2.3. DİĞER GÖREVLER
3.1.3. İptal Davasının Esası
3.1.3.5. Geçici Tedbir Kararı (m.9/4, m.10/2)
No intuito de identificar diferenças de perfil entre os estudantes que moram na área rural e os estudantes que moram na área urbana, analisou-se a composição dos alunos da escola, ou seja, define-se a proporção dos alunos da escola que são provenientes da área rural de forma a verificar se, ao aumentar a proporção de alunos da área rural em uma escola, altera-se a média do desempenho registrado nas provas de matemática e português da Prova Brasil 2007 e 2009 e no IDEB 2007 e 2009.
Para essa análise, calculou-se a média do desempenho em cada avaliação para as escolas cujos alunos se declaravam provenientes da área rural no questionário do Censo Escolar 2009. A partir desses dados, foi possível definir uma proporção por escola de quantos alunos são provenientes da área rural ou da área urbana, seguindo uma escala que variava conforme o Quadro 25:
Perfil das escolas
Só alunos de área urbana Até 20% de alunos de área rural De 20% a 40% de alunos de área rural De 40% a 60% de alunos de área rural De 60% a 80% de alunos de área rural Acima de 80% de alunos de área rural Quadro 25: Perfil das escolas
Fonte: Elaborado pela autora
Após a definição do perfil dos alunos das escolas, analisaram-se as médias das notas de escola. Como essas médias apresentaram diferenças, então se procedeu ao teste ANOVA para verificar se essas diferenças eram significativas estatisticamente. As tabelas com os resultados do teste encontram-se no apêndice do presente estudo. A seguir apresentam-se alguns gráficos que retratam as diferenças das médias encontradas. Elaboraram-se gráficos apenas dos fatores analisados que apresentaram significância estatística na diferença das médias.
Iniciou-se a análise pelas escolas estaduais, contemplando-se os resultados obtidos para o 5º ano. Verifica-se que, nos gráficos, de maneira geral, o desempenho dos alunos é menor conforme aumenta o percentual de alunos de área rural, tanto na prova de matemática, quanto na prova de português e no IDEB. Entretanto, verifica-se que o último nível (Acima de 80%de alunos de área rural) apresenta melhora no desempenho.
Outro resultado interessante a ser notado é que, no gráfico de abandono, verifica-se uma queda na média de abandono escolar, conforme aumenta o percentual de alunos de origem rural, com exceção do último nível (Acima de 80%de alunos de área rural), onde se verifica um aumento nessa média.
Cabe refletir nesse ponto a respeito da desigualdade refletida no contexto escolar ao aumentar o percentual de alunos de origem rural junto com os alunos de origem urbana. A partir da contextualização do ambiente do campo é possível atribuir aos alunos do campo um padrão de vida inferior ao dos alunos urbanos. Arroyo (2011) reforça essa diferença ao discutir que as escolas que com maior desigualdade no desempenho são escolas cujos alunos também são provenientes de coletivos desiguais. Sendo assim “os desiguais em qualidade social, racial, cultural são destacados como os responsáveis pela desigual qualidade das escolas” (ARROYO, 2011, p.86).
Figura 8: Comparação do desempenho com o percentual de alunos de área rural do 5º. ano nas escolas estaduais
Fonte: Censo Escolar (2009)
A análise dos resultados das escolas para as 8ªs séries (9º ano) de escolas estaduais apresentou resultados a serem considerados na discussão. Os gráficos que se seguem, demonstram os resultados obtidos. Inicialmente, nas provas de português e matemática, verifica-se que as escolas com maior proporção de alunos só urbanos apresentam notas baixas. Ao aumentar a quantidade de alunos de área rural de 20% até 40%, as médias aumentam, apresentando melhora no desempenho. A partir dessa concentração, a média começa a cair, chegando ao seu menor nível nas escolas que possuem mais de 80% da população de origem rural. Portanto novamente verifica-se que o aumento de alunos de área rural no contexto escolar possui impacto sobre o desempenho escolar nas escolas.
Os dados de aprovação, reprovação e de abandono escolar seguem tendências muito semelhantes entre si. Na aprovação, evidencia-se que quanto maior a proporção de alunos de área rural, maior a média de aprovação das escolas. Quanto à reprovação e ao abandono, quanto maior a proporção de alunos, menores as médias de reprovação e de abandono escolar.
Figura 9: Nível de ruralidade 9º. ano escolas estaduais Fonte: Censo Escolar (2009)
Após a análise da ANOVA para as escolas estaduais, realizou-se o teste de Bonferroni, de forma a identificar se a diferença de médias identificada está presente em todos os grupos analisados. De maneira geral, verificou-se que o teste identifica diferenças significantes ( = 10%) para todos os níveis de ensino e avaliações.
As escolas municipais apresentaram diferenças estatisticamente significantes para todos os fatores avaliados. Inicialmente, o desempenho dos alunos do 5º. ano das escolas municipais apresenta uma curva interessante que se repete nas provas de matemática e português. Verifica-se, nos gráficos abaixo, que o desempenho dos alunos nas escolas que possuem 100% de alunos da área urbana é bem menor que o desempenho das escolas que possuem de 20% a 40% de alunos da área rural. Entretanto, as escolas que possuem 60% ou mais dos alunos de área rural apresentam queda acentuada no desempenho.
Os dados de aprovação, reprovação e abandono das escolas não estabelecem uma tendência de aumento ou queda de desempenho, sendo, portanto, muito difícil relacionar o nível de ruralidade das escolas ao desempenho desses alunos.
Figura 10: Nível de ruralidade 4º. ano escolas municipais Fonte: Censo Escolar (2009)
Diferentemente dos resultados encontrados para o 4º. ano das escolas municipais, o 9º. ano apresenta tendências mais fáceis de se relacionar com o perfil dos alunos. Nota-se que as taxas de aprovação, reprovação e abandono seguem tendências que demonstram que o aumento do percentual de alunos de origem rural na escola é um fator positivo para as taxas de aprovação, redução das reprovas e do abandono escolar. As notas nas avaliações de português e matemática repetem o resultado do 5º. ano, sendo o resultado das escolas com 100% de alunos urbanos inferior ao das escolas que têm alunos da área rural.
Figura 11: Nível de ruralidade 9º. ano escolas municipais Fonte: Censo Escolar (2009)
Novamente, realizou-se o teste de Bonferroni para as escolas municipais e identificou- se que a diferença entre os grupos analisados foi significativa a = 10% para todos os níveis de ruralidade.
Dessa forma verifica-se que tanto para as escolas estaduais quanto municipais o desempenho das escolas é reduzido conforme aumenta o percentual de alunos de área rural,
demonstrando que, conforme discutido por Arroyo (2011), a mistura de alunos de realidades desiguais reflete nos desempenhos desiguais dentro das escolas.