a los programas de ayuda a la pobreza depende mucho del médio físico en el que se encuentran‖ em su caso ―hay que evitar los bloques de apartamentos elevados‖. Opinión que también compartia Colin Ward. (HALL, 1996, p. 250).
Figura 15 – A demolição do complexo de Pruitt-Igoe em 1972.
Segundo Hall (1996), a cidade das torres corbusiana, era satisfatória para as classes média e alta, como o arquiteto havia imaginado na La Ville comtemporaine e não para uma mãe pobre, carregada de filhos nascida em St. Louis. Para o autor,
Pruitt-Igoe foi um grande desastre urbano. Ele acredita que o erro de Le Corbusier e
dos corbusianos não está no desenho, porém na arrogância imposta sobre as pessoas que não aceitavam seus projetos.
A respeito do conceito de verticalização, resgatamos de Costa o significado dado por Ferreira (1987 p. 9 apud COSTA, 2000, p. 31): ―a multiplicação efetiva do
solo urbano‖, resultando, quase sempre, na intensificação de altas densidades
construídas. Já Souza (1994, p. 129) afirma que a verticalização se constitui ―numa especificidade da urbanização brasileira‖, pois ―em nenhum lugar do mundo o fenômeno se apresenta como no Brasil, com o mesmo ritmo e com a mesma destinação prioritária para a habitação‖. Porém, esta autora, na mesma obra, define a verticalização como ―a resultante no espaço produzido, de uma estratégia entre múltiplas formas do capital – fundiário, produtivo, imobiliário e financeiro, que cria o espaço urbano‖ (SOUZA,1994, p. 135).
As assertivas acima vão de encontro às ideias apresentadas por Nádia Somekh, em sua obra A cidade vertical, onde destaca a ação do Estado como agente produtor do espaço, através de intervenções e legislações urbanísticas, bem como a influência americana sobre o pensamento urbanístico, ocorrida a partir dos anos 1920. Através do seu estudo, demonstra como o urbanismo das grandes cidades, mais especificamente o paulistano, tem excluído a problemática social de sua ótica e, por essa razão, denomina-o urbanismo modernizador, contrapondo-se à caracterização de moderno ou modernista. Além disso, discute o papel do arquiteto e do urbanista de hoje. Remete-nos à ideia de que a questão social não pode ser constantemente excluída ou tratada à parte. Para ela, cabe ao urbanismo moderno ter uma dupla ação, no sentido de proporcionar novas edificações, porém buscando qualidade de vida para os habitantes das cidades. Somekh assim define a cidade vertical:
A cidade vertical envolve a noção de edifício alto, de arranha céu. A verticalização foi definida como a multiplicação efetiva do solo urbano, possibilitada pelo uso do elevador. A essa idéia associam-se a característica da verticalidade, o aproveitamento intensivo da terra urbana (densidade) e o padrão de desenvolvimento tecnológico do
século xx, demonstrando-se a relação verticalização/adensamento (SOMEKH, 1997, p. 20).
A autora supracitada estudou São Paulo, uma das primeiras metrópoles a se verticalizar, tendo grande influência sobre as outras cidades brasileiras. A pesquisadora aponta que os primeiros edifícios de São Paulo, datam da década de 1920 e, em pouco tempo, a metrópole transforma-se na cidade mais verticalizada da América Latina. O Estado, através da redução dos coeficientes de aproveitamento, produz uma escassez artificial de terra, que incrementa o processo de valorização fundiária e favorece uma parcela do capital, porém de forma improdutiva: ―[...] a escassez de terra urbana verticalizável, conseqüência do zoneamento, incrementa o processo de supervalorização fundiária‖ (SOMEKH, 1997, p.15).
Prestes Maia foi um nome importante para a verticalização no Brasil. Segundo Somekh (1997), quando prefeito, modernizou a cidade de São Paulo, defendendo a verticalização/adensamento no lugar certo, onde o sistema viário permitisse. Urbanista, formado em 1917, pela Escola Politécnica de São Paulo, em Engenharia Civil e Arquitetura foi nomeado, na interventoria Adhemar de Barros, prefeito da capital paulista de maio de 1938 a novembro de 1945. O seu Plano de Avenidas foi formulado nos anos 1920, timidamente iniciado nos anos 1930 e efetivamente implantado a partir de 1938, quando o urbanista assume a prefeitura. Esse ―plano‖ foi comparado a uma terceira fundação da cidade por diversos estudiosos, que apontavam a segunda fundação o ano de 1875, data que expressou um grande avanço econômico e demográfico.
A partir dos anos 1940, São Paulo transformou-se de forma significativa. Somekh (1997) afirma que a ação do Estado como produtor de espaço é importante para explicar o fenômeno que se estabelece desde duas vertentes: a formulação da legislação urbanística antes e depois do Código de Obras, que muito se assemelha aos modelos alemão e americano e as intervenções urbanísticas, marcadas pelo Plano de Avenidas de Prestes Maia. Essa cidade vertical coincidiu com grandes períodos de desenvolvimento econômico e com as ações do Estado em favor dessa reprodução desenfreada do espaço urbano.
Somekh (1997) ainda destaca que, pela legislação complementar ao código Arthur Sabóia, a verticalização era ―estimulada‖. O Decreto-lei n. 41, de 03 de agosto de 1940, determinava na Avenida Ipiranga, altura mínima de 39 metros (13 pavimentos) e máxima de 115 metros (quase 40 pavimentos), considerando um pé-
direito de três metros. ―Nas esquinas de logradouros com largura mínima de 30 metros, os edifícios poderiam atingir a altura máxima de 135 metros ou 45 andares‖ (SOMEKH, 1997, p. 54). Prestes Maia acreditava que a ―concentração‖ não era o maior ―mal‖ da cidade, porém a ―concentração excessiva‖, defeituosa, prejudicial, que resultava no congestionamento.
A Lei 2.611 de 1923 era considerada por Maia inovadora, valendo por um verdadeiro programa de urbanização. Nela estavam previstos futuros alargamentos das ruas para a formação de linhas de circulação urbana, a criação de áreas verdes e o zonning, que representava a distribuição de construções de mesma natureza, propícia à ―casa salubre‖. Segundo Maia, o zonning é a ―divisão da cidade em zonas, caracterizado pela utilização, volume ou altura permitidos aos edifícios e visa a máxima organização e eficiência‖ (MAIA, 1930, p.284, apud SOMEKH, 1997, p. 58). Maia avaliou a aplicação do zonning em Nova York, concluindo que as casas unifamiliares tiveram pouca proteção, que nenhuma limitação foi imposta ao número de famílias ou habitantes por área, provocando a densidade que classifica de ―deplorável‖. As restrições de altura foram insuficientes e a liberdade permitida mediante recuo, um verdadeiro estímulo aos arranha-céus.
Com relação às faces cegas, Maia combatia as empenas que serviam para anúncios, que eram as paredes laterais dos edifícios e não tinham muito tratamento arquitetônico, muitas vezes sem nenhum detalhe. As construções compactas utilizadas na Europa evitavam o aparecimento dessas faces, que Prestes Maia abominava, defendendo a solução haussmaniana9, que era a sua preferida. Um dos maiores males da cidade segundo Maia era a anarquia das edificações, que escapavam à regulamentação dos códigos municipais, que se dava ao sabor dos interesses privados. Para ele, a organização geral das cidades era necessária.
Fábricas e oficinas que atormentam e sujam os bairros; armazéns e açougues que destoam do meio em que se metem; arranha-céus que tiram o sol e a luz às casas que lhe ficam ao pé; apartamentos que estragam bairros residenciais, cuja amenidade, entretanto, usufruem; cortiços de de esquina em áreas superlotadas, estragando todo o quarteirão e destruindo-lhe toda a homogeinidade (MAIA, 1930, p. 309, apud SOMEKH, 1997, p 59,60)
9
As soluções Haussmanianas seriam aquelas estéticas adotadas por Haussman na Europa, principalmente em Paris. (HALL, 1996)
Somekh cita como fato importante, em São Paulo, a Lei 2.332, da década de 1920, que estabelece a regulamentação das alturas dos edifícios e o uso do elevador, elemento primordial neste processo de verticalização. Em 1925, o uso do elevador já era considerável e, assim, nascia a lei 2.818, em que a Prefeitura Municipal passa a exigir licença para o seu funcionamento, mas essa lei só se torna efetiva em 1940, quando finalmente é implementado o registro de elevadores. Somekh, na mesma obra, entende que a verticalização é um fenômeno típico do século XX e que o zoneamento surge para controlá-lo. O elevador foi um instrumento importante para atrair as classes médias e altas para os edifícios altos, sem eles, provavelmente, o êxito destes edifícos não teria ocorrido.
Em São Paulo, de acordo com Somekh, Vitor da Silva Freire, engenheiro cilvil, preocupado com os problemas das cidades, defendeu o adensamento, segundo ele (1918, p. 247 apud SOMEKH, 1997, p. 40):
[...] a casa de muitos andares apresenta genericamente vantagens econômicas sobre a de uma só, porque nela o mesmo telhado cobre várias acomodações em lugar de uma única; o mesmo espaço é adquirido, preparado, revestido às custas de muitos moradores, em vez de sê-lo por conta do inquilino independente. Mas na cidade essa economia é mais acentuada. O terreno é mais caro e os pés direitos, altos como exigidos, demandam pátios de iluminação proporcionais às alturas dos edifícios. A diminuição dos pés direitos incidirá não só nos custos da construção como também nas necessidades de iluminação e, em última instância, de área de terreno.
Freire acreditava que, através do adensamento e da diminuição dos pés direitos, a questão da moradia traria um alívio ao bolso dos habitantes, mas condenava elaborações de leis de forma rápida, sem a participação popular. Defendia uma regulamentação similar à da cidade de Minneapolis, capital do Estado de Minesota, Estados Unidos, que na época parecia com São Paulo e possuía a mesma população: ―A altura das edificações era equivalente à largura da rua mais larga existente, porém limitada a seis andares‖ (SOMEKH, 1997, p. 42). Freire acreditava no rendimento ―adequado‖ dos terrenos urbanos, adensamento limitado, compatível com o sistema viário, favorecendo a discussão pela sociedade.
Somekh (1997) relata que, na gestão do prefeito Anhaia Mello, foi sancionado o ato 127/31, considerando, com base no código civil vigente à época, que o proprietário de um imóvel poderia construir no seu terreno as construções que lhe
aprouvesse, ressalvados os direitos dos vizinhos e os regulamentos municipais. Porém, ―na escala americana‖ era contrário à verticalização e ao adensamento. O segredo era calibrar a densidade construída com a economia brasileira ou paulista para se adequar à máxima da cidade como negócio. Defendia a verticalização e o adensamento ―com limites‖, enfocando que era necessário instigar a eficiência das cidades, tendo como parâmetro os espaços-verdes prognosticados pela cidade- jardim, seu verdadeiro ideal.
Se desde os anos 1920 inicia-se em São Paulo o que posteriormente vai se considerar como cidade vertical, nos anos 2000, tal processo se torna latente. A produção e (re)produção do espaço, realizada pelos agentes imobiliários (proprietários da terra, incorporadores, corretores e o Estado) culmina com a verticalização e a de São Paulo, particularmente, serviu como modelo para influenciar diversas cidades brasileiras, entre elas João Pessoa.
4 A CIDADE A CAMINHO DO MAR: O PROCESSO DE URBANIZAÇÃO E