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3. MATERYAL VE METOT

3.1. Materyal

3.1.1. Gürültü ölçümünde kullanılan çalılar

As teorias sobre mediação são variadas e organizadas de acordo com as regras e normas de cada país, e ainda são concebidas a partir de cada contexto/situação. Nesta seção abordamos algumas destas concepções, com o objetivo de propiciar ao leitor parte destes conhecimentos e distinções. Em seguida, abordaremos a concepção de mediação encontrada na definição de origem do Programa Mediação de Conflitos.

Muitas são as práticas e estudos que abordam o tema da mediação, variando de acordo com as distintas tradições culturais e com as diversas democracias ou sistemas políticos vigentes no oriente e ocidente (Moore, 1998; Schnitman e Littlejohn, 1999; Vasconcelos Souza, 2002). Os primeiros registros sobre a existência da atividade de mediação encontra representação muito variada, conforme rituais e símbolos de cada cultura – judaica, cristã, islâmica, hinduísta, budista, indígenas entre outras – mas sua primeira evidência aparece nos registros do Velho Testamento (Moore, 1998), com narrativas que elucidam a negociação dos conflitos por um terceiro, que normalmente utilizava-se destas abordagens para resolver diferenças e conflitos civis e religiosos 54. Outra perspectiva que apontou as evidências da existência da mediação como prática milenar foi à influência do confucionismo, que remonta a tempos muito antigos na China.

Portanto, o uso da mediação para resolução de conflitos entre grupos humanos parece ter longa tradição e também demonstra acompanhar a humanidade na forma de conduzir parte

54 Alguns episódios bíblicos estimulam a negociação entre partes envolvidas em conflitos, como Abrahão e Lot;

dos comportamentos sociais, apresentando-se como uma prática antiga, muito embora, cotidianamente, seja apresentada como um “novo paradigma” (Schnitman e Littlejohn, 1999). Mas foi no século XX que a mediação passou a ser institucionalizada e tratada como procedimento/método de intervenção, sobretudo, nos Estados Unidos. Neste país, em meados da década de 1960 a mediação passou a ser instrumentalizada por meio do movimento que ficou conhecido como Alternative Dispute Resolution (ADR), que se alastrou pelos Estados Unidos – em todos os seus estados foram votadas leis que favoreciam a sua utilização.

A mediação passou a ser incorporada, a partir destas influências das ADRs, sobretudo, sendo em alguma medida adotada pelas legislações de vários países do ocidente. Contudo, alguns países tiveram outras influências, marcadas pela própria história de resolução dos conflitos; no caso chinês, por exemplo, a mediação não sofreu influência dos norte- americanos, ela seguiu uma “evolução” muito própria e baseada na filosofia social e moral especifica daquele contexto. Assim, desde a Dinastia Zhou de Oeste na China, segundo Wei Dan (2009) há cerca de 3.000 anos atrás, foram instituídos postos oficiais específicos para “acalmar” os conflitos por meio de intervenções que se assemelham a mediação e a conciliação, eram designados como “Tiao Rien” (o mediador) e “Xu Li”. Para o autor, a partir do primeiro império unificado e centralizado pela Dinastia Qin (221 a.C.), a mediação começou a se oficializar na realidade chinesa. Portanto, nessa mesma realidade, de expansão da mediação em outras Dinastias da China, o método foi se tornando um modo de relação entre os povos daquele contexto; a forte influência da Escola Confucionista que, surgida na época “Primavera-outono” (770-476 a.C.), continuou na Dinastia Han a tornar-se uma doutrina predominante em todo o período feudal daquele contexto.

Já no Brasil, a ideia da mediação surge por meio de iniciativas pontuais, não expressando importância inicial para o ordenamento jurídico nem mesmo para as relações sociais, na verdade obervamos que a cultura jurídica do país não dá margens para a

incorporação destes mecanismos de informalização da justiça. Por exemplo, segundo Vezzulla (2002), na década de 80, especialmente na região sul do país, iniciou-se um gérmen incipiente da ideia de mediação, por meio do funcionamento das Delegacias Regionais do Trabalho, que começava a deixar de lado a imposição de solução de conflitos de trabalho, até então habitualmente utilizada pelos fiscais, e passaram, com base no diálogo, a viabilizar acordos que contemplassem a satisfação das partes. Mas, no Brasil, a mediação ainda não foi objeto de regulamentação, atualmente, encontra-se em trâmite, no Congresso Nacional, o Projeto de Lei nº 94, de 2002 (Projeto de Lei nº 4.827 de 1998).

A literatura sobre a mediação apresenta o procedimento como uma variante da negociação (Vasconcelos-Souza, 2002), uma forma sofisticada de realizar interação entre as pessoas, mesmo sendo este uma manifestação/atributo encontrada pela humanidade na ação dos diversos povos frente aos conflitos e diferenças. No plano institucional a mediação é conceituada como um meio pelo qual pessoas envolvidas em uma dada situação, solicitam intervenção por meio da ajuda de uma pessoa alheia a questão (Moore, 1998), um terceiro denominado mediador de conflitos – que cumpre a função de facilitar as partes envolvidas em dado conflito, por meio do estímulo ao diálogo e se utilizando das ferramentas e estratégias de comunicação e de linguagem, na busca de possibilidades que sejam capazes de satisfazer os interesses de cada um durante o processo – caracterizando-se pela: (i) tomada de decisão das partes envolvidas; (ii) por ser um processo simples e informal; (iii) menor custo processual; (iv) de caráter voluntário (Gomma, 2009; Braga Neto e Sampaio, 2007).

No campo das ciências sociais, especialmente os estudos voltados à análise sobre a democracia, o Direito e o Estado, encontra-se a teoria habermasiana, que também influenciou a concepção inicial do Programa Mediação de Conflitos desde sua origem na Universidade Federal de Minas Gerais. Habermas (1997) ao analisar as dimensões sociais, econômicas e culturais que constituem as interações sociais, propõe um modelo que permite analisar a

sociedade civil com o advento da modernidade por meio de duas formas de racionalidade e que estão em jogo simultaneamente: (i) a racionalidade substantiva do “mundo da vida”, que acontece por meio da relação “face-a-face”, representa uma perspectiva interna capaz de produzir o ponto de vista e a ação dos indivíduos que atuam na sociedade. Esta ação não está somente nas estruturas econômicas, mas, sobretudo, no mundo da vida; e (ii) a racionalidade formal do “mundo dos sistemas”, que se trata das instituições jurídicas que representam uma perspectiva externa, como a racionalidade técnica burocratizada (Vargas-Mendoza, 2006).

Para a teoria habermasiana não existem deslocamentos entre esses dois mundos, mas sim a constituição do que o autor apresenta como sendo a esfera pública que, se organiza no espaço abstrato. O mundo da vida, para Habermas (1989), se constitui através do contexto de situação da ação, ao passo que fornece também os recursos necessários para os processos de sua interpretação, sendo que os participantes da comunicação buscam superar a fragilidade de entendimento mútuo surgido em cada contexto de uma nova situação. Já a concepção de esfera pública, para Habermas (1997), deve ser compreendida como um fenômeno social e não como uma organização, instituição ou mesmo como um sistema, por não possuir estrutura normativa de regulação e de controle; além de se caracterizar por meio de horizontes abertos, permeáveis e deslocáveis. Para o autor, a esfera pública se apresenta como uma rede de comunicação, onde os conteúdos e as tomadas de posições sedimentam-se com base nos fluxos comunicacionais; estes últimos são filtrados e postulados a elucidar o que se pensa, sendo capaz de gerar a opinião pública.

A esfera pública se reproduziria por meio do agir comunicativo, ou seja, para o autor, este agir se daria pela linguagem natural e pela prática comunicativa cotidiana; neste sentido, tal aspecto seria constituído pelo agir comunicativo e mediado pelo entendimento, obtendo relação/interação com o espaço social. Portanto, é em seu curso – gerado pelo agir e não pelas funções e conteúdos – que se caracteriza a comunicação desta prática. O autor salienta que a

esfera pública ainda está muito relacionada a espaços concretos de um público, pois quanto mais se desligam de sua presença física mais se torna evidente a abstração da passagem da estrutura espacial das interações simples para a generalização da esfera pública. Para o autor as ações dos indivíduos não estão ligadas somente as estruturas econômicas, mas pela esfera pública, tornando-se, para tanto, a essência do “palco” do mundo da vida e do mundo dos sistemas, seria então os problemas do mundo da vida que nos leva a considerar a opinião pública.

Para Nicácio (2008), a concepção de mediação adotada na origem do Programa Mediação de Conflitos está relacionada ao procedimento que possibilita o uso da linguagem do Direito baseado na concepção/teoria da ação comunicativa formulada por Habermas. Este processo segundo a autora serve para empoderar as pessoas no reconhecimento, tratamento e resolução dos conflitos sociais no âmbito do espaço público. Para a autora, os participantes da mediação são sistematicamente chamados a se responsabilizar por suas posições e decisões.

Vê-se, pois, que o processo de mediação é democrático, por incorporar todas as “vozes” e, apesar de ter um poder decisório limitado, quando efetivamente aceito pelas partes, pode ter efeitos duradouros a despeito de se darem em esfera administrativa não-formal. Além de democrático, ele é também emancipador. Isto porque, numa situação de mediação, os integrantes (individuais e coletivos) devem exercer sua capacidade de autonomia crítica e de interação dialógica para o julgamento da questão. Essa criticidade não deve ser qualidade apenas dos indivíduos que se encontram em situação problemática ou de litígio. Toda a equipe deve ser portadora dessa autonomia crítica. Ou seja, durante o processo de mediação, todos (...) deverão ser capazes de, a partir de formas discursivas, justificar suas escolhas e decisões perante o(s) outro(s). (GUSTIN apud NICÁCIO, 2008: 118).

De matriz crítica, sobre os modelos Alternativos de Resolução de Disputas (ADRs), Nader (1994) menciona que os antropólogos subestimaram o papel das ideologias jurídicas na estruturação e desestruturação das culturas. A autora estuda a utilização do modelo de harmonia e sua relação como uma técnica de pacificação social. Em seus estudos analisa a

ideologia da harmonia e o funcionamento coercivo em três realidades: (i) entre os zapotecas e outros povos colonizados; (ii) nos Estados Unidos que, de 1975 até a atualidade, se utilizam dos estilos conciliatórios – Alternative Dispute Resolution (ADR) – como parte de uma política de pacificação em resposta aos movimentos sociais da década de 60 (estes lutavam pelos direitos de maneira geral); e (iii) em cenário internacional de modo geral, onde as técnicas da ADRs se multiplicaram, para intervir com disputas relacionadas aos rios. Segundo a autora, muitos antropólogos analisaram os conflitos em ambientes diversos e escreveram teorias sobre o assunto, porém, não se chegou a dispor de teorias que pudessem expressar significados sobre a “harmonia”. Ela retoma os estudos etnográficos realizados pela antropologia do direito e critica a ideia da harmonia como fato consumado e explicativo da desarmonia, destacando, sobretudo, que os próprios antropólogos, que sem perceberem tal ponto, também são capturados pelas ideologias de suas próprias culturas e, por isso, não conseguem captar que estilos de disputas são culturalmente definidos, impostos e difundidos.

Recentemente, observadores da área da antropologia legal levantaram questões sobre o grau em que, enquanto observadores científicos, fomos capturados pelos sistemas de pensamento de nossas próprias culturas, deixando, talvez, de reconhecer que os estilos de disputa são um componente das ideologias políticas, sendo, frequentemente, resultado de imposição ou difusão (NADER, 1994: 01).

Neste sentido, Nader (1994) sugere uma importante reflexão sobre as práticas que tem como parte de sua concepção os “estilos conciliatórios”, enfatizando alguns obstáculos nos processos de democratização, como, por exemplo, a persistência de valores e práticas hierarquizantes e excludentes que se mantém com base nos padrões mentais e culturais tradicionais, que se aprisionariam frente às possíveis inovações no campo da cultura jurídica. A autora volta seu olhar para a compreensão das contradições e equívocos dos modelos que adotam a harmonia legal como a “salvação da humanidade”. Mesmo que ela não tenha se

dedicado aos estudos sobre o caso brasileiro, percebemos que suas reflexões auxiliam as análises que tem como objeto de estudos a harmonia legal.

Neste trabalho, os documentos encontrados apontam sempre para uma relação da democratização dos direitos e a adoção dos modelos “conciliatórios” como garantia do acesso à Justiça visando à pacificação social, como se estes modelos fossem propagar a disseminação de uma cultura de paz em detrimento da cultura de violência, anulando em grande medida os componentes de exclusão e de hierarquias que organizam as sociedades historicamente. Esses elementos na verdade demonstram mais um tensionamento entre teoria e prática – e especialmente uma tensão da própria cultura jurídica – do que a substituição de uma perspectiva/modelo por outro, exatamente por proporcionar uma convivência entre eles 55. Portanto, muito embora seja possível identificar estas perspectivas debatidas pela autora, sobre a harmonia coerciva, encontramos vários aspectos nessa pesquisa que nos levam a pensar na convivência entre os modelos ou características culturais. Mais do que a adoção de um ou outro modelo influenciado pela cultura jurídica como algo monolítico, entendemos que isso ocorre exatamente pelo fato de coexistir referências culturais distintas na cultura brasileira que permitem uma convivência tensionada. Para uma das entrevistadas, o que prevalece é a “lógica da contradição”, (...) porque a lógica é a lógica da contradição (Miracy Gustin). Também na fala da mediadora abaixo, o programa estaria, no limite, proporcionando a convivência destas distintas perspectivas, o que a faz pensar e acreditar em uma mudança de

cultura, mesmo que lenta.

(...) eu acho que o Programa para mim, ele é antes de tudo uma mudança de cultura, no sentido de tudo que agente trabalha com a comunidade, numa perspectiva de pacificação, de trabalhar o diálogo, no caso em que pessoas estejam em situação desigual de poder, nós vamos trabalhar no sentido que este poder seja mais nivelado, mas de todas as formas nós vamos trabalhar de maneira pacífica, de respeito à diversidade, de respeito ao contexto, de

55 No terceiro capítulo retornaremos este ponto a partir da percepção dos atendidos pelo Programa Mediação de

valorização desses espaços, isso para mim, tem tudo a ver com o que eu acredito para minha vida, eu acredito que, eu não concordo com “n” situações de impunidade, corrupção, discriminação, preconceitos, e a forma como as pessoas tentam resolver isso, muitas das vezes com medidas drásticas, com “pena de morte”, reduzir a idade penal, soluções sempre drásticas que eu não acredito, eu acho que o Programa, na prática, consegue mudanças ainda que eu não consiga ver assim muitas mudanças, mas sei que vamos ver alguma mudança (Mediadora C.).

Contudo, cabe ressaltar que culturas têm contradições, tensões e coexistências de fatos/elementos distintos e que, nenhuma cultura é perfeitamente harmônica, sem tensões ou conflitos. Porém, os elementos que destacamos estão expressos também na relação entre o Programa Mediação de Conflitos/seus mediadores e os atendidos pelo mesmo, pois é certo que se tem uma relação de poder assimétrica, em que se procura de alguma forma – em nome da pacificação e do acesso à Justiça – “fazer a cabeça” dos que estão sendo atendidos/ “beneficiados” pelo programa. E, é isso, em parte, que Nader (1994) tenta demonstrar, quando fala de harmonia coerciva; a partir dos casos analisados, a autora postula que um grupo tenta impor um tipo de harmonia sobre o outro. No caso entre o programa/mediadores e atendidos, se partimos dessa perspectiva também podemos pensar em uma relação assimétrica, impositiva; os aspectos relacionados às características históricas que influenciam a cultura jurídica do país ajudam a compreender as hierarquias e a existência de um terceiro responsável pela decisão sobre o direito das partes.

As concepções teóricas que fundamentam as práticas de administração de conflitos, principalmente nessa análise sobre o Programa Mediação de Conflitos, são complexas e se estruturam em meio a influências culturais distintas, conforme demonstramos. Se, por um lado, temos, como no caso norte-americano, um amplo crescimento de experiências jurídicas baseadas nos métodos alternativos de resolução de disputas (ADRs) influenciada pelo modelo

de democracia e cultura daquele país 56, por outro, como no caso brasileiro, encontramos algumas aberturas, em termos de intervenção e teoria, mesmo que expresse, como vimos, tensionamento, há, sobretudo, práticas que são influenciadas pelo próprio pluralismo jurídico, que irá reunir as várias instâncias formais e informais de resolução de conflitos.

Segundo Gustin (2005), o direito permeia o universo das inter-relações, contornando os arredores da vida social, que nem sempre são expressas pela estrutura jurídica formal. Com base em tal entendimento, a autora encontrou no pluralismo jurídico a fundamentação do Programa Mediação de Conflitos, conforme apresentamos. Resta dizer ainda que, além do conjunto de normas e comportamentos que estão nos “arredores da vida social”, outros elementos também estão relacionados à concepção do programa. E isso pode ser percebido, especialmente, a partir da fala dos entrevistados vinculados a tal prática. Podemos dizer que encontramos profissionais “dispostos” e “convencidos” por suas próprias histórias pessoais a estabelecer “novas” formas de diálogo e de transmissão do direito às populações, encurtando a letra da lei à aplicabilidade das regras sociais já pré-estabelecidas, muitas das vezes legitimando uma nova forma de fazer ou até mesmo de conceber direitos, mesmo que para isso, concordando com Nader (1994) se estabeleça relações de imposição sobre as formas de resolução de conflitos. Contudo, o Programa Mediação de Conflitos, nessa seara, parece solidificar uma possível linguagem de comunicação e de acesso à Justiça entre os mediadores atuantes e a população atendida, o que talvez crie outro ponto de coexistência entre a hierarquização e a horizontalização nestas relações; a entrevistada abaixo não deixa de problematizar a noção de direitos formal, mas atua, sobretudo no senso que ela estabelece de “justiça social”. Vejamos sua fala que contempla também sua percepção de direitos e seu olhar sobre as pessoas atendidas pelo programa.

56 Estudos comparados sobre as concepções de igualdade, especialmente as formas de administração de

conflitos, foram/são minuciosamente analisados por Cardoso de Oliveira (1996a; 2002; 2006; 2010), quando se trata do caso norte-americano, do Canadá/Quebec, da França e do Brasil.

(...) principalmente um senso de justiça social, porque eu acho que o que eu sentia, da dificuldade de onde eu venho, do lugar por onde eu passei, e aí eu sinto isso, todas essas questões dentro da mediação [do Programa Mediação de Conflitos] (...) eu venho de um lugar que é muito semelhante dos lugares de onde trabalho, então assim, eu acho que quando você olha por dentro não é de lá não é igual, mas quando você está olhando do outro lado essa identificação com o público atendido, essa identificação com essas necessidades e principalmente, a identificação de todas essas pessoas como um potencial, com uma capacidade imensa de transformação da sua realidade, transformação da própria vida, e isso eu acho que a mediação se torna uma ferramenta de trabalho, tanto pela vertente da mediação como da orientação, é a possibilidade das pessoas mudarem aquilo que em suas vidas não estão satisfeitas ou melhorarem o que já estão satisfeitas, mas para irem adiante, então eu acho que isso aí é fundamental e tem muito haver com minha história, eu fui ajudada, me foi apresentada essas oportunidades por pessoas de fora, eu agarrei essas possibilidades, consegui, saí dali, mas quero voltar meu trabalho para mesma coisa...eh, fornecer a outras pessoas essas mesmas possibilidades. (...) (Mediadora A1.)

A entrevistada traz um sentido muito próprio sobre a ideia de mediação e de direitos – que parece estar vinculado à história de vida de cada mediador – destacando a importância de suas crenças e do lugar de nascimento, algo que os faz identificar mais com a realidade de atuação do programa do que necessariamente com a modificação das instituições do sistema de justiça formal. Outras falas, como as destacadas abaixo, apresentam algumas relações entre a busca dos mediadores por um trabalho/emprego que possa se aproximar de suas convicções.

(...) desde quando eu saí do interior, eu tinha como muito caro prá mim que eu queria estudar, (...) e essa inserção no mundo do trabalho, pagar aluguel, pagar as coisas, e quando eu cheguei aqui, as oportunidades foram aparecendo (...) e quando eu entrei na psicologia, que eu vi uns trabalhos nas comunidades, aquilo ali mexeu comigo (...) (Mediador L.)

(...) são pontos de vistas, (...) todo mundo tem um ponto de vista, a gente tem que escutar o

Benzer Belgeler