1.3. Yabancı Kavramı Ve Türleri
1.3.3. Geçici Korumadan Yararlananlar
O leilão, também, tem se apresentado seguindo diferentes formatos durante sua história. E cada, formato, além de reger, produz um impacto diferenciado no comportamento dos participantes.
Talvez, o mais antigo formato seja o leilão aberto ascendente, também conhecido como leilão inglês. Neste formato os participantes ofertam seus lances, geralmente a partir de um preço mínimo, também denominado preço de reserva, de forma crescente, geralmente acrescido de degraus pré-definidos de acréscimo no lance, até que ninguém sobreponha o valor oferecido, neste, que será o último lance. Vindo então, o participante que ofereceu este lance a pagar este valor para obter o objeto a venda.
Um segundo tipo seria o leilão holandês, que também é conhecido como leilão aberto descendente. Este tipo de leilão segue o procedimento inverso aquele estipulado no inglês. O vendedor estipula um valor que acredita estar acima do maior valor que um determinado participante poderia alocar, decrescendo o valor, seguindo geralmente degraus pré-definidos, de forma que, quando o valor alcance o
maior valor alocado por um participante dentre todos, este se identifique, vindo portanto a pagar este valor pelo objeto leiloado.
Como terceiro tipo tem-se o leilão selado de primeiro preço. Este, de forma bem simples, solicita aos participantes que enviem seus lances ao vendedor, e vencerá aquele que oferecer o maior lance, vindo a pagar este valor pelo objeto a venda.
Como quarto tipo tem-se o leilão selado de segundo preço, que segue os mesmos princípios do anterior, porém o participante que ofertar maior lance, paga o valor ofertado pelo participante de segundo maior lance.
Existem diversas outras possíveis combinações para formatos de leilão, que buscam combinar características dos formatos mais tradicionais. Um formato proveniente da combinação destes tradicionais e que acabou ganhando certa relevância nos leilões europeus, foi aquele denominado de leilão híbrido, ou britânico – holandês (Binmore, 2002, C83), onde se procede um leilão aberto ascendente de N objetos, até que reste N+1 participantes, onde neste momento dá-se seguimento a um leilão fechado onde cada participante paga por seu lance.
Cada formato, como mencionado anteriormente, reflete um distinto comportamento dos participantes.
Observemos, portanto, o leilão aberto ascendente. Neste leilão, cada participante tem a oportunidade de observar o comportamento dos demais participantes. Isto acarreta que dependendo do tipo do valor do objeto a ser leiloado, ou seja, de valor privado, interdependente ou comum, procede-se uma analise diferenciada do comportamento dos participantes. Caso o objeto, possua valor estritamente privado, o comportamento dos participantes no leilão não é alterado pelo comportamento dos demais, logo o vencedor é dado, porém não revelado,
vindo a se revelar através do leilão, assumimos não existirem fenômenos como "bidding fever”, ou febre por lances. Caso o valor do objeto seja interdependente, o que se caracteriza pela dependência entre a avaliação do objeto alocada por cada participante, e a sinalização oferecida pelos demais participantes através de seus lances, o leilão aberto ascendente oferece uma oportunidade de aprendizado aos participantes do leilão em relação ao valor alocado pelos demais, permitindo que cada um individualmente reavalie sua valoração do objeto a cada lance. Outra característica, deste tipo de leilão, provém do fato que o vencedor não paga o valor alocado por ele ao bem, e sim, o segundo maior valor alocado para o objeto, acrescido do degrau estipulado como mínimo entre os lances, ou seja, o vencedor paga aproximadamente o valor alocado pelo último participante a desistir do leilão. E por conseguinte, ele é o único que permanece sem revelar o valor alocado por si próprio ao objeto. Porém, este leilão, tem a característica de, dentre os participantes presentes, identificar como vencedor aquele que realmente aloca o maior valor. Atingindo um dos possíveis objetivos do vendedor de maximizar receita, porém de forma incerta, dado que o vendedor não extraiu toda a receita que o participante estaria disposto a alocar, e sim, o segundo maior valor.
Para o caso do leilão aberto descendente, a grande dificuldade do vendedor é identificar o valor por onde começará o leilão, observamos que, para o caso da maximização de receita do vendedor, este valor deve ser superior aquele alocado por qualquer participante do leilão, para que seja possível se identificar o participante que aloca o maior valor ao objeto a venda, e para que se evite a situação constrangedora de mais de um participante se identificar como interessado em pagar o valor inicial do leilão pelo objeto, ou mesmo para que o leilão termine ao ser anunciado o valor inicial, desperdiçando-se uma das vantagens deste formato,
onde o vencedor paga exatamente o preço que aloca ao objeto. Porém, caso estejamos tratando de um bem de valor interdependente ou comum, pode-se apresentar o fenômeno da maldição do vencedor, onde o vencedor do leilão, ao reavaliar o valor pago, não estando o modo, modelo e motivo pelo qual realizou a reavaliação sob investigação, descobrindo ter pago mais do que o novo valor que atribui ao objeto. Neste formato de leilão, não existe a oportunidade de aprendizado com os demais participantes durante o processo.
No caso do leilão fechado de primeiro preço, o comprador pode tentar maximizar a diferença entre o valor que atribui ao objeto e o valor a ser pago, tentando reproduzir o resultado de um leilão aberto ascendente. Porém caso o segundo maior valor alocado para o objeto seja superior, ao lance ofertado pelo pretenso vencedor durante sua tentativa de executar a maximização mencionada, pode acarretar que o objeto não seja transferido para o participante que atribua o maior valor, e sim, para outro, que apesar de ciente do mesmo fenômeno simplesmente adotou comportamento mais agressivo. Outro fenômeno que pode justificar a atitude anterior é para o caso de objetos de valor interdependente e comum, a preocupação de incorrer na maldição do vencedor, podendo esta preocupação vir a aumentar a o nível de racionalidade atribuído ao comportamento maximizador acima descrito. Neste formato de leilão, também não existe a oportunidade de aprendizado com os demais participantes durante o processo.
Para prevenir os comportamentos do leilão anterior, Vickrey (1961), apresentou o modelo do leilão selado de segundo preço, posteriormente Lucking- Reiley (2000, p.185) identificou este tipo de leilão como de uso corrente em leilões de selos conduzidos por filatelistas. Neste leilão, se informa aos participantes que o leiloeiro garante o pagamento do segundo maior lance, porém o vencedor será
aquele que ofertar o maior lance. O objetivo deste formato de leilão é garantir que o participante estará maximizando a diferença entre o valor pago pelo objeto e aquele alocado simplesmente ofertando o valor por si próprio ao objeto, evitando as ineficiências do modelo anterior. Porém, as preocupações deste modelo recaem sob o nível de confiança que se pode ter sobre o leiloeiro, caso este observe que o primeiro maior lance é muito superior ao segundo, e este tente aprender com os lances vindo a rever o valor que alocava ao objeto fraudando o leilão. Porém isto pode ser resolvido, caso todos os lances sejam expostos. Entretanto, caso o bem seja de valor interdependente ou comum, não existirá período de aprendizado entre os participantes, o que pode permitir que devido às imperfeições das avaliações individuais de cada participante, o objeto não seja transferido para o participante que alocaria o maior valor, e não seja cobrado o valor adequado, caso este detivesse informações mais completas, que poderiam ser adquiridas durante o processo.
No caso do leilão híbrido ou britânico – holandês mencionado em Binmore e Klemperer(2002, p.C83), se tenta reunir as principais vantagens do leilão ascendente e do fechado, de forma que o ascendente permita o aprendizado do valor comum do leilão, enquanto a parte fechada permitira a oportunidade aos entrantes de efetivamente obterem vitória.
Outra importante variante do leilão ascendente simultâneo é aquele denominado em inglês por “simultaneous clock auction”, ou leilão por relógio simultâneo, em português. O leilão por relógio tem como principal diferença a identificação da demanda pelos participantes para os preços especificados pelo leiloeiro. Esta modalidade de leilão é especialmente efetiva para bens divisíveis. Existe um relógio para cada bem divisível indicando o preço sugerido para unidade. Os participantes expressam as quantidades desejadas para os preços atuais. Para
os bens com quantidades excedentes o preço é elevado e os participantes novamente expressam suas quantidades desejadas para os novos preços. Este processo continua até que a oferta se iguale a demanda. (Cramton, 2004, p. 5)
Baseado no que já foi descrito, a determinação das características do leilão depende de seu ambiente. O ambiente é definido por tudo que é exógeno, como por exemplo: a lista dos prováveis participantes, seus tipos e a lista de prováveis resultados. No projeto de um mecanismo como um leilão, deve-se trabalhar de acordo com as características do ambiente, não havendo um tipo de solução para todos, como enfatizado por Klemperer(2002, p.844).